Capítulo 17: O Pequeno Deus das Apostas é Derrotado
Tang Ming não teve a menor cerimônia e sentou-se de frente para Ling Yun, falando de maneira despojada e sem rodeios.
Ling Yun lembrava-se desse rapaz de cabelos longos e atitude arrogante, mas não de antes, e sim de momentos atrás. Depois de derrubar com o saco de areia aquele que tentara barrar seu caminho, virou-se e viu Tang Ming dando um pontapé violento no sujeito caído.
Ergueu o braço, a palma da mão voltada para cima, e com o dedo indicador da mão esquerda fez três gestos, impaciente.
“Levanta.” Sua voz era calma e fria.
Era ali que sua irmã ia se sentar. Embora o rapaz, indiretamente, tivesse lhe ajudado, Ling Yun não sentia nenhuma gratidão.
Tang Ming ficou perplexo ao ver o gesto. Em toda a escola, nem mesmo Xie Junyan ousaria fazer isso com ele, mas aquele que ele considerava um fracassado, um gordo, estava ali, impassível, ordenando que se levantasse.
“Você enlouqueceu? Sabe com quem está falando? Quem te deu coragem pra me mandar levantar?”
Tang Ming confiava em seu papel de portador de dinheiro e, como a quantia era uma “assustadora” soma de dez mil, por mais que fosse cortês com Ning Lingyu, não significa que mudaria de atitude com Ling Yun.
Apesar de nutrir certa admiração pela atuação do “gordo” no campo, não estava disposto a ceder.
“Pouco me importa quem você é. Mandei levantar, então levante logo!” Ling Yun franziu levemente a testa, estranhando tamanha teimosia.
Tang Ming ficou ainda mais surpreso. Aquele gordo parecia do tipo a ser intimidado? Pela maneira como falava e se portava, parecia difícil de acreditar que ele se submeteria a pagar proteção para os valentões do colégio.
Apesar de estar ali para quitar uma aposta, sentiu-se ofendido pela forma como Ling Yun o tratou.
Lançou um olhar para Ning Lingyu, ao longe, e ficou atordoado com sua beleza: o cabelo solto, ainda levemente úmido, a camisa branca realçando suas curvas, as pernas delineadas pelo jeans azul-claro. Ficou tão impressionado que quase babou, com um ar de completo idiota.
Vendo aquela cena, Ling Yun fechou a cara. Estava claro: o rapaz estava ali por causa de sua irmã.
“Ei, Lingyu, eu vim te ver...” Tang Ming mudou imediatamente o tom, forçando um sorriso bajulador.
“Não tenho nada para falar com você. Vá embora, vou almoçar com meu irmão!” Ning Lingyu respondeu friamente, incomodada pelo fato de Tang Ming ter apostado em seu irmão.
Além disso, temia que Ling Yun descobrisse que apostara seu dinheiro do mês, e por isso queria despachar Tang Ming o quanto antes.
Tang Ming tentou argumentar, mas Ling Yun interveio:
“Ouviu bem? Minha irmã pediu que fosse embora. Se não sair agora, não responderei por mim.” Sua voz era gélida, o rosto impassível.
Tang Ming ficou sem palavras. Que dupla! Mais bravos do que ele, um autêntico playboy.
Com o horário do almoço, os estudantes enchiam o refeitório, o burburinho do lado de fora era intenso.
Tang Ming pensou que seria melhor resolver logo o que viera fazer. Se algum de seus seguidores o visse entregando dez mil reais para Ning Lingyu, a reputação de “pequeno deus das apostas” iria por água abaixo.
Quanto à forma como Ling Yun o tratava, deixaria para acertar as contas depois, quando Ning Lingyu não estivesse por perto.
“Lingyu, na verdade, vim trazer o dinheiro que te devo, lembra...”
Assim que Tang Ming falou, o rosto de Ning Lingyu mudou. Como ele podia ser tão inconveniente?
“Não quero! Vai embora!” Ela exclamou, vendo Tang Ming tirar o dinheiro da bolsa.
“Dinheiro? Espere!” O que Ling Yun mais precisava era dinheiro. Ora, Lingyu era inocente demais; como podia dispensar alguém trazendo dinheiro?
Agarrou Tang Ming e o empurrou de volta ao assento. Não podia deixar escapar alguém que vinha trazer dinheiro.
“Sente-se, sente-se. Vamos conversar. Lingyu, peça logo um chá ao garçom!” Ling Yun sorriu largamente, mudando de atitude num piscar de olhos.
“Ah...”
Ning Lingyu e Tang Ming ficaram estupefatos ao mesmo tempo.
Tang Ming ficou completamente atordoado. Até poucos segundos atrás, Ling Yun era hostil e distante, e agora sorria como um velho amigo? A mudança de expressão era mais rápida que virar uma página.
Ning Lingyu ficou ainda mais confusa. Seu irmão sempre fora orgulhoso e intransigente, por que mudara tanto só por ouvir falar em dinheiro? E pedir chá ao garçom? Que conversa era aquela?
