Capítulo 98: O Deus da Guerra Trapaceiro (Parte 2)
Por um momento, o silêncio pairou sobre todos os homens trazidos por Faca, incluindo os Quatro Grandiosos; nenhum ousou abrir a boca. Naturalmente, isso não se aplicava à montanha humana formada pelos mais de quarenta indivíduos amontoados, gemendo de dor e agonia.
Embora ninguém conseguisse enxergar com clareza o que acontecera dentro da casa, todos viam perfeitamente que mais de trinta pessoas haviam sido arremessadas para fora! As formas e posições variavam, mas não havia dúvida: tinham sido lançadas ao ar!
Em apenas um minuto, um homem sozinho foi capaz de jogar mais de trinta pessoas a tão grande distância, e ainda assim permanecia ali, de pé, sem um traço de cansaço ou falta de ar. Quanta força deveria ter aqueles dois braços?
Não se tratava apenas de atirar pessoas vivas: mesmo que fossem bolas de basquete, lançar trinta delas em um minuto seria o suficiente para exaurir qualquer um!
Era isso mesmo, era um ser humano?
A força era apenas um dos aspectos. Os mais perspicazes perceberam que o mais assustador em Ling Yun não era somente a capacidade de arremessar tantas pessoas, mas mais dois fatores que geravam verdadeiro desespero.
Primeiro, todos os que estavam no cômodo eram pessoas vivas! Jovens cheios de vigor! Será que eles aceitariam, de bom grado, serem agarrados e jogados para fora como lixo? É óbvio que não! Ling Yun, sem dúvida, subjugou cada um deles em um instante, antes de descartá-los como se fossem sacos de lixo.
Segundo, a precisão! Uma pontaria assustadora! A porta da clínica popular não era estreita, mas, somando as duas folhas, tinha apenas um metro e oitenta de largura, e menos de dois metros de altura. Ainda assim, Ling Yun lançou mais de trinta pessoas, sem que nenhuma sequer batesse no batente. Que tipo de precisão sobre-humana era aquela?
Neste momento, todos compreenderam o real significado da frase que Ling Yun disse antes de entrar, sorrindo: "Com licença, preciso resolver algo lá dentro!" Resolvia-se, na verdade, jogando todos para fora!
O rosto de Faca estava péssimo, de uma feiura e constrangimento indescritíveis.
Ele sentia um amargor na boca, os músculos do rosto tremiam de maneira incontrolável, e a cicatriz feroz em sua face, sob a luz fraca, parecia uma minhoca miserável, encolhida de medo.
Como não sentir medo?
Antes mesmo da batalha, já se sentia gelado de pavor.
Agora, ele já tinha certeza de que o homem à sua frente era o tal Ling Yun, aquele que espancara Tian Botao e Tian Xiaoguang, tio e sobrinho, até que ficassem irreconhecíveis.
Tian Xiaoguang o havia alertado, e embora não levasse muito a sério em palavras, era um sujeito extremamente cauteloso. Só entrava em ação quando tinha cem por cento de certeza e sempre agia com determinação, como um leão atacando um coelho — caso contrário, não teria trazido cem homens só para destruir uma pequena clínica.
No entanto, jamais imaginou que o poder de Ling Yun ultrapassasse tanto sua imaginação!
Sim, ele tinha muitos homens, mas dez mil formigas seriam capazes de ameaçar um leão selvagem?
"Que tipo de pessoa esses dois idiotas, Tian Botao e Tian Xiaoguang, foram provocar?", praguejou Faca mentalmente, tomado de raiva e arrependimento.
Mas agora, mesmo que quisesse recuar, era tarde demais: seus homens já haviam destruído a clínica. Pensar em pedir desculpas e selar a paz? Só de olhar para a postura de Ling Yun diante da porta, já sabia: era tarde demais!
Faca forçou um sorriso amargo, abriu caminho entre seus homens e saiu à frente, sorrindo de um jeito que era pior que chorar: "Aqui, quem manda sou eu..."
Ling Yun lançou-lhe um olhar de cima, e pensou consigo mesmo que já sabia disso. Perguntou, com voz calma: "Qual é o seu nome?"
