Capítulo 57: Um Mau Pressentimento

O Deus Dragão da Arte Marcial Marcha 3739 palavras 2026-02-07 13:15:13

O motivo pelo qual Lian Yun se comoveu não foi o acidente em si, mas sim o fato de ter percebido que neste mundo os acidentes de trânsito são incrivelmente frequentes!

Cinquenta metros à frente havia um cruzamento, e foi ali, bem no centro, que ocorreu a colisão. Um carro preto havia atingido com força o lado direito de um carro branco. Lian Yun não entendia de veículos, mas caso soubesse, teria identificado de imediato que o carro preto era um Audi Q7 e o branco, um BMW X5.

Rapidamente, os condutores à frente desceram de seus carros e correram para o local do acidente, acompanhados por vários pedestres que se aproximavam e se aglomeravam ao redor do cruzamento.

Lian Yun bateu no vidro do carro: “Desça, houve um acidente à frente, não vamos conseguir sair daqui tão cedo.”

“Oh, então foi um acidente... O quê?! Um acidente?!”

Xue Meining arregalou os olhos, saltando do carro. Olhou adiante, mas percebeu que a cena já estava cercada por uma multidão e não conseguia ver o que acontecia de fato.

“Vamos lá, vamos ver o que aconteceu.”

Lian Yun franziu levemente o cenho, sem se mover, e perguntou com indiferença: “Ver o quê?”

Xue Meining olhou para ele, surpresa: “Ora, somos médicos, não? Pelo menos temos que mostrar algum profissionalismo, não acha? Vamos verificar se alguém ficou ferido!”

Lian Yun ficou sem palavras, pensando consigo mesmo que eram apenas estudantes, não médicos. Quando foi que se tornaram doutores?

Vendo a indiferença de Lian Yun, Xue Meining bufou irritada, agarrando seu braço: “Vamos lá, ao menos não ficamos só esperando aqui!”

“Que tragédia! O motorista do Audi estava bêbado, furou o sinal vermelho, atropelou três pedestres e depois colidiu com o BMW, só parando então.”

“Pois é, um idoso foi lançado ao ar, duas estudantes foram derrubadas, e a mulher do BMW ainda está inconsciente!”

“Já chamaram uma ambulância!”

“Não adianta, com esse congestionamento, é impossível a ambulância chegar!”

Depois de ser arrastado por Xue Meining, Lian Yun percebeu que o acidente era muito mais grave do que ele imaginava.

A cena do acidente estava completamente cercada, a multidão falava de tudo um pouco. Xue Meining tentou se infiltrar por um bom tempo, mas não conseguiu. Ela sacudiu o braço de Lian Yun, suplicando: “Lian Yun, você é alto e forte, vamos entrar juntos!”

Desde pequena, Xue Meining foi instruída pelo seu pai, o mestre Xue, a jamais ignorar alguém em perigo. Instintivamente, ela se considerava uma médica e sentia que, diante de feridos, era impossível não agir.

Lian Yun, por outro lado, via as coisas de forma diferente. No mundo do cultivo, a vida e a morte são comuns; cada um segue seu destino, e ele não se preocupava com o sofrimento alheio. Mantinha-se calmo.

Estava prestes a convencer Xue Meining a não se envolver, quando sentiu que alguém o observava à distância e, involuntariamente, olhou para trás, à direita.

Três ou quatro pessoas passavam atrás de Lian Yun, indo ver o acidente. Ele ignorou-os, focando a atenção num homem de meia-idade, a cerca de dez metros, que desviou o olhar de repente.

Nada parecia fora do comum.

Mas Lian Yun não pensava assim. Confiava em seu instinto, uma percepção aguçada de perigo que já o salvara muitas vezes. Sentiu-se inquieto.

“Estão me vigiando?” Um sentimento ruim surgiu em seu coração.

O homem parecia agir normalmente, falando ao telefone e sem olhar novamente para Lian Yun.

“Lian Yun, o que você está olhando? Vamos logo...”

Xue Meining, impaciente ao vê-lo distraído, o apressou.

“Vamos, vamos entrar!” Lian Yun estendeu a mão, abrindo caminho facilmente pela multidão e puxando Xue Meining para o centro do tumulto.

“Alguém é médico? Algum de vocês é médico? Este senhor está em estado crítico, por favor, venham ajudar com os primeiros socorros!” Uma policial feminina gritava, aflita, para a multidão.

Um policial homem e uma mulher mantinham a ordem no local. O homem interrogava o motorista causador do acidente, enquanto a mulher, agachada junto ao idoso atropelado, estava claramente perdida.

“Meu Deus!” Xue Meining, ao ver a cena brutal, cobriu a boca, horrorizada.

O idoso estava com a cabeça ensanguentada, sangrando pelo nariz e boca, vítima de graves ferimentos externos e internos. Estava inconsciente, caído numa poça de sangue.

As duas estudantes, aparentando estar no ensino fundamental, estavam feridas: uma teve a perna quebrada, seu rosto distorcido de dor, incapaz de chorar; a outra parecia apenas ter o braço arranhado, mas estava em choque, chorando sem saber o que fazer.

Quanto à motorista do BMW, estava desacordada, com a cabeça caída sobre o volante e os longos cabelos vermelho-escuros cobrindo o rosto, impossível distinguir seus traços.

“Precisamos ajudar!”

Sem hesitar, Xue Meining correu até o idoso, agachando-se para verificar seu pulso.

Verificar o pulso era um hábito da medicina tradicional, independentemente da doença, sempre começava por ali.

