Capítulo Treze: Ambiguidade
Capítulo Treze – Ambiguidade
— Então você não é daqui? — perguntou Simão Vento, já um pouco exausto.
— Claro que não, eu estava viajando numa nave de turismo quando fui capturada por piratas estelares. Por sorte consegui escapar enquanto eles estavam distraídos, senão nem sei o que teria acontecido comigo! — Ao recordar o momento de sua fuga, a menina quase desatou a chorar, lembrando de todo o perigo que passou.
Diante daquela explicação, Simão Vento não sabia mais o que dizer. O semblante da garota parecia tão sincero, ele acreditava que, em grande parte, ela falava a verdade.
Na realidade, Oriental Jade também não mentia para Simão Vento. Apenas deixara de mencionar que ela própria possuía uma fera de combate, algo que nem lhe passara pela cabeça.
— Então venha comigo! Mas aviso logo: você vai ter que obedecer tudo o que eu disser! Caso contrário, te deixo aqui e que se vire sozinha! — Simão Vento não tinha coragem de abandonar aquela bela jovem à própria sorte, mas não pôde deixar de demonstrar seu desânimo ao falar com Oriental Jade.
— Está bem! Se você mandar ir para o leste, não irei para o oeste! — Mal terminara Simão Vento de falar, a menina abriu um sorriso tão encantador que ele se questionou se não estava sendo enganado.
Feito o acordo, Simão Vento conduziu Oriental Jade de volta, sorrateiramente, até o armazém recém-arrumado. Observando a tranquilidade ao redor, recolheu sua fera de combate novamente para o medalhão que carregava no peito.
— Você... você... — Oriental Jade, ao ver Simão Vento saindo do medalhão, ficou tão surpresa que mal conseguia articular palavras, repetindo a mesma sílaba enquanto Simão Vento começava a se impacientar.
— Não me diga que fiquei tão bonito a ponto de te deixar sem palavras? — disse Simão Vento, ajeitando os cabelos e assumindo uma pose que julgava ser bem estilosa, embora, para Oriental Jade, não tivesse nada de impressionante.
O gesto foi tão inusitado que Oriental Jade, antes assustada, cobriu a boca e não conseguiu evitar uma risada cristalina, cuja magia parecia infinita. Simão Vento sentiu-se subitamente tomado por um calor estranho.
Ela percebeu o que se passava no semblante de Simão Vento e, enrubescida, pensou: diante de mim não está o herói que imaginei, mas apenas um garoto de treze ou quatorze anos. Sentiu-se ridícula por revelar tal expressão diante de uma criança. No entanto, refletindo melhor, aquele menino já possuía habilidades impressionantes; quando crescesse, que poder teria? Um leve temor passou por seu rosto ao comparar o talento de Simão Vento com os chamados gênios de sua família.
O rubor no rosto de Oriental Jade durou apenas um instante, mas Simão Vento percebeu. Só que ele não podia imaginar seus verdadeiros pensamentos. Achava que ela apenas não acreditava na sua força, especialmente depois de ter sido repreendido por Pequena Púrpura. Nem ele mesmo tinha muita confiança em seu poder.
— Irmãozinho, melhor eu não te dar mais trabalho. Vou procurar um lugar para me esconder, talvez nem me encontrem! — disse Oriental Jade, suspirando. Antes, esperava que Simão Vento pudesse protegê-la, mas ao descobrir que ele era apenas um garoto, desistiu dessa ideia. Talvez por orgulho, não queria pedir abrigo a uma criança.
— Agora que parou de me chamar de “irmão mais velho”, está me desprezando, é? Pois não vou te deixar ir embora! Fique tranquila, enquanto não sair deste pátio, prometo que estará segura! — Simão Vento bateu no peito, tentando demonstrar confiança.
Com isso, Oriental Jade corou ainda mais. Nunca em sua vida tinha ficado tão sem jeito. Não sabia explicar por que, diante daquele menino, sentia-se tão vulnerável.
— E, por favor, pare de me chamar de irmãozinho, isso pode causar mal-entendidos. Além disso, você não é tão mais velha do que eu, não é? — Simão Vento continuava brincando, achando divertido fazê-la corar.
Mas Oriental Jade não percebeu a segunda intenção dele e, apressada, respondeu:
— Ora, eu tenho dezesseis anos! E você, irmãozinho, tem treze? Se não posso te chamar de irmãozinho, vou te chamar de quê?
