Capítulo Dois: Fênix Ye

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3293 palavras 2026-02-08 14:15:08

Capítulo Dois – Ye Huang

—Irmão Dongfang, você é mesmo muito gentil! Não precisava se incomodar em vir pessoalmente me receber! — No porto interestelar, o Tio Wang sorria ao conversar com um homem de meia-idade cujo semblante lembrava um pouco Dongfang Yuhuan.

—Irmão Wang, não diga isso. Todos sabem que você é o homem mais estimado pelo Mestre Ximen. Não é só por eu ser de um ramo secundário; mesmo meus primos mais velhos viriam recebê-lo pessoalmente! — Dongfang Yu respondeu, com um ar abatido. Desde que Dongfang Yuhuan fugira de casa, Dongfang Yu andava desanimado, tanto pela preocupação com a filha quanto, e talvez principalmente, pelos gritos da esposa.

—Irmão Dongfang, está com algum problema? — Sendo um velho astuto, se nem ao menos conseguisse perceber as emoções estampadas no rosto de Dongfang Yu, não mereceria o título.

—É só um pequeno contratempo, nada que mereça preocupação, irmão Wang. Não vou tomar mais do seu tempo aqui; eles já reservaram uma mesa no Pavilhão do Vento Divino e só esperam que eu o leve até lá. Se demorarmos, quem sabe quanto me farão beber depois! — respondeu Dongfang Yu, abanando a mão em tom descontraído.

—Então vamos depressa! — Wang tampouco insistiu no assunto.

...

—Mamãe, voltei! — À porta de uma elegante mansão, Dongfang Yuhuan bateu levemente e gritou alegremente para dentro.

A porta se abriu de repente e uma mulher de meia-idade, com feições semelhantes às de Yuhuan, surgiu segurando uma colher, o rosto iluminado de felicidade.

—Yuhuan, minha querida filha, finalmente resolveu voltar! Você não sabe como fiquei preocupada todos esses dias! — Ye Huang abraçou a filha com força, a voz embargada pelas lágrimas.

—Mamãe, me desculpa! Prometo que nunca mais vou sair sozinha desse jeito! — Dongfang Yuhuan não conteve o choro enquanto se desculpava.

As palavras da filha derreteram o coração de Ye Huang. Ela ainda pensava em repreendê-la severamente, mas só restava agora o afeto.

—Pronto, já chega dessas lágrimas, senão os outros vão rir de nós. E você ainda não me apresentou quem é esse rapaz? — limpando as lágrimas do rosto da filha, Ye Huang sorriu com leveza, num tom brincalhão.

—Mãe, ele se chama Ah Dai, é um amigo que conheci nessa viagem. Ele queria estudar para ser Guerreiro Espiritual, então veio comigo! — Yuhuan respondeu, corando. Já havia combinado com Ximen Feng para que ele viesse sob o pretexto de estudar, pois, embora a Estrela do Vento Divino fosse apenas um grão de areia no universo, a Academia do Vento Divino era renomada.

A Academia era o principal pilar da estrela e os Guerreiros Espirituais da família Dongfang eram famosos em todo o universo. Ser aceito como aluno era motivo de orgulho, mesmo para quem não era da família, e todos os anos muitos de fora pagavam fortunas para estudar ali.

Ao ouvir a explicação, Ye Huang não desconfiou. Embora a academia recebesse muitos de fora, a concorrência era feroz e muitos buscavam recomendações de membros da família Dongfang. Antes, Ye Huang desprezava esses pedidos e negava a todos, mas agora, diante do pedido da filha, faria o impossível para ajudá-la. Mesmo com as vagas já preenchidas, o prestígio de Ye Huang garantiria facilmente um lugar a mais.

—Mãe, diga alguma coisa! Já sei que as inscrições acabaram, mas com sua influência, colocar mais um aluno não deve ser problema! — Vendo Ye Huang apenas observar Ximen Feng sem dar resposta, Yuhuan ficou ansiosa. Conhecia bem a mãe, que raramente aceitava interceder por alguém.

Ye Huang sorriu levemente, desviando o olhar para a filha. Pela expressão aflita, percebeu que a relação entre Yuhuan e Ah Dai não era só de amizade. Contudo, sempre fora aberta quanto aos relacionamentos da filha. Sem saber quem era realmente esse Ah Dai, preferiu não perguntar por ora, decidindo averiguar depois.

—Fique tranquila, minha querida. Para os outros posso não fazer, mas, já que você pediu, não importa o que aconteça, vou ajudá-lo! — disse Ye Huang por fim, aliviando a aflição da filha.

