Capítulo 086: Encontro dos Destinos
Ao ouvir o toque do telefone, Ning Lingyu conteve o choro de imediato. Ela se afastou subitamente dos braços de Lingyun, seus grandes olhos cheios de lágrimas, soluçando baixinho: “Irmão, você está zangado comigo?”
Lingyun olhou para o ombro encharcado pelas lágrimas de Ning Lingyu e pensou consigo mesmo: com uma irmã tão pura e delicada como você, sinto apenas ternura, nunca poderia me zangar. Ele afagou levemente o ombro perfumado dela e sorriu gentilmente: “Ora você, chorou tantas vezes nesses últimos dias... Se eu me zangasse toda vez que você perguntasse algo, seria um irmão muito mesquinho, não acha?”
O coração de uma moça é um labirinto de sentimentos; como poderia Lingyun compreendê-lo por completo? Ao perceber que Lingyun nem sequer sabia por que ela chorava, Ning Lingyu sentiu-se ainda mais comovida, pois isso mostrava que, durante todos esses anos, ele nunca guardara ressentimento pelo que ela havia feito, nem sequer pensara nisso.
O telefone continuava a tocar insistentemente. Ning Lingyu enxugou as lágrimas e disse: “Irmão, atenda o telefone, vou ajudar a mamãe a limpar a clínica.” Terminou a frase, virou-se e saiu do quarto de Lingyun.
Ao ver o número exibido—com aquela sequência arrogante de seis oitos—Lingyun soube imediatamente que era Tang Meng. Assim que atendeu, ouviu a voz rouca e forte de Tang Meng do outro lado: “Chefe, você ainda está dormindo? Por que demorou tanto para atender?”
“E então? Já encontrou a casa?” Lingyun foi direto ao ponto.
Tang Meng riu satisfeito: “Claro, chefe, pode ficar tranquilo comigo! Já encontrei, são três opções para você escolher! Quando quer ir ver?”
Lingyun queria resolver tudo o quanto antes. Concordou: “Se você não tiver mais nada, vamos agora mesmo olhar as casas.” Tang Meng, que não tinha nada para fazer, disse para Lingyun esperar em casa: em meia hora estaria lá. E desligou.
...
Na divisa entre Yunnan e Guizhou, entre as Montanhas dos Cem Mil, na cadeia de montanhas Miao Ling.
Aldeia Miao. Na encruzilhada ao sul da aldeia.
Miao Xiaomiao e Miao Fênix estavam lado a lado, ambas vestidas com trajes tradicionais Miao, adornadas com prata que reluzia ao sol da manhã.
“Hora de recolher o gu.” Miao Fênix lançou um olhar para Miao Xiaomiao e falou calmamente.
Seu rosto estava um pouco pálido e abatido. Era evidente que, ao ser reprimida pelo Nove Agulhas do Espírito, a dor era compartilhada entre ela e seu gu de vida.
Miao Xiaomiao assentiu com seriedade e devoção. Agachou-se, pegou uma pequena pá de prata e começou a cavar a terra.
A pá era incrivelmente afiada e Miao Xiaomiao, surpreendentemente forte, cavava com destreza, fazendo tilintar os adornos de prata. O solo, duro à primeira vista, logo cedeu, revelando um grande pote cerâmico de cor vermelho-escura, lacrado com todo o cuidado.
“Abra o pote!” ordenou Miao Fênix, olhando para a tampa com aprovação.
No rosto de Miao Xiaomiao, a seriedade aumentou. Ela murmurou longos e complexos encantamentos, e, ao terminar, golpeou a tampa com a pá de prata.
O lacre quebrou. Miao Xiaomiao ajoelhou-se e inclinou-se para observar o interior.
O que viu ali aterrorizaria qualquer pessoa comum: escorpiões, centopeias, lacraus, sapos, cobras venenosas, lagartos... centenas de criaturas venenosas, de cores vivas e formas estranhas. Todos sabiam que eram as mais mortais do mundo.
Porém, estavam todas imóveis, mortas. Restava apenas uma viva: um bicho-da-seda dourado, do tamanho de um polegar adulto, inteiramente dourado, com coroa, olhos e pequenas asas carnudas.