"Me chamam de Faca..."
Do alto dos degraus, Ling Yun ergueu o pé e, com um chute seco, atingiu o peito de Faca, que recuou três ou quatro passos, esbarrando nos corpos de Lobo de Guerra e seus seguidores, até finalmente parar.
"Faca coisa nenhuma! Eu perguntei teu nome!", Ling Yun franziu a testa.
Dragão de Guerra, Tigre de Guerra, Lobo de Guerra e Leopardo de Guerra eram leais a Faca, e ao verem seu chefe ser chutado, ergueram suas armas, prontos para avançar!
Eram tolos? Não! Tinham medo? Claro! Mas quem vive no submundo sabe que, por mais marginais que sejam, a lealdade vem em primeiro lugar. Vivendo de brigas e lutas, sempre se encontra alguém mais forte. Não podiam simplesmente se apavorar e fugir à primeira derrota!
Afinal, tinham certa reputação no submundo de Qingshui. Preferiam ser derrotados, feridos ou mutilados, a perder a dignidade por covardia!
"Parados!" Faca, vendo os quatro avançarem, suportou a dor no peito e gritou para contê-los, mas já era tarde!
Ling Yun, ao ver os quatro avançando sem medo, até demonstrou um raro brilho de admiração no olhar, mas não teve piedade nos movimentos: firmou o pé esquerdo no chão como uma rocha e, com o direito, desferiu quatro chutes relâmpago. "Bum, bum, bum, bum!" Antes que pudessem atingi-lo com suas barras de ferro, já estavam todos no chão!
Os Quatro Grandiosos tentaram se levantar, mas perceberam que era impossível. A dor lancinante no peito fez o suor frio brotar imediatamente.
Ling Yun resmungou, apontou para Faca e ordenou: "Diga, qual é o seu nome?"
"Eu me chamo Dao Yong; no submundo todos me conhecem como Faca." Desta vez, Faca entendeu o motivo do chute e respondeu honestamente.
Ling Yun assentiu: "Dao Yong, muito bem. Agora me diga: ainda pretende continuar lutando?"
Lutar ainda? Lutar o quê? Por acaso queria que Ling Yun jogasse todo mundo de novo para fora? Agora, com os Quatro Grandiosos juntos, nem chegaram a tocar em Ling Yun e já estavam todos no chão. O próprio Faca não teve forças para revidar após um único chute. Lutar mais?
Faca sabia muito bem: Ling Yun estava apenas brincando com eles, claramente estava pegando leve. Caso contrário, já estariam todos aleijados!
Perdido! Dessa vez, perdeu completamente! E mais: Faca perdeu até a coragem de reagir, rendido de corpo e alma!
Respirou fundo, cruzou as mãos em cumprimento, como manda a tradição do submundo, e declarou: "Não sabíamos que havia um mestre aqui. Admitimos nossa derrota hoje. Por favor, seja generoso e perdoe nossos irmãos!"
No submundo, tudo gira em torno do dinheiro; lutar é apenas um meio para obter vantagens. Mas não estão em guerra: quando é hora de se humilhar, é hora de se humilhar. Insistir na briga seria suicídio.
Faca rapidamente pesou os riscos e percebeu que Ling Yun não tinha intenção de massacrar a todos. Por isso, engoliu o orgulho e se rendeu.
Ling Yun não respondeu, apenas lançou um olhar para os homens atrás de Faca.
Faca entendeu e ordenou: "Isso aqui não é problema de vocês, sumam todos daqui!"
Os cem homens, já aterrorizados pela demonstração de Ling Yun, não esperaram outro convite; saíram correndo como se tivessem recebido um indulto.
Ling Yun franziu a testa: "Deixem vinte aqui, que sejam ágeis, e limpem toda a bagunça antes de ir!"
O interior da clínica estava ainda pior que um lixão; não permitiria que sua mãe limpasse aquilo.
Faca imediatamente separou mais de vinte homens e ordenou que limpassem tudo minuciosamente antes de partir.
Esses vinte homens não ousaram protestar; entraram, tirando proveito da luz que vinha de fora, suportando o cheiro forte de remédios, e começaram a limpar com seriedade.
