Capítulo Trinta e Dois: O Prelúdio do Caos

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 2193 palavras 2026-02-08 14:23:12

— Você não tem família? Por acaso não é deste planeta? — perguntou Ximen Feng, surpreso, à menina.

— Pois é! Desde que me separei de ti, irmão, fui capturada e trazida para este lugar! — respondeu a menina, pensando por um instante.

Diante da resposta, Ximen Feng sentiu uma leve dor de cabeça. Antes, pensara que a garota apenas o via como um salvador; jamais imaginara que ela realmente o considerasse seu irmão. Seria possível que essa menina tivesse alguma ligação com Ah Dai? Ximen Feng não pôde deixar de se perguntar.

— E agora, para onde você pretende ir? — ele perguntou, ainda com a cabeça pesada.

— Para onde o irmão for, eu vou também! — respondeu a menina, piscando os olhos.

Diante disso, Ximen Feng olhou para ela, resignado. Não esperava que, ao sair para passear de bom humor, acabaria encontrando uma irmã.

— Bem, não tenho pressa para voltar. Primeiro, vou comprar algumas roupas para você, está bem? — Disse ele, pensando ao olhar para as vestes rasgadas da menina. Afinal, não tivera uma irmã em sua vida passada; poderia, nesta vida, compensar essa ausência.

— Está bem! Se o irmão diz, assim será! — respondeu ela, doce. Ao ver o sorriso encantador da menina, o ânimo de Ximen Feng melhorou sensivelmente.

— Minha irmã, escolha o que quiser lá dentro, eu espero aqui fora! — disse ele, constrangido, ao chegarem a uma loja de roupas íntimas femininas.

— Não! Quero que o irmão entre comigo! — respondeu ela, olhando desejosa as peças coloridas expostas na loja, mas, mesmo assim, relutante em entrar sozinha.

— Está bem! Mas vou me sentar ali no canto, escolha você mesma! — disse Ximen Feng, sentindo o olhar curioso e provocativo dos que passavam. Rapidamente, puxou a menina para dentro da loja, como quem foge. Atrás dele, a menina tinha lágrimas nos olhos. Ela sabia bem que o homem diante de si não era seu irmão, mas, desde o primeiro olhar, sentiu nele uma aura semelhante à de seu irmão falecido. Não era uma semelhança física, mas uma sensação. Feng Qianwu não sabia explicar o motivo, apenas sentia uma proximidade imensa com Ximen Feng; caso contrário, não teria insistido tanto em chamá-lo de irmão.

— Irmão, que tal esta? — Feng Qianwu aproximou um sutiã de renda do peito e mostrou para Ximen Feng. Agora, com o rosto limpo e as roupas renovadas, sua silhueta era ainda mais impressionante, e sua beleza sem igual fazia Ximen Feng compreender por que tantos a perseguiam sem cessar. Contudo, naquele instante, ele sentiu o sangue ferver e quase jorrar pelo nariz.

— Está ótimo! Se gostou, leve! — respondeu ele, mantendo o rosto impassível.

Só depois que Feng Qianwu se virou, Ximen Feng conseguiu respirar aliviado. Passou a mão no nariz, feliz por ter conseguido se controlar; do contrário, teria perdido toda a compostura.

— Irmão, não gostou? Então vou escolher outro! — disse ela, decepcionada, devolvendo o sutiã e voltando para as araras.

— E este, irmão? Que acha? — perguntou, segurando uma calcinha preta rendada junto à perna.

Na vida passada, embora Ximen Feng tivesse tido um relacionamento, nunca passara dos simples carinhos, muito menos se deparara com uma situação dessas. Por um momento, sentiu o sangue todo subir ao rosto.

— Essa está ótima! — exclamou rapidamente, passando a mão no nariz para disfarçar o embaraço.

— Se o irmão aprovou, então vou levar! — disse Feng Qianwu, sorrindo enquanto entregava as peças à vendedora, juntando àquelas que Ximen Feng aprovara.

Após pagarem, Ximen Feng praticamente fugiu da loja, enquanto risadas cristalinas de Feng Qianwu e da vendedora ecoavam atrás dele.

— Irmão Feng, a questão é complicada; talvez leve um tempo para descobrir quem está por trás disso — soou a voz de Doro no comunicador preso ao pulso de Ximen Feng.

— Não se preocupe. Essas coisas não se resolvem facilmente. Se continuarem com essas ações, cedo ou tarde acharemos o covil deles — respondeu Ximen Feng, sabendo que o caso envolvia os poderosos daquele planeta; se não fosse assim, Doro, com suas habilidades, já teria dado uma resposta diferente.

— Mas fique tranquilo, irmão Feng. Não deixarei o responsável impune! — retrucou Doro, com um tom ameaçador.

— Obrigado, Doro! — suspirou Ximen Feng, sentindo que, por ora, o assunto estava encerrado. Provavelmente, aqueles sujeitos não ousariam incomodar Feng Qianwu ou ele mesmo tão cedo.

— Ah, e desejo-lhe boa sorte em conquistar a bela dama! — Doro ainda brincou antes de encerrar a comunicação com uma gargalhada. Feng Qianwu, ao lado, ouvira toda a conversa. Vendo que ela não reagia de modo diferente, Ximen Feng relaxou e, despreocupado, caminhou de mãos dadas com ela pelas ruas.

Ximen Feng apenas percebeu a serenidade no rosto de Feng Qianwu, sem notar o rubor que subia em seu pescoço. Mas ela disfarçou tão bem que ele não percebeu.

Depois de comprarem todas as roupas necessárias, entraram em uma pequena taberna para jantar.

Naquele momento, dos alto-falantes da televisão presa à parede, ecoou uma voz melodiosa e encantadora, que, suave e envolvente, tocou o coração dos presentes e deixou Ximen Feng absorto.

— Pfff! Qual a graça? Eu canto muito melhor que ela! Irmão, se quiser ouvir, canto para você em casa! — disse Feng Qianwu, um tanto contrariada ao ver Ximen Feng tão fascinado.

— O quê? Você ousa dizer que a senhorita Geshan canta mal? Explique-se agora mesmo, ou não sairá por aquela porta! — exclamou, indignado, um jovem sentado à mesa ao lado, batendo com força na mesa e dirigindo-se furioso a Feng Qianwu.