Capítulo 110: A ponta da lâmina sangra, uma sede de sangue infinita (Primeira parte)
Estrelas cadentes despencaram, disparando furiosamente contra Lança Tirana.
Neste momento, Lança Tirana estava completamente atordoado. Ele era apenas um Imperador Espiritual de nível sessenta e um, e ter seu poder espiritual reduzido em dois níveis era algo inconcebível.
Para ilustrar, se antes ele era um Imperador Espiritual capaz de utilizar seis habilidades espirituais, após a redução, seu poder caía para o nível cinquenta e nove. Em outras palavras, ele deixava de ser um Imperador Espiritual para se tornar um Rei Espiritual, capaz de usar apenas cinco habilidades.
Lança Tirana tentou ativar sua sexta habilidade, mas, embora o sexto anel espiritual estivesse presente em seu corpo, ele não conseguia, de forma alguma, conjurá-la. Esse enfraquecimento absoluto de sua força o deixou momentaneamente paralisado.
Era preciso considerar que o jovem diante dele era um verdadeiro monstro; com apenas doze ou treze anos, já havia alcançado o nível de Ancestral Espiritual. Era evidente o quão assustador era o seu talento. Além disso, mesmo antes de usarem seus espíritos marciais, Lança Tirana já sentira que a força de Lan estava muito acima da sua. Agora, com a amplificação de seu espírito marcial, o poder de Lan era avassalador. Ele sabia muito bem que, na sua condição atual de Rei Espiritual, era impossível derrotar aquele rapaz.
Será que ele realmente perderia?
Nesse instante, Lança Tirana tremia por inteiro. Seu semblante tornava-se cada vez mais gélido, e um brilho agudo passou por seus olhos. Ele girava o corpo incessantemente, perscrutando os arredores. Tudo estava mergulhado em trevas; após a queda das estrelas, ele fora completamente envolvido pela Matriz de Assassinato Instantâneo das Sombras de Lan. Não havia um único raio de luz naquele espaço, apenas o som cortante do vento e o sibilar de ataques que rompiam o ar.
Os nervos de Lança Tirana estavam esticados ao limite. Embora seu poder espiritual tivesse caído dois níveis, sua vigilância não diminuíra. Subconscientemente, ele ainda conseguia sentir algo se movendo ao seu redor.
De repente, um brilho frio surgiu junto ao seu pescoço, cortando o ar em sua direção. Lança Tirana arregalou os olhos e soltou um rugido, levantando sua lança e golpeando para frente. O brilho frio desapareceu instantaneamente.
Ao ver o brilho sumir, Lança Tirana não relaxou. Ele girou a lança e, num movimento de contragolpe, desferiu uma estocada para trás. A ponta escura da lança avançou ferozmente. Vendo a reação repentina de Lança Tirana, Lan franziu o cenho. Ele realmente não esperava que, sob a cobertura de sua técnica, o adversário fosse capaz de tal contra-ataque. Era preciso admitir que aquele mestre espiritual de combate tinha lá suas habilidades.
Os subordinados de Lança Tirana, vendo seu chefe atacar o vazio como uma mosca sem cabeça, ficaram confusos. Aos olhos deles, Lança Tirana era o mais forte, perdendo apenas para o seu líder.
— Talvez devêssemos avisar o chefe — comentou um deles.
— O chefe Lança Tirana claramente não é páreo para esse monstro.
— Quem diria que, logo no início da luta, ele já estaria em desvantagem.
Lança Tirana estava sendo levado à loucura pela matriz de Lan. Sua mente estava agitada; a sensação de ser acuado pelo inimigo estava fazendo seu espírito entrar em colapso. Com um urro furioso, seu quinto anel espiritual brilhou e ele começou a girar a lança freneticamente. Contudo, Lan estava oculto nas bordas da matriz; era impossível para Lança Tirana atingi-lo. Lan não pretendia matá-lo imediatamente, mas sim torturá-lo lentamente.
Nesse momento, Lança Tirana saltou, ergueu a lança acima da cabeça e desferiu um golpe descendente contra Lan. Vendo isso, Lan franziu levemente a testa e esquivou-se com agilidade. A lança colossal atingiu o solo com um estrondo.
— Pequeno bastardo, tenha coragem e apareça! Esconder-se não é virtude nenhuma, seja homem e lute de frente comigo! — rugiu Lança Tirana.
Vendo aquela cena, os subordinados sentiram que ele havia enlouquecido.
— Melhor a gente fugir, não é?
— Concordo!
— Eu também!
— Vamos embora!
Não importava o quanto Lança Tirana insultasse, Lan permanecia impassível. Ele queria destruir a mente do adversário lentamente; achava esse método de combate muito mais interessante do que um simples golpe fatal.
Dez minutos depois, Lan cansou-se do jogo. Seu corpo desapareceu como um vulto. Um brilho frio surgiu instantaneamente, atravessando o peito de Lança Tirana. Sangue escarlate jorrou.
— Aah! — Lança Tirana gritou e recuou, mas de nada adiantou. Logo, outra lâmina fria perfurou suas costas.
— Aah... — ele gemia, completamente desolado. Ele finalmente sentira o verdadeiro terror da escuridão. — Por favor, poupe-me!
No entanto, um rugido ecoou, e a silhueta de um tubarão gigante avançou diante de Lança Tirana. Uma luz fria passou pelo seu pescoço. Lan guardou seu espírito marcial, embainhou as adagas e caminhou em direção às ruas da Cidade G. Atrás dele, Lança Tirana caiu de joelhos e sua cabeça rolou para o chão.
Ao retornar para Cai Wenji, Lan olhou para a garotinha e disse:
— Wenji, leve-a para um hotel e fique lá. Vou procurar as outras jovens que foram capturadas.
— Irmão, tome cuidado — respondeu ela, partindo imediatamente. Ela sabia que, mesmo que insistisse, Lan não permitiria que ela o acompanhasse, e a presença de uma criança comum apenas seria um estorvo diante de inimigos poderosos.
Após investigar, Lan descobriu a localização do bando de Lança Tirana: nos fundos da montanha, a três quilômetros da Cidade G. Lan usou seu espírito marcial para submergir e deslocou-se rapidamente pelo subsolo. Logo, um castelo feito de barro surgiu diante dele. O local estava vigiado por vários homens armados.
Lan aproximou-se com cautela. Uma das mãos cobriu a boca de um dos guardas, enquanto a outra, armada com uma lâmina curta, cortou-lhe a garganta. Sangue quente espirrou. Após eliminar o homem, Lan jogou o corpo nos arbustos. Os guardas pareciam sonolentos e distraídos, como idiotas.
Após o primeiro, Lan mirou em um jovem magro. Antes que ele pudesse reagir, foi imobilizado e teve a garganta cortada. Lan franziu o cenho ao ver que o golpe fora tão preciso que a cabeça do rapaz foi decepada. Havia dez guardas ao todo fora do portão, posicionados a cerca de cinco metros um do outro. Aquela desatenção era, para Lan, a oportunidade perfeita para um massacre.
Restavam oito. Lan avançou como um raio e eliminou mais dois com técnica impecável e silêncio absoluto. Os outros, finalmente, perceberam o movimento, mas já era tarde demais. Lan utilizou sua técnica de caça, movendo-se como um relâmpago. Brilhos fatais cortaram o ar e atingiram os pescoços dos guardas restantes. O sangue manchava as lâminas; em instantes, todos os dez sentinelas foram dizimados. O sangue escorria pela ponta de suas adagas.