Capítulo 060 Salvar Uma Vida
— Ei! Isso é incrível, o dedo do velho realmente está se movendo!
— Nossa, não achei que aquele garoto fosse tão habilidoso. Quando ele enfiou a agulha na cabeça, quase morri de susto!
— Que sorte desse velho! Achei que ele não fosse resistir, mas foi salvo de verdade!
Todos que presenciaram Ling Yun aplicando as agulhas exclamavam admirados, completamente atônitos com sua habilidade médica. Os profissionais de saúde, ao notarem que o idoso era o mais ferido, se apressaram a cercá-lo. Xue Meining lançou um sorriso de admiração sem disfarces para Ling Yun, soltou o braço dele e correu na direção do velho.
— Diga a eles para não moverem o idoso durante a próxima meia hora — instruiu Ling Yun, dirigindo-se às costas de Xue Meining.
Depois, foi até a menina de perna quebrada. Alguns enfermeiros já estavam ao lado dela, preparados para colocá-la na ambulância, mas ao verem as agulhas de prata cravadas em seu corpo, ficaram sem saber como agir.
Ling Yun só havia colocado aquelas agulhas para aliviar a dor e induzi-la ao sono; não tinham relação direta com a fratura da perna. Assim que chegou, ele mesmo retirou as agulhas.
— Coloquem-na na ambulância, mas tenham cuidado com a perna ferida. E esta outra menina machucou o braço, ela também precisa ir ao hospital — disse Ling Yun, acariciando a cabeça da pequena ferida no braço.
— Obrigada, irmão Ling Yun! — agradeceu ela, com olhos arregalados, antes de entrar na ambulância.
Ling Yun sorriu e acenou, sem dizer mais nada. Em seguida, aproximou-se de Zhuang Meifeng e parou, surpreso.
A beleza de Zhuang Meifeng beirava o sobrenatural, capaz de fazer qualquer homem perder o fôlego e acelerar o coração. Ling Yun não pôde evitar lançar um olhar para o desmaiado Sun Xing, pensando consigo mesmo: “Não é à toa que esse sujeito a perseguiu até aqui... Ela é mesmo uma joia rara!”
Mas... por que essa mulher parecia tão familiar?
— Obrigada por me salvar! — Zhuang Meifeng, ao vê-lo à sua frente, apressou-se em agradecer, a voz ainda fria, mas com gratidão estampada no rosto.
Ela estivera apenas inconsciente; mesmo sem as agulhas, acordaria sozinha, só que demoraria mais. Mas Ling Yun não apenas a despertou; se não fosse por ele, teria sofrido nas mãos de Sun Xing. Sua gratidão era, sobretudo, por ter sido salva daquele destino.
— Não há de quê. Você não estava gravemente ferida, apenas fiz o que era necessário — respondeu Ling Yun, sorrindo com tranquilidade.
— Meu nome é Zhuang Meifeng, sou... — Ela hesitou. Pensara em dizer que fazia parte do Grupo Farmacêutico Zhuang, mas lembrando-se de ter recusado o casamento arranjado pela família, percebeu que já não seria mais aceita por eles e calou-se.
Quem era Zhuang Meifeng? Nada menos que a herdeira do Grupo Farmacêutico Zhuang, irmã mais velha de Zhuang Meina!
Ling Yun pouco se importava com isso; agia sempre de acordo com sua consciência. Se salvou, salvou; se bateu, bateu. O que os outros pensavam ou diziam não lhe dizia respeito.
Claro, isso não o impedia de apreciar demoradamente a beleza quase demoníaca de Zhuang Meifeng — um banquete para os olhos. Quanto à recompensa, somaria tudo na conta da pequena demônia Xue Meining; afinal, quem pediu para salvar as pessoas foi ela.
Enquanto ele a observava, Zhuang Meifeng também o fitava, com olhos de fênix cheios de dúvida.
Afinal, ela era a musa absoluta da Universidade de Economia de Pequim; todo homem que a via ficava com cara de bobo, babando. Mas esse rapaz, apesar de ser um gorducho de dezoito anos, não era assim! Quando a viu de frente, até pareceu um pouco surpreso, mas logo retomou a calma habitual. Mesmo agora, observava-a sem vestígio de lascívia, como se ela fosse apenas uma flor, um ornamento.
— Que belas pernas... que cintura... que busto... — O olhar de Ling Yun subiu dos pés ao rosto de Zhuang Meifeng. Então sorriu de leve: — Se não estiver sentindo nada de errado, posso tirar as agulhas agora?
Zhuang Meifeng corou sem motivo aparente, recordando-se de quando estivera inconsciente e o gordinho introduziu as agulhas em seu pescoço. O rosto ficou quente.
— Estou bem, pode tirar... — murmurou.
Ling Yun assentiu e, com a destreza do relâmpago, retirou todas as agulhas antes mesmo que Zhuang Meifeng sentisse qualquer coisa.
— O velho parece ter acordado. Vou dar uma olhada, fique à vontade...
Ling Yun viera apenas para retirar as agulhas — afinal, eram suas preciosas agulhas de prata. Não as deixaria por aí.
— Espere... — chamou Zhuang Meifeng, agarrando o braço dele, aflita.
— O que foi? — perguntou Ling Yun, surpreso.
— Você se chama Ling Yun, não é? Salvou minha vida, preciso ao menos ter um contato seu, para um dia poder retribuir!
