Capítulo 16 – Irmãos de Sangue Sem Laços de Sangue

O Deus Dragão da Arte Marcial Marcha 3576 palavras 2026-02-07 13:14:40

Após se despedir temporariamente da irmã, Lingyun voltou ao seu dormitório e só então percebeu que sua garganta estava em brasa, sentindo o corpo fortemente desidratado. Apressou-se em beber meio bule de água fria, depois fechou as cortinas e, num instante, despiu-se completamente.

— Que peso… Está tudo ensopado.

— Melhor tomar um banho antes de pensar em qualquer coisa, o cheiro de suor está insuportável.

Lingyun, franzindo o cenho, pegou seus itens de higiene e foi direto ao banheiro, pensando consigo mesmo como Ning Lingyu não demonstrou nenhum incômodo diante do forte odor de seu corpo minutos antes.

Quinze minutos depois, limpo e refrescado, Lingyun mergulhou as roupas sujas numa bacia, calçou os chinelos e voltou ao dormitório. Ao tatear a calça estendida da noite anterior, percebeu que ainda estava molhada e não pôde evitar uma careta.

— Agora complicou...

Procurou, vasculhou, revirou armários; lembrava-se de ter visto uma roupa azul-clara enquanto procurava dinheiro pela manhã.

— Sabia que o céu não fecha todas as portas! Minha memória é mesmo formidável!

Finalmente, de dentro do guarda-roupa, tirou o uniforme da escola que não usava há tempos, viu que ainda estava limpo e vestiu-o sem hesitar.

— Então este é o lendário uniforme da escola? Marca da seita! Só está um pouco apertado...

Organizou-se, guardou cuidadosamente os setenta trocados que lhe restavam e desceu para se encontrar com Ning Lingyu.

Ao sair do prédio dos rapazes, Lingyun olhou instintivamente em direção ao dormitório feminino e, de repente, ficou absorto.

Era belo demais!

Ning Lingyu também acabava de sair do prédio do dormitório.

Ela nem se lembrava da última vez que esteve sozinha com o irmão para uma refeição. Mas, ao chamá-lo timidamente de “irmão” no campo de treino, percebeu que ele ainda a tratava como há seis anos.

No olhar dele, havia o mesmo carinho contido, a expectativa travestida em repreensão, e o tom de voz ainda mantinha a leveza, certa hesitação e um toque de humor a mais.

Desta vez, o irmão não a evitou; pelo contrário, convidou-a para comer juntos, surpreendendo Ning Lingyu, que sentiu como se tudo tivesse voltado a ser como seis anos atrás.

Aquela sensação de ser amada, protegida, a profunda segurança — tudo retornou, até mais forte que antes.

Por isso, decidiu mostrar ao irmão seu lado mais autêntico, belo e encantador.

Tomou banho com todo cuidado, escolheu a camisa branca que raramente usava e a calça jeans azul-clara, arrumou-se com esmero antes de descer.

O dia estava esplêndido, o céu límpido e sem nuvens, o sol radiante. Assim, Ning Lingyu saiu do dormitório feminino e caminhou em direção a Lingyun, banhada pela luz que a envolvia como uma deusa de sonho coberta por um halo dourado.

Ao longe, um estudante do segundo ano que jogava basquete presenciou a cena de Ning Lingyu saindo do dormitório. Ficou tão absorto que nem percebeu a bola atingir sua cabeça.

— Irmão? Irmão!

Ning Lingyu parou diante de Lingyun. Ao vê-lo ainda atônito, sentiu-se envergonhada e feliz, mesclando-se com um orgulho secreto. Mordeu suavemente o lábio inferior, exibindo os dentes brancos e alinhados, e, com um gesto travesso, balançou o dedo diante dos olhos do irmão.

— Ah? Oh... — Lingyun finalmente recuperou-se, pensando que a beleza da irmã era mesmo de tirar o fôlego, a ponto de fazê-lo perder a razão.

— O que está olhando? — perguntou Ning Lingyu, fingindo curiosidade, exibindo seu lado espirituoso diante do irmão.

— Nada... — Diante da ousadia da irmã, Lingyun corou, sentindo-se embaraçado.

— Estou bonita?

— Está, está muito bonita...

— Mais do que Cao Shanshan?

— Não importa quem seja Cao Shanshan, você é dez mil vezes mais bonita...

Se Cao Shanshan ouvisse isso, provavelmente cuspiria sangue de raiva, mas a verdade é que Lingyun nem se lembrava de quem era ela.

Ning Lingyu riu, não insistiu no assunto e, sem nenhum constrangimento, segurou o braço de Lingyun e o conduziu em direção ao refeitório estudantil.

— Irmão, por que está de uniforme? Hoje em dia ninguém mais usa isso — perguntou Ning Lingyu.

Lingyun sentiu o suave perfume juvenil da irmã, misturado ao leve aroma espiritual de seu corpo, e não conseguiu evitar um certo torpor.

— Bem, essa história é longa...

Ao longe, o estudante do segundo ano, ainda atordoado pela beleza de Ning Lingyu, murmurava: — Acabou para mim... Ela é simplesmente maravilhosa! Acho que estou apaixonado...

Seu colega, ao buscar a bola de basquete, ouviu o murmúrio e zombou:

— Qual rapaz na escola não gosta dela? Mas com Xie Junyan de olho, quem ousa se aproximar? Se não quer confusão, esqueça!

