Capítulo Seis: A Estrela da Canção
“Uma! Haha! Treze Orlas, paguem! Paguem!” Dentro da sala de observação do posto avançado, Simão Ventos, Grinaldo, Eurico e Cássio estavam animadamente jogando mahjong. Desde que Simão Ventos acordou, Grinaldo chamou Eurico e Cássio para se juntarem a ele. Simão também soube, por meio dos três, algumas notícias sobre aquele sistema estelar, e explicou resumidamente sua origem. É claro que não contou que fora sugado pelo portal espacial durante uma batalha com o Rei das Chamas; disse apenas ser um mestre do combate que, numa grande guerra, acabou sendo tragado pelo portal sem saber como.
Depois de revelar sua identidade, Grinaldo e os outros ficaram bastante animados. Por ali, mestres do combate eram muito apreciados, e rapidamente Simão criou laços com os três. Mal descansara um dia e já fora arrastado para a sala de observação para o jogo, algo que ele jamais imaginara encontrar naquele planeta. Logo se deixou envolver na disputa, e pelo entusiasmo de sua voz, parecia que a sorte lhe sorria naquele dia.
“Seu maluco, você não é humano não? Como conseguiu isso? Perdi tudo, não jogo mais, hoje chega!” Cássio, com uma expressão aborrecida, falava ao ver as peças que Simão Ventos mostrou na mesa. Antes, ao jogar com Grinaldo, Cássio sempre vencia, mas hoje sucumbiu diante de Simão. Estando longe da influência da família Ventos, Simão revelou seu nome verdadeiro. Ninguém, nem mesmo Grinaldo, reagiu de forma exagerada, mostrando que ali o sobrenome Ventos não chamava atenção. Cássio, porém, prontamente apelidou Simão de “maluco”.
“Haha! Leão morto, até você caiu hoje!” Grinaldo deleitava-se ao ver a cara de derrota de Cássio, como se até a roupa íntima houvesse perdido.
“Hum! Inseto, você não está na mesma? Ainda tem coragem de rir de mim!” retrucou Cássio, visivelmente constrangido com a provocação.
“Haha! Mas claro que não é igual, eu já estou acostumado a perder, diferente de você! Se não me engano, é a primeira vez que perde nesse jogo, não é? Finalmente encontrou um rival à altura. E aí, como se sente?” Quanto mais falava, mais contente ficava Grinaldo, como se descontasse antigas mágoas.
“Bem, Cássio, eu não quis ganhar de você, se quiser posso devolver em algumas partidas...” Sentindo-se um pouco sem graça diante do rosto rubro de Cássio, Simão Ventos tentou amenizar. Não entendia como a sorte lhe sorria tanto, pois antes, jogando esse mesmo jogo, quase sempre perdia ou empatava; talvez toda a sorte acumulada tivesse vindo à tona naquele dia.
“Ganhar é ganhar, perder é perder, não vou me indispor por tão pouco. Mas já que falou assim, maluco, então a partir de agora você fica de vigia na sala de observação. Vou dormir um pouco, certeza que perdi porque não dormi direito!” Cássio resmungou, saindo da sala sob os olhares surpresos dos outros três.
“Simão, não leve a mal o Cássio, ele é assim mesmo. Quando conviver mais tempo com ele vai entender! Apesar do jeito difícil, é boa pessoa!” Grinaldo falou, vendo Cássio ir embora.
“Grinaldo, claro que não vou levar a mal, esse jeito dele é como trata irmãos! Por que não vão descansar também? Eu fico de olho no portal espacial!” Simão Ventos sugeriu, sorrindo ao ver o cansaço estampado no rosto de Grinaldo.
“É mesmo! Nem me dei conta, faz mais de um dia que não durmo direito, estou morto de sono!” Assim que Simão falou, o sono se abateu sobre Grinaldo.
Após a saída de Grinaldo, restaram apenas Simão e Eurico na sala. Mas Eurico era inquieto, e assim que viu os outros saírem, saiu correndo para explorar o espaço, deixando apenas um aviso para Simão Ventos. Assim, Simão ficou sozinho de guarda, contemplando o portal espacial negro. Seus pensamentos vagaram longe, lembrando que já havia perguntado a Grinaldo sobre o portal. Na verdade, aquele portal ligava-se apenas a um planeta de recursos não muito distante, e, por ser pouco habitado, era raramente utilizado. O motivo de Simão ter sido transportado de tão longe devia-se à instabilidade recente do portal.
Ao ver a base abandonada, Simão Ventos ficou completamente desolado. Não se importava com a partida dos outros, mas o silêncio com que Jade Oriental se foi o deixou abalado. No entanto, ao perseguir a nave de transporte e vê-la diminuir a velocidade, seu coração reacendeu. Acreditava que Jade Oriental jamais o abandonaria; deveria haver um motivo forte para sua partida. Por isso, ao acordar, Simão não ficou demasiadamente triste.
