Capítulo Trinta e Sete: O Mar Estelar da Morte

Batalha de Feras Naquela época, a lua brilhava no céu. 3317 palavras 2026-02-08 14:23:41

— Irmão Ventania, vocês chegaram! Conseguiram chegar bem a tempo! Se tivessem atrasado só um pouco mais, a praça já estaria fechada! — exclamou Green ao ver Ventania na entrada da praça, enquanto estava de serviço.

— Eu nem queria vir, mas minha irmã me arrastou à força — respondeu Ventania, sorrindo para Green.

— Humpf! Quem estava ansioso para chegar era você! Não podia nem deixar a gente andar devagar! — retrucou Dança dos Mil Ventos, expondo o irmão.

— Pronto, entrem logo! Vou começar a comandar o fechamento da praça! — Green já estava acostumado às discussões entre os irmãos e, após falar com Ventania, começou a orientar os funcionários a bloquear a rua com barreiras.

— Pato, o que está fazendo aqui? Onde foi parar o Leão Morto? — perguntou Ventania ao chegar ao camarote aéreo reservado para ele por Doro, encontrando apenas Restos de Calor sentado, entediado.

— Aquele foi ver a amante! Apesar de já ter superado o problema, ainda não desistiu — suspirou Restos de Calor.

— Pato morto, está falando mal de mim de novo, não é? — outra plataforma chegou, e Kerry saiu do veículo acusando Restos de Calor.

— Haha! Pato, quanto tempo! — do outro lado, uma jovem de cabelos castanhos e vestido preto também desembarcou.

— Ora, Kelly! Que amiga você é! Chegou ontem e só agora vem me ver! Estou magoado! — Restos de Calor fez um drama ao vê-la.

— Ainda não te apresentei: essa é minha irmã, Kelly. Kelly, este é nosso novo amigo, Ventania — Kerry apresentou os dois.

— Olá! — Ventania não sabia o que dizer à jovem, mas percebeu que Kerry finalmente estava livre de seus antigos sentimentos.

— Você é o mestre de criação de artefatos de alma que Kerry tanto comenta! Obrigada pelo transmissor de voz celestial que fez para mim! — Kelly falou com naturalidade, sua voz tinha um tom doce, e Ventania imaginou que ela devia cantar muito bem. Não sabia se o timbre era natural ou fruto de treinamento.

— Kerry exagera! Não sou tão bom assim — Ventania respondeu, modesto.

— Deixo meu irmão aos cuidados de vocês! O concurso vai começar e preciso ir para a plataforma dos cantores! Depois do evento, vamos jantar juntos! — anunciou Kelly, enquanto o prelúdio do torneio ecoava na praça, e ela retornava ao seu camarote.

— Leão Morto, como virou irmão dela? Realmente superou tudo? — Restos de Calor perguntou a Kerry, intrigado.

— Pensei muito. No fim, percebi que não havia esperança entre nós. Melhor recuar e aceitar — Kerry assentiu, suspirando.

— É bom que tenha entendido. Ela busca a glória admirada por todos, algo que você não pode oferecer. E, após ser escolhida como candidata, ainda que não se torne cantora, terá de esperar dez anos para casar. Com seu jeito, daqui a dez anos, será ainda mais impossível — Restos de Calor consolou Kerry, dando-lhe um tapinha no ombro.

— Ela já está ligada à família Lee. Provavelmente é nosso último encontro — Kerry comentou, olhando para a jovem saindo do veículo ao longe.

— O quê? Ela não sabe do seu relacionamento com Lee Yao? E ainda se envolveu com eles? Vou falar com ela! — Restos de Calor se irritou.

— Deixe estar. Cada um tem seus sonhos. Não posso forçar. O que ela busca, não posso oferecer, mas a família Lee pode. Não é culpa dela. Decidi: amanhã vou pedir ao instrutor para entrar no Mar Estelar da Morte — Kerry balançou a cabeça.

— Leão Morto, vai entrar no Mar Estelar da Morte? Por causa de uma mulher, vale a pena? — Restos de Calor ficou alarmado; sabia que o Mar Estelar da Morte era um lugar onde apenas uma em dez pessoas conseguia sair viva, apesar das raridades e feras do lugar.

