Capítulo Nove: Estrutura Realizada
Capítulo Nove: Sucesso na Construção
— Irmão Vento, você não era bem mais extraordinário antes? Será que um obstáculo tão pequeno já consegue te deter? — disse Lilás, sorrindo travessa ao ver o semblante preocupado de Simão Vento.
— Lilás, isso não é justo! Não precisa me desanimar desse jeito! — respondeu Simão Vento, ainda mais abatido diante do sorriso malicioso da companheira.
— Irmão Vento, parece que você nem tentou ainda. Como pode saber que é impossível? Precisa lembrar que a velocidade da energia de domínio não é menor que a da luz. Se você conseguir direcionar corretamente essa energia ao longo dessas linhas, não será difícil realizar em um décimo de segundo, talvez até em um centésimo! — Lilás, vendo o desânimo de Simão Vento, resolveu parar de provocá-lo.
— Então, deixa eu tentar! — animou-se Simão Vento diante das palavras de Lilás.
Simão Vento acalmou-se, memorizando minuciosamente os pontos de luz e as linhas que os conectavam. Não sabia se era impressão sua, mas ao lançar o olhar sobre elas, sentiu que tudo estava gravado em sua mente como se tivesse sido copiado por uma máquina — talvez mais uma habilidade trazida pela sua travessia entre mundos.
Com os pontos de luz gravados na memória, Simão Vento começou a tentar construí-los. Mas, na primeira tentativa, ao formar dez pontos, os primeiros já tinham desaparecido. Isso o deixou profundamente frustrado.
— Lilás, não vai dar! Em um décimo de segundo só consigo construir uns poucos pontos. Para completar tudo, levaria pelo menos uns dez minutos! — Simão Vento desistiu após apenas uma tentativa.
— Irmão Vento! Não é por nada, mas você está sendo muito ingênuo. A energia de domínio não é controlada pelos olhos, mas pelo pensamento. Na hora de construir, você ficou imaginando o mapa estelar, e onde olhava, construía, não é? — Lilás falou com seriedade, embora, se fosse outra pessoa ali, certamente teria se divertido com a expressão dela.
— Acho que é exatamente como você disse — respondeu Simão Vento, coçando o nariz.
— O controle da energia de domínio se dá pelo pensamento, não pelos olhos. Só o pensamento acompanha a velocidade dessa energia. Quando controlava suas bestas de combate e usava suas habilidades, era pelo pensamento, não era? Por que agora está invertendo as coisas? — continuou Lilás.
Ao ser repreendido, Simão Vento despertou de imediato. Sentiu vontade de dar um tapa em si mesmo: tinha um computador, mas insistia em fazer cálculos com os dedos — uma tolice sem tamanho.
Simão Vento concentrou-se novamente, sentindo os pontos de luz e as linhas. Embora ainda fosse difícil distinguir a confusão de pontos e linhas, agora tudo estava claro em sua mente, cada ponto e cada linha brilhando suavemente em sua imaginação.
Depois de memorizar as rotas de cada linha, Simão Vento tentou novamente construir o Leopardo Celeste. Desta vez, não usou os olhos para controlar a energia, mas o pensamento. A velocidade aumentou exponencialmente — a energia parecia um relâmpago púrpura, cruzando e entrelaçando-se no cérebro de Simão Vento. Contudo, ainda não conseguiu completar o Leopardo Celeste, apenas uma parte, e o tempo se esgotou. Mas, em vez de se frustrar, sentiu-se animado: o fracasso era apenas falta de prática, e, seguindo aquele método, construir o Leopardo Celeste era questão de tempo.
Por um momento, Simão Vento esqueceu que Lilás estava ao seu lado. Seu mundo se restringiu ao Leopardo Celeste, experimentando repetidas vezes. Com cada tentativa, avançava um pouco mais. Na vida anterior, como um jovem recluso, Simão Vento não tinha grandes qualidades, mas possuía uma: persistência. Nunca desistia até concluir um objetivo.
Após várias tentativas e fracassos, sua energia de domínio foi completamente consumida. Ao desativar a besta de combate, sentou-se no chão para cultivar o Livro das Mil Ilusões, buscando recuperar rapidamente a energia. Apesar de não ser uma tarefa física, era mais exaustiva do que qualquer trabalho corporal.
— Observe atentamente os pontos de luz e as linhas. Eles não estão todos conectados, mas divididos em várias partes independentes. Se tentar construir tudo de uma vez a partir de um só lugar, será impossível. Precisa encontrar os pontos de partida dessas partes e iniciar a construção simultaneamente. Só assim conseguirá formar a besta em um décimo de segundo. — disse Lilás, vendo Simão Vento recuperar a energia. Não era que Lilás não quisera explicar antes, mas só quem vivencia compreende melhor; do contrário, explicações só confundiriam mais.
