Capítulo 60: Ele trouxe a Adaga de Tubarão... para um duelo com a mulher misteriosa? (Peço votos de recomendação)
À medida que a luz incidiu sobre a silhueta esguia, uma mulher trajando um vestido azul-claro caminhou tranquilamente até parar diante de Lan, trazendo na face serena um toque de frieza cristalina.
Aquela mulher de vestido azul-claro aparentava ter cerca de vinte e dois ou vinte e três anos. Em termos de beleza e porte, era certamente superior à média.
— Quem é você? — perguntou Lan, com frieza.
Desde o momento em que a mulher entrou, Lan sequer esboçou qualquer expressão; continuava tão gélido e incisivo quanto antes, como se a presença dela não passasse de vento.
O fato de o rapaz à sua frente se manter tão sereno surpreendeu a mulher, que franziu levemente as sobrancelhas, tomada de espanto interiormente.
Ela sorriu suavemente.
— Permita-me apresentar. Eu sou Gélida. Ouvi dizer que, desde que o modo de torneio do Grande Estádio de Almas começou, você já se tornou o soberano de abertura. Fiquei curiosa sobre quem seria tão extraordinário.
— Não estou interessado em conversa fiada — respondeu Lan, levantando-se para guardar o pergaminho na Aura do Vento e lançando um olhar breve à Décima Quarta Arena de Almas.
Afinal, a próxima luta era sua.
Gélida riu baixinho.
— Não é nada demais. Tenho gosto por desafiar adversários do mesmo nível. Ouvi dizer que você é apenas um Mestre de Almas, então fiz questão de marcar um duelo com você.
— Não estou disponível — a voz de Lan não deixava margem a dúvidas.
Vale lembrar que ele só viera ao Grande Estádio de Almas para cumprir a missão do pergaminho, sem qualquer interesse em assuntos paralelos.
— Se vencer, receberá uma recompensa de cinquenta moedas de ouro espiritual — disse Gélida, indiferente.
Cinquenta moedas de ouro espiritual não eram nem demais, nem de menos. Em Douluo, uma única moeda já sustentava uma família comum por um mês — imagine cinquenta!
Ainda assim, Lan passou friamente por ela, sem sequer olhar.
Vendo Lan sumir ao longe, a mulher não se irritou; apenas sorriu.
— Se você não aceita o desafio, terei de pensar em outra estratégia.
Alguns minutos depois, finalmente chegou a vez de Lan subir ao palco.
Desta vez, a Décima Quarta Arena de Almas para duelos um contra um estava repleta — havia dezenas de vezes mais público do que o habitual, todos os assentos ocupados.
Quando Lan adentrou a arena, um clamor ensurdecedor tomou conta do local.
De repente, alguém gritou:
— Todos de pé!
Num instante, todos se levantaram em perfeita sincronia e, em uníssono, ecoaram o grito:
— Deus Tubarão!
— Deus Tubarão!
— Deus Tubarão!
Após entoarem o título três vezes, sentaram-se novamente.
Desde a última competição, o público havia atribuído a Lan o título de Deus Tubarão.
Os gritos persistiam, especialmente quando Lan caminhava em direção ao ringue; a excitação era visível nos rostos dos espectadores.
— Ele está vindo! Ele trouxe a adaga de tubarão!
— Caramba, finalmente aquele rapaz que domina tubarões está de volta!
— Ei, não faltou uma palavra? Não seria “controla” tubarões?
— Você não entende nada! Entre todas as façanhas do mundo, dominar é o que há de mais impressionante.
— Por que essa animação toda? Não entendo o que tem de tão especial nesses duelos um contra um. Ele não passa de um Mestre de Almas, certo?
— Como assim, você não o conhece?
— Pãozinho por um cobre, quatro por uma moeda! Hehe!
— Você de novo?
O apresentador da Décima Quarta Arena olhava perplexo para a plateia. Em todos os seus anos ali, nunca vira o lugar tão lotado. O mais impressionante: até ingressos de plateia em pé estavam sendo vendidos. O que passava pela cabeça dessas pessoas?
