Capítulo 33: O Único Sobrevivente (Peço votos de recomendação)

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2509 palavras 2026-02-08 15:47:35

Ao perceber que aqueles dois já não tinham mais nenhum sinal de vida, Lan recolheu a adaga sem emoção e partiu. Pouco depois, uma névoa avermelhada de sangue começou a se desprender dos corpos.

A mais infeliz era a pequena menina; provavelmente jamais imaginara, nem em sonho, que Lan lhe seria tão implacável de repente. Seria por não ser suficientemente adorável?

Não era isso.

No instante em que Lan matou o lobo dos olhos sanguinolentos, um brilho ameaçador passou pelos olhos dos dois, mesmo que tenha durado apenas um piscar, mas Lan percebeu. Naquele momento, compreendeu que a presença da fera espiritual naquele vilarejo devastado só podia ter uma explicação: alguém a criara de propósito.

Havia lido sobre casos assim em um antigo tomo da biblioteca. Mestres de espíritos perversos, para aumentar seu poder, alimentavam feras espirituais com gente. Isso tornava as feras naturalmente violentas e, ao morrerem, seus anéis espirituais ficavam impregnados de ódio extremo.

Lan avançou pelo vilarejo, os olhos atentos a cada detalhe ao redor. Pelos becos havia ainda membros decepados, poças de sangue, um odor pútrido de carne apodrecida impregnava o ar.

O vento silvava nos ouvidos, tornando o vilarejo um verdadeiro inferno na terra.

A noite caiu, e o céu escureceu cada vez mais. Uma névoa escarlate descia da montanha atrás do vilarejo, cobrindo tudo de vermelho, impedindo qualquer visão.

O cheiro de sangue era sufocante.

Nessa atmosfera de terror, de repente um grito estridente ecoou de uma casa trêmula. Mesmo Lan, um assassino acostumado a tempestades e perigos, estremeceu, as pupilas se contraíram, os nervos em alerta, o olhar tornando-se ainda mais frio.

Ele se virou para a casa, quando algo voou da sacada do terceiro andar.

A névoa de sangue estava tão densa que tudo a poucos metros parecia ter desaparecido.

Quando aquilo se aproximou, Lan inclinou o corpo para trás, os pés impulsionando-o para trás num salto, e em seguida lançou-se para o topo de um prédio.

Jamais pensara que o objeto arremessado fosse uma cabeça humana ensanguentada, que rolou até sob o prédio onde estava.

Lan olhou para baixo e viu que a cabeça fora escavada, o cérebro devorado por alguma criatura, restando apenas uma casca vazia.

Do interior da casa vinham sons de sucção.

Guiado pelo som, Lan segurou firme a adaga e saltou, prendendo-se silenciosamente ao parapeito da sacada, esgueirando-se para dentro.

No interior, dois homens corpulentos seguravam tigelas cheias de algo semelhante a tofu.

— Quem está aí?! — uma voz rouca e ameaçadora bradou de repente.

Ambos se ergueram, levando as tigelas à boca e sorvendo tudo de uma vez, depois empunharam facões e avançaram para o terraço.

O coração de Lan bateu forte; não esperava ser notado apesar de todo o cuidado. Decidiu então encará-los de frente.

Ao reconhecerem Lan, os brutamontes se animaram.

— Irmão, temos mais massa encefálica fresca — disse um.

— O sangue dessa criança deve ser bem puro — comentou o outro.

Um deles investiu brutalmente, levantando o facão sobre a cabeça e desferindo um golpe direto contra Lan.

Num instante, Lan ergueu a adaga. O olhar tornou-se gélido, a expressão dura como gelo, exalando um frio cortante.

Com um soco certeiro, Lan atingiu o estômago do adversário.

Os olhos do homem saltaram, um jato de sangue explodiu de sua boca; no mesmo momento em que tombava, um brilho frio cortou-lhe a garganta, fazendo o sangue esguichar longe.

O outro, vendo o perigo, agarrou o facão e atacou, mas Lan já previra seus movimentos; saltou para trás dele e, com um corte rápido, decepou-lhe o pescoço.

Mas o homem não morreu; girou o corpo e desferiu outro golpe.

A mesa foi partida ao meio.

Foi então que Lan percebeu a limitação de sua adaga.

Sem hesitar, ativou seu espírito marcial. O primeiro anel brilhou intensamente e um enorme tubarão avançou sobre o adversário.

Com um vendaval, uma lâmina branca gigantesca partiu o homem ao meio.

Pelo que vira, os dois mestres perversos deviam estar apenas começando no caminho do mal; o poder deles era pouco perceptível, talvez inferior ao seu.

Certamente buscavam atalhos para aumentar a força.

Com eles mortos, Lan continuou buscando sobreviventes — quem, afinal, teria sorte suficiente para resistir naquele ambiente?

Seguiu pela estradinha do vilarejo, sem encontrar sobreviventes; apenas mais mestres perversos, todos mortos por ele, sempre de nível baixo, nenhum sequer no nível de um grande mestre.

Mas, para Lan, naquela situação, a missão já era árdua. Acabou ferido durante os confrontos.

Como dissera antes, apesar de serem apenas iniciantes, a força humana tem limites.

Agora, seu poder espiritual estava quase esgotado.

Se continuasse assim, seria difícil concluir a missão.

O rosto pálido denunciava o cansaço extremo.

Foi quando, do fim do vilarejo, veio um grito lancinante.

Lan não hesitou. Correu na direção do som e, num piscar de olhos, chegou ao local.

Viu diante de si uma jovem de beleza impressionante, cabelos longos como cascata, cintura fina, pernas delicadas, algumas marcas no rosto como se arranhada por galhos.

Corria desesperada, olhando para trás, como se algo a perseguisse.

O semblante de Lan ficou sério; suspeitou que ela fosse a única sobrevivente daquele vilarejo.

A névoa era tão densa que mal se via o que a seguia.

De repente, dois raios vermelhos, como lasers, atravessaram a névoa, incidindo sobre a blusa branca da jovem.

Lan avançou rapidamente.

Ao mesmo tempo, seu anel espiritual brilhou de novo; mergulhou no solo, deslizando velozmente até surgir atrás da jovem.

Desferiu um soco!

O impacto explodiu como um trovão, lançando uma enorme criatura para longe.

Antes que caísse ao chão, Lan perseguiu sem hesitar, golpeando com a adaga várias vezes até aniquilá-la.

Não dava para distinguir o que era, mas, pelo tamanho, Lan sabia que não era humano — parecia uma fera monstruosa.

— Parabéns, anfitrião, missão de recompensa concluída com sucesso.

Ao ouvir a voz do sistema, Lan sentiu um peso se dissolver e desabou no chão.