— Agora entendi por que, ao construir parte, ficava tudo travado! — respondeu Simão Vento, abrindo os olhos enquanto recuperava a energia.
Com as palavras de Lilás, tudo ficou claro. Não culpou a companheira por não explicar tudo desde o início; pelo contrário, reconheceu nela uma mentora exemplar, guiando-o passo a passo. Se tivesse recebido toda a informação de uma vez, teria ficado apenas confuso.
O tempo passou lentamente, até que, ao cair da noite, a energia de domínio em sua estrela principal estava quase totalmente restaurada. Assim que se recuperou, Simão Vento retomou as tentativas. Agora, estava em um estado de espírito elevado, decidido a não descansar enquanto não concluísse a tarefa.
Desta vez, não começou apressado a construir o Leopardo Celeste. Observou cuidadosamente os pontos de luz e linhas, percebendo finalmente por que, antes, a construção travava: como Lilás dissera, os pontos e linhas não formavam um conjunto, mas estavam divididos em pequenos fragmentos, que se uniam para formar a poderosa besta de combate.
Agora, Simão Vento precisava localizar os pontos de partida de cada fragmento, memorizar a rota de cada um, para então construir tudo em um décimo de segundo.
Como já havia memorizado os pontos e linhas, só precisava observar com atenção e entender suas conexões.
Após cuidadosa análise, descobriu que a besta estava dividida em dezoito partes. Para construí-la, teria que operar todas simultaneamente — um desafio colossal. Antes, Simão Vento mal conseguia dividir a atenção em duas tarefas; dezoito era algo impensável.
Não sabia se conseguiria, mas era um desafio que precisava superar, seu primeiro grande obstáculo desde que chegara a este mundo.
Simão Vento concentrou-se, distribuindo a energia de domínio por todas as partes. Seus olhos brilharam intensamente, e a energia dispersa em dezoito pontos começou a pulsar velozmente, seguindo as rotas previamente traçadas. Se alguém pudesse ver as trajetórias da energia, pareceria que dezoito pessoas desenhavam ao mesmo tempo, com movimentos perfeitamente sincronizados, como se fossem controlados por uma única mente.
Tudo aconteceu rapidamente. Apesar de parecer lento, em um piscar de olhos, as dezoito massas de energia transformaram-se em pontos e linhas brilhantes. No instante em que a última linha foi traçada, o desenho inteiro emitiu uma luz intensa, tornando-se vibrante e dinâmico. As duas asas bateram com força, e Simão Vento sentiu que o imponente Leopardo alado saía voando de sua mente.
Naquele momento, a pedra espacial em seu peito, pendurada como um colar, emitiu uma suave luz azulada. No brilho, um desenho difuso apareceu, semelhante ao Leopardo Celeste recém-construído.
Após o surgimento do desenho, a luz na pedra espacial recuou, e uma aura azul intensa envolveu Simão Vento. Em instantes, ele foi envolto por essa luz, e, quando ela se dissipou, um Leopardo Celeste em forma humana apareceu à beira da floresta. Assim como o Rato Relâmpago, era uma besta de combate de terceiro nível.
— Haha! Irmão Vento, você realmente é extraordinário. Construiu a segunda forma em apenas algumas horas! Achei que levaria ao menos uma semana! — Lilás, surpresa e feliz, dirigiu-se a Simão Vento. Nunca imaginara que ele conseguiria construir o Leopardo Celeste tão rápido. O desafio era várias vezes maior que evoluir do primeiro ao terceiro nível, deixando-a impressionada e animada; parecia que o velho finalmente teria seu desejo realizado.
— Ora, não subestime quem eu sou! Isso foi moleza! — respondeu Simão Vento, admirando o formato aerodinâmico do Leopardo Celeste. Em comparação com o Rato Relâmpago, era muito mais imponente e adequado ao sonho de artes marciais que cultivava desde pequeno.
Após dar alguns passos com o Leopardo Celeste, Simão Vento canalizou a energia de domínio para o espírito de combate, consultando os dados da besta.
Era uma besta de combate de técnicas corporais, com grande capacidade de combate corpo a corpo e velocidade superior. Suas habilidades eram todas ofensivas, sem nenhuma voltada para defesa.
Vento Impetuoso — explode a energia de domínio interna, multiplicando instantaneamente a velocidade.
Ocultação — esconde o corpo da besta, escapando do campo de visão alheio.
Ataque Surpresa — emerge da ocultação para atacar pelas costas, aumentando consideravelmente o poder ofensivo.