Capítulo Dez: O Grito Surpreso de Lin
Capítulo Dez – O Grito de Lin
Após analisar as habilidades do Leopardo Alado, Ximen Feng sentiu uma impaciência crescente para testá-las. Ocultação... não era isso o mesmo que ficar invisível? O sonho de todo sujeito recluso! Ao ler a descrição dessa habilidade, notou que sua natureza se assemelhava à Rede Elétrica do Rato dos Raios: enquanto a Rede espalhava energia pelo corpo para detectar perigos, a Ocultação criava uma barreira ao redor do corpo, impedindo que alguém de fora visse o que acontecia dentro dela.
Apesar da semelhança aparente, a Ocultação era consideravelmente mais difícil de dominar que a Rede Elétrica. Esta última dependia de compreender a técnica, e mesmo que o alcance inicial fosse pequeno, ainda assim podia ser ativada. Já na Ocultação, um único erro resultava em exposição. Só de imaginar a cena — espiando uma bela mulher tomar banho de perto e, de repente, sendo descoberto —, Ximen Feng sentiu um calafrio percorrer-lhe a espinha.
Refletindo, concluiu que deveria começar pelo primeiro talento: o Vento Ágil. Seja para fugir ou atacar de surpresa, seria uma habilidade valiosa. Enquanto guiava lentamente o Leopardo Alado, buscava acostumar-se com as diferenças entre ele e o Rato dos Raios. A principal distinção era a presença das asas nas costas do Leopardo. Se ele sobrevivia à competição feroz, era sinal de que aquelas asas tinham uma utilidade além do mero enfeite.
Caminhando e tentando controlar as asas, Ximen Feng percebeu que, ao contrário de guiar o Leopardo, que foi fácil de dominar, manipular as asas parecia quase inútil — como se fossem um peso morto. No entanto, à medida que avançava trôpego, sua coordenação melhorava, e o desconforto desaparecia. Em pouco tempo, corria cada vez mais rápido, acompanhando o ritmo das asas, quase sentindo-se prestes a decolar.
Como se guiado por um instinto, Ximen Feng mentalizou o nome da habilidade: “Vento Ágil”. A energia vital em sua estrela principal agitou-se intensamente, fluindo por todo o corpo do Leopardo Alado. De súbito, sentiu-se leve e sua velocidade dobrou.
Mas o desastre veio em seguida. Ele ainda não dominava aquela velocidade e, num piscar de olhos, entrou correndo na floresta. O suor frio escorreu-lhe pela testa ao perceber o perigo; imediatamente cortou a energia, reduzindo o ímpeto da fera. Diante de uma árvore gigantesca, a menos de meio metro, respirou aliviado — uma hesitação a mais e poderia ter perdido a vida.
Com o coração apaziguado, Ximen Feng recordou a sensação do Vento Ágil. O aumento de velocidade era maravilhoso; bem usado, poderia surpreender inimigos em combate. Contudo, percebeu que, quanto mais rápido ia, mais difícil era comandar a besta — entre dar uma ordem e ela ser executada, havia um atraso incômodo.
— Você não tem amor à vida, Feng? Eu ainda quero viver uns dias a mais! Nem acostumou-se direito com esse corpo e já usa o Vento Ágil correndo entre as árvores? Se sua percepção mental fosse um pouco menor, agora estaríamos mortos! — reclamou Xiao Zi, assim que Ximen Feng se acalmou.
— Desculpa, não imaginei que isso fosse acontecer. Mas... o que é percepção mental? — apressou-se em mudar de assunto ao ouvir um novo termo.
— Percepção mental é o tempo entre você dar uma ordem e a besta recebê-la. Geralmente, é superior a um décimo de segundo. Quanto maior o nível do domador, menor essa diferença. Para feras de nível três, costuma variar de um décimo a um centésimo de segundo. Se sua fera fosse comum e você só tivesse dado o comando ao perceber o perigo, o atraso teria sido fatal — explicou Xiao Zi, em tom de repreensão.
