Capítulo 011 - Mudança de Perspectiva
“Qual é o peso daquele saco de areia?”
Tang Meng foi diretamente até onde Cheng Zhiye e outros alunos do terceiro ano, especializados em esportes, estavam reunidos. Sem cerimônia, tirou uma caixa de cigarros Sul e jogou para ele, indo direto ao ponto com sua pergunta.
Sempre que havia gincanas ou competições esportivas na escola, Tang Meng costumava organizar apostas em cima dos atletas como Cheng Zhiye. Por isso, todos os alunos atletas, independentemente da turma, o conheciam, e o relacionamento entre eles era cordial.
Cheng Zhiye, que ainda se recuperava do susto, compreendeu de imediato quando viu Tang Meng se aproximar. Notando que o professor de educação física responsável, Ma Tianfeng, estava ocupado dando aula para os alunos do primeiro ano e não prestava atenção ali, pegou um cigarro, acendeu, deu uma longa tragada, soltou a fumaça lentamente e só então respondeu:
“Vinte e seis quilos.”
Cheng Zhiye era corredor de longa distância, e nesse esporte, a capacidade pulmonar era fundamental. Se Ma Tianfeng o visse fumando, ele certamente lhe daria uma baita bronca.
“O quê? Você apostou nesse cara aí?”
Desde que chegou ao campo, Tang Meng não tirava os olhos de Ling Yun, que acabava de completar uma volta. Ele só desviou o olhar quando respondeu:
“Era só para me divertir, mas aquele Xie Junyan resolveu apostar contra mim, botou cinco mil em jogo.”
“No círculo de apostas?”
Tang Meng assentiu, finalmente olhando diretamente para Cheng Zhiye.
“Diga-me a verdade: se fosse você carregando esse saco de areia, usando toda sua força, quantas voltas conseguiria dar?”
Cheng Zhiye percebeu o olhar sério de Tang Meng, sorriu amargamente e respondeu:
“Tang, olha para mim. Você acha que eu aguentaria correr com mais de vinte e seis quilos nas costas?”
Tang Meng examinou o físico magro de Cheng Zhiye e ponderou:
“E se fossem só quinze quilos? Digo, um peso que você conseguisse carregar. Quantas voltas acha que conseguiria?”
Entendendo onde Tang Meng queria chegar, Cheng Zhiye pensou por um instante antes de responder:
“Nesse caso, dando tudo de mim, conseguiria talvez três voltas. Quatro, impossível.”
Tang Meng fez um cálculo mental, sentindo-se mais tranquilo. Não temia perder dinheiro, só não queria que Xie Junyan ganhasse. Bastava ver aquele ar arrogante de Xie Junyan para se sentir incomodado—se pudesse fazê-lo perder, valeria mais do que ganhar alguns milhares.
“Continuem aí, vou ver até onde esse sujeito chega!”
Tang Meng sentou-se num ponto estratégico, os olhos afiados fixos em Ling Yun, que passava correndo ali perto. Internamente, admirou: “Depois de três anos apagado, já perto de se formar, me aparece com essa... Interessante!”
“Impressionante! Ele já completou uma volta!” exclamou alguém.
...
“Ofegante... ofegante...” Ling Yun corria com o saco de areia nos ombros, suando em bicas. Suas roupas estavam encharcadas e colavam ao corpo volumoso.
Apesar do cansaço extremo, mantinha o ritmo dos passos. Ofegava com a boca aberta, buscando grandes golfadas de ar fresco.
Sentia o peso do saco sobre o ombro direito como se fosse uma montanha, tornando-se cada vez mais pesado. Seus passos pareciam afundar em algodão, os joelhos duros como se estivessem cheios de chumbo. Uma sensação estranha de ardência e cansaço tomava seus músculos, ossos e até o sangue, tornando cada passo mais difícil.
Ainda assim, seus olhos brilhavam cada vez mais, o olhar se tornava firme e a vontade, inabalável. Não era uma determinação comum—era a força de vontade inquebrantável de alguém que, num mundo de cultivadores, avançou até o auge, suportando provações sem fim. Era seu espírito, sua essência.
Ling Yun sabia que, quando aquela ardência se espalhasse por todo o corpo, entraria num estado especial, capaz de fazê-lo seguir adiante, sem parar.
E ao forçar-se até o limite, a energia espiritual armazenada da Erva das Sete Luzes começaria a jorrar de cada meridiano, cada músculo, gota de sangue e célula, impulsionando-o para frente mais uma vez.
Sem dúvida, estava exausto, mas seus olhos brilhavam de alegria. Endireitou as costas oprimidas pelo peso e acelerou o passo.
Ele sorria diante do desafio da dor e do cansaço.
“O quê? Já correu quatrocentos metros e está acelerando?!”
Tang Meng levantou-se num salto, incrédulo.
“Isso é de outro mundo... esse cara...” Cheng Zhiye ficou de boca aberta. Esperava ver Ling Yun tropeçar e cair, mas agora estava estupefato.
No fundo, embora fosse campeão de corrida de longa distância de Qing Shui, sabia que, se corresse com um saco daqueles, não aguentaria nem cem metros—cinquenta, talvez.