Lian Yun olhava, franzindo o cenho. Não era hora de agir como médica; o idoso ainda respirava, evidentemente não estava morto. O mais urgente era estancar o sangramento!

De fato, a policial feminina rapidamente impediu Xue Meining.

“Ei, o que está fazendo? Ele está gravemente ferido, não pode ser movido sem cuidado!”

Ela só confiava em médicos, naquele momento.

Xue Meining, aflita: “Eu... eu sei...” Mas, ao pensar, percebeu que além de identificar ervas, verificar o pulso e fazer acupuntura, não sabia mais o que fazer.

Ficou completamente perdida.

“Você é estudante, não? Moça, é louvável querer ajudar, mas se não é médica, não arrisque. Se algo acontecer, ninguém poderá assumir a responsabilidade.”

A policial continuou: “Por favor, ajude a cuidar das duas estudantes. Uma quebrou a perna, a outra machucou o braço, estão assustadas!”

“Alguém é médico? A ambulância ainda não chegou, quem entende de enfermagem, venha ajudar este senhor, fazer os primeiros socorros e estancar o sangramento!”

A policial voltou a clamar à multidão, demonstrando calma apesar da urgência, claramente treinada para situações assim.

“Sou cirurgião!”

Finalmente, um homem de meia-idade, cerca de quarenta anos, saiu da multidão. Parecia estar de folga, vestido casualmente, com aparência serena e limpa.

Ele se aproximou da policial, agachou-se ao lado do idoso, abriu suas pálpebras e escutou atentamente seu peito.

Sua expressão ficou repentinamente sombria.

“Senhora, este senhor sofreu um trauma cerebral, as pupilas estão dilatando, a respiração e os batimentos estão muito fracos, ferimentos internos e externos graves. O mais urgente é estancar o sangramento!”

“Quando a ambulância vai chegar?” perguntou a policial, ansiosa. “Já chamaram há cinco ou seis minutos. Hoje é sábado, estamos perto da rua de pedestres, não sei quanto tempo vai demorar!”

O médico hesitou, suspirou e balançou a cabeça.

Concluiu que, se não prestassem socorro imediatamente, o idoso poderia morrer a qualquer instante.

Mas, como médico moderno, sem equipamentos ou ferramentas, estava impotente, apenas assistindo à morte do paciente.

Xue Meining ergueu a cabeça, gritando para Lian Yun: “Lian Yun, este senhor está morrendo, venha salvá-lo!”

Xue Meining sabia: se alguém pudesse salvar o idoso, esse alguém era Lian Yun.

O médico e a policial seguiram o olhar de Xue Meining, deparando-se apenas com um homem corpulento, parado e pensativo.

Seu olhar era disperso, como se ignorasse completamente os feridos e suas dores.

Na verdade, Lian Yun observava com atenção, percebendo que aquela sensação de perigo havia desaparecido. Ele havia entrado na multidão justamente para ver se o homem suspeito o seguiria, mas tudo voltou ao normal, e o desconforto sumiu totalmente.

“Talvez eu esteja sendo cauteloso demais? Este mundo não é tão perigoso quanto o mundo do cultivo, onde batalhas mortais são constantes.”

“Lian Yun, o que está esperando? Venha salvar o senhor!”

O chamado aflito de Xue Meining finalmente chegou aos ouvidos de Lian Yun.

Ele olhou para o médico e para a policial, percebendo a mudança em suas expressões: de expectativa para decepção.

Ignorou isso e concentrou-se no idoso.

“O idoso sofreu trauma craniano, pelo menos duas costelas quebradas, hemorragia interna grave e perdeu muito sangue. Mas não morrerá nos próximos vinte minutos.”

Lian Yun rapidamente avaliou a situação.

“Enfim, vou ajudar. Não posso ignorar, já que estou aqui.”

Apesar de saber que ajudar traria problemas, Lian Yun resignou-se e deu um passo à frente.

Mas não em direção ao idoso.

Primeiro, aproximou-se das duas estudantes. Para a que chorava sentada, perguntou: “Você tem um lenço?”

“Sniff...” A menina chorava, mas percebeu que um homem corpulento estava ao seu lado.

“Tenho...” Ela tirou um lenço do bolso.

Lian Yun segurou o braço ferido da menina com a esquerda, e com o dedo indicador da direita tocou levemente alguns pontos do braço, depois enrolou o lenço sobre o ferimento.

“Não chore mais, você está bem!” Lian Yun sorriu, encorajando a menina.

Virou-se para a multidão: “Preciso de duas pessoas para segurar esta jovem, vou recolocar o osso da perna.”

Ninguém se moveu.

O coração de Lian Yun gelou.

Sem esperar mais, apontou para o policial masculino, dizendo em voz alta: “Você está aí interrogando aquele lixo em vez de cuidar dos feridos? Venha ajudar!”

O policial, até então sendo insultado pelo motorista do Audi Q7, estava atordoado. A voz de Lian Yun foi como um trovão, despertando-o.

O motorista, um homem de vinte e quatro ou vinte e cinco anos, claramente havia bebido, mas não estava completamente embriagado. Sua agressividade era evidente.

“Você se acha no direito de me interrogar? Só atropelou alguns, e daí? Tenho dinheiro, mesmo se matasse todos, um milhão seria suficiente. Se continuar insistindo, vou mandar tirar sua farda!”

Lian Yun já ouvira esses insultos. O motorista era um canalha, por isso o chamou de lixo.

Talvez por isso ninguém da multidão ousasse ajudar: aquele homem era rico e poderoso, capaz de intimidar até os policiais. Quem se arriscaria a confrontá-lo?