Capítulo 101 O Ápice da Terceira Camada do Refinamento Corporal

O Deus Dragão da Arte Marcial Marcha 3444 palavras 2026-03-31 12:11:13

De volta ao quarto que haviam alugado, Lingyun e Tang Meng carregaram do carro os livros, roupas e uma infinidade de coisas e os colocaram na sala. Em seguida, Tang Meng se jogou com força no sofá e, teimosamente, pediu:

“Chefe, já passa das onze da noite, deixa eu ficar aqui só esta noite?”

Na cabeça de Tang Meng, naquele momento, Lingyun era definitivamente um tesouro entre tesouros. Ele tinha medo de ir embora e, no dia seguinte ao acordar, não encontrar Lingyun ao lado.

Agora, por causa de Lingyun, não era exagero dizer que ele venderia qualquer coisa: nem que fosse o Hummer, nem sequer a casa da família.

Ele dominava a arte marcial a ponto de pôr em ordem mais de cem brutamontes do submundo, e dominava a cura a ponto de conseguir tratar até a doença do maior médico divino da Xia, Sai Bianque.

No caminho de volta, Tang Meng se perguntou incontáveis vezes que sorte impossível havia tido em outra vida para ter escolhido Lingyun como chefe.

“Não pode! A partir de hoje vou começar a estudar pro vestibular; você esqueceu que amanhã vai abrir uma aposta enorme e arrancar o dinheiro de Gou Junfa e Xie Junyan? Volte cedo e estude bem isso!”

Lingyun recusou sem vacilar. Em tom de brincadeira, disse que, hoje, por obra do súbito turbilhão de energia celestial que o favoreceu, ele atravessara em um instante o Terceiro Nível Corporal e já estava no estágio intermediário. Sem consolidar bem a etapa, como poderia continuar cultivando se Tang Meng dormisse ali? Ele mal teria espaço para treinar.

Graças a essa perturbação de energia celestial, Lingyun rompeu de maneira súbita para o Terceiro Nível Corporal, estágio intermediário. Mesmo assim, sua energia interna ainda era muito escassa.
No Terceiro Nível, o corpo pode armazenar o dobro de energia que no Segundo. Ou seja, mesmo sem praticar o Grande Ensinamento de Agregação das Sete Estrelas, Lingyun carregaria, no máximo, metade do total de energia que seu corpo pode conter.

Mas, como queria acelerar o avanço, ele fazia girar o Grande Ensinamento de Agregação das Sete Estrelas a todo momento, em tudo o que fazia. Por isso, a energia dentro dele estava longe de chegar a metade do que caberia num Terceiro Nível.

Impelido pela ânsia do Quarto Nível, Lingyun sabia que precisava subir o mais rápido possível ao ápice do Terceiro Nível, então naquela noite certamente iria ao ribeiro, usar a energia da Erva dos Sete Astros para firmar a base, e de quebra avançar até o ápice.
Além disso, ainda queria estudar melhor aquela pena milagrosa que sugou tanta energia celestial dele e tentar fazer com ela um selo de reunião espiritual ou até esculpir uma formação de reunião espiritual. Com Tang Meng por perto, como poderia fazer tudo isso?

Tang Meng, ao perceber Lingyun ainda pensando na aposta, ficou meio atordoado:
“Chefe, você já tem mais de seiscentos mil, e ainda com essa técnica médica, por que não desliga logo isso? Mesmo ganhando com certeza, no máximo ganha umas cem ou duzentas mil…”

Lingyun respondeu, olhando para ele como se encarasse um tolo:
“Você tá de brincadeira? Cem ou duzentas mil? Isso é dinheiro! Não é milagre se não for isso — mesmo uma ou duas dezenas de milhar, ainda assim tem que tirar!”

Deixar de ganhar lucro certo só porque parece pequeno não combinava com Lingyun. O jeito dele era ganhar o máximo possível, sem perder nenhuma chance.

Tang Meng esboçou um sorriso disfarçado por dentro. “O chefe é o chefe: onde há ganho, entra de frente.”

Depois de coçar a cabeça e pensar, levantou-se:
“Tá bom, então vou embora. Vou bolar tudo direito amanhã e fazer subir o valor. Não acredito que aqueles dois idiotas, Gou Junfa e Xie Junyan, não vão pagar cedo ou tarde!”

Lingyun riu:
“É isso! Precisamos pegar grana grande e também a pequena. E não esqueça: você ainda me deve cinquenta mil.”

Tang Meng ficou com a testa preta de raiva. Pensava que o chefe tinha esquecido, e agora o viu lembrar de tudo.

“Então vou embora. Amanhã precisa que eu te leve para a aula?”

Na cabeça de Tang Meng, Lingyun era uma montanha de ouro brilhando, e ele tinha medo de lhe faltar respeito.

Lingyun balançou a cabeça:
“Na segunda-feira, como será seu carro? Esta escola está tão perto que eu vou a pé. Já está quase onze horas e meia, volte logo.”

Quando Tang Meng já ia sair, lembrou-se do recado que Ning Lingyu lhe deixara no carro. Tirou da bolsa o cartão de número bonito e passou para Lingyun:
“Chefe, este é o cartão bonito que você deu para a Lingyu. Ela disse que não gosta e mandou entregar a você.”

Lingyun se surpreendeu: ela não gosta? Um número tão bom, com dez mil de saldo de crédito, como assim não gosta?
Na noite anterior, quando ele entregou o cartão, ela abriu os olhos e soltou um grito de alegria, claramente encantada. Como em um dia só ela mudaria de ideia?

Deixou para perguntar quando a encontrasse.