Desde que obedecessem, Ling Yun seria "razoável". Jogando fora, como lixo, o que restava das "armas humanas", ele sorriu para Faca: "Agora, podemos sentar e conversar?"
Faca, acostumado ao submundo, entendeu perfeitamente o significado de "conversar". Sem hesitar, assentiu: "Entendi o que o senhor quer. Diga o valor, e eu obedecerei."
Ling Yun pensou que negociar com gente esperta poupa trabalho. Mas apenas sorriu levemente, esperando que Faca desse o primeiro lance.
"Dez mil?", Faca hesitou, tentando adivinhar o limite de Ling Yun, e sugeriu um valor.
Ling Yun olhou para o céu, achando que talvez chovesse nos próximos dias.
"Trinta mil?" Faca rangeu os dentes, pensando que era como se o cliente gordo da noite anterior nunca tivesse aparecido.
Ling Yun baixou os olhos, chutou de leve um caco de vidro para longe.
Só os carros em que chegaram já valiam pelo menos uns duzentos ou trezentos mil; trinta mil? Achou que estava tratando com criança?
Faca sentiu uma dor profunda. Pensou, desesperado: "Viemos aqui para exterminar uma família, quebrar a loja, até prometeram quebrar as pernas do dono! Agora, quase quebraram as minhas! O que ganhei mal cobre o prejuízo!"
Por fim, cerrou os dentes, bateu o pé, e com os lábios trêmulos, disse: "Cinquenta mil!"
Finalmente, Ling Yun olhou para ele e respondeu friamente: "Sessenta mil, em dinheiro, pelas cinco vidas de vocês. Trate de providenciar!"
Faca sentiu tudo escurecer à sua volta, o coração se contraindo em espasmos. Dois meses de trabalho duro e só agora tinha conseguido juntar sessenta mil!
Mas, ao menos, agora tinha um valor definido; e, afinal, sessenta mil por cinco vidas, doze mil por cada uma, era um preço justo!
Ele sabia que, se recusasse, ele e os Quatro Grandiosos não sairiam dali com vida! Mesmo que Ling Yun não os matasse, só o custo hospitalar das surras superaria esse valor!
Além do mais, destruíram completamente a clínica do homem!
Por mais que doesse, Faca aceitou silenciosamente o preço de Ling Yun. Ligou para a contadora do cassino, ordenando que trouxesse sessenta mil em dinheiro imediatamente.
"Hum, esse é um ótimo jeito de ganhar dinheiro!", pensou Ling Yun, satisfeito por dentro, mas mantendo a expressão neutra. "Se aparecessem mais desses para destruir minha clínica, seria ótimo!"
Ling Yun assentiu, moveu-se rapidamente até Faca, estendeu o dedo indicador e, num piscar de olhos, tocou vários pontos vitais de seu corpo.
"Não vai morrer! Não tenha medo!", disse Ling Yun, sorrindo para o pálido Faca. "Dentro de um mês, seu corpo estará normal. Só que, toda noite, à meia-noite, vai sentir uma dor de três a quatro minutos. É só aguentar que passa."
Em seguida, o sorriso sumiu e ele falou friamente: "Não me interessa o motivo de terem vindo destruir minha clínica. Mas se, dentro de um mês, acontecer mais algum problema aqui, vai perder a vida. Entendeu?"
Agora, Faca tinha certeza: estava diante de um verdadeiro mestre das artes marciais!
Abatido, assentiu, aceitando resignado a dura realidade.
Vinte minutos depois, um carro chegou à porta da clínica. Um homem e uma mulher desceram, cada um carregando um pesado saco preto. Os sacos estavam cheios e retangulares, claramente recheados de maços de notas de cem.
Faca pegou os dois sacos das mãos dos funcionários e os entregou respeitosamente a Ling Yun: "Quer conferir?"
Ling Yun pegou os sacos e os jogou casualmente no chão ao lado, respondendo friamente: "Não precisa." Olhou para a clínica, agora impecavelmente limpa, e disse a Faca: "Lembre-se do que eu disse. Daqui a um mês, venha me procurar aqui. Agora, pegue seus homens e suma daqui!"