Capítulo 029: Retribuindo na Mesma Moeda

O Deus Dragão da Arte Marcial Marcha 3625 palavras 2026-02-07 13:14:52

Ling Yun caminhava com serenidade e calma, continuando em frente, chegando até a virar a cabeça e lançar um leve sorriso para Zhang Ling, que lhe torcia e incentivava. Aproximando-se, ignorou completamente Pi Hezhi, que cambaleava e rastejava atrás de Gou Junfa, e simplesmente pisou com força no peito de Gou Junfa.

Com o peso do seu corpo e a força do seu pé, Gou Junfa, já todo dolorido e incapaz de se mover, só teve tempo de soltar um grito antes de perder até a energia para se debater.

Estirado no chão como um cão morto, olhava para Ling Yun com um olhar repleto de puro terror, onde já se percebia um leve pedido de clemência.

Ling Yun inclinou-se, o rosto ainda exibindo aquele sorriso inofensivo, e disse de forma amigável, olhando para o semblante contorcido de dor de Gou Junfa:

— Gou Junfa, não é? Diga-me, pequeno Gouninho, agora você já consegue falar direito, não?

— O quê? Pequeno Gouninho?

Os colegas que se reuniam para assistir à confusão não contiveram o riso — o famoso arruaceiro Gou Junfa, na boca de Ling Yun, tinha virado apenas "pequeno Gouninho".

Naquele momento, alunos do lado de fora do corredor da turma do terceiro ano do secundário, sala seis, ouviram o barulho e entraram curiosos para ver o que estava acontecendo.

Ling Yun esperou, mas não ouviu resposta. Franziu a testa e só então percebeu que Gou Junfa, sob a pressão do seu pé, já estava virando os olhos, incapaz de pronunciar uma única palavra.

Ling Yun suspirou, pensando que até Wei Tiangan era mais resistente que ele, e tirou lentamente o pé.

Gou Junfa, suportando a dor lancinante de ter seus órgãos internos revirados, respirou ofegante por alguns instantes antes de finalmente falar:

— Ling Yun, eu errei, nunca mais vou fazer isso...

— Calma, não precisa se apressar em admitir a culpa, vamos conversar direito.

Ling Yun, sorrindo, olhou para Gou Junfa e disse:

— Eu me lembro que você comentou há pouco quanto dinheiro levou de mim nesses três anos.

— Uns... três a quatro mil... — respondeu Gou Junfa, suportando a dor.

— Três mil mais quatro mil, dá sete mil. Zhang Ling, quanto renderia sete mil depositados no banco durante três anos?

A turma caiu na gargalhada diante da lógica de Ling Yun para "três a quatro mil".

Todos naquela escola conheciam a fama de Gou Junfa; só de ouvir seu nome junto ao de Lu Chengtian, já sentiam raiva, mas ninguém ousava se opor. Sabiam bem como Gou Junfa atormentou Ling Yun nos últimos três anos, por isso, ninguém sentia pena dele, pelo contrário, estavam todos satisfeitos.

Ling Yun estava, de fato, vingando todos eles.

Zhang Ling riu, lançou um olhar significativo para Cao Shanshan e respondeu:

— Se for a prazo fixo de três anos, a taxa deve ser uns dez por cento, não tenho certeza...

Cao Shanshan não conteve uma careta para Zhang Ling; a taxa de três anos não chegava a cinco por cento, mas Zhang Ling dobrou o valor sem cerimônia.

Ling Yun agradeceu com um aceno e disse seriamente a Gou Junfa:

— Veja, sete mil com quinze por cento de juros dá mil e cinquenta. Não vou cobrar os trocados, quero só oito mil de volta, não é exagero, certo?

Gou Junfa, desesperado para sair dali, concordou fervorosamente:

— Certo, nada errado, oito mil, isso mesmo...

Ling Yun franziu o cenho:

— Tem certeza, pequeno Gouninho? Não errei as contas?

— Não, não errou, juro!

Ling Yun resmungou:

— Então está bem, traga o dinheiro...

Gou Junfa assentiu várias vezes, esforçou-se para sentar-se, tirou a carteira recheada do bolso, pegou todo o dinheiro e entregou a Ling Yun, tremendo:

— Aqui tem dez mil, é tudo seu...

Ling Yun pegou, contou vinte notas e jogou-as no rosto de Gou Junfa, dizendo friamente:

— Por acaso acha que sou igual a você? Só estou pegando o que é meu, não quero um centavo a mais.

Cao Shanshan revirou os olhos, desprezando a cara de pau de Ling Yun — ele estava levando o dobro do que era devido, e ainda dizia que não queria mais do que lhe pertencia.

Ela lembrou-se de como Ling Yun lhe tomou mil à hora do almoço e pensou se seria possível ele ser ainda mais descarado.

E era.

Ling Yun continuou, com tranquilidade:

— Mas não posso te bater de graça, não é? Considere o esforço que fiz, não acha que mereço um pagamento pelo trabalho físico?

O rosto contorcido de Gou Junfa quase ficou esverdeado. Aquela fala era sempre dele para as vítimas, nunca imaginou que ouviria isso na pele. Mas, sem poder retrucar, apressou-se em recolher o dinheiro espalhado pelo chão e o entregou, respeitoso, nas mãos de Ling Yun.

