Capítulo Vinte: Infiltração

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3289 palavras 2026-02-08 14:15:01

Capítulo Vinte: Infiltração

— E agora, o que fazemos? — indagou Jade Oriental, franzindo o cenho para Vento Ocidental dentro da caverna. Por fim, ela acabara aceitando a proposta de Vento Ocidental e voltaram juntos ao esconderijo subterrâneo. Ali, podiam considerar-se temporariamente a salvo, mas sabiam que essa segurança era efêmera. Permanecer naquele local era estar sempre à mercê do perigo.

— Só temos duas opções — suspirou Vento Ocidental. — Ou ficamos aqui esperando, entregando nossas vidas à sorte, ou saímos para procurar uma maneira de escapar.

— Dizer isso ou não dizer é quase o mesmo! — replicou Jade Oriental, irritada com a postura aparentemente indiferente do companheiro.

— Há uma grande diferença — respondeu Vento Ocidental, sereno. — Se você escolher esperar aqui, o resultado mais provável é passar o resto da vida nesse lugar sombrio. Se escolher sair, além da morte, ao menos resta a esperança de fugir.

Ao ouvir isso, o rosto de Jade Oriental perdeu toda a cor. Se pudesse escolher, preferiria o tédio de antes, onde ao menos podia andar livremente. Agora, mesmo tendo comida e bebida, sentia-se como uma prisioneira.

— Se sairmos, você tem mesmo um jeito de nos tirar daqui? — perguntou ela, repentinamente depositando toda sua esperança em Vento Ocidental.

— Tenho uma ideia, mas depende de você colaborar — respondeu ele, fitando-a, surpreso com a coragem da jovem, disposta a arriscar a vida diante da perspectiva de liberdade.

— Qual é o plano? Diga, eu colaboro! — respondeu Jade Oriental, com uma ponta de esperança.

— Aproxime-se, que eu conto — pediu Vento Ocidental.

Assim que ela se aproximou, sentiu um leve formigamento na nuca, a visão escureceu e desmaiou nos braços dele.

Com Jade Oriental desacordada em seus braços, Vento Ocidental sentiu o corpo delicado dela encostar-se ao seu, provocando-lhe pensamentos indesejados. Repreendeu-se em silêncio, mas não pôde negar o prazer do momento. Ainda assim, após se acalmar, focou-se no plano. Ele havia notado que, ao pilotar o Leopardo Celeste, havia um espaço suficiente atrás para acomodar outra pessoa. Era a única razão de sua confiança. Se fossem descobertos durante o uso do poder de ocultação do Leopardo Celeste, só lhes restaria a morte.

Apertando Jade Oriental contra o peito, Vento Ocidental abriu a entrada da caverna. Lá fora, no armazém, o silêncio reinava. Os guardas da família Ocidental patrulhavam as redondezas, atentos a qualquer sinal de rebelião. Era o momento perfeito para agir.

Num clarão de luz violeta, a imponente figura do Leopardo Celeste surgiu no armazém. Ainda bem que o espaço era suficiente. O brilho desapareceu quase instantaneamente, sem ser notado por ninguém.

Desde que dominara a segunda forma da Fera das Mil Ilusões — o Leopardo Celeste —, Vento Ocidental podia invocar qualquer uma das formas à vontade, sem precisar transformar o Rato Elétrico antes. Agora, como Lutador de Nível Quatro, suas habilidades com o Leopardo Celeste estavam mais refinadas, o que lhe permitia pôr em prática o arriscado plano. Sua única dúvida era se o poder de ocultação do Leopardo Celeste seria suficiente diante de lutadores de nível sete ou oito.

Assim que invocou o Leopardo Celeste, Vento Ocidental ativou a ocultação e saiu sorrateiro pela porta do armazém. Felizmente, a porta era larga e não precisou correr o risco de invocar a fera do lado de fora.

Olhou ao redor, certificando-se de que não havia ninguém, e sacudiu as asas, alçando voo. Com Jade Oriental junto, o espaço ficava apertado; os corpos colados, o contato entre eles acendendo desejos que quase o fizeram perder o controle. Felizmente, conseguiu conter-se a tempo, evitando um desastre em pleno ar.

