Capítulo 19: Minha irmã, eu cuido dela!

O Deus Dragão da Arte Marcial Marcha 3546 palavras 2026-02-07 13:14:42

Todos os alunos da escola se apressavam para comer neste horário, e o barulho e a algazarra do andar de baixo do refeitório formavam uma verdadeira cacofonia. No segundo andar, já havia bastante gente chegando, mas, em comparação com o térreo, ali era quase um oásis de tranquilidade.

Os que podiam pagar para comer diariamente no andar de cima eram, em geral, os jovens ricos e as belas herdeiras do Colégio Água Clara, de modo que todos conheciam Tang Meng, o pequeno deus das apostas.

— Ei, olhem, não é o Tang ali? Quem são aqueles dois de costas para a porta? Como conseguiram se sentar para almoçar com ele?

— Você é mesmo desinformado. Aquele gordinho de uniforme, sentado em frente ao Tang, é o Ling Yun, que surpreendeu o colégio hoje cedo. Quanto ao outro... pelo porte e pela silhueta, precisa mesmo que eu diga quem é?

— Está querendo dizer que é uma das três musas da escola, Ning Lingyu? Mas ela não está sempre de rabo de cavalo?

— Exatamente, a própria Ning Lingyu. Parece que Tang está decidido a investir pesado nela antes de se formar, o que significa que vai bater de frente com Xie Junyan!

Esse rapaz parecia estar sempre por dentro dos bastidores da escola.

— Agora sim a coisa vai esquentar: Tang Meng contra Xie Junyan. Quem será que vai conquistar o coração da bela Ning?

— Mal posso esperar para ver!

— Olhem lá, Zhang Ling, da turma seis, também subiu. Ela está sempre grudada em Cao Shanshan. Será que a Cao também está a caminho?

No Colégio Água Clara, as três rainhas eram Ning Lingyu, Cao Shanshan e Zhuang Meina. Ning Lingyu quase sempre pegava comida no andar de baixo para comer no dormitório, Cao Shanshan tinha almoço especial entregue pela família, e só Zhuang Meina era presença frequente no segundo andar do refeitório.

O fato de Ning Lingyu estar ali naquele dia já era fora do comum. Se Cao Shanshan também aparecesse, seria o encontro das três musas, para delírio dos jovens ricos e das belas garotas ali presentes, que ficariam todos em êxtase.

Três mulheres já fazem uma cena; imagine as três musas reunidas...

Quase todos que estavam no segundo andar lançavam olhares disfarçados à mesa de Tang Meng, temendo perder qualquer detalhe interessante.

Ning Lingyu havia levado o irmão ao segundo andar apenas para repor suas energias, muito consumidas. Queria chegar cedo, comer rápido e sair, sem chamar atenção, por isso escolhera o canto mais discreto.

Contudo, aquele canto se tornou, repentinamente, o centro das atenções.

Felizmente, ela e Ling Yun estavam de costas para a entrada, e ela sentara do lado de dentro, protegida pela silhueta alta do irmão. Do contrário, teria sido torturante comer sob tantos olhares curiosos e intenções ocultas.

Ela detestava esse tipo de situação.

Ling Yun, porém, acostumado a todo tipo de plateia, não demonstrava o menor incômodo. Permanecia tranquilo, como se estivesse sozinho ali.

Alguns alunos mais atrevidos ou curiosos tentaram se aproximar para ouvir fofocas, mas foram fulminados pelo olhar assassino de Tang Meng.

Naquele dia, Tang Meng estava determinado: se alguém ousasse atrapalhar seu primeiro almoço com Ning Lingyu, teria problemas.

Mas nem todos se intimidaram.

Zhang Ling subiu correndo, percebeu que quase todas as mesas estavam ocupadas, menos as três próximas à de Tang Meng, e escolheu um lugar junto à parede. Sabendo que Cao Shanshan gostava de discrição, reservou para ela o assento de costas para a porta.

— Ling Yun?! — sentada na mesma linha de Tang Meng, Zhang Ling logo avistou Ling Yun na diagonal.

— Ning Lingyu?! — ela tapou a boca, surpresa.

Ia haver confusão boa ali. Cao Shanshan estava para chegar e, se viesse, acabaria sentando ao lado de Ling Yun.

Zhang Ling lembrou dos boatos da manhã. “Ai, meu Deus, Shanshan, me desculpe, não foi por querer...”, pensou, sentindo-se culpada.

E ouviu risadinhas agitadas a poucos metros.

Tang Meng, por sua vez, lamentava por dentro. “Com tanta mesa, justo aqui você tinha que sentar? Vai acabar com meus planos!”

Mas não havia o que fazer. Apesar de Zhang Ling não ser tão notória quanto Xie Junyan ou Cao Shanshan, vinha de uma família importante e nunca dera bola para Tang, o filho do vice-diretor.

— Quero peixe apimentado e fatias de carne com pimenta extra! — pediu Zhang Ling ao garçom que se aproximava, deixando claro que não sairia dali.

Depois de fazer o pedido, lançou um olhar de desdém para Tang Meng.

Com tantos pedidos, a cozinha estava sobrecarregada e os pratos ainda não tinham chegado à mesa de Ling Yun. Ele segurava o estômago roncando, sentindo o aroma dos pratos, ficando cada vez mais ansioso.