—Eu sabia que minha mãe é a melhor do mundo! — Yuhuan exclamou, abraçando Ye Huang e beijando seu rosto.

—Já não é mais uma criança, se alguém ver vai rir! — respondeu Ye Huang, rindo da filha.

Yuhuan fez uma careta, olhou para Ximen Feng e, com graça, disse: — Quero ver ele rir!

—Vocês ainda não comeram, não é? Eu estava indo preparar o almoço. Vão descansar um pouco que vou preparar algo delicioso! — Ye Huang acariciou o rosto da filha e sorriu.

—Vamos ter sorte hoje! Ah Dai, você não faz ideia de como a comida da minha mãe é melhor que a dos restaurantes mais famosos! — Yuhuan disse, animada, para Ximen Feng.

—Obrigado, tia! — respondeu Ximen Feng, sorrindo para Yuhuan. Sentia-se genuinamente tocado pela relação entre mãe e filha, algo que nunca teve, já que seus pais se separaram quando ele tinha dez anos.

...

—Argh! Mamãe, sua comida está maravilhosa! Quase engoli a língua! Você não sabe, fiquei um mês inteiro só comendo comida enlatada, quase virei uma lata também! — Depois do almoço, Yuhuan enlaçou o braço de Ye Huang, exagerando nas palavras.

—E onde vocês estiveram esse tempo todo, para comer só enlatados? — Ye Huang perguntou, surpresa. Achava que a filha tinha viajado a passeio, pois conhecia bem o gosto dela por viagens. Na verdade, Dongfang Yuhuan só saiu por estar sendo pressionada pelo pai a estudar para ser uma Guerreira Espiritual.

—Ah, fomos num grupo de excursão para um planeta primitivo. Só tinha enlatado para comer! — Yuhuan inventou a desculpa na hora.

Ye Huang olhou profundamente para a filha, mas não insistiu. Sabia reconhecer quando ela mentia, mas não quis forçar, pois, se Yuhuan não queria falar, nada a faria contar.

—Aquele planeta primitivo era tão hostil! Mesmo com guia, muita gente se machucou. Ainda bem que o Ah Dai estava lá, senão você não teria mais uma filha tão bonita! — Yuhuan manteve a mentira até o fim.

—Ah Dai acabou de chegar, não conhece nada aqui. Você deve acompanhá-lo nos próximos dias, mostrar a cidade! — Ye Huang acariciou a cabeça da filha, sentindo ainda mais simpatia por Ah Dai por tê-la salvado.

—Com certeza! Ah, mãe, o Ah Dai ainda não tem onde ficar. Como temos tantos quartos sobrando, ele pode ficar aqui, não é? — Yuhuan balançou o braço da mãe, pedindo.

—Claro, minha filha querida, como quiser. — Ye Huang apertou de leve o nariz da filha.

—Não precisa se incomodar, tia. Posso achar uma pousada por aqui, sem problemas... — Ximen Feng coçou a cabeça, constrangido. Apesar do relacionamento indefinido com Yuhuan, sentia-se desconfortável em ficar ali.

—Ora, vai dizer que hotel é de graça? Mal consegui convencer minha mãe, você não pode recusar! — Yuhuan, de volta ao lar, parecia ter esquecido todas as preocupações e exalava uma energia juvenil contagiante.

—Isso mesmo, Ah Dai. Você é amigo da Yuhuan, não precisa cerimônia. Temos quartos de sobra, e mais gente faz a casa mais animada! — Ye Huang completou, percebendo o constrangimento de Ximen Feng.

—Bem... eu... — Ximen Feng ainda hesitava.

—Nada de desculpas, está decidido! Eu já estava cansada de ficar sozinha em casa, agora tenho companhia! — Antes que Ximen Feng respondesse, Yuhuan decretou.

—Então, agradeço pela hospitalidade, tia! — vendo-se sem saída, Ximen Feng aceitou.

Ao ouvir a resposta, Yuhuan lançou-lhe um olhar divertido, como se dissesse “ainda bem que você entendeu”. Logo o esqueceu e se pôs a conversar animadamente com Ye Huang; depois de tantos dias distante, tinha muito a contar à mãe.

Observando as duas, Ximen Feng sentiu-se feliz por Yuhuan. Ela vivera dias de medo e certamente nunca mais queria reviver o que passou.

Nesse instante, a porta da frente se abriu lentamente e Dongfang Yu entrou, com o rosto amarrado.

—Então você ainda lembra de voltar pra casa! — Antes mesmo de entrar, Dongfang Yu repreendeu a filha em tom baixo.