Capítulo 055: Depende do teu desempenho
Após a disputa à distância de milhares de quilômetros com Ling Yun, Miao Fênix claramente havia consumido boa parte de sua energia vital. Ela lutou para acalmar-se por um longo tempo até finalmente recuperar o fôlego.
"Quem, afinal, conseguiria suprimir minha centopeia vital assim?", murmurou Miao Fênix para si mesma, enquanto seus dedos se moviam levemente, executando alguns gestos enigmáticos e complexos.
"Lá fora, as pessoas usam celulares para se comunicar; não importa a distância, ainda conseguem ouvir a voz um do outro...", dizia Miao Xiaomiao, mas, de repente, seu rosto mudou de expressão. Ela se levantou apressada: "Minha avó me chamou, vou lá agora, à noite continuo contando para vocês".
Naquela aldeia, não só eram da linhagem pura, mas também pertenciam ao temido clã dos venenos, sobre o qual até mesmo os outros miao sussurravam com temor. Cada casa criava seus próprios insetos, então as jovens não estranharam o comportamento de Miao Xiaomiao e, rindo, a deixaram partir.
Com pernas longas e passos leves, Miao Xiaomiao corria rápido. Em poucos minutos, chegou à casa de Miao Fênix.
"Vovó, por que me chamou com tanta urgência? O que aconteceu?"
Assim que entrou, encontrou Miao Fênix sentada de pernas cruzadas, com sangue fresco ainda nos lábios. A cena assustou Miao Xiaomiao, que exclamou:
"Não se preocupe, apenas sofri um contragolpe porque minha centopeia vital foi contida", explicou Miao Fênix, erguendo lentamente o rosto. Seu olhar para Miao Xiaomiao era complexo, mas a voz soava indiferente.
Miao Xiaomiao parou diante dela, o olhar misturado de temor, preocupação e uma ponta de compaixão que mal se podia perceber.
Após hesitar por um instante, inclinou a cabeça e murmurou: "Vovó, já se passaram tantas décadas... por que se martirizar assim? Acho melhor recolher a centopeia..."
"Cale-se!", gritou Miao Fênix, interrompendo-a com raiva. Uma gota de sangue nos lábios dava à sua beleza madura um aspecto sinistro.
"Xiaomiao, nós, mulheres do clã Miao, amamos apenas um homem por toda a vida. Minha centopeia vital está nele, isso significa que só gosto dele, e não há razão para retirá-la!"
O ódio e a dor se estampavam no rosto de Miao Fênix, repreendendo ferozmente a neta.
Miao Xiaomiao, apavorada, abaixou a cabeça e não ousou dizer mais nada.
"Você tem que lembrar bem: homem de fora não presta! Ouviu?", repetiu Miao Fênix, com ódio transbordante, encarando-a. Era impossível contar quantas vezes aquela frase já havia sido dita.
"Vovó, fique tranquila, eu nunca vou me apaixonar por um homem de fora...", respondeu Miao Xiaomiao, temerosa, mas também compreendendo e sentindo pena.
Só então Miao Fênix assentiu, lançando-lhe um olhar preocupado, e declarou:
"Xiaomiao, tua técnica com venenos e insetos já atingiu um bom nível. Agora quero que faças algo para mim".
Miao Xiaomiao a olhou, intrigada, à espera de instruções.
Miao Fênix continuou: "Ainda há pouco, alguém usou um método superior para neutralizar minha centopeia vital. Ele empregou todo seu poder, e à distância não pude vencê-lo".
"No entanto, ele ficou marcado pelo odor característico da centopeia do esquecimento. Você poderá rastreá-lo por esse cheiro, e, quando o encontrar, use sua arte para dominá-lo e faça com que ele liberte novamente a centopeia."
Foi aquela centopeia do esquecimento que permitiu a Miao Fênix manter contato com o Doutor Xue Zhengqi por mais de quarenta anos. Agora, rompida a ligação, ela não aceitaria tão facilmente.
Miao Xiaomiao apenas assentiu, mas hesitou: "Vovó, se ele foi capaz de conter a centopeia, será que eu consigo enfrentá-lo?"
Miao Fênix sorriu com desdém: "Xiaomiao, não exagere. Quem conteve meu inseto só tinha uma técnica peculiar, sua força real não passa muito de um pouco acima do comum. Com certeza, você pode vencê-lo com suas habilidades."
"Quando ele estiver entre a vida e a morte, não terá escolha senão libertar a centopeia."
Miao Xiaomiao não disse mais nada, apenas perguntou baixinho: "Quando devo partir, vovó?"
"Amanhã!", respondeu Miao Fênix sem hesitação. Pensou um instante, o olhar se tornou ainda mais complexo: "Se tiveres a chance de ver aquele Xue, transmita-lhe uma mensagem da minha parte..."
***
Província de Jiangnan, cidade de Qingshui, estacionamento subterrâneo da mansão Qingxi.
"Esse carro é teu?!", perguntou Ling Yun, boquiaberto diante do esportivo vermelho diante de si, dirigindo-se a Xue Meining.
Ela pareceu se divertir com a reação dele e acenou com orgulho: "Uma Ferrari edição limitada. Bonita, não acha?"
Ling Yun não entendia nada de carros, mas mesmo assim era fácil perceber que aquele veículo, entre todos no estacionamento, era absolutamente deslumbrante.
Aquelas linhas fluídas e perfeitas, o brilho metálico, faziam qualquer um se encantar.
Mas Ling Yun não tinha tempo para admirar carros. Virou-se para a jovem e reclamou: "Você tem carro e ainda pega táxi? E ainda me fez pagar? Devolve meu dinheiro!"
Xue Meining revirou os olhos para ele.