O tempo passou rápido. Logo se completou um mês, e os observadores destacados para outros postos retornaram ao posto de observação. Antes, devido a grandes instabilidades em outros portais, os observadores dali haviam sido transferidos, e os alunos, como Grinaldo, assumiram temporariamente suas funções. Agora, com a estabilidade restaurada, os observadores deviam retomar seus postos.
“Grinaldo, será que vou ter problemas se voltar com vocês? Acho que ainda não tenho o documento que você mencionou!” Simão soube, em conversas, que naquele planeta era quase impossível viver sem identificação. Não só para alugar uma casa, até mesmo para fazer compras era necessário o documento, pois o dinheiro era vinculado a ele. Não se usava estrelas como moeda direta.
“Não se preocupe, Simão. Ao voltarmos para a Estrela do Canto, vamos primeiro registrar você. Por ser um caso especial, deve conseguir o documento rapidamente!” Grinaldo logo tranquilizou Simão. Situações como a dele eram raras, mas não inéditas.
“Aliás, Simão, qual o seu nível como mestre do combate?” Grinaldo sempre quis perguntar, mas por ser algo pessoal, esperou até ter mais intimidade.
“Acho que sou nível seis, mas não tenho certeza. Quando fui sugado pelo portal, era nível cinco!” Simão respondeu, um pouco incerto.
“Mestre do combate nível seis?” Grinaldo e os outros pensavam que Simão fosse apenas nível quatro ou cinco. Esses níveis já tinham certo prestígio na Estrela do Canto, mas não eram tão úteis para eles quanto um nível seis, que fazia toda a diferença. Para os três, um mestre do combate nível seis superava até os inatingíveis de nível sete.
“Sim! Mas talvez seja engano meu!” Diante da dúvida de Grinaldo, Simão ficou ainda mais inseguro. Ultimamente, sua ascensão de nível foi tão rápida que até ele duvidava. Apesar de seu nível de lutador ter caído para três, devido ao uso forçado de uma técnica especial, sabia que logo recuperaria o antigo nível com treino, então não se preocupava.
“Quando voltarmos à Estrela do Canto, verificamos isso. Se for mesmo nível seis, não precisa se preocupar mais com identidade. Lá, fora um mestre do combate nível oito, só há alguns poucos de seis e sete, todos muito arrogantes. Se você for nível seis, nem precisa de documento para ter prestígio e regalias. Só não se esqueça de nós, hein!” Grinaldo exclamou, radiante.
“Pode ficar tranquilo, Grinaldo. Seja eu nível seis ou não, se precisarem de mim e eu puder ajudar, contem comigo!” Simão respondeu, batendo no peito. Sentia-se em dívida com os amigos pelo acolhimento; não imaginava que ali mestres do combate tivessem tanto prestígio, mais até do que em seu planeta natal, famoso por formar tais guerreiros.
“Haha! Simão, sabia que não me enganei ao fazer amizade contigo! Não vou me alongar, mas se precisar de algo, pode contar conosco!” Grinaldo ficou ainda mais satisfeito. Mesmo que Simão não fosse nível seis, era pelo menos nível cinco, e com sua juventude, chegar ao seis era apenas questão de tempo. Ter um amigo assim, com quem já dividira perigos, era uma vantagem inestimável para o futuro.
“Maluco, se for mesmo nível seis, quando voltarmos vou te pedir um favor!” Eurico, um pouco sem jeito, dirigiu-se a Simão.
“Eurico, fale o que precisa. Se estiver ao meu alcance, tenha certeza de que farei com todo o empenho!” Simão respondeu prontamente. Em suas conversas, percebeu que entre eles eram considerados grandes mestres na Estrela do Canto, três dos quatro reis do colégio.
“Então está combinado!” Eurico disse, feliz. Aquilo pesava em seu coração há tempos, mas nunca encontrara alguém de confiança; aos mestres arrogantes de nível seis, jamais pediria nada.
“E você, pato, ainda não achou quem faça aquele serviço?” Cássio, curioso, se interessou pela questão de Eurico.
“Hum! Leão fedido, nem fale. Você mesmo tem várias coisas pendentes esperando alguém capaz de concluir!” retrucou Eurico.
“Pois é, dependemos do maluco agora. Simão, não nos decepcione!” disse Cássio, por um instante, sério.
“Não joguem toda a esperança nas costas do Simão. Se ele não for nível seis, quero ver vocês chorando por aí!” Grinaldo não perdeu a chance de provocar Cássio.