Capítulo 025: Memória Assustadora
Ugaolão ficou totalmente atordoado com a frase indiferente de Ling Yun, levando um bom tempo para recuperar a compostura. Ele conteve à força a excitação interna, pensando consigo mesmo: “Quero só ver como você vai se dar mal!”
— Muito bem, hoje vamos revisar o conteúdo do primeiro volume. Já que Ling Yun decorou tudo, vamos pedir que ele comece pela primeira lição e recite para nós. Assim, todos aproveitam para revisar, não é uma boa ideia? —
Ao dizer isso, Ugaolão mal conseguia esconder a satisfação.
— Ótimo! — exceto Ling Yun, Cao Shanshan, Chai Hanlin e Zhang Dong, todos os demais aprovaram em voz alta; entre eles, Wei Tiangan quase gritou até perder a voz, e ainda começou a bater palmas, achando que isso não era suficiente.
Cao Shanshan virou-se novamente, com o belo rosto tomado por uma expressão de decepção, pensando: “Agora você vai perceber o quanto foi ingênuo, não é? Decorou tudo? Quero ver como vai se sair!”
Com o entusiasmo geral, Ling Yun coçou a cabeça, um pouco sem graça, pensando como era difícil manter-se discreto.
— E então, Ling Yun, não precisa ficar envergonhado. Você não disse que já decorou? Pode recitar sem medo, professor e colegas estão aqui para te apoiar! —
Ugaolão, claro, tinha certeza de que Ling Yun não conseguiria recitar nem uma linha. Estava preparadíssimo para expulsá-lo da sala assim que ele passasse vergonha.
Ling Yun, ainda sem graça, murmurou:
— Mas... mas acho que não vai dar tempo...
De fato, Ling Yun tinha lido mais de vinte páginas; para recitar desde o “Homem de Yuanmou” aprendendo a andar ereto e usar ferramentas até o período das Cem Escolas de Pensamento, levaria ao menos umas duas horas.
Diversos colegas riram por baixo, pensando que ele só agora tentava arranjar desculpas — que estupidez!
Cao Shanshan estava furiosa; fingir assim? Ugaolão estava disposto a gastar toda a aula só para vê-lo se envergonhar, ainda mais porque as duas aulas de história daquela tarde eram seguidas!
Wei Tiangan, este sim, não escondia o ódio, com um sorriso venenoso e desprezível no rosto. Desde ontem à noite, quando Ling Yun o humilhou diante de todos, o rancor só aumentou!
O sorriso de Ugaolão praticamente escapava de seu controle. Ele falou com empolgação:
— Não se preocupe com isso; encare como uma revisão do conteúdo do primeiro ano para todos. Aliás, devemos até agradecer a você por isso.
Ling Yun refletiu e, sem saída, assentiu. Se isso pudesse amenizar a relação entre os colegas, talvez não fosse uma má ideia.
— Está bem.
Quando ia começar a recitar, Ugaolão sorriu maliciosamente:
— Ling Yun, seria melhor recitar aqui na frente. Assim todos poderão ver e ouvir com atenção. Além disso, há uma cadeira e um pouco de chá preparado para você. Se se cansar, pode tomar um gole para aliviar a garganta.
O tom era gentil e solícito, mas, na verdade, Ugaolão apenas tinha medo de que alguém ajudasse Ling Yun abrindo o livro, o que seria uma humilhação para o próprio professor.
Ele arquitetou tudo: se Ling Yun não conseguisse recitar em público, incitaria os alunos a ridicularizá-lo, forçando-o a sair envergonhado da sala e, depois, ainda lhe atribuiria um castigo por desordem, eliminando-o de vez.
Ling Yun concordou; achou a sugestão boa. Empurrou Zhang Dong de leve, levantou-se e foi até a frente, sob olhares de escárnio.
— Está indo para o abate como se nada fosse... — pensou Zhang Dong, sentindo pena, um pouco de simpatia e até certa admiração.
Ao chegar ao púlpito, Ling Yun, sem cerimônia, pegou o copo de chá de Ugaolão e tomou um grande gole, fazendo o professor revirar os olhos, decidido a nunca mais usar aquele copo.
Depois, arrastou a cadeira para perto da porta e sentou-se confortavelmente.
Ugaolão desceu da plataforma, posicionando-se perto da porta, pronto para iniciar a ofensiva de zombaria assim que Ling Yun falhasse.
Ainda assim, mantendo a postura de educador, tossiu levemente e disse à turma:
— Colegas, Ling Yun vai começar a recitar. Abram o primeiro volume do livro de História e acompanhem a revisão.
Era pura formalidade; ninguém acreditava que Ling Yun fosse capaz e ninguém se deu ao trabalho de procurar o livro.
Vendo Ling Yun no púlpito, Cao Shanshan sentiu o coração acelerar, tomada por inquietação e nervosismo.
— Zhang Ling... Zhang Ling, o que vamos fazer? — ela puxou a manga de Zhang Ling, aflita.