O bicho-da-seda estava pousado sobre uma serpente vermelha. Vendo o pote aberto, girou os olhos rapidamente, fitando Miao Fênix e Miao Xiaomiao. Ao olhar para Miao Fênix, encolheu o corpinho rechonchudo, amedrontado. Buscando proteção, voltou-se para Miao Xiaomiao, com um ar suplicante.
“Este é o bicho-da-seda dourado, criado com seu sangue e barro, alimentado por doze anos. Agora, já possui consciência. Leve-o com você nesta jornada”, instruiu Miao Fênix.
Miao Xiaomiao assentiu. Sua mão pálida e delicada estendeu-se à frente, pronunciando um breve encantamento. O bicho-da-seda bateu as asas e voou como um relâmpago, desenhando um traço dourado no ar até pousar na palma de Miao Xiaomiao, olhando de esguelha para o pote, com um certo desdém nos olhos minúsculos.
“Que criatura adorável!”, exclamou Miao Xiaomiao, sentindo sua conexão com o gu.
“O bicho-da-seda dourado é o veneno supremo! Agora, ele está ligado ao seu espírito; o bem ou o mal que fará depende só de você”, aconselhou Miao Fênix.
“Lembre-se: nenhum homem de fora é confiável! Ouviu bem?” A voz de Miao Fênix tornou-se severa.
“Vovó, eu sei, não é a primeira vez que saio...” Miao Xiaomiao brincava com seu gu, respondendo distraidamente.
“Resolva logo seus assuntos e volte imediatamente. Já está na idade de pensar em casamento...” Miao Fênix virou-se e entrou na aldeia.
“Vá. E se encontrar aquele de sobrenome Xue, não esqueça o que pedi para lhe dizer!”
Só então Miao Xiaomiao se levantou. Lançou o bicho-da-seda ao ar, que ziguezagueou alegremente ao redor dela.
Olhando o vulto solitário de Miao Fênix, Miao Xiaomiao suspirou, os olhos cheios de sentimentos mistos. E, em mandarim, disse ao bicho-da-seda: “Vamos.”
Com um giro gracioso, seu corpo ágil desapareceu entre as montanhas, deixando apenas o som metálico dos adornos.
Levou duas horas para transpor quatorze montanhas até chegar a uma aldeia maior.
Essa aldeia já estava bastante aculturada, com forte presença de modernidade: luz elétrica, telefone, estrada e até habitantes trajando roupas urbanas.
Todos pareciam conhecer Miao Xiaomiao e a cumprimentavam com carinho; ela retribuía com sorrisos doces.
Logo chegou à casa do chefe da aldeia, onde, após cumprimentar os anfitriões, entrou num quarto e trocou o traje tradicional.
Quando saiu, já era uma jovem urbana, pura e encantadora, trazendo uma mala de viagem.
Quanto ao bicho-da-seda dourado, assim que entrou na aldeia, já não se sabia onde o esconderia.
Trocaram algumas palavras em dialeto; o dono da casa assentiu e foi telefonar. Minutos depois, um automóvel estacionou à porta.
O motorista entregou respeitosamente a chave a Miao Xiaomiao e ficou conversando com o anfitrião.
Ela colocou a mala no porta-malas e entrou no veículo. Baixou o vidro, sorriu docemente e acenou ao anfitrião antes de ligar o carro.
O automóvel desceu a estrada da aldeia rumo à planície.
Quem sabe o que pensariam as jovens da aldeia de Miao Fênix ao ver aquela cena destemida de Miao Xiaomiao...
...
Na cidade de Qingshui, em frente ao colégio Qingshui Um, na rua Xuefu, num quarto padrão de hotel quatro estrelas.
Naquela noite, por volta das onze, dois homens comuns hospedaram-se ali. Eram daqueles que se perdem facilmente na multidão, mas o que faziam estava longe de ser comum.
Sentados em camas separadas, um carregava calmamente um revólver, o outro, com a mão direita, girava habilmente uma faca afiada, enquanto segurava uma foto na esquerda.
Na foto, um rapaz gordo, vestindo um agasalho esportivo Li Ning: era Lingyun.
“Li Yi, me diz, um estudante gordo assim vale mesmo a pena para que a organização mande dois assassinos de nível amarelo para eliminá-lo?”
O homem da faca comentou com ironia e desdém.
“Jiao Fei, não subestime o alvo. Ouvi dizer que, se concluirmos o serviço, receberão oito milhões lá em cima. Nós ficamos com pelo menos três milhões.”