Para sua surpresa, Ling Yun mudou de expressão num instante e resmungou:

— Está demais, não vale tanto te bater assim, basta metade!

Gou Junfa, já à beira do desespero, conformou-se e, obediente, separou mil e lhe entregou.

Dessa vez Ling Yun aceitou de bom grado e não o importunou mais.

Aceitar prejuízo não fazia parte de sua personalidade; seu princípio era: mesmo que perca agora, recupera em dobro depois. Quanto a vergonha, isso não constava em seu dicionário.

Guardou o dinheiro e ficou em silêncio por um tempo.

Gou Junfa, sentindo-se ligeiramente melhor, olhou para Ling Yun e perguntou humildemente:

— Ling Yun, agora podemos ir embora?

Gou Junfa jurava para si mesmo que vingaria aquela humilhação em dobro, não aceitaria ser tão desmoralizado. Se não recuperasse seu orgulho, não teria mais cara para andar por Qingshui.

Ling Yun sorriu com malícia:

— Não tenha pressa. Ainda me lembro do que você disse: sempre que sentia vontade, queria usar a minha cara para praticar uns socos, não é?

O rosto de Gou Junfa mudou de cor; ele não entendia o que Ling Yun pretendia.

De repente, Ling Yun resmungou friamente:

— Pois agora sou eu que aviso: ultimamente, ando com muita vontade de praticar, e toda vez que isso acontecer, vou procurar você. Melhor não aparecer mais na minha frente, ou apanha de novo, entendeu?

O rosto de Gou Junfa se contraiu, arrependido de ter sido tão descuidado. Se tivesse seguido o plano de Lu Chengtian, teria levado Ling Yun para o terraço, e com cinco ou seis contra um, seria fácil dar-lhe uma surra.

De qualquer maneira, era melhor se render de vez, sair dali e pensar depois.

Assentiu com vigor:

— Entendi, entendi, nunca mais apareço na sua frente.

Gou Junfa era perverso, mas não burro. Não queria arriscar tomar outro chute de Ling Yun, senão seria jogado porta afora, e a vergonha seria ainda maior.

Quando tentou se levantar, Ling Yun deu-lhe outro empurrão, derrubando-o novamente.

— Eu mandei você levantar?

Com um olhar gélido, ele perguntou:

— Ainda não me contou como machucou o rosto.

Gou Junfa quase chorando! O ferimento no rosto? Foi você mesmo quem me socou!

Sabia que tinha perdido ao menos três dentes, mas, resignado, respondeu:

— Bati sem querer na parede...

Era sempre assim: após intimidar alunos, obrigavam as vítimas a dizer que se machucaram sozinhas, nunca que tinham apanhado deles.

Na escola inteira, quem ousaria enfrentá-los? Mesmo quem sofria nas mãos deles, só podia engolir a raiva. Mas hoje, Gou Junfa experimentava o gosto amargo de ser humilhado e não poder reclamar.

Finalmente, Ling Yun assentiu e anunciou em voz alta:

— Todos ouviram, não é? Gou Junfa disse que se machucou sozinho, não tem nada a ver com ninguém da nossa turma.

E ainda aconselhou, fingindo bondade:

— Da próxima vez, tome mais cuidado andando por aí, viu? Para que ficar batendo a cabeça na parede à toa?

Gou Junfa encarava o "bondoso" Ling Yun como se encarasse um demônio surgido do inferno, forçando um sorriso:

— Sim, pode deixar, vou tomar cuidado.

Ling Yun sorriu com desdém, olhou para Pi Hezhi, que estava parado junto ao quadro, sem saber o que fazer, e disse friamente:

— As contas com seu chefe estão acertadas. Hoje não tenho tempo, mas qualquer dia a gente acerta as nossas.

Sem sequer olhar para os dois, Ling Yun ordenou com uma só palavra:

— Sumam!

— Ok...

Gou Junfa e Pi Hezhi, sob as gargalhadas da turma, saíram cambaleando, apoiando-se um no outro, derrotados e humilhados.

Ling Yun voltou calmamente para seu lugar, pegou os livros que Gou Junfa havia derrubado e os organizou para os colegas, só então sentando-se novamente.

— Impressionante, Ling Yun é mesmo incrível, bateu no valentão, pisou num dos quatro grandes encrenqueiros da escola!

— Satisfação, que sensação maravilhosa!

— Acho que Gou Junfa nunca levou uma dessas, aposto que vai tentar se vingar...

— O Ling Yun foi impiedoso, dois socos e um chute, e Gou Junfa nem teve chance de reagir, incrível...

A sala era só elogios e espanto, todos olhavam para Ling Yun com um respeito novo.

Agora sabiam, sem dúvida: Ling Yun não era alguém com quem se podia brincar.

Zhang Ling o admirava com olhos brilhantes, quase em formato de coração, achando-o de repente menos irritante e até um pouco adorável.

— Quinta vez... Acho que ele tem uma covinha na bochecha esquerda... Se emagrecesse um pouco, seria perfeito...

Cao Shanshan, ouvindo Zhang Ling suspirar apaixonada, permanecia em silêncio desde o início da briga. Só ela percebera que os movimentos de Ling Yun não eram aleatórios — cada golpe, cada chute, seguia um padrão misterioso, preciso até o extremo. Nem mesmo ela conseguiria desviar facilmente.

Ling Yun, quantos outros segredos você esconde?