Capítulo 031: Eu não vou!
— Onde está Lingyun? Onde ele está?!
Com um brado estrondoso, cheio de arrogância e autoridade, Tang Meng entrou de rompante na sala da turma três do terceiro ano. Assim que o viram, todos os alunos estremeceram; pensaram consigo mesmos que aquele dia parecia amaldiçoado: mal haviam se livrado de um problema e já surgia outro.
Cao Shanshan e Zhang Ling observavam de longe, frias, curiosas quanto ao motivo da visita de Tang Meng a Lingyun.
Tang Meng, evidentemente, não sabia onde Lingyun se sentava. Parou na porta, seus olhos varreram a sala até encontrarem Lingyun no canto, nos fundos.
Lingyun semicerrava os olhos, observando Tang Meng. Não nutria antipatia por ele, ao contrário; admirava a postura do "Pequeno Deus das Apostas": arrogante, sim, mas com limites, compreendia as situações e sabia recuar quando necessário, além de valorizar a palavra empenhada.
Quando viu Tang Meng se aproximar a passos largos, um leve sorriso se desenhou nos lábios de Lingyun. Pensou consigo que, desde que não viesse pedir dinheiro, tudo bem.
— Pois bem, Lingyun, seu gorducho, não acha que já chamou atenção o suficiente hoje? Espancou Guo Junfa, aquele idiota! Quer desafiar o próprio destino, é isso?
A fala de Tang Meng era assim: voz potente, repleta de energia bruta, ecoando pelos ouvidos dos alunos. Se muitos temiam Guo Junfa e Lu Chengtian, Tang Meng jamais se intimidava — afinal, seu pai, Tang Tianhao, pesava mais que Gou Liancheng na balança do poder.
Tang Tianhao era vice-diretor da Polícia de Qingshui. Talvez não dominasse toda a cidade, mas pelo menos metade dela estava sob sua influência. Caso contrário, Tang Meng não teria coragem de bater de frente com Xie Junyan, filho do vice-prefeito.
Lingyun olhou calmamente para Tang Meng, sorriu e franziu levemente a testa:
— Chegou tarde.
— Hein? Cheguei tarde? Como assim? — Tang Meng ficou confuso com a resposta.
— Se tivesse chegado antes, não teria perdido a chance de bater nele comigo — respondeu Lingyun, caindo na gargalhada.
Tang Meng ficou estupefato por um instante, depois sorriu e também explodiu em risos.
— De fato, aquele desgraçado só serve para apanhar. Não suporto mais aquele sujeito!
Depois de rir, Tang Meng balançou o cabelo longo e, cheio de energia, falou. Zhang Dong, Chai Hanlin e todos os colegas observavam, boquiabertos, pensando que aquele grupo parecia se alimentar do caos.
— Mano, mano! — Uma voz feminina, aflita e ansiosa, acompanhada de passos desordenados, ecoou pela sala.
Ning Lingyu entrou apressada, o rosto delicado corado e o peito arfando — sinal claro de ter corrido demais.
No almoço, Lingyun mencionara que no dia seguinte a levaria para casa; ocupada em lavar as roupas do irmão, Ning Lingyu não teve tempo de arrumar as coisas. Por isso, assim que a aula terminou à tarde, foi alegremente ao dormitório se preparar, esperando apenas o momento de ir para casa com o irmão.
Menos de quinze minutos depois, uma colega trouxe a notícia de que Lingyun havia brigado com Guo Junfa — para Ning Lingyu, foi como um raio em céu claro.
Sem pensar em mais nada, correu desesperada até a sala, preocupada com o irmão e temendo que tivesse se machucado.
A aparição da bela Ning Lingyu na porta da sala atraiu todos os olhares. Internamente, cada um admirou: "Que beleza...". Até Cao Shanshan teve de admitir que, em termos de beleza, Ning Lingyu era sua igual no posto de musa da escola.
Zhang Ling, que vinha observando Lingyun, virou-se para analisar Ning Lingyu, depois olhou para Cao Shanshan ao lado, e após comparar as duas, percebeu que era impossível decidir qual era mais bela, desistindo da comparação.
Entre todos, o mais embasbacado foi Tang Meng. Esqueceu-se até de Lingyun, ficou parado, como atingido por um raio, encarando a jovem envolta pela luz dourada do entardecer, quase babando.
Lingyun levantou-se lentamente e lançou um sorriso calmo e tranquilizador à preocupada Ning Lingyu.
— Chegou, Lingyu? Vamos, vamos jantar.
Lingyun só estava ali esperando a irmã — não a deixaria para trás, pois afinal, era uma ocasião especial.
Ao dizer "vamos", seu olhar incluiu Zhang Dong, Chai Hanlin e Tang Meng, deixando claro que todos estavam convidados.
Com os inimigos, Lingyun era implacável; mas, uma vez que considerava alguém de seu círculo, o tratamento era generoso, para além do que as palavras poderiam expressar.
Zhang Dong veio correndo, ainda de uniforme de basquete; Chai Hanlin carregava uma marmita vazia. Lingyun percebia esses detalhes.
Quanto a Tang Meng, este certamente viria, convite ou não.
Lingyun deu alguns passos e, sorrindo, chamou Zhang Dong e Chai Hanlin, ainda paralisados:
— Vamos, o que estão esperando? O jantar é por minha conta!