Li Yi olhou para Jiao Fei, mas continuou carregando a arma com habilidade de quem já fizera isso milhares de vezes.
“Ah, é só um estudante! Amanhã à noite levo a cabeça dele e pegamos nosso dinheiro”, Jiao Fei respondeu com frieza e crueldade, um sorriso desdenhoso nos lábios.
Li Yi franziu a testa: “Segundo os dados, esse garoto foi atropelado por um caminhão Steyr, voou mais de dez metros, sangrou pelos sete orifícios, mas no dia seguinte estava correndo no campo! Ele não é tão fácil quanto parece.”
Li Yi era cauteloso. Jiao Fei zombou: “Ser atropelado por um Steyr, voar dez metros e correr no dia seguinte? Quem viu isso? Se ninguém viu, o relatório está errado! Você acha que ele é um dos assassinos de nível celestial da organização?”
Li Yi era paciente e prudente, mas de poucas palavras. Vendo que Jiao Fei subestimava Lingyun, quis argumentar, mas silenciou. Terminou de carregar a arma, engatilhou, testou e começou a limpá-la calado.
Jiao Fei lançou um olhar enviesado para Li Yi e riu friamente: “Amanhã, nem vai precisar da sua ajuda. Com um único golpe eu resolvo, depois é só voltar e receber.”
Ao terminar, desceu a lâmina sobre a foto de Lingyun, partindo-a ao meio.
...
Tang Meng foi buscar Lingyun de carro. Primeiro visitaram uma casa, mas Lingyun achou-a pouco reservada e nem entrou. Foram ver a próxima.
Na segunda casa, Lingyun precisou de apenas um olhar para decidir. Era isolada, raramente alguém passava por ali, tinha quintal próprio e, o melhor, ficava perto do local onde encontrara a Erva das Sete Estrelas—apenas dois quilômetros até o rio, três minutos para Lingyun.
“Chefe, são três quartos, sala, água, luz e internet de dez mega! O download de filmes é rapidíssimo! Veja, o dono deixou tudo limpo e ainda tem móveis incluídos...”, Tang Meng continuava a exaltar a casa.
“Muito bom, ficamos com esta. Não precisa ver as demais, assine o contrato de um trimestre”, decidiu Lingyun.
O proprietário, ao saber que o contrato seria só de três meses, hesitou, mas Tang Meng cochichou algo em seu ouvido e ele logo concordou, mudando de humor.
Assinaram o contrato, pagaram seis mil pelo aluguel e receberam as chaves, tudo sem problemas.
Quando o dono se despediu, Tang Meng largou-se no sofá, acendeu um cigarro e disse, relaxando: “Basta dizer que meu pai é chefe de polícia e ele acredita...”
Na verdade, Tang Meng sabia que o proprietário só acreditou por causa do seu imponente Hummer estacionado na porta.
Lingyun examinou a casa, cada vez mais satisfeito. Sorrindo para Tang Meng: “Ótimo trabalho, valeu a pena lhe dar meu número. Venha, vamos buscar minhas coisas no dormitório.”
Tang Meng ficou surpreso: “Agora mesmo?”
Na verdade, ele pensou: será que o chefe está com tanta pressa assim? Vai passar a noite aqui com Cao Shanshan?
Lingyun franziu a testa: “Se não mudarmos hoje, vamos esperar os colegas voltarem para então arrumar? Vamos logo!”
Com o carro, tudo foi fácil. Em uma viagem, mudaram todo o dormitório para a nova casa. Por volta das dez e meia da manhã, já estava tudo arrumado.
“Chefe, tem dois quartos sobrando. Se não usar, posso ficar aqui de vez em quando?”
Tang Meng sonhava alto.
“Nem pense nisso. Esta casa é para minha preparação para o vestibular. Ninguém pode me atrapalhar!”, Lingyun recusou de imediato. Brincadeira! Ele precisava chegar ao nono nível do treinamento corporal, e Tang Meng só iria atrapalhar.
Tang Meng ficou desapontado, certo de que o real motivo era Cao Shanshan...
Lingyun sentou-se na cama recém-arrumada, pensou um pouco e logo se levantou: “Vamos, preciso comprar mais algumas coisas.”
Tang Meng olhou para as cinco pilhas de notas de cem que acabara de sacar para Lingyun e suspirou em silêncio.
“Chefe é chefe, gasta mais que eu! Que presença...”