O jeito era beber chá para enganar a fome e repor a água perdida na corrida. Ning Lingyu, sempre atenta, servia o irmão a cada vez que ele esvaziava a xícara.

Tang Meng só podia lamentar em silêncio. Sua xícara estava vazia havia séculos, mas Ning Lingyu nem notava, como se ele nem estivesse ali.

Então Ling Yun falou:

— Conte-me, como você perdeu dez mil para minha irmã? — perguntou, em tom calmo, fitando Tang Meng.

Zhang Ling logo ficou atenta.

Tang Meng quase explodiu. “Você, apostando na minha banca, pulou duas aulas para correr no campo, me fez dar um jeito em Li Lei, e ainda sai daqui com dez mil de lucro, e não sabe de nada?!”

Lançou um olhar cauteloso a Ning Lingyu antes de responder, controlando-se:

— Você deve saber quem eu sou, certo?

Decidiu que era melhor manter uma postura altiva. Se Ning Lingyu gostasse mesmo dele, Ling Yun seria seu futuro cunhado e ele precisava se valorizar.

— Só ouvi minha irmã dizer que você se chama Tang Meng, nada mais — respondeu Ling Yun, sem olhá-lo, com total indiferença.

“Que me importa quem você é? Quero saber o que aconteceu.”

— O quê? Você... você... — Tang Meng ficou indignado com o desdém de Ling Yun. Levantou o polegar e apontou para si mesmo:

— Eu sou Tang Meng, Tang de Tang Dynasty, Meng de homem forte! Também conhecido como pequeno deus das apostas, discípulo do mestre Fa! Lembrou agora?

Ling Yun olhou para ele como quem assiste a um macaco agitado:

— Não lembro. Não importa quem você é, quero saber o que aconteceu. Resuma logo, senão vai esfriar a comida.

Tang Meng nunca fora tão ignorado. Até Xie Junyan não ousava falar com ele daquele jeito!

Ning Lingyu, tentando conter o riso, ficou com o rosto vermelho, os ombros sacudindo. Quase não conseguiu segurar a gargalhada.

Como o irmão era incrível!

O coração de Ning Lingyu transbordava de alegria; era exatamente assim que queria o irmão ao seu lado. De repente, a presença dele a fazia sentir-se protegida, e os olhares e cochichos já não pareciam tão assustadores.

Zhang Ling, de temperamento transparente, não conseguiu segurar uma risada e quase deitou sobre a mesa.

Tang Meng recostou-se, suspirando:

— Você estava correndo no campo. Resolvi apostar em quantas voltas daria. Quem apostasse que faria mais de dez voltas ganharia vinte vezes o valor. Lingyu, incomodada com minha postura, foi a única a apostar quinhentos que você conseguiria. Por isso, ela faturou dez mil. Entendeu agora?

Ao terminar, apertou os punhos, receoso de que Ling Yun criasse caso.

Mas Ling Yun, ao invés disso, olhou para Ning Lingyu com admiração e leve pesar.

O que disse a seguir quase fez Tang Meng cuspir sangue:

— Mandou bem, irmãzinha! Confiar no irmão é sempre o certo. Da próxima vez, aposte mais: dez, vinte mil! Quinhentos é pouco!

Ning Lingyu, nervosa desde que ouvira a versão de Tang Meng, não ousava encarar o irmão. Mas, ao escutar isso, ergueu o rosto, os olhos arregalados:

— Hã?

Do outro lado, Zhang Ling quase caiu debaixo da mesa de tanto rir. “Três anos de classe juntos e só agora descubro esse lado dele?”, pensou.

Dez, vinte mil? Vinte vezes isso e ela se tornaria milionária! Nem vendendo o pequeno deus das apostas daria para pagar!

Tang Meng tremeu, quase saiu correndo.

Felizmente, o garçom trouxe o primeiro prato — frango com cogumelos — e a tensão se dissipou.

— Irmã, se vai rir, ria alto. Ficar prendendo o riso faz mal! Vamos comer logo, senão perdemos a aula — disse Ling Yun, carinhoso, servindo um pedaço de frango para a irmã e pegando outro para si, que comeu com as mãos.

Diante disso, Ning Lingyu não se conteve e riu, um sorriso radiante que deixou Tang Meng hipnotizado.

“Pelo bem dela, não vou discutir com você hoje!”, pensou Tang Meng, pegando os pauzinhos e, imitando Ling Yun, tentou escolher uma asa de frango para Ning Lingyu.

— Não precisa, eu cuido da minha irmã — disse Ling Yun, desviando habilidosamente os pauzinhos de Tang Meng.

Tang Meng quase cravou os talheres nos olhos de Ling Yun. Se Ning Lingyu não estivesse ali, ele teria virado a travessa de frango com cogumelos na cabeça do rapaz!

“A minha irmã, quem cuida sou eu, não preciso de ninguém para servi-la!” A frase fez com que Ning Lingyu, ao pegar o pedaço de frango, parasse de repente. O pedaço caiu de volta no prato, espirrando molho por todo lado.

Com o peito apertado, o nariz delicado se enrugou e seus olhos se encheram de lágrimas.

Aquela garota forte e sensível já havia chorado demais naquele dia.