Ning Lingyu, vendo o irmão bem, sem ferimentos, sorriu aliviada e saiu à frente.
Zhang Dong, animado com o convite inédito de Lingyun, cutucou Chai Hanlin, dizendo:
— Não fique aí parado com essa marmita! Vamos aproveitar, é raro o Lingyun oferecer um jantar. Vamos devorá-lo!
Tang Meng, vendo os dois passarem ao seu lado, resmungou:
— Ora, nem me convidam? Pois vou assim mesmo!
E saiu apressado, decidido a acompanhar o grupo, nem que fosse só para ficar perto de Ning Lingyu.
No entanto, ao sair, viu Lingyun voltar. Por pouco não se esbarraram na porta.
Lingyun, entusiasmado com a chegada da irmã, quase esquecera da verdadeira razão do jantar. Só quando Ning Lingyu perguntou onde iriam comer, lembrou-se.
Virou-se para Zhang Ling, sorriu e perguntou, com o queixo erguido:
— Em qual sala reservou?
Zhang Ling estava furiosa. Planejara cuidadosamente aquela ocasião, reservando pessoalmente uma sala para jantar com Lingyun, pronta para "cobrar" o jantar prometido. Não esperava que, de repente, mais quatro pessoas se juntassem ao grupo.
Era como preparar a festa para outros.
E ainda, ao sair da sala, Lingyun parecia ter esquecido completamente dela e de Cao Shanshan.
Mesmo irritada, Zhang Ling respondeu com desdém:
— No Salão da Estrela do Norte.
Lingyun assentiu, sorrindo, e disse:
— Vamos logo!
E desapareceu pela porta.
— É assim que se convida para jantar? Que falta de consideração! — Zhang Ling resmungou, então voltou-se para Cao Shanshan: — Vamos também?
— Vá você, eu não vou!
Zhang Ling, apesar de chateada, acabou cedendo à tentação de uma boa refeição, afinal, fazia tempo que não comia camarão refogado do Restaurante do Campeão.
Mas Cao Shanshan estava ainda mais contrariada.
Agora, todos sabiam da transformação radical de Lingyun — um verdadeiro renascimento. Em apenas um dia, ele mudara a opinião da maioria na escola; muitos já o viam com outros olhos.
No dormitório, enfrentou os que o intimidavam, mostrando que não era mais fraco ou submisso.
No campo de esportes, correu com sacos de areia até sangrar, exibindo resistência, perseverança e força de vontade.
Na aula de História, surpreendeu a todos com sua memória prodigiosa.
Há pouco, ao derrotar Guo Junfa, provou que não temia os fortes nem as autoridades, ousando pisar nos que antes dominavam a escola.
Era impossível não admirar tal mudança. Em um dia, Lingyun mostrara que não era mais o covarde de antes. Agora, mesmo quem quisesse importuná-lo teria de pensar duas vezes, temendo seus punhos e seus famosos chutes no peito.
Mas nada disso era o que realmente incomodava Cao Shanshan.
O que a verdadeiramente incomodava era o fato de Lingyun ignorá-la completamente — sim, ignorá-la!
Ao saber pelo convite de Zhang Ling que seriam convidadas para jantar, Cao Shanshan, apesar de dizer que não queria, sentiu-se secretamente contente. Claro, Zhang Ling não lhe contara que só conseguiu o convite após muita insistência, e que não partira espontaneamente de Lingyun.
No entanto, durante a briga com Guo Junfa, Lingyun sorriu para Zhang Ling, mas nem olhou para ela.
Isso a incomodava profundamente: será que aos olhos de Lingyun, ela era inferior até mesmo a Zhang Ling?
Quem era aquele que, nos últimos três anos, nunca ousara dirigir-lhe uma palavra, e quando ela tomava a iniciativa, ficava tão nervoso que mal conseguia responder?
Quem era aquele que, só para vê-la de longe, esperava por ela no caminho da escola, e ao receber um olhar, ficava sem saber o que fazer?
Quem era aquele que fingia usar o celular de Zhang Ling só para anotar seu número, e depois ligava de telefone público, sem dizer uma palavra, apenas para ouvir sua voz?
E, ontem à noite...
Ao recordar isso, o rosto delicado de Cao Shanshan corou, e seus dentes brancos morderam suavemente o lábio, tentando afastar tais pensamentos.
Será que Lingyun realmente se esquecera de tudo?
Ela não acreditava, de jeito nenhum!
Ah, então hoje você superou seus limites, está confiante, se sentindo poderoso, e resolveu fingir que não me conhece?
Pois não vai conseguir!
O que mais a irritava era ver Lingyun abraçando tão afetuosamente a própria irmã — mesmo que não fossem irmãos de sangue, ainda eram irmãos!
Fez isso de propósito, só para provocá-la?
Que raiva!
Assim como Ning Lingyu, Cao Shanshan sabia que ela e Lingyun jamais teriam qualquer ligação na vida. Mas, mesmo assim, não conseguia conter sua indignação!
Ela não engolia aquilo!
A mudança de Lingyun a surpreendera, mas ela podia aceitar. Afinal, vinda de uma família como a sua, já vira de tudo.
Mas o fato de ser completamente ignorada por Lingyun era algo que a orgulhosa Cao Shanshan, com seu orgulho enraizado até os ossos, não podia suportar.
Por isso, ela decidiu: não iria!