— Quem disse? Olhe, ela está agarrada ao braço daquele gordão... Será que está namorando?

— Seu idiota, você só estuda feito um louco? Aquele é o irmão dela, entendeu? Lingyun, que correu onze voltas carregando sacos de areia no campo!

O colega coçou a cabeça, invejoso e com uma pontada de ciúme, acrescentando:

— Mas eles não são irmãos de sangue, são filhos de pais diferentes...

— Ei, vocês viram Lingyun e Ning Lingyu? — ressoou uma voz forte, quase trovejante, próxima deles.

O estudante que pegava a bola assustou-se e, seguindo o som, viu um rapaz alto e imponente, de cabelos compridos, olhando para eles.

Era Tang Meng, o pequeno deus das apostas, que acabara de sacar dez mil e estava à procura dos irmãos Lingyun na entrada do dormitório. Não os encontrando, foi perguntar ali.

O garoto, sabichão, sabia bem quem era Tang Meng e respondeu, trêmulo:

— Tang, vi sim, eles foram juntos ao refeitório, entraram há pouco.

...

Evidentemente, Lingyun não contou nada à irmã sobre o acidente da noite anterior.

Deu uma explicação plausível: depois da aula noturna, saiu para correr, viu alguém cair na água e, não podendo ignorar, salvou a pessoa.

O resto veio naturalmente: já que salvou a moça, emprestou-lhe uma roupa para que voltasse para casa — algo perfeitamente normal.

Ning Lingyu, com suas sobrancelhas delicadas, perguntou então:

— Irmão, fazer o bem é louvável. Agora todos estão te culpando, por que não se explica?

Lingyun respondeu com certo orgulho:

— Explicar? Não é meu estilo. No mundo todo, só há uma pessoa que merece uma explicação minha: você!

A frase fez Ning Lingyu rir alto, uma risada tão pura que até os funcionários do refeitório pararam o que estavam fazendo para admirar.

Ela comentou com leveza:

— Então, depois do almoço, traga todas as roupas sujas para mim. Você nunca as lava direito.

Mas, por dentro, pensava: “Meu irmão só tem duas mudas de roupa. Preciso economizar para comprar uma nova para ele.”

Só que, lembrando que todo o dinheiro que tinha — quinhentos — fora entregue a Tang Meng, sentiu-se arrependida. “Por que fui fazer birra? Terei de pedir dinheiro emprestado de novo este mês...” Mas isso ela jamais diria a Lingyun, para não preocupá-lo.

Quanto à absurda aposta de vinte por um, Ning Lingyu não acreditava nem um pouco. Mesmo que Tang Meng lhe desse o dinheiro, ela não aceitaria. Se a mãe soubesse que ganhou dez mil apostando, seria capaz de matá-la.

Pensando nisso, olhou de soslaio para o irmão e fez uma careta, mostrando a língua.

— Irmã, por que viemos até aqui? O que tem de bom para comer? — Lingyun olhou o amplo refeitório, achando o ambiente barulhento e pouco convidativo.

Agora, ao lado do irmão, Ning Lingyu sentia-se cada vez mais à vontade. Um sorriso delicado se formou em seus lábios e, lançando um olhar para Lingyun, disse:

— Não vou economizar com você. Vamos comer no segundo andar.

O segundo andar do refeitório era como um pequeno restaurante dentro da escola, mais tranquilo que o primeiro, frequentado pelos mais abastados ou por quem comemorava aniversários ou fazia reuniões.

Os filhos de famílias ricas, por sua vez, comemoravam fora, em grandes restaurantes.

— Assim sim, ali é melhor — concordou Lingyun.

Sua única lembrança daquele andar era de quando dois valentões da escola o obrigavam a pagar taxas de proteção ali, trazendo-lhe apenas humilhação e escárnio — mas isso era do Lingyun de antes.

Assim que se sentaram, Ning Lingyu, animada, foi escolher os pratos.

— Carne de porco ao molho, costela agridoce, frango com cogumelos...

Ao ouvir todos aqueles pratos sendo pedidos, Lingyun sentiu um calafrio.

O dinheiro não seria suficiente!

Mas não quis estragar o bom humor da irmã. Além disso, sabia muito bem que todos aqueles pratos eram seus preferidos.

Estava claro que ela queria compensá-lo pelo esforço físico de antes.

— Ela deve ter trazido dinheiro também... Depois peço emprestado...

— Preciso logo arranjar uma maneira de ganhar dinheiro, senão não consigo viver...

O sinal do final da última aula da manhã soou, interrompendo os pensamentos de Lingyun.

Tang Meng havia acabado de chegar ao segundo andar do refeitório.

Ele não morava na escola, almoçava em casa, mas ao meio-dia costumava comer ali ou em algum restaurante fora do campus. Por isso, era conhecido pelos funcionários.

— E aí, Tang Meng, o que vai querer hoje? — perguntou um dos atendentes.

Tang Meng ignorou a pergunta e, num relance, avistou Ning Lingyu fazendo o pedido e Lingyun sentado num canto.

— Depois eu vejo — respondeu, indo direto ao encontro de Lingyun.

— Então, gorducho, você está impossível! Fiquei impressionado: correu quatro mil e quatrocentos metros carregando vinte e cinco quilos de areia. Está possuído por algum monstro?