Mais uma querendo seu contato. Ling Yun franziu levemente o cenho, lamentando não ter um celular. Quando fossem comprar mantimentos, pediria à pequena demônia que lhe comprasse um.
O contato, no entanto, ele faria questão de deixar. As duas meninas já tinham ido na ambulância; o idoso, embora salvo, estava longe de poder agradecer. Restava essa bela mulher dizendo que queria retribuir. Se negasse, seria um verdadeiro anjo anônimo, sem colher qualquer benefício.
Claro, a Ferrari da pequena demônia era mais chamativa, mas o carro de Zhuang Meifeng também não devia ser barato. Se ela podia dirigir, certamente não era pobre!
Pensando nisso, Ling Yun sorriu:
— Primeiro Ensino Médio de Cidade das Águas Claras, terceiro ano, turma seis. Procure por Ling Yun, fácil de achar.
O rosto de Zhuang Meifeng mudou de repente. Ela tapou a boca delicada e sensual, surpresa:
— Você estuda na Primeira Escola?
O gesto dela divertiu Ling Yun, que pensou: “E daí se eu estudo na Primeira Escola? Precisa desse espanto todo?”
— Sim, por quê?
— Nada... Só não esperava que um estudante do ensino médio tivesse habilidades médicas tão extraordinárias...
Ela não quis mencionar a irmã, preferindo disfarçar.
— Espere um momento! — disse, apressando-se até o carro para pegar papel e caneta. Escreveu seu nome e telefone, entregando a Ling Yun: — Este é o meu número. Pode me ligar quando quiser.
Ling Yun pegou o papel, e seus dedos tocaram casualmente a mão suave de Zhuang Meifeng, sentindo um leve choque.
Mas ela não percebeu. Com o rosto preocupado, disse:
— Por favor, me ligue. A família Sun Xing é uma das mais poderosas de Pequim, e eles não vão deixar barato o que você fez a ele. Se for preciso, abro mão de tudo para te proteger!
Não sabia de onde vinha tanta determinação, mas as palavras finais soaram resolutas.
Ling Yun já esperava problemas, mas não imaginava que seriam tão grandes. Ainda assim, sorriu, indiferente.
Se vierem soldados, luto; se vier água, construo diques. Ele nunca fugiu de encrenca.
Além do mais, não foi só ele que bateu em Sun Xing; a pequena demônia também estava envolvida, não estava?
— Irmão Ling Yun, venha rápido! O velho acordou e vomitou mais sangue! — gritou Xue Meining, virando-se para ele.
Ling Yun acenou para Zhuang Meifeng, indicando que não se preocupasse, e caminhou até o grupo de médicos que não sabiam o que fazer.
— Vomitou sangue? Ótimo, sinal de que posso retirar as agulhas sem preocupação!
A técnica das Nove Agulhas do Espírito funcionara! Quatro aplicações seguidas, estava exausto, mas valeu o esforço.
Já era hora de ir embora. Depois de comprar mantimentos com a pequena demônia, ainda precisaria levar Ling Yu para casa.
Zhong Qingshan, vendo Ling Yun se aproximar, sorriu calorosamente:
— Ling Yun, o idoso abriu os olhos! Está consciente, mas não consegue falar por causa das costelas quebradas. Acabou de vomitar sangue. O que devemos fazer agora?
Ele temia que Ling Yun não soubesse dos detalhes, então explicou minuciosamente.
Ling Yun assentiu e se ajoelhou ao lado do idoso, tomando o pulso esquerdo com três dedos.
Após meio minuto, retirou as agulhas.
O velho não estava imobilizado; Ling Yun só temia que o levassem para o hospital antes de poder remover as agulhas. Só ele podia fazê-lo, pois se alguém tirasse de qualquer maneira, poderia causar uma tragédia.
— Pronto. Basta levá-lo ao hospital. Agora, além das costelas, não há mais problema.
Enquanto falava, guardou cuidadosamente as agulhas no estojo de couro.
Subitamente, o velho abriu os olhos com esforço, fixando Ling Yun com o olhar, tentando falar.
— Como... você... se... chama? — perguntou, gastando o resto das forças. A voz era fraca, mas clara.
— Chamo-me Ling Yun. Não se preocupe, senhor. Sua saúde estava ótima; se não fosse isso, nem um milagre o salvaria hoje. Basta recuperar as costelas, e ficará como antes!
Ling Yun entendeu o que o idoso queria. Não se aproveitou da situação, limitando-se a tranquilizá-lo.
Vendo isso, Xue Meining olhou para ele, intrigada, sem saber ao certo o que pensar.
Zhong Qingshan, agora o líder máximo dos socorristas do Hospital Provincial de Jiangnan, comandou o transporte do idoso. Quando a ambulância partiu, voltou e apertou a mão de Ling Yun, emocionado:
— Ling Yun, não sei como agradecer. Se não fosse por você, uma vida teria se perdido aqui!
Ling Yun apenas sorriu, calmo como se nada tivesse acontecido.
— Meining, agora que todos foram socorridos, podemos ir às compras?
O rosto de Xue Meining se iluminou. — Claro, vamos comprar um monte de coisas!
Não fora ela quem salvara a vida, mas estava radiante de alegria. Uma vida, afinal!
— Vamos? — sugeriu Ling Yun, animado.
— Vocês dois, ninguém vai a lugar nenhum!
Um brado estrondoso retumbou, ecoando nos ouvidos de todos!