Capítulo Vinte e Nove: Adeus, Dorô

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 2502 palavras 2026-02-08 14:23:00

“Gostaria de falar com o proprietário do estabelecimento. Não sei se ele está disponível agora.” Na recepção da Casa de Leilões Doro, Ximen Feng expôs sua intenção à jovem atendente.

“É o Mestre Feng, não é? Nosso proprietário já nos orientou: sempre que o senhor vier procurá-lo, não importa quão ocupado esteja, ele virá imediatamente! Por favor, aguarde um instante, vou avisá-lo da sua chegada!” A atendente, claramente instruída previamente por Doro, recebeu Ximen Feng com entusiasmo logo ao saber do motivo de sua visita.

“Vou esperar aqui então.” Ximen Feng, um pouco incomodado com tanta cordialidade, sentou-se num sofá próximo enquanto a moça comunicava-se com Doro.

“Meu caro Feng, que vento te trouxe hoje até aqui? Esta manhã meu olho esquerdo não parava de pulsar, imaginei que algo importante poderia acontecer. Agora entendo: era a sua nobre visita!” Antes que Ximen Feng pudesse se acomodar, Doro saiu do elevador e saudou-o animadamente.

“Doro, por favor, não diga isso. Vim hoje porque preciso de um favor.” Tendo convivido anteriormente com Doro, Ximen Feng conhecia bem seu jeito; se não fosse direto ao assunto, poderiam conversar o dia inteiro sem chegar ao ponto.

“Ah! Diga logo o que precisa, não há porquê falar em favores. Se hesitar, é porque não confia em mim!” Doro respondeu, visivelmente aborrecido, como se não ser considerado amigo o ofendesse.

“Doro, confesso que me expressei mal! Vim procurar materiais para fabricar artefatos de alma.” Ximen Feng sorriu com certo constrangimento, sentindo-se quase um objeto de desejo.

“Acredito que não procura materiais comuns. Para coisas ordinárias, o irmão Dos certamente já providenciaria tudo para você!” Doro comentou, rindo.

“Exato. Preciso de materiais raros; a associação só dispõe dos mais comuns. Espero que aqui, Doro, possa encontrar mais variedade.” Ao dizer isso, Ximen Feng suspirou. Sabia que Doro teria alguns itens preciosos guardados, mas seria difícil reunir tudo que estava na lista.

“Então deixe-me ver que materiais preciosos são esses que você precisa!” Surpreso, Doro quis saber mais. Se fossem apenas itens raros de nível seis, Dos não teria encaminhado Ximen Feng até ele.

“Tudo o que preciso está anotado aqui.” Ximen Feng entregou-lhe uma folha, onde constavam os materiais para um artefato estável de alma. Alguns nomes já estavam riscados, pois Dos os havia providenciado.

“Cristal de alma? Fruto de mil folhas? Lótus de nove estrelas?... Você realmente precisa desses materiais?” Doro ficou estupefato. Esperava que Ximen Feng buscasse itens raros de nível seis, mas a lista abrangia do nível um ao oito, e até dois de nível nove. Isso o surpreendeu enormemente. Afinal, que artefato exigia materiais tão complexos?

“Sim, preciso de todos esses. Você tem algum deles?” Ximen Feng assentiu.

“A maioria eu tenho. Mas quatro estão faltando: o cristal de alma, se tivesse vindo há alguns meses, ainda teria um. Vendi no último leilão; quem comprou foi o Mestre Wena, que já o utilizou. Embora raro, é relativamente fácil de conseguir; vou ficar atento a isso para você. Quanto ao fruto de mil folhas e à lótus de nove estrelas, só vi em livros, nunca em mãos. Esses dois, só você mesmo poderá encontrar. Já o cristal divino, embora seja material básico para bestas de nível nove, está sob controle dos grandes clãs. Nosso planeta não possui, e quase nunca circulam cristais divinos. Você pode tentar a sorte junto aos clãs maiores.” Após examinar a lista, Doro explicou.

“Esses itens buscarei por conta própria. E os demais, quanto custam?” Aliviado, Ximen Feng ponderou sobre a dificuldade: tantos materiais, se tivesse de coletar sozinho, levaria anos. O cristal divino ele já possuía; embora precisasse de um mestre de nível sete para refiná-lo, confiava que, com seu progresso, logo atingiria esse patamar. O cristal de alma, como Doro disse, podia ser adquirido com atenção redobrada. O mais complicado eram o fruto de mil folhas e a lótus de nove estrelas, raridades de nível nove que talvez só existissem nos sistemas dominados pelos grandes clãs.

“Falar em dinheiro é perder a amizade. Não preciso disso! Só peço que me ajude com uma coisa, e já fico satisfeito!” Doro respondeu, gesticulando.

“O que seria?” Ximen Feng franziu o cenho. Se Doro usasse os materiais para forçá-lo a abandonar a associação e trabalhar para a casa de leilões, ele se retiraria imediatamente.

“Meu caro Feng, você sabe que também sou um mestre de nível sete, mas meus artefatos nunca chegam aos seus pés. Quero convidá-lo a ser nosso Mestre Honorário. Não se preocupe, continuará membro honorário da associação!” Doro explicou cuidadosamente.

“Ser Mestre Honorário implica alguma obrigação?” Ximen Feng finalmente relaxou.

“De maneira alguma! Pelo contrário, terá uma renda mensal significativa!” Doro garantiu.

“Parece bom demais para ser verdade!” Ximen Feng não acreditava.

“Ha ha! Você não imagina sua fama. Basta anunciar que é nosso Mestre Honorário para aumentar os lucros mensais do leilão em pelo menos dez por cento!” Doro riu, radiante.

“Já que diz isso, aceito o convite! Mas não quero tirar vantagem; a partir de hoje, por um ano, fabricarei gratuitamente um artefato de alma por mês para você. Apenas não me peça para fornecer os materiais!” Ximen Feng ponderou e aceitou.

“Ha ha! Está combinado! E já se aproxima o almoço, espero que não se importe em compartilhar a refeição comigo, velho que sou.” Aliviado com o acordo, Doro finalmente concretizava seu plano de aproximar Ximen Feng de sua casa de leilões, embora ainda não fosse perfeito.

“Hoje será um prazer almoçar na sua companhia, Doro!” Ximen Feng respondeu sorrindo.