Ao estender a mão para pegar o cartão, Tang Meng não o entregou; seus polegar e indicador o seguravam firme, com um rosto de não querer abrir mão.
Lingyun suspirou:

“Você ainda tem outro, não tem? Me dá.”

Tang Meng pôs no rosto uma expressão amarga e suplicante:
“Chefe, meu celular é dual SIM...”

Sem dar ouvidos, Lingyun deu um tranco e tomou o cartão. Sorrindo de lado, disse:
“É, vai embora logo. Ainda vou entregar isso para a Lingyu. Mesmo que ela não use, pode vender por cem mil, não é?”

Tang Meng percebeu que não adiantava discutir e saiu, resmungando, com o ar de criança que não recebeu a mesada.

“Esse sujeito…” Lingyun acompanhou o carro de Tang Meng sair e desaparecer no canto da rua, e sorriu.

Quando o veículo fez a curva e sumiu, Lingyun voltou para dentro, levou quinze minutos para arrumar tudo e deixou o lugar.

Já eram depois das onze e meia da noite. Aquela área era isolada; quase não havia ninguém na rua, nem carros, e o silêncio era profundo.
Lingyun olhou ao redor, viu que quase ninguém passava por ali, sorriu de leve e, pela segunda vez desde que renasceu, executou o seu Passo do Viajante de Mil Li.
Claro, tratava-se apenas do nome de uma técnica de locomoção, equivalente ao famoso Gong da Leveza conhecido em toda a Xia.

Pela condição atual de Terceiro Nível Corporal, ele ainda não podia alcançar um Passo do Viajante de Mil Li pleno, mas mesmo assim andava muito mais rápido que no máximo habitual. O corpo parecia eletricidade em movimento pela rua, deixando rastros de sombras atrás dele.
Era apenas a técnica de deslocamento, porque a energia de seu corpo ainda não circulava sozinha.
Se alcançasse o Quarto Nível, com a energia interna plenamente utilizável, o Passo do Viajante de Mil Li seria pelo menos o dobro da velocidade de hoje.

Ele precisou de menos de um minuto para chegar à margem do pequeno rio.
Naquela vez, Lingyun aprendera. Depois de achar ontem um novo jeito de gastar energia mais eficiente que correr com saco de areia, trouxe desta vez uma bolsa com roupa — inclusive cuecas limpas e toalha para enxugar o corpo.

Ao chegar, tirou as roupas até ficar apenas de cueca e saltou de uma vez no rio.

Para gastar energia rápido, enfrentou a correnteza, lutando contra a forte resistência da água e avançando em movimento de corrida.

Era, de fato, um ótimo método de gasto físico. Em menos de meia hora, a energia espiritual dele estava totalmente mobilizada, começando a correr sozinha e repor seu consumo de vigor.
Mais de meia hora depois, a energia se esgotou por completo. Exausto, saiu da água e foi para a moita onde deixara as roupas.
Com o corpo inteiro dolorido e entorpecido de cansaço, secou-se com a toalha, vestiu uma cueca limpa e colocou tudo de volta.

“Ei, esse jeito de gastar energia é muito mais rápido que correr com saco de areia. Só que é meio idiota...” murmurou, meio em autoironia, ao chegar ao ponto onde a Erva dos Sete Astros cresce.

Ao sentir a energia suave que a planta exalava, Lingyun sentiu o espírito clarear e refrescou o corpo. Sentou-se em posição de lótus ao lado dela, com os cinco centros voltados para o céu, e meditou em silêncio.

Por já estar no Terceiro Nível, o tempo de absorção de energia foi o dobro do da noite anterior. Somente quando a energia em seu corpo se encheu até o máximo e não pôde absorver mais, começou a pressionar para o ápice do Terceiro Nível.

Do estágio intermediário ao ápice do Terceiro Nível é uma transição pequena, sem prova de passagem severa; comparado à noite passada, era bem mais fácil.

Perto das duas e meia da madrugada, Lingyun enfim alcançou seu objetivo: atingiu o ápice do Terceiro Nível com sucesso. Não houve nova ruptura de nível, mas já percebia a mudança da energia em seu corpo.
Era uma sensação quase impossível de explicar: como se um exército de milhões estivesse pronto para a batalha, facas afiando-se, esperando apenas o primeiro comando do general para avançar.

Ele sentiu uma força imensa, sentiu a enorme oscilação da energia interna; sabia que, embora ainda não pudesse manejá-la por completo, se precisasse gastar energia outra vez, já não lhe custaria tanto.

Agora bastava dissipar um pouco de vigor físico — por exemplo, correr dez quilômetros em alta velocidade com o Passo do Viajante de Mil Li, ou correr por um tempo com peso nas costas — para que aquela energia emergisse dos recantos do corpo e lhe servisse.

Faltava-lhe apenas um nível para o Quarto Nível, como se pudesse romper uma fina camada de papel.

Ao atingir o Quarto Nível, toda a sua esfera de cultivo espiritual sofreria uma virada qualitativa.
Quando conseguisse o Quarto Nível, Lingyun poderia sentar de pernas cruzadas em meditação e, como no cultivo de força interna, usar a energia espiritual absorvida para temperar seu corpo.
Nesse ponto, sua velocidade de avanço corporal passaria a crescer de modo vertiginoso; em comparação com o método bruto de gastar, absorver, gastar e absorver de novo que fazia agora, a diferença seria abissal.

Lingyun se levantou de súbito. Escutou o corpo inteiro estalar com um som rítmico e cadenciado, como grãos de feijão estourando. Sentindo o poder gigantesco e a explosão sem fim em si, surgiu no rosto dele um sorriso confiante e marcante.
O ápice do Terceiro Nível Corporal, enfim, havia chegado.

(Continuará.) (Continuará.)