"Foi só trinta e seis yuan, que avareza! Você não entende nada de discrição? Se eu apareço na escola com essa Ferrari, imagine a confusão! Francamente!"
Ling Yun sempre procurava ser discreto e, por isso, até entendeu a explicação. Mas perguntou: "E agora, por quê...?"
Xue Meining abriu o porta-malas, colocou cuidadosamente a caixa de sândalo, e olhou para Ling Yun como se ele fosse um tolo: "Você queria que eu fosse ao restaurante segurando essa caixa? Não sabe ser cavalheiro!"
"Entra logo, estou morrendo de fome!"
O motor rugiu e a Ferrari disparou como uma flecha.
É preciso admitir: carro de luxo é outra coisa, pensado para todos os tipos de corpo. Com mais de cem quilos, Ling Yun não sentiu sequer falta de espaço.
"Para onde estamos indo?", perguntou.
"O vô já disse, vamos ao 'Casa de Qingshui', comer peixe!"
"Por que todo mundo na rua está nos olhando?"
"Por que será? Não me diga que não reconhece uma Ferrari..."
Xue Meining sorriu, radiante em sua beleza, o verdadeiro retrato de uma bela mulher em um carro de luxo.
O restaurante não ficava longe, e em poucos minutos chegaram. Hoje em dia, o carro já define o status social de uma pessoa; assim que os dois desceram, foram recebidos com entusiasmo pela equipe do hotel.
Ling Yun observou o tamanho e a decoração do 'Casa de Qingshui' e não pôde deixar de admirar: só em área, era maior que cinco dos mais famosos salões da cidade!
Xue Meining, habituada ao local, apenas disse o nome de um salão privativo e logo foram conduzidos ao quarto andar.
Ling Yun abriu a janela ao lado, sentiu o ar fresco no rosto e avistou todo o lago de Qingshui: águas cristalinas, montanhas verdes ao longe, um cenário de pura serenidade.
"Esse restaurante é mesmo excelente!", exclamou.
Xue Meining soltou uma risada cristalina pelas costas dele: "Deixa de ser bobo e vem escolher os pratos!"
Só então Ling Yun voltou-se para ela.
"Escolha o que quiser, para mim tanto faz."
Xue Meining o olhou surpresa, sem entender por que ele não aproveitava para fazer exigências.
A jovem pediu logo quatro ou cinco pratos principais, despediu-se do garçom, hesitou um pouco e então perguntou: "Ling Yun, como foi que você percebeu que meu avô tinha um inseto venenoso no corpo?"
Se tivesse que definir Ling Yun, para Xue Meining só havia uma palavra: misterioso!
Ela já estava ansiosa para perguntar e se segurou até onde pôde.
Ling Yun sentou-se sem cerimônia e respondeu: "Ora, se eu posso curar, por que não descobriria?"
A resposta, na verdade, não dizia nada. Xue Meining percebeu que ele não queria explicar, então mudou de abordagem: "Você foi treinado por algum mestre oculto? Daqueles que aparecem do nada e desaparecem num piscar de olhos?"
A técnica das Nove Agulhas era tão lendária que só grandes mestres da medicina tradicional, como o Doutor Xue, conheciam tal história. Se Ling Yun dominava, é porque havia recebido instrução especial.
Ling Yun sorriu enigmaticamente, nem confirmou, nem negou.
Diante dessa atitude, Xue Meining tomou como certo que ele tivera um mestre secreto. Baixou a voz, conspiratória: "Irmão Ling Yun, será que você poderia me ensinar as Nove Agulhas da Alma?"
Ling Yun quase cuspiu o chá de dragão que bebericava.
A pequena feiticeira era mesmo atrevida: sempre querendo tirar vantagem!
Agora ele sabia: toda vez que ela o chamava de "irmão Ling Yun", era porque queria alguma coisa.
Ele balançou a cabeça, decidido: "De jeito nenhum, é uma técnica exclusiva, não pode ser passada!"
Xue Meining fez beicinho, olhos grandes e suplicantes, e agarrou o braço de Ling Yun, sacudindo-o com as pequenas mãos alvas e delicadas.
"Ensina só um pouquinho, prometo que não conto para ninguém!"
Ela jurava de pés juntos.
Ling Yun pensou: as Nove Agulhas são reais, mas sem minha energia espiritual, só a técnica não salvaria ninguém!
E mesmo que eu ensinasse, você conseguiria usar sem energia?
Mas, vendo que ela não desistiria fácil, sorriu malicioso: "Bem, talvez eu possa te ensinar um pouco, mas terá que passar num teste..."
"Teste? Que teste?", perguntou ela, surpresa.
"Antes de mais nada, preciso te observar por dois anos. Mal nos conhecemos, não é? Preciso ver seu comportamento. Se for boa, eu ensino..."
Ling Yun inventava na hora.
"Tanto tempo assim?", ela protestou, decepcionada.
"O que você acha? Quando fui aprender, passei por nove anos de testes!"
Vendo que ela finalmente acreditou, ele se sentiu vitorioso: agora ela ia se comportar melhor!
"Dois anos, então!", respondeu ela, logo recuperando a determinação. Pelas Nove Agulhas lendárias, ela faria qualquer coisa.
Logo mudou de assunto e perguntou: "Ling Yun, você curou meu avô, mas por que não quis nada em troca?"
Ling Yun riu: "Seu avô me deu as agulhas douradas e um conjunto de prata. O que mais eu iria querer?"
"Mas... mas..."
Xue Meining queria dizer que, pela personalidade que Ling Yun mostrava, não parecia ser alguém generoso que faz boas ações sem esperar retorno.
Por isso, estava intrigada: por que ele aceitou apenas as agulhas e não exigiu mais nada?
"Mas você sabe quem é meu avô, não sabe?"
Depois de muito pensar, ela finalmente resolveu perguntar de outra forma.