Capítulo Nove: Conflito

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3365 palavras 2026-02-08 14:15:53

Capítulo Nove: Conflito

— Por quê? Só porque a taxa de desenvolvimento do cérebro dele atingiu mais de oitenta por cento, não é suficiente? — disse Lua Oriental, franzindo a testa. Embora a bela loira diante dela tivesse uma reputação considerável, para Lua Oriental isso não era o bastante.

Assim que Lua Oriental terminou de falar, ouviu-se um murmúrio surpreso na sala de aula. Desenvolvimento cerebral acima de oitenta por cento? Entre eles, a pessoa com maior índice era justamente a loira, e ela mal passava dos sessenta por cento.

Logo após Lua Oriental falar, Ventos Ocidentais olhou surpreso para ela, questionando-se quando ela teria descoberto sua taxa de desenvolvimento cerebral. Mas, ao ver o rosto de Lua Oriental, que parecia um tanto desconfortável, Ventos Ocidentais percebeu que provavelmente ela estava enganando os alunos presentes.

Antes, Ventos Ocidentais pensava que esse tal índice cerebral só estava relacionado à velocidade de avanço dos combatentes, mas agora via que era ainda mais importante para os mestres de combate, pois o potencial deles era avaliado diretamente por esse número. No entanto, Ventos Ocidentais só sabia que as feras de combate eram criadas por mestres de combate, mas desconhecia totalmente como eram feitas.

Após a distribuição dos lugares, as posições dos demais alunos foram rapidamente decididas. Ninguém contestou, exceto pelo assento de Ventos Ocidentais, pois todos estavam impressionados pelo anúncio anterior: desenvolvimento cerebral de oitenta por cento! Isso era estar com um pé na porta dos mestres de combate divinos, já que a lenda dizia que apenas quem atingisse essa taxa teria a chance de ascender a esse nível.

— Hoje é o primeiro dia de aula, não vou me alongar. Conheçam-se melhor e levem para casa o manual de iniciação do mestre de combate — disse Lua Oriental, apontando para o livro sobre a mesa.

Ventos Ocidentais olhou surpreso para o livro de papel, não esperando que, em uma era tão avançada tecnologicamente, ainda se usassem livros físicos.

Lua Oriental saiu logo em seguida, pois o primeiro dia era só para adaptação; as aulas começariam de verdade no dia seguinte, quando os alunos estivessem acomodados.

Com a saída de Lua Oriental, a sala voltou ao ambiente ruidoso, mas isso não afetava Ventos Ocidentais. Sem que soubessem quem ele era, ninguém ousava se aproximar, e ele se deleitava folheando o manual sobre a mesa.

Ao ler as primeiras páginas sobre as feras de combate, Ventos Ocidentais percebeu que o que Ahdai lhe explicara era superficial. Na verdade, as feras de combate eram formadas pela fusão do espírito animal com a armadura de combate. Cada fera tinha habilidades únicas, e circulava entre os mestres a crença de que feras de combate abaixo do nível nove, feitas apenas de espíritos de combate, eram falsas feras; apenas aquelas de nível nove com título eram consideradas verdadeiras.

Os mestres de combate criavam as feras, e suas tarefas eram duas: construir armaduras e fundi-las com o espírito animal, ou, alternativamente, com o espírito de combate. Só mestres divinos, acima do nível nove, podiam tentar fundir o espírito animal; os demais só conseguiam unir armaduras ao espírito de combate.

Mestres abaixo do nível três podiam apenas construir armaduras; acima do terceiro nível, podiam fundi-las com o espírito de combate. Agora Ventos Ocidentais entendia por que todos na região buscavam a Academia Vento Divino: sem orientação de um mentor, era quase impossível alcançar o terceiro nível, e mesmo com ensino adequado, poucos conseguiam esse avanço. A maioria ficava entre o primeiro e o segundo nível, pois superar essa barreira era como atravessar a porta do dragão: quem passava, ascendia; quem não, ficava condenado ao trabalho árduo. Combatentes de primeiro e segundo nível não podiam fundir espíritos e armaduras, sua única função era auxiliar mestres, montando peças menos importantes.

Enquanto Ventos Ocidentais se entretinha com a leitura, a bela loira ao seu lado, Wang Xi, não conseguia entender aquele homem à sua frente. O manual que ele tinha nas mãos ela já dominava desde os oito anos, e aos doze se tornara mestre de combate de nível dois, mas sem instrução, não avançara nos últimos quatro anos, tendo que participar do exame para ingressar na Academia Vento Divino e estudar de forma sistemática.

Ela tinha motivos para orgulho e vaidade, e foi primeira colocada no exame. Imaginava que o lugar de Ventos Ocidentais seria seu; jamais esperava alguém tão entretido com um manual básico. Será que o livro dele não era realmente um manual de feras de combate?