Vento Ocidental guiou o Leopardo Celeste em direção à praça. Não encontrou ninguém pelo caminho, mas ao se aproximar do limite da praça, precisou parar. Guardas patrulhavam todos os cantos e também o céu ao redor.

Descer ao solo seria menos exaustivo para seus poderes, mas o risco de serem descobertos era muito maior. Não podia se dar a esse luxo.

Suspenso no ar, mantinha-se imóvel e atento, observando tudo. Na parte frontal da praça, uma enorme nave de transporte estava estacionada. Ao lado dela, uma grande máquina. As pessoas passavam uma a uma pela máquina antes de entrarem na nave.

Vento Ocidental observava a cena, sem entender o que acontecia. De repente, a máquina emitiu um som estridente e alguém foi imediatamente retirado da fila por outros guardas.

Alguns minutos depois, ele viu o mesmo homem reaparecer, cabisbaixo, mas aparentemente ileso. Contudo, notou que o anel que ele usava desaparecera. Tinha certeza de que era uma Pedra Espacial de Besta de Combate.

Assim, deduziu que a função da máquina era detectar quem portava uma dessas pedras. Isso fez com que Vento Ocidental ficasse ainda mais confuso. Jade Oriental lhe contara que a família Ocidental possuía uma Estrela de Besta Espiritual, e famílias detentoras de tal relíquia geralmente têm heranças e feras muito superiores às comuns. Não deveriam ter interesse nas bestas dos outros. Essa anomalia só reforçou suas suspeitas anteriores.

O tempo passava, e o número de pessoas na praça diminuía. Vento Ocidental começou a ficar ansioso; se quisesse deixar o planeta, só poderia fazê-lo embarcando na nave da família Ocidental.

Quando a multidão rareou, os guardas dividiram-se. Uma parte permaneceu na praça, enquanto a outra iniciou buscas pela cidade. Quem fosse encontrado escondido, fosse em casa ou nos porões, era descoberto e, após uma inspeção, executado sumariamente.

A cena deixou os poucos sobreviventes na praça e o próprio Vento Ocidental aterrorizados. O desejo de fugir só aumentava. Mas, mesmo após toda a cidade ser vasculhada e restarem apenas uns poucos na praça, ele não encontrara brecha para escapar. Por sorte, já era um Lutador de Nível Quatro, ou seu poder teria se esgotado após tanto tempo no ar.

Com a multidão quase toda embarcada, o desespero tomou conta de Vento Ocidental. Quando já perdia as esperanças, uma única oportunidade se apresentou diante de seus olhos.

No momento em que o último passageiro entrou na nave, a pequena porta lateral se fechou e a nave começou a erguer-se lentamente. Nesse instante, um destróier saiu da nave-mãe que pairava nos céus.

O ancião que operava a máquina de detecção invocou sua besta de combate e voou em direção ao destróier. Vento Ocidental não hesitou; acelerou o Leopardo Celeste e seguiu o ancião, mantendo uma distância segura. O velho parecia ainda mais poderoso que os lutadores que haviam enfrentado Saxo antes. Ser descoberto por ele significaria morte certa.

Ao chegar junto ao destróier, a escotilha lateral se abriu lentamente e o ancião entrou. Rapidamente, a porta começou a se fechar.

Vendo a porta quase se unir, Vento Ocidental mordeu os lábios e sussurrou: — Vento Cortante! — O Leopardo Celeste dobrou a velocidade e lançou-se em disparada para dentro da nave.

— Bang! — A porta se fechou atrás dele, e Vento Ocidental sentiu o suor frio escorrer pelo corpo. Um instante de atraso e teria se chocado de frente com a escotilha.

Assim que entrou no destróier, o velho chamado Tio Wang pareceu pressentir algo e olhou para trás, mas nada viu. Sacudiu a cabeça e seguiu seu caminho.

Encostado junto à porta, Vento Ocidental quase deixou o coração saltar pela boca ao ver o olhar do velho. Só quando ele se afastou, conseguiu respirar aliviado.

— Hmm! — Um leve gemido soou às suas costas, fazendo o coração de Vento Ocidental quase parar.

Jade Oriental, desacordada até então, despertava no pior momento possível.