— Entendi! Pode deixar, Xiao Zi, serei mais cuidadoso. Como diria um grande sábio, jamais tropeçarei na mesma pedra duas vezes — respondeu, envergonhado, ainda suando frio.
— Assim espero. Habilidades como essa, de aceleração, não devem ser usadas em terrenos complicados antes de dominar o controle. Senão, é desastre na certa! — continuou Xiao Zi, com ar de quem já viu de tudo.
Temendo mais sermão, Ximen Feng se apressou: — Já entendi! Vou praticar mais um pouco. — E saiu rapidamente da floresta, receoso de que Xiao Zi prolongasse a lição. Este, ao vê-lo sair, aninhou-se num galho e voltou a cochilar — mesmo sem precisar de sono, o hábito de dormir parecia enraizado em sua natureza.
— Vento Ágil! — bradou Ximen Feng, e o Leopardo Alado disparou à frente. Com a experiência acumulada, já não se apavorava; controlava bem o dobro da velocidade, conseguindo até fazer curvas fechadas. Caso algum mestre visse aquilo, ficaria de olhos arregalados: o passo curvo do Vento Ágil só podia ser executado após milhares de repetições, e Ximen Feng havia usado a técnica apenas oito vezes!
O efeito do Vento Ágil durava cerca de dez segundos; cessando o fluxo de energia, a aceleração acabava. Após algumas repetições, Ximen Feng esgotou sua energia, precisando sentar-se à sombra de uma árvore para recuperá-la. Sabia, pela experiência, que levaria ao menos uma hora para recarregar suas forças, tão escassas eram em seu corpo. Imaginou, curioso, quanto tempo precisariam aqueles mestres com reservas de dezenas de milhares de energia.
Uma hora depois, recuperado quase por completo, decidiu interromper o treino — a compreensão era tão importante quanto a prática. Invocou o Leopardo Alado, preparando-se para trocar para o Rato dos Raios e treinar suas técnicas de combate.
Porém, antes que pudesse completar a transformação, um grito agudo ecoou da floresta próxima.
— Aaaah!!!
O som cortante parecia perfurar seus tímpanos, assustando-o.
Após quase duas semanas de treinamento ali, Ximen Feng nunca vira vivalma por perto. Era estranho aparecer alguém justo hoje, e o grito soava claramente como pedido de socorro.
Por natureza, Ximen Feng não se metia em assuntos alheios. Não era desinteresse; é que, para ele, os riscos quase sempre superavam o benefício. Mas agora, com a posse de Qian Huan, sentia-se apto a intervir — talvez até por uma questão de justiça que não teve na vida passada.
Em poucos instantes, decidiu agir. O resultado dependeria da sorte.
Canalizou rapidamente a energia vital, distribuindo-a pelo corpo do Leopardo. Em um instante, ocultou-se na vegetação — para sua surpresa, a Ocultação funcionou logo na primeira tentativa.
Assim que desapareceu, alguém surgiu: uma mulher corria da floresta, cabelos esvoaçando, o rosto encoberto. Suas roupas estavam em frangalhos, revelando lampejos de pele sob o tecido rasgado. Atrás dela vinha uma fera em forma de lobo, os olhos vermelhos faiscando num brilho ameaçador. Suas garras longas rasgavam ainda mais as vestes da mulher, expondo-lhe o corpo a cada investida.
Estava claro: o domador daquela fera tinha intenções doentias, querendo despir lentamente a mulher antes de consumar a violência.
Diante desse espetáculo, Ximen Feng não pôde mais ficar parado. Se demorasse, a mulher ficaria completamente exposta — e, embora curioso, não gostaria de compartilhar tal cena com outro homem.
Rapidamente, concentrou energia e deu forma ao Rato dos Raios, envolto em uma forte luz violeta atrás da árvore.
Transformado, irrompeu da floresta. A mulher logo o percebeu a bordo do Rato dos Raios.
— Querido, você veio me salvar! — gritou ela com esperança nos olhos, a voz vibrando de alívio ao avistá-lo.