Pensando nisso, Wang Xi olhou novamente para Ventos Ocidentais, que parecia querer se enterrar no livro. Achou a ideia plausível, lembrando-se de histórias de pessoas que arrancavam a capa de um livro e a colavam em outro, mais “picante”. Ao pensar nisso, Wang Xi ficou ruborizada: esse sujeito é mesmo vulgar, vou desmascará-lo! Aquele lugar deveria ser meu, esse papo de oitenta por cento de desenvolvimento cerebral foi certamente invenção do mentor Lua.

— Colega, precisa de alguma coisa? Sua cópia do livro está com problema? Se estiver, pode ver o meu, já conferi e está certo! — Ventos Ocidentais, ao perceber que a loira o encarava há dez minutos, não se incomodou em ser observado, mas achou estranho a persistência.

— Não, não, continue lendo — respondeu Wang Xi, surpreendida pela fala repentina, e fingiu ler seu livro. Ao virar algumas páginas, seu rosto ficou ainda mais vermelho: caiu justamente na página que mostrava o diagrama das linhas de energia da armadura, e, como era uma ilustração de anatomia, não havia roupas, aproximando-se perigosamente do tipo de livro que ela imaginava.

Ventos Ocidentais, vendo o rosto estranho da colega, não percebeu o conteúdo da página e não pensou muito a respeito. Sem ser mais observado, voltou à leitura.

— Maldito! Por sua culpa passei vergonha, não vou te perdoar! — Wang Xi folheava o livro distraidamente, resmungando por dentro. Ao olhar de novo para o conteúdo, ficou ainda mais ruborizada, pois acabara de voltar à mesma página dos diagramas.

“Duu...” O sinal de fim de aula tocou quando Ventos Ocidentais estava profundamente concentrado. Ele esfregou os olhos cansados, espreguiçou-se, pegou o manual e foi saindo, sem saber que, ao passar pela porta, era seguido por um olhar atento. “Atchim!” Ventos Ocidentais espirrou forte ao sair, esfregando o nariz e pensando se estaria resfriado.

— Ahdai! Aqui! — Ao sair da Academia dos Mestres de Combate, viu Jade Oriental e Lua Oriental juntas, acenando energicamente para ele.

Ao notar os olhares de raiva, inveja e ressentimento dos estudantes ao redor, Ventos Ocidentais não pôde deixar de esfregar o nariz novamente: parece que nem terminei o primeiro dia e já arranjei muitos inimigos!

— Vocês não voltaram antes? — perguntou ao se aproximar das duas.

— Não! Eu disse que voltaríamos juntos para casa! — respondeu Jade Oriental, acenando.

— Certo, vamos logo! Sua mãe está esperando em casa — Lua Oriental, percebendo que os dois se prolongariam na conversa, apressou-se.

— Jade, por que veio à academia hoje? Mentor Lua, você está aqui também! — Quando Ventos Ocidentais, Jade Oriental e Lua Oriental estavam prestes a partir, Yang Wei apareceu diante deles, seguido do Urso Selvagem e da Cobra Negra.

— E o que te importa se vim à academia? — retrucou Jade Oriental, incomodada.

— Não me entenda mal, só achei curioso, pois a Academia dos Combatentes só começa daqui a dois dias — Yang Wei manteve o tom, embora um breve sombrio tenha passado por seu rosto.

— Hoje foi o primeiro dia de Ahdai na academia, vim acompanhá-lo e aproveitar para ver algumas amigas — apesar da antipatia por Yang Wei, Jade Oriental respondeu devido ao pai dele ser o responsável financeiro do planeta, braço-direito de seu próprio pai.

— Entendi! Parabéns, irmão Ahdai. Nossa Academia dos Mestres de Combate é famosa em todo o Sistema Caótico. Da última vez, não pude te receber, que tal um almoço hoje? — Yang Wei sorriu para Ventos Ocidentais, escondendo bem a sombra em seus olhos, mas Ventos Ocidentais percebeu.

— Obrigado, irmão Yang, mas a mãe está esperando o almoço em casa, não vamos incomodar hoje — vendo o desagrado nos olhos de Jade Oriental e Lua Oriental, Ventos Ocidentais recusou prontamente.

— Tudo bem, fica para outro dia! Agora que entrou na academia, teremos tempo para nos encontrar, não é? — Yang Wei, mesmo recusado, continuou sorrindo.

— Então nos despedimos! — Ventos Ocidentais saiu com Jade Oriental e Lua Oriental, deixando a academia.

Assim que os três desapareceram, o sorriso de Yang Wei se apagou, substituído por uma expressão sombria. Após um brilho intenso nos olhos, Yang Wei falou em tom de ódio para Cobra Negra: — Quero alguém seguindo esse sujeito vinte e quatro horas. Se não conseguimos informações na rede virtual, vamos investigar pessoalmente. Não acredito que não descobriremos a origem dele!