Capítulo 80: A Invencibilidade da Guarda Urbana

O Deus Dragão da Arte Marcial Marcha 3605 palavras 2026-02-07 13:15:34

Diz o velho ditado que, no caminho da cultivação, os anos passam despercebidos—e é a mais pura verdade.

Durante o avanço para o próximo nível, exige-se uma concentração absoluta, mente focada e livre de qualquer distração. Por isso, Lingyun não fazia ideia de quanto tempo já havia se passado. Ele não tinha consigo nem celular nem relógio, então só podia se guiar pela coloração do céu. Agora, a noite era profunda, a Via Láctea brilhava fascinante, as estrelas cintilavam intensamente. Enquanto admirava esse céu hipnotizante, Lingyun aproveitava para praticar deliberadamente a Suprema Técnica de Concentração Estelar.

Alcançar o auge do segundo nível do fortalecimento corporal era realmente diferente. Ao operar a técnica, Lingyun já conseguia sentir fios do poder das estrelas penetrando seu corpo, iniciando, como formigas movendo montanhas, a transformação de sua constituição.

Era o fim do mês, e a lua não se via no céu; caso contrário, absorveria ainda mais rápido a energia yin da lua! Jamais subestime a Suprema Técnica de Concentração Estelar: no grande mundo da cultivação, quando Lingyun levou essa técnica ao ápice, bastava uma leve circulação do método à noite para que as energias lunares das cinco luas do firmamento descessem como faixas de seda para dentro de seu corpo, refinando pele, músculos, ossos, meridianos, órgãos internos. Era uma cena digna de prodígio: entre o corpo de Lingyun e as cinco luas, formavam-se rios celestiais, e bilhões de linhas prateadas vindas das estrelas também penetravam em seu ser, perceptíveis mesmo aos olhos de um mortal comum!

Era como se Lingyun fosse o centro do universo, com céu, terra e astros lhe rendendo homenagem e ofertando sua essência, um verdadeiro milagre! Claro, agora... Lingyun só podia se consolar em pensamento: “Ei, eu já fui incrível um dia!”

Por que Lingyun estava confiante de que poderia perder peso até chegar aos setenta quilos em dois meses? Porque, além do treinamento físico intenso—correndo com sacos de areia, atravessando corredeiras até a cintura—, que consumia rapidamente as gorduras extras, ele ainda contava com a Suprema Técnica de Concentração Estelar.

O primeiro passo dessa técnica é queimar todas as impurezas desnecessárias do corpo, sendo a gordura o principal alvo! Um método que alia exaustivo exercício externo a uma transformação interna, que utiliza sem cessar, dia e noite, o poder do sol, da lua e das estrelas para dissolver as impurezas. Há maneira mais eficaz de emagrecer?

Lingyun tinha absoluta certeza de que já pesava menos de cem quilos. Nos últimos dias de prática alucinada, perdera ao menos cinco quilos de gordura. Mesmo num regime comum, o início é sempre o mais produtivo, tornando-se cada vez mais difícil depois, então nada de estranho em Lingyun eliminar cinco quilos assim.

Ele não precisava verificar: sentia claramente que seu corpo já não era tão volumoso, a barriga não balançava tanto, o rosto rechonchudo diminuíra consideravelmente, aproximando-se rapidamente de um semblante esguio e delicado!

Mas isso, para Lingyun, não era nada digno de nota. Não ocupava seus pensamentos. O que mais lhe intrigava era a aparição, durante o avanço para o terceiro nível do fortalecimento corporal, daquele fluxo de energia celestial surgido no topo da cabeça, no centro da testa e no dantian.

Lingyun sabia: o topo da cabeça conecta-se ao poder do céu e da terra; o centro da testa é o mar do conhecimento; o dantian, a fonte da força. Porém, ao interromper o avanço, a energia celeste desapareceu de repente, e por mais que tentasse conduzi-la, era como se tivesse lançado barro no mar—sumira sem deixar rastro.

Como ainda não possuía percepção espiritual, Lingyun não podia perscrutar seu interior, restando-lhe apenas esperar. Mas agora que descobrira uma mina de tesouros, buscará maneiras de aproveitá-la, jamais desperdiçando energia celestial como fizera após reencarnar, quando esgotou-a para curar uma ferida mortal.

Antes, Lingyun temia que, após a maturação da Erva das Sete Luzes e ao atingir o primeiro ou segundo nível do cultivo de energia, carecesse de recursos para seguir adiante. Mas ao descobrir essa energia celestial, sentiu-se aliviado.

Sua silhueta robusta permanecia silenciosa, não muito longe da Erva das Sete Luzes, ereto sob o céu noturno, como uma montanha imóvel, praticando em silêncio a Suprema Técnica de Concentração Estelar.

Ao ter recém-chegado a esse mundo, Lingyun ainda não observara os fenômenos celestes locais, impossibilitando a identificação do tempo pelas constelações. No entanto, notava claramente que, no norte, sete estrelas emitiam um poder especialmente intenso. De acordo com memórias residuais, sabia que os chineses as chamavam de Sete Estrelas da Grande Ursa.

Já que perdera a noção do tempo, decidiu não se preocupar. Pensou que, se voltasse agora, só atrapalharia o descanso de sua mãe e irmã, sendo melhor cultivar até o amanhecer.

Por que tanto empenho? Porque, à tarde, próximo ao local do acidente, sentira uma estranha inquietação. No grande mundo da cultivação, Lingyun sobrevivera a milhares de batalhas de vida ou morte, escapando de incontáveis armadilhas e emboscadas não por sorte, mas por um instinto extraordinário. Sempre que o perigo se aproximava, sentia um desconforto extremo, levando-o a se preparar preventivamente.