Simão Vento, com um sorriso malicioso, replicou:
— Irmãzinha, você está equivocada. Já ouviu aquele ditado: “Não se julga um homem pela aparência, nem se mede o mar com um copo”? Embora pareça ter treze ou quatorze anos, na verdade já tenho dezesseis. E minha idade mental passa dos trinta. Já você, mesmo parecendo ter dezesseis ou dezessete, tem uma mentalidade de doze. Ou seja, não sou mais novo que você — e, se contarmos a mente, sou muito mais velho!
Ele falava a verdade: somando a idade de sua vida passada com a atual, já ultrapassava trinta anos.
— Idade real? Idade mental? Você diz que tem minha idade real, mas é mais velho mentalmente? Que confusão! Você realmente sabe distorcer as coisas! — disse Oriental Jade, completamente perdida diante da lógica dele.
— Vamos deixar isso pra lá. Melhor te esconder logo, se alguém te encontrar será um desastre — Simão Vento sentiu-se vencido por aquela bela, porém confusa, irmãzinha. Mas achou o máximo: bela e confusa, uma combinação rara.
— Esconder onde? Você quer esconder numa dessas casas? — Oriental Jade olhou para os armazéns próximos, franzindo a testa. Achava aquele dia o mais desastroso de sua vida: saiu em viagem, foi capturada por piratas e agora era enrolada por um garoto. Armazéns eram lugares movimentados, não dariam bom esconderijo.
— Venha comigo, pare de reclamar! — Simão Vento chamou por ela.
— Veremos que truque você vai aprontar! — Neste momento, Oriental Jade já enxergava Simão Vento como um irmão mais velho. Não queria admitir, mas mesmo depois de ver seu rosto infantil, nunca conseguiu realmente vê-lo como uma criança.
Ela o seguiu até a porta de um dos armazéns, observando enquanto ele a abria com calma. “Continue fingindo, quero ver até onde vai”, pensou, irritada.
Mas, antes que pudesse alimentar sua mágoa, Simão Vento já havia aberto a porta e entrado.
Oriental Jade entrou junto. O espaço era amplo e vazio, surpreendendo-a um pouco. Um armazém vazio até serviria de esconderijo, já que raramente alguém entraria ali — ainda que não fosse totalmente seguro. Mas, naquele momento, ela já não podia exigir mais.
Desde que Simão Vento havia limpado aquele armazém, ninguém mais passara por lá. Ele havia guardado os alimentos em sua pedra espacial, por isso também evitava o local. Após duas semanas sem limpeza, uma camada fina de poeira cobria o chão.
— Este lugar até serve para esconder alguém, mas não é muito seguro — observou Oriental Jade, olhando os prateleiras vazias, visivelmente desanimada.
Simão Vento limitou-se a sorrir, sem responder. Se não fosse pelo túnel, ele jamais teria aceitado ajudá-la. Sem falar nada, aproximou-se do dispositivo escondido e girou o parafuso.
Assim que soltou o parafuso, o chão começou a tremer suavemente por alguns segundos, até que se abriu uma passagem secreta, suficiente apenas para uma pessoa. Oriental Jade olhou, surpresa, para o buraco ao lado de Simão Vento. Com aquele esconderijo, bastava não sair para estar praticamente segura. Sentiu uma profunda gratidão por Simão Vento.
— Venha comigo, não fique parada aí esperando ser descoberta! — disse Simão Vento, desviando o olhar para disfarçar o turbilhão de emoções que sentia ao encarar os olhos brilhantes de Oriental Jade.
Ela notou a expressão dele, mas algo a intrigou: quando outros homens a olhavam daquele jeito, sentia-se desconfortável. Mas, com Simão Vento, não sentia isso. Sem hesitar, seguiu-o pelo túnel.
Lá dentro, o ambiente não era tão escuro quanto ela imaginara. As paredes não eram de terra, mas de um metal desconhecido. Observando melhor, Oriental Jade quase desmaiou de espanto. Se não estava enganada, aquele era o raro metal conhecido como Fenda Dourada, capaz de bloquear qualquer tipo de detecção. Um esconderijo feito com esse metal seria invisível até para os melhores detectores. E, se usado na fabricação de feras de combate, aumentaria enormemente sua camuflagem.
Só então percebeu por que o túnel era claro: todo o caminho estava revestido de pedras luminosas, enchendo-a de assombro outra vez.