Capítulo 052: Sucesso e a Conquista da Agulha Dourada
Sem dar atenção à expressão de espanto do velho, Lin Yun inseriu a agulha dourada no ponto de acupuntura do Mestre Xue e imediatamente canalizou uma corrente de energia espiritual. Em seguida, com um leve movimento do dedo mínimo da mão direita, uma nova agulha apareceu entre seus dedos e, num simples giro, cravou-a em outro ponto no peito do Mestre Xue.
A terceira, a quarta, a quinta agulha...
Lin Yun mantinha uma expressão calma e serena, mas seu olhar era de absoluta concentração. Embora usasse apenas uma mão para aplicar as agulhas, todo o processo fluía com tal naturalidade que mais parecia a execução de uma bela arte do que um tratamento médico.
Ao inserir a sexta agulha, os olhos do Mestre Xue começaram a revelar sinais de dor, que se intensificavam cada vez mais. Ainda assim, ele cerrava os punhos, resistindo com dificuldade.
Como o maior médico da China, ele sabia melhor do que ninguém que aquele era o momento mais crítico da aplicação das agulhas por Lin Yun, e certamente não iria atrapalhá-lo.
Com a oitava agulha, o Mestre Xue tremia descontroladamente, cerrando os dentes de dor.
Após canalizar a oitava onda de energia, Lin Yun percebeu que havia esgotado completamente a energia espiritual do estojo de jade e o colocou de lado sem cerimônia.
Felizmente, com esse consumo intenso, a energia espiritual dentro de Lin Yun já estava totalmente mobilizada.
Agarrou então uma agulha longa de sete centímetros com a mão direita, agora com ar mais solene, injetando energia nela em silêncio.
As Nove Agulhas da Alma, conforme a patologia e o local do problema, podiam ser aplicadas em diferentes ordens e formas. Contudo, por mais variadas que fossem as situações, o mais importante sempre era a última agulha!
Qualquer pequeno desvio, seja por cravar meio milímetro a mais ou a menos, poderia comprometer drasticamente o resultado. O ditado “um milímetro de erro leva a quilômetros de distância” nunca foi tão verdadeiro.
Com a mão esquerda, Lin Yun segurou delicadamente o ombro do Mestre Xue, que tremia violentamente devido à dor insuportável, enquanto a direita, firme como uma rocha, cravou lentamente a última agulha em um ponto vital.
Um baque surdo ecoou pela sala.
Assim que terminou e canalizou a nona onda de energia, antes mesmo de soltar a agulha, o Mestre Xue cuspiu uma golfada de sangue escuro e viscoso, tingindo o rosto de Lin Yun.
— Ora... Senhor, o senhor não tem mesmo cerimônia! Eu já estava me preparando para desviar, mas não deu tempo! — comentou Lin Yun, sabendo que, ao completar as nove agulhas, o velho obrigatoriamente expeliria sangue.
Exausto do consumo de energia espiritual, Lin Yun limpou o rosto ensanguentado com um semblante amargurado, soltando uma tirada bem-humorada.
Ele sabia que, desde que o velho expelisse aquele sangue púrpura e coagulado, estaria fora de perigo por ora.
— Vovô! — Xue Meining arrombou a porta e irrompeu no recinto, chorando como uma criança, o rosto encharcado de lágrimas. Correu até Lin Yun e, não se sabe de onde tirou forças, empurrou-o para o lado.
— Vovô, o que aconteceu? O senhor estava bem agora há pouco, por que cuspiu sangue? Não me assuste assim...
Ela lançou um olhar furioso para Lin Yun, os olhos vermelhos de raiva.
— Você sabe mesmo o que está fazendo? Quando uma pessoa recebe acupuntura, não deveria cuspir sangue! Se o meu avô tiver qualquer problema, eu juro que você vai se arrepender!
A garota, furiosa como um leãozinho, não quis saber de explicações: vendo o avô cuspir sangue, desatou a berrar com Lin Yun.
Na verdade, desde que chegou à porta, com sua curiosidade típica de uma jovem de dezessete anos, Xue Meining jamais ficaria quieta vigiando do lado de fora. Sabendo da importância do procedimento, espiava pela fresta da porta. Da sua posição, podia ver todo o processo de aplicação das agulhas.
No começo, ficou impressionada com a destreza de Lin Yun e a precisão dos pontos onde as agulhas eram aplicadas, quase elogiando-o em silêncio. Porém, ao notar o rosto do avô contorcido de dor, seu coração subiu à garganta.
Ao ver o sofrimento aumentar, e o avô começar a tremer, quase invadiu o quarto, mas conteve-se por saber que o momento era crítico. Mesmo assim, sentia a dor do avô como se fosse sua, e as lágrimas não paravam de rolar, aumentando sua raiva por Lin Yun.
Quando o avô cuspiu sangue, não conseguiu mais segurar-se.
Lin Yun, tentando recuperar o fôlego, foi surpreendido pela força com que a garota o empurrou, quase o fazendo perder o ritmo da respiração.
Balançou a cabeça, suspirando: “Quem eu fui ofender? Já sabia, sempre que faço uma boa ação, é esse o resultado.”
— Não mexa no seu avô, deixe-o descansar um pouco... — recomendou Lin Yun, fechando os olhos para meditar, sem dar mais atenção à garota.
— Você!...