Ling Yun lançou um olhar significativo para Ning Lingyu. “O que está esperando? Vá pedir o chá.”
Sem entender as intenções do irmão, mas sem querer contrariá-lo, ela lançou um olhar de desprezo a Tang Ming e saiu pisando firme.
Ling Yun olhou para Tang Ming como se ele fosse um tesouro raro, deixando-o ainda mais desconcertado.
Parecia que o gordo o via como uma caça prestes a ser abatida.
“Quanto é?” Era o que mais importava para Ling Yun. Se fosse o suficiente para pagar o almoço, trataria Tang Ming com toda a educação; se fosse pouco, expulsaria sem cerimônia.
“Dez mil e quinhentos.” Tang Ming respondeu, incomodado com o olhar de Ling Yun.
Ele já não sabia mais o que esperar de Ling Yun.
Quando não se consegue ler alguém, a insegurança e o receio tomam conta.
Ling Yun quase caiu da cadeira de tanto espanto.
“Desculpe, foi um lapso!” Endireitou-se, tomando uma postura digna.
Estendeu novamente a mão, indicando de modo inequívoco: passe para cá.
Dinheiro desse montante, primeiro se pega, depois se conversa. Uma vez em seu bolso, ninguém tiraria.
“Não quer saber de onde veio esse dinheiro?” Tang Ming lamentou sua sorte. Que dia terrível, sendo manipulado pelos dois irmãos.
“Disso podemos tratar depois. Antes, passe o dinheiro.” Ling Yun insistiu, batendo levemente na palma.
“Não posso te entregar. Só posso dar para Ning Lingyu...” Tang Ming viu um colega subindo as escadas do restaurante e sentiu-se arruinado. Alguém acabara de testemunhar.
Queria que seu cabelo fosse ainda mais comprido para esconder o rosto. Lá se ia a reputação do pequeno deus das apostas!
“Tanto faz, Lingyu, o que está enrolando? Venha logo buscar o dinheiro...” Ling Yun chamou a irmã, impaciente.
Ning Lingyu, vendo que o irmão certamente saberia de tudo, sentiu o rosto corar, envergonhada e inquieta. Seus grandes olhos desviaram, e ela caminhou devagar até a mesa.
Ling Yun levantou-se para deixá-la sentar no canto, junto à parede, e só então, insatisfeito, disse: “Lingyu, veja, o colega veio entregar dinheiro. Por que demorou tanto?”
O rosto de Ning Lingyu estava vermelho como uma maçã, e ela baixou a cabeça, sem coragem de responder.
Tang Ming, vendo que a “dona” chegara, rapidamente colocou uma pilha de dez mil reais mais quinhentos extras diante dela, declarando: “Lingyu, aqui está o prêmio que ganhou e o valor apostado, dez mil e quinhentos no total. Confira.”
Tang Ming sabia perder.
Ning Lingyu olhou de soslaio para o irmão, que não parecia zangado, apenas ansioso. Ganhou coragem, mas pegou apenas os quinhentos. Quanto ao maço de notas vermelhas sobre a mesa, nem olhou, muito menos tocou.
“Na hora, agi por impulso. Não queria ganhar seu dinheiro. Não posso aceitar, leve de volta,” disse, suavemente.
Tang Ming sentiu o peito apertar, como se tivesse levado uma pancada.
Dez mil reais entregues assim, quem acreditaria que não lhe doía o coração? Mas perder é perder, e quem aposta tem de pagar. Recusar seria indigno de sua fama.
O mais difícil não era dar o dinheiro, mas ver uma soma dessas diante de uma garota tão bela, e ela sequer olhar.
Naquele momento, Ning Lingyu, já tida como deusa por Tang Ming, tornou-se inalcançável, num pedestal tão alto que nem podia mais ser contemplada.
Num movimento veloz, Ling Yun agarrou o maço de notas e enfiou no bolso.
Que pressa! Pensou consigo: “Como minha irmã pode ser tão ingênua? Dinheiro não se recusa! Se nem roubando conseguiria, como desperdiçar uma oferta dessas? Não aceitar dinheiro entregue de bandeja? Isso não é do meu feitio, nunca foi!”
Enquanto os dois ainda estavam atônitos, Ling Yun assentiu satisfeito e declarou, com ar magnânimo: “Pronto, amigo, recebo em nome da minha irmã o dinheiro que perdeu para ela. Pela sua sinceridade, abrirei uma exceção e deixo que nos ofereça o almoço, só para marcar o momento.”
Tang Ming ficou boquiaberto.
Como assim “pela sua sinceridade, deixo que nos ofereça o almoço, só para marcar o momento”?
Eu vim trazer dinheiro, ora essa!
Já vira gente sem vergonha, mas desse nível... Vasculhou na memória todos os filmes que assistira e não encontrou ninguém tão descarado quanto Ling Yun.
Estava quase odiando aquele gordo.
Se não fosse por Ning Lingyu... Ei! É verdade!
Já trouxera dez mil, custava pagar um almoço para ela? Aquela era uma chance de ouro!