Capítulo 61: A Estrela Polar Mais Brilhante
Ling Shuang resmungou friamente, tocou levemente a ponta do pé e, leve como uma andorinha, voou para cima daquela fatia de pão. Com um estalo de dedos, as duas fatias de pão, uma acima e outra abaixo, subitamente se fecharam e se fundiram.
Lan lançou um olhar afiado ao redor e percebeu que aquela habilidade espiritual de Ling Shuang era extremamente estranha: a fatia inferior cobria completamente a arena, e a superior era do mesmo tamanho. Naquele momento, Lan estava como uma salsicha prensada entre duas fatias de pão, completamente preso, sem poder avançar ou recuar.
A plateia ficou tensa ao ver a cena.
— Caramba, a habilidade espiritual dessa mulher é perversa demais!
— Parece que o resultado já está decidido. Agora, o único jeito do jovem frio escapar é saltando para fora da arena.
— Se pular, perde.
— Se pular, só perde a luta. Se não pular, vai acabar esmagado, e essas fatias de pão parecem tão lisas que, unidas, não deixam brechas.
— Pãezinhos, quatro por um!
...
Vendo as duas fatias de pão se fechando cada vez mais, o olhar de Lan ficou abruptamente sério. Finalmente entendia por que aquela mulher havia conseguido tantas vitórias seguidas. Com uma habilidade dessas, entre mestres espirituais de mesmo nível, era praticamente invencível; a maioria dos adversários preferiria saltar da arena.
Logo, o painel superior já pressionava a cabeça de Lan.
Vendo isso, Ling Shuang disse friamente:
— Se saltar agora da arena, ainda poderá salvar sua vida. Já esmaguei muitos mestres espirituais que se achavam fortes demais até virarem carne moída.
— Com o seu talento, não precisa morrer aqui. Fuja logo enquanto pode.
Enquanto Ling Shuang aumentava a pressão, o semblante de Lan se tornava ainda mais frio. Ao mesmo tempo, a névoa estrelada que emanava de seu corpo tornava-se mais densa.
As duas fatias de pão estavam prestes a se fundir por completo. O rosto de Ling Shuang assumia um ar ainda mais glacial.
Quando ela acreditava já ter a vitória nas mãos, de repente, uma silhueta deslizou entre as fatias de pão. Com um estrondo abafado, as duas fatias se fecharam abruptamente!
Nesse exato instante, uma mão apareceu na borda do pão e, acompanhada de um grito frio, um enorme tubarão saltou, subiu acima de Ling Shuang e desceu em mergulho com a boca escancarada.
— Ah!
— Não!
...
Ling Shuang gritou em pânico, completamente sem reação, o rosto branco como a neve. Mas de que adiantava gritar? Obviamente, de nada!
Boom!
Com um estrondo violento, Lan desferiu um soco no peito de Ling Shuang. A colina que ali se erguia pareceu ser achatada pelo golpe. Ling Shuang foi lançada para fora da arena.
— Você... você foi tão cruel! — O olhar de Ling Shuang era venenoso. Ela não esperava que aquele jovem não tivesse piedade alguma ao atacar.
Porém, Lan já deixava a décima quarta arena. O cérebro da plateia ficou em branco — ninguém esperava tamanha reviravolta. Quando perceberam, o jovem frio já saía do palco, restando-lhes apenas observar sua silhueta desaparecer ao longe.
Após concluir o combate individual do dia, Lan não voltou para a Academia Shrek, mas sim para o hotel. Exceto quando estava com Cai Wenji, ele sempre estava sozinho, ou talvez já estivesse acostumado à solidão.
Para ele, a prática era tão importante quanto a experiência em batalhas. Treinamentos diários de técnicas de caça e meditação para cultivar o poder espiritual eram indispensáveis.
Contudo, naquela noite, não conseguia acalmar o coração; a cena do combate individual rodava em sua mente, especialmente a habilidade espiritual de Ling Shuang. Sua arma espiritual, lançada sem que o adversário percebesse, capturava os oponentes como peixes em uma rede. Se não fosse por sua constituição forte e a qualidade do poder demoníaco, dificilmente teria escapado.
O principal era que, quando Ling Shuang executou sua habilidade, ele não conseguiu se esquivar porque as fatias de pão também exerciam certo efeito de controle, diferente do que já conhecera. Dentro daquele controle, sua energia espiritual era interrompida de tempos em tempos.
Ao amanhecer, Lan finalmente se acalmou e cultivou um pouco a técnica de caça. Nos últimos dias, não só ela progredira rapidamente, como também seu poder espiritual aumentara muito — efeito de uma base sólida, que agora se manifestava em força explosiva.
Após o café da manhã, foi à grande arena para mais um duelo individual antes de retornar à Shrek.
Porém, naquele dia, Shrek estava estranhamente vazia; restava apenas o velho responsável pelas inscrições dos novos alunos. Ao ver Lan retornar, o ancião avisou-lhe que o diretor Flander levara os novatos à arena de combate de Soto para treinarem.
Flander havia instruído o ancião a dizer a Lan para ir direto à arena assim que chegasse, mas Lan recusou — afinal, já havia lutado naquele dia. O torneio principal ainda não havia começado.
Sem compromisso, Lan permaneceu em Shrek, meditando e cultivando. Agora que sua constituição era incomparável, era hora de focar no avanço do seu nível espiritual.
No pátio dos fundos, escolheu um gramado, sentou-se de pernas cruzadas e iniciou a meditação. O progresso do cultivo deve ser gradual, só assim se consolida a própria força; perseguir apenas velocidade deixa defeitos graves, que podem limitar a vida inteira.
Na verdade, Lan refletia sobre outra questão. Recordava a cena da travessia: aqueles redemoinhos de água eram avassaladores, sem qualquer obstáculo, e após serem engolidos, percebeu que havia outras pessoas no núcleo dos redemoinhos — e que eles pareciam envolver toda a ilha.
Será que Cao Cao e outros também foram trazidos para esse mundo? Essa dúvida o acompanhava. Se Cao Cao e seus subordinados foram transportados para esse outro mundo, certamente teriam se tornado mestres espirituais — e muitos deles, com más intenções, ao adquirir poderes, cometeriam atrocidades.
Lan retirou duas adagas do vento, acariciando-as levemente. Há mais de quatro anos que lhe faziam companhia — não eram como aquelas da vida anterior, mas começavam a se encaixar à sua mão.
Essas duas armas haviam sido forjadas sob encomenda em Gengxin, muito mais refinadas que as anteriores, embora ele ainda sentisse diferença.
Após limpar o sangue das lâminas, guardou-as no vento e iniciou o cultivo. Com os olhos fechados, o tempo passou rápido.
Quando os abriu, já havia transcorrido mais de um dia.
Diante dele, o céu noturno resplandecia. Ao norte, na linha do horizonte, uma estrela brilhava com intensidade extrema.
Aquela luz era como os olhos dela!
Ao ver a estrela, o olhar frio de Lan suavizou um pouco. Havia muito tempo que não contemplava as estrelas assim.
— Então o céu noturno é mesmo tão belo!