Quando pôs os óculos e olhou para o palco, tomou um susto.
Conhecia aquele rapaz! Era o mesmo que derrotara instantaneamente um oponente do mesmo nível.
Ao ver Lan, todos estavam ansiosos para assistir ao duelo.
O próprio apresentador sentia grande expectativa.
O homem de meia-idade caminhou até o centro do palco, pigarreou e anunciou em voz alta:
— Agora, teremos a sexta luta um contra um da Décima Quarta Arena! Recebam nosso jovem impassível: Lan!
Num instante, uma explosão de aplausos e gritos sacudiu o local.
— Lan enfrentará Gélida, da seita dos Mestres de Batalha, portadora do Espírito do Pão de Ferro. Será que a senhorita Gélida continuará sua gloriosa sequência de nove vitórias, ou Lan triunfará? Chamamos agora os dois combatentes ao palco!
Ao ouvir o nome da adversária, Lan franziu a testa. Ele sabia que, ao se inscrever, seu oponente sorteado deveria ser um homem — jamais imaginou que seria aquela mesma mulher.
Segundos depois, Gélida subiu lentamente ao palco, fitando Lan com um sorriso.
— Gélida, Espírito do Pão de Ferro, Mestre de Batalha de nível quarenta e dois. Conto com sua orientação.
Assim que terminou de se apresentar, sua expressão ficou fria e uma centelha de agressividade brilhou em seu olhar.
Logo, uma aura luminosa envolveu seu corpo. Em sua mão direita apareceram dois pedaços de pão unidos, mas de tom prateado, não amarelo.
Sem dúvida, eram pães duros como ferro.
Em Douluo, os Espíritos Marciais são os mais variados, e qualquer um com poder espiritual suficiente pode se tornar um Mestre de Almas.
A maior peculiaridade dos Espíritos de Ferramenta é que não alteram a aparência do mestre, mas transmitem uma aura ainda mais intensa que os Espíritos de Besta.
Ao mesmo tempo, quatro anéis espirituais surgiram sob os pés de Gélida.
Havia um branco, dois amarelos e um roxo.
Os quatro anéis pulsavam ao redor de seu corpo.
No momento seguinte, um sorriso cruel curvou os lábios de Gélida.
— Ataque!
Com voz gélida, ergueu levemente a mão direita.
Imediatamente, o pão-espírito começou a girar freneticamente.
Quando só se via a luz prateada do pão girando, Gélida o lançou para fora da mão.
Ao mesmo tempo, o segundo anel sob seus pés brilhou.
Ela gritou em voz firme:
— Dança do Furacão Dourado!
Num átimo, uma luz dourada explodiu de seu corpo, envolvendo o pão giratório.
Com a infusão do ouro, o pão de ferro que brilhava em prata passou a reluzir em dourado, girando ao menos duas vezes mais rápido.
O vento rugiu; dois pães giratórios transformaram-se em redemoinhos dourados que avançaram contra Lan.
Subitamente, uma névoa negra irrompeu: um gigantesco tubarão surgiu rugindo e saltou para a frente de Gélida, desviando facilmente dos tornados dourados.
Num piscar de olhos, Gélida ficou pasma diante da colossal criatura.
A enorme boca escancarou-se na direção dela.
Um estrondo ressoou. Gélida sentiu um impacto no peito, foi arremessada para trás e sangue escorreu de seus lábios.
— Isso é impossível... — Ela olhou, incrédula, para o rapaz de olhar cortante à sua frente. Não vira Lan usar espírito algum, nem habilidades especiais, mas ele evitara com perfeição o ataque da Dança do Furacão Dourado.
Gélida se ergueu, cerrando os punhos. O terceiro anel brilhou em seu corpo.
Os dois pães de ferro cresceram tanto que quase igualaram o tamanho da arena.
Lan também hesitou ao ver aquilo, pois uma das fatias apareceu sob seus pés e a outra sobre sua cabeça.
— Agora verá: serei eu quem o esmagará entre pães!