Só quando o leste começou a clarear é que Lingyun encerrou a prática, abrindo os olhos. O céu permanecia escuro, mas logo cederia à luz. Após tanto tempo, não só absorvera ao máximo a energia do segundo nível, como também progredira na Suprema Técnica de Concentração Estelar.

Obviamente, não permaneceria ali absorvendo a energia solar—se alguém o visse à luz do dia, pensaria tratar-se de um louco. Não que se importasse com isso, mas receava que alguém de más intenções descobrisse a Erva das Sete Luzes. Isso, sim, seria irreparável.

Lingyun sorriu para a planta, um arco encantador nos lábios e a covinha na face esquerda bem visível. “Querida, não vou te incomodar enquanto avanço para o terceiro nível. Quando eu conseguir, volto para te visitar!”

De fato, ao atingir o auge do segundo nível, só faltava romper uma fina barreira para chegar ao terceiro, algo que podia fazer sem ajuda da energia da Erva das Sete Luzes. Contudo, após o avanço, a energia em seu corpo diminuiria bastante, então precisaria retornar ali para reabastecer-se.

Dito isso, aproveitou a noite ainda presente e a ausência de transeuntes, escolhendo atalhos silenciosos enquanto corria de volta ao bairro pobre da Rua do Rio.

Se a vinda fora veloz, o retorno merecia ser chamado de assombroso. Para comparar, Lingyun corria agora quase à oitenta por hora—e isso com dois sacos de areia presos às pernas! Se não fosse por eles...

Às cinco e quarenta e cinco da manhã, Lingyun já estava de volta à Rua do Rio, diminuindo o ritmo até parecer um corredor matinal comum. Foram mais de vinte quilômetros sem ficar ofegante, nem mesmo precisou mobilizar a energia interna.

A essa altura, o dia já clareava, pessoas e veículos começavam a se multiplicar nas ruas. Lingyun foi reduzindo a velocidade até, a uns dois quilômetros da clínica popular, decidir caminhar, assumindo ares de quem passeia cedo.

Sentindo-se satisfeito por ter alcançado o auge do segundo nível, a um passo do terceiro e ainda com energia celestial no corpo, Lingyun caminhava de mãos nas costas, observando ora à esquerda, ora à direita. Notou que, nas paredes laterais, a cada poucos metros, havia um enorme e gritante “Demolição” pintado. Murmurou: “Demolição? Por que Tang Meng insistiu tanto nisso ontem à noite?”

Vindo do grande mundo da cultivação, Lingyun mal entendia esses processos de demolição urbanos, ficando perplexo.

Caminhou mais um quilômetro. Já era pleno dia, e os moradores do bairro, obrigados a levantar cedo para garantir o sustento, já estavam a postos. A rua tornara-se barulhenta; dos dois lados, feirantes montavam bancas de café da manhã—vendiam-se sonhos fritos, pastel, arroz com macarrão, mingau de soja, além de legumes frescos trazidos do mercado atacadista. Pequenas lojas e restaurantes já abriam as portas.

Havia também quem vendesse miudezas ou roupas, mas eram poucos, um em cada dez.

“Apesar do caos, há uma ordem natural em toda essa movimentação de compra e venda. Interessante...”

Não negava sua essência: mesmo ao ver gente vendendo e comprando café da manhã, conseguia relacionar tudo aquilo à ordem do universo—pensamento deveras ousado!

Com o sol ainda por nascer, Lingyun caminhava lentamente, observando as barracas e ponderando o que levar para a mãe e Lingyu comerem.

De repente, ouviu um grito a uns quarenta metros: “A fiscalização urbana está chegando!”

Antes que pudesse reagir, todos os feirantes ao redor começaram a desmontar apressados suas bancas, o rosto tomado de pânico.

“Vamos, rápido, nem domingo de manhã nos deixam trabalhar em paz...”
“Esses caras só servem pra isso! Em outras coisas, não fazem nada!”
“Melhor sair logo, não dá pra enfrentar, só nos resta fugir. Olha lá, já tem gente se dando mal!”
“Vamos, enquanto eles não chegam perto, vamos embora...”

Lingyun observava, surpreso: “Fiscalização urbana? Eles são bandidos? Como assustam tanto essas pessoas simples e trabalhadoras?”

Viu feirantes e ambulantes dispersarem-se como um rebanho em debandada, e murmurou: “Por que será que essa fiscalização mete tanto medo? Isso não parece nada justo...”

Seguiu em frente e, entre os apressados, viu uma van branca avançando devagar, ostentando autoridade. Dentro, alguém gritava ao megafone. Perto dali, cinco jovens uniformizados em azul claro cercavam uma feirante azarada que não conseguiu escapar, repreendendo-a em altos brados.

“Quantas vezes já te pegamos? Essa é a quarta só este mês, não é? Diz aí, como vamos resolver isso?”

“Por favor, me ajudem... Meu marido trabalha na construção e foi atingido por um tijolo que caiu do alto, está em coma no hospital. Só posso vender verduras de manhã pra conseguir algum dinheiro e cuidar dele depois...”

“Chega de mentiras! Toda vez a mesma história. Você não se cansa de repetir? Peguem tudo dela e também o triciclo elétrico! Levem tudo pra van!”

O rapaz que parecia ser o chefe dos uniformizados falou, frio e indiferente.