— Ning’er, não seja mal-educada. O vovô está bem agora, só precisa descansar um pouco. Vá fechar a porta. — ordenou o Mestre Xue.
Expelindo o sangue, ele sentiu toda a dor se dissipar do corpo, a leveza tomando conta de si. Sabia muito bem: Lin Yun havia conseguido.
O velho olhou para o jovem, com um misto de gratidão, admiração e surpresa. Quando viu sua querida neta entrar fazendo escândalo, seu semblante se encheu de constrangimento.
Afinal, era seu salvador ali, e a neta se apresentou com empurrões e gritos...
— Vovô, tem certeza que está bem? — Xue Meining, vendo o avô corado e com aspecto saudável, ficou confusa, mas aliviada. Se o avô dizia estar bem, estava bem. Não importa se não ficou curado, o importante era não piorar.
Olhou para Lin Yun, coberto de sangue, e, hesitante, decidiu ouvir o avô e fechou a porta.
— As Nove Agulhas da Alma! Hoje, finalmente, pude ver com meus próprios olhos... Então é assim que são as Nove Agulhas da Alma! Extraordinário! A medicina tradicional tem esperança de florescer novamente! — murmurou o Mestre Xue, os olhos brilhando de emoção, excitação e um leve toque de melancolia.
O rio Yangtzé sempre traz novas ondas, e as gerações se sucedem. O maior médico da China? Talvez fosse hora de passar o título adiante.
Mas logo a tristeza se dissipou, substituída por pura alegria e satisfação.
— Que bênção! Pude ver as Nove Agulhas da Alma ainda em vida, e ainda fui salvo por elas. O que mais poderia desejar?
Abaixou o olhar para as nove agulhas douradas cravadas em seu peito, sentindo a energia fresca espalhar-se pelo corpo, e não conteve um sorriso de satisfação.
O olhar que lançou para Lin Yun era de tal calor que faria inveja até a uma sogra olhando o genro.
— Ainda está aí no chão, rapaz? Quer que este velho venha te puxar?
O Mestre Xue já se preparava para se levantar, mas Lin Yun, já recuperado, abriu os olhos e comentou com um sorriso:
— Finalmente, o senhor está com uma cor saudável...
Antes do tratamento, o rosto do velho estava “vermelho”, mas era um vermelho doentio, resultado de reforços diários e excesso de fogo no coração, nada natural.
— Essas nove agulhas vão ficar em mim por quanto tempo?
— Cerca de meia hora... O quê? Minhas agulhas?
Lin Yun havia canalizado nove ondas de energia nas agulhas para suprimir o veneno devorador de corações. Não podia retirá-las antes que a energia se estabilizasse.
Ele se perdeu por um instante: desde quando as agulhas eram dele?
O Mestre Xue sorriu:
— Só você sabe usá-las. Se não são suas, de quem seriam?
Lin Yun coçou a cabeça, surpreso:
— Quer dizer... o senhor vai me dar as nove agulhas douradas?
O velho assentiu, sério.
— Então aceito, com prazer...
Era exatamente para isso que viera: as agulhas de prata. Agora, o próprio dono lhe oferecia as de ouro; como poderia recusar?
— Nunca vi alguém como você, que nem agradece! — resmungou Xue Meining, já de volta ao quarto, observando o avô na poltrona e Lin Yun largado no chão, ouvindo a conversa dos dois.
Desde que o avô havia parado de tossir sangue, ela sabia: Lin Yun de fato curara temporariamente o velho. Se não percebesse isso, não seria digna de ser neta do Mestre Xue.
O velho balançou a cabeça:
— Ning’er, Lin Yun me salvou a vida. Quem deve agradecer sou eu. De agora em diante, não seja mal-educada com ele, ouviu?
Lin Yun, apoiado num braço, deitado ao acaso, olhava para Xue Meining com um sorriso satisfeito.
— Quem foi mal-educada? Ele sim é que foi! — retrucou ela, lembrando da aposta entre os dois e irritando-se ao ver o sorriso vitorioso de Lin Yun.
O que se passava em seu coração, só ela sabia. Mas seus olhos, brilhando de alegria e gratidão, diziam tudo.
— Ning’er, leve Lin Yun para tomar um banho e escolha um casaco para ele. A roupa está manchada de sangue, não pode mais usar.
Dessa vez, Xue Meining não retrucou. Arregalou os olhos e ordenou:
— Levanta logo, vai ficar aí para sempre?
Lin Yun ergueu a mão num gesto preguiçoso.
Ela, com vontade de ajudá-lo, olhou para o avô, mas acabou desistindo. Bateu o pé e ergueu o queixo:
— Não vou te ajudar a levantar. Se não tomar banho, vai se sentir mal você mesmo.
— Ai, que sofrimento... — brincou Lin Yun, levantando-se de um salto. Dirigiu-se ao Mestre Xue:
— Senhor, vou me lavar. Daqui a meia hora, retiro as agulhas.
O velho estava radiante:
— Vá, vá logo! Não vê que Ning’er já entrou para preparar sua água?
Vendo Lin Yun caminhar despreocupado até o quarto, o Mestre Xue mergulhou em pensamentos.
Salvou-lhe a vida; não podia recompensar apenas com as nove agulhas douradas. Além disso, Lin Yun prometera: em dois meses, poderia expulsar de vez o veneno devorador de corações, adormecido há quarenta anos...