Mas Ling Yun já completava quatrocentos metros e, ao invés de fraquejar, acelerava!
Na primeira volta, num campo padrão de quatrocentos metros, Ling Yun avançava com passinhos curtos—quase não era corrida, mais parecia marcha, ainda mais lenta. Levou mais de vinte minutos para terminar a volta.
Agora, porém, adaptava-se pouco a pouco ao peso, encontrando um ritmo estranho que fazia o saco parecer uma extensão do próprio corpo.
Ling Yun tinha algo a mais: mesmo sem poder usar energia espiritual, possuía uma alma poderosa—de alguém que sobreviveu às maiores adversidades. Um cansaço desses não era nada para ele.
Apertou os olhos para expulsar o suor e, rindo alto, cravou o saco de areia entre o pescoço e o ombro, avançando com as pernas grossas para iniciar a segunda volta.
“Os passos aumentaram, o ritmo também...”
Ele não estava dando tudo de si antes!
Não só Cheng Zhiye e Tang Meng perceberam; todos notaram.
“Força! Força!” Não se sabe quem gritou primeiro, mas logo todos os alunos do campo, tocados pela determinação de Ling Yun, começaram a incentivá-lo em coro, fazendo o estádio ecoar de entusiasmo.
Um orgulho indomável crescia no coração de Ling Yun—e ele realmente acelerava.
Na sala do sexto ano do ensino médio.
Cao Shanshan, que não era surda, ouviu bem os gritos ensurdecedores lá de fora, sem saber o que pensar. Mas de uma coisa tinha certeza: Ling Yun ainda estava correndo.
Ela mordeu os lábios sensuais, e um leve sorriso de Mona Lisa surgiu em seu rosto perfeito.
Em três anos, talvez fosse a primeira vez que Cao Shanshan se distraía durante a aula.
Na turma do primeiro ano do ensino médio.
Ning Lingyu não ouviu uma palavra do que o professor dizia. Sua mente já estava no campo, louca de vontade de sair correndo para se juntar aos mais novos e torcer pelo irmão.
Zhuang Meina também ouviu os gritos e, esperta, deduziu que Ling Yun completara a primeira volta.
Antes de entrarem na sala, ele já tinha dado quase uma volta, e agora, com tantos gritos, era certo que ainda não caíra.
O rosto exuberante de Zhuang Meina se contorceu de tensão e sua expressão ficou sombria.
Xie Junyan, embora fingisse prestar atenção na aula, ao ouvir os gritos, sorriu de canto, satisfeito com sua aposta.
Sete minutos depois, sob aplausos e gritos, Ling Yun terminava a segunda volta com passos largos, avançando para a terceira.
Na segunda volta, levou cerca de treze minutos.
Agora, estava zonzo, com pontos de luz piscando diante dos olhos, o pensamento embotado pelo cansaço. Movia-se quase automaticamente.
“Se conseguir manter o ritmo até o fim desta volta, aquela sensação vai dominar todo o corpo...”
Quando o corpo chega ao extremo do cansaço, aparece uma exaustão profunda, quase hipnótica, que faz querer dormir.
Mas Ling Yun, com sua vontade indômita, tentava transformar aquela sensação em combustível.
Treinar o corpo é também treinar a mente.
Sem um interior forte, como cultivar energia vital?
“Já está na terceira volta! E ainda não diminuiu o ritmo... ele é mesmo humano? De onde tira tanta energia?”
Tang Meng não tirava os olhos de Ling Yun, espantado.
Cheng Zhiye, então, estava completamente embasbacado. Pela leitura de seus lábios, repetia sem parar: “Impossível... impossível...”
Sete ou oito minutos se passaram.
O som dos passos de Ling Yun retumbava como tambores; sua respiração ofegante se aproximava. Já havia completado três quartos da terceira volta.
Agora, a sensação de ardência o dominava por inteiro; mal conseguia levantar as pálpebras, avançando apenas pela força de vontade.
Mas sabia que ainda não tinha chegado ao limite—continuava se forçando, acelerando.
“Está acelerando de novo!”
“Ele é incrível! Já chegou ao limite...”
Muitas garotas na arquibancada já começavam a se comover.
“Vamos lá torcer por ele!”
Às vezes, basta uma atitude para mudar a opinião da maioria.
Na Escola Secundária de Qing Shui, todos conheciam Ling Yun, todos zombaram dele algum dia.
Mas agora, pelo menos entre os presentes, a imagem dele começava a mudar—incluindo os alunos do campo, os atletas, Cheng Zhiye, Tang Meng, os professores de educação física e, principalmente, Ma Tianfeng.
“Esse garoto...” Ma Tianfeng, de físico imponente e postura atlética, assistia calado, olhos semicerrados, atento ao desempenho de Ling Yun.
Se fosse dois anos atrás, ou até mesmo um, ele já teria chamado Ling Yun para treinar.
Quando Ling Yun passou acelerando por Tang Meng, este se lembrou do olhar e do tom de voz de Cao Shanshan ao apostar nele.
“Talvez Cao Shanshan tenha apostado certo. Se Ling Yun não cair, pode mesmo correr mais de cinco voltas...”