— Não é por ela! Já decidi antes. Meu talento é inferior ao de vocês. Se não for ao Mar Estelar da Morte, nunca chegarei ao nível sete — Kerry respondeu, impassível.

— Há muitos modos de fortalecer-se, não precisa ir ao Mar Estelar da Morte! — Restos de Calor insistiu.

— Já considerei outros métodos, mas só esse é possível. Os demais são ilusórios. Daqui em diante, parem de disputar com Lee Yao e companhia; sem mim, vocês não serão páreo para eles — Kerry falou, resignado.

— Como assim sem você? Se vai ao Mar Estelar da Morte, vamos juntos, arriscaremos a vida ao seu lado! — Green chegou ao camarote, animado.

— Não! Eu sou sozinho; se morrer lá, nada será. Mas vocês têm família. Se morrerem, o que será dos seus pais? Não podem ir comigo! — Kerry se alarmou, pois pretendia entrar no Mar Estelar da Morte sem esperança de retorno, buscando o aumento de poder.

— Se não formos, como pode sobreviver lá, já resignado à morte? Não insista! Já falei com o instrutor Hack, amanhã vou com você! E você, Restos de Calor, não precisa ir; tenho dois irmãos, se eu morrer, eles ficam. Você é filho único, não deve ir! — Green concluiu, olhando para Restos de Calor.

— Minha irmã é mais talentosa que eu. Se eu morrer no Mar Estelar da Morte, ela pode me substituir. Se querem me deixar, não sairão daqui! — Restos de Calor protestou, animado com o perigo.

— Estão esquecendo alguém? — Ventania interveio, sorrindo.

— Pequeno Ventania, quer ir ao Mar Estelar da Morte conosco? — Kerry se espantou; Ventania era forte, mas apenas um lutador de nível quatro, incapaz de permanecer por muito tempo no espaço.

— Por que não posso ir? Preciso buscar materiais raros, e o Mar Estelar da Morte pode ter o que procuro — Ventania respondeu, fingindo preocupação.

— Mas não conhece os perigos... — Green hesitou.

— Onde não há perigo? Com cuidado, até nos lugares mais arriscados há saída. Se ninguém sobrevivesse, os que saem de lá seriam todos lutadores de nível oito ou nove? — Ventania interrompeu, pensando nas frutas de mil folhas e na flor de nove estrelas que não encontrou na rede virtual, talvez só existissem no Mar Estelar da Morte.

— Além disso, já não sou inferior a vocês — Ventania sorriu.

Foi então que perceberam que Ventania já era um lutador de nível cinco. Em apenas dois meses, evoluíra como se tivesse subido num foguete; era inacreditável.

— Você... Pequeno Ventania, já é nível cinco? — Green perguntou, surpreso.

— Já testou agora mesmo, não quer ir ao sindicato de lutadores conferir? — Ventania brincou.

— Não precisa, Pequeno Ventania, tomou algum remédio milagroso? Subiu de três para cinco em pouco tempo! Eu levei quase quatro anos para isso! — Restos de Calor lamentou.

— Não se menospreze. Esqueci de contar: já era nível cinco antes de entrar no portal espacial. Mas lutei com uma fera poderosa, sofri graves ferimentos internos. Depois de me recuperar, minha força voltou ao normal — Ventania explicou, misturando verdade e mentira.

— Ah, então era isso! Sempre achei você diferente! — Restos de Calor respirou aliviado.

— Irmão, não vai me deixar aqui, vai? — Dança dos Mil Ventos temeu pelo que ouviu.

— Irmã, ouviu o que disseram. O Mar Estelar da Morte não é brincadeira. Agora é lutadora de nível três, mas lá não conseguirá ir longe — Ventania suspirou, antes receava deixá-la sozinha, mas agora, com sua capacidade de defesa, sentia-se mais tranquilo.

— Não! Nunca! Se não me levar, vou reclamar com o vovô Dos, e não deixarei vocês irem! — Dança dos Mil Ventos protestou, aflita.