Zhang Ling, apoiando o queixo, assistia à cena com interesse. Quando questionada, respondeu, surpresa:
— Fazer o quê?
— O que mais seria? Ling Yun vai passar vergonha a qualquer momento! Como vamos impedir isso? — Cao Shanshan lançou um olhar de desaprovação para Zhang Ling.
— Impedir? Por quê? Ele não te deixou sem almoço? Você não está morrendo de raiva dele? — Zhang Ling riu.
Cao Shanshan corou:
— Não é hora para brincadeiras. Como representante de turma, não posso ignorar que Ling Yun está sendo humilhado só porque demorou a levantar na aula!
Zhang Ling deu de ombros e lançou um olhar tranquilo para Ling Yun, sentado despreocupadamente:
— Então vá lá, tente impedir. Eu não tenho solução. Eu quero é ouvir Ling Yun recitar...
Cao Shanshan olhou espantada para Zhang Ling, só depois de um tempo respondeu:
— Você quer ouvir Ling Yun recitar? Ficou maluca? Se ele conseguir recitar um parágrafo já é um milagre!
Zhang Ling piscou e riu baixinho:
— Fica tranquila. Só pelo jeito dele no almoço, Ugaolão não vai sair ganhando nada.
— Você confia tanto assim nele? — Cao Shanshan já não entendia mais Zhang Ling. De que lado ela estava?
— Confio. Não sei como ele vai reagir, mas confio! — respondeu Zhang Ling, convicta.
O olhar e o tom de Zhang Ling despertaram em Cao Shanshan uma sensação estranha, quase desconfortável.
— Zhang Ling, você não está gostando dele, está? — Cao Shanshan soltou, sem pensar.
— Você que está! — Zhang Ling retrucou imediatamente.
— Ora... esquece. Mas por que confia tanto nele? — Cao Shanshan preferiu mudar de assunto.
— Intuição. Coisa de mulher! — Zhang Ling respondeu, travessa.
Cao Shanshan revirou os olhos, desistindo de argumentar. Nesse instante, sentiu um olhar sobre si e baixou a cabeça rapidamente.
— O que está acontecendo comigo? — pensou, sentindo o rosto arder ao lembrar-se de como ficara zangada com Ling Yun ao meio-dia e, agora, preocupada com ele sem motivo.
Ling Yun olhou ao redor, ajeitou o corpo pesado na cadeira, buscando a posição mais confortável, e sorriu para Ugaolão.
— Posso começar?
Ugaolão assentiu, ansioso por ver logo Ling Yun fracassar para poder dar sua aula sobre a História Moderna da China.
— Hum, hum... — Ling Yun clareou a voz, ignorando o burburinho e as provocações da turma, e começou:
— Primeira lição... — E, seguindo sua memória, iniciou a recitação.
No começo, ninguém prestou atenção; todos achavam que era perda de tempo, e que logo ele seria ridicularizado e expulso da sala.
Porém, quando Ling Yun começou a recitar, palavra por palavra, com ritmo firme e seguro, tudo mudou!
Após um minuto, cessaram as conversas e risadas.
Depois de três minutos, só se ouviam páginas sendo folheadas.
Cinco minutos depois, Ling Yun já havia recitado quase mil palavras, sem hesitar, sem pausas, sem tropeços, continuando no seu ritmo.
Para alunos de Humanas, decorar é comum, mas o impressionante era que Ling Yun não errava uma única palavra!
Se não estivessem vendo, diriam que ele estava lendo!
Zhang Dong empalideceu.
Chai Hanlin empalideceu.
O sorriso cruel e sarcástico de Wei Tiangan congelou no rosto, como uma estátua grotesca.
Zhang Ling mudou de expressão.
Cao Shanshan, em algum momento, já levantara a cabeça, olhando admirada para Ling Yun, sentada no púlpito, com olhos arregalados e lábios entreabertos, totalmente incrédula!
Quanto ao professor de História, Ugaolão, era o mais surpreso de todos. Antes, estava de braços cruzados, esperando Ling Yun se humilhar. Agora, continuava de braços cruzados, mas sem o olhar de desdém; sua boca, aberta o suficiente para caber um ovo, mostrava incredulidade, depois espanto, e, por fim, um entusiasmo incontrolável!
Ling Yun seguia recitando, sem pressa, dominando o ritmo, alternando velocidade, cada palavra soando como um tambor nos ouvidos de todos.
Terminou a primeira lição e continuou a segunda.
Os braços de Ugaolão tremiam; as pernas, também.
A sala ficou em silêncio absoluto, só se ouvia a voz de Ling Yun. Ugaolão aproximou-se, cauteloso, da carteira de Chai Hanlin, apavorado de atrapalhar a concentração de Ling Yun.
Pegou o livro de História de Chai Hanlin, já completamente pasmo, e abriu na segunda lição.
Sim! Sim! Palavra por palavra!
Encontrou um tesouro!
Que memória extraordinária! Que tipo de gênio era aquele?