Capítulo 65: Mas que diabos (Peço votos de recomendação)
— Saia daqui!
A voz fria e cortante ressoou de repente.
Ao ouvir isso, a mulher estremeceu violentamente, apressando-se a sair, assustada.
De volta ao quarto, os dois homens a rodearam ansiosos.
— E então, Zilan? — perguntaram.
— O que poderia ser? Aquele sujeito é como uma montanha de gelo. Só de me aproximar da porta do quarto dele já senti o corpo inteiro desconfortável.
— Um gênio desses só aparece uma vez a cada cem anos. Se conseguíssemos trazê-lo para a nossa Seita da Sombra Cortante, com certeza nosso grupo alcançaria a glória. Estou farto de servir ao Salão das Almas todos esses anos.
— Pelo que parece, ele também está se preparando para ir à Grande Floresta Estelar em busca de um anel espiritual. Já que a estratégia do charme falhou, tentemos a abordagem do bajulador.
— Ser bajulador? Eu não. Afinal, também sou um Rei Espiritual, não vou me rebaixar a isso para alguém de nível mais baixo que o meu.
— Velho Wang, se conseguirmos trazer esse jovem para a Seita da Sombra Cortante, acho que podemos engolir o orgulho.
O homem chamado Velho Wang era Wang Congyi, um sujeito de aparência sorrateira, razão pela qual todos o chamavam assim. O outro homem era Lin Dalong. A mulher, Zilan, era Yang Zilan.
Os três pertenciam à Seita da Sombra Cortante. Deve-se saber que no Continente Douluo havia incontáveis seitas grandes e pequenas, mas apenas três eram realmente famosas — as Três Supremas. As demais tinham força limitada e poucos discípulos, por isso não gozavam de grande reputação no mundo dos mestres espirituais.
Deitado na cama, Lan fitava o teto, ponderando sobre o tipo de anel espiritual que deveria buscar no dia seguinte, de modo a aprimorar significativamente o poder divino demoníaco.
Se continuasse caçando bestas espirituais aquáticas, sem dúvida teria que ir até o lago no centro da Grande Floresta Estelar para encontrá-las.
No entanto, ele sabia muito bem que a obtenção de anéis espirituais dependia principalmente do acaso. As espécies de bestas eram inúmeras e, numa floresta tão vasta, era impossível prever qual criatura encontraria.
Relembrando, Lan percebeu que os três primeiros anéis espirituais que possuía traziam habilidades com uma característica comum: o efeito de corte instantâneo.
Então, será que o quarto anel também teria essa propriedade?
No fundo, ele não desejava que fosse outro corte instantâneo.
...
Na manhã seguinte, após o café, Lan preparou-se para partir rumo à Grande Floresta Estelar.
Quando se levantou, Yang Zilan, Wang Congyi e Lin Dalong se aproximaram.
— Jovem, você também está indo à Grande Floresta Estelar em busca de um anel espiritual, não está? Que tal formarmos um grupo? — sugeriu Wang Congyi, sem o menor pudor.
Lan lançou um olhar frio aos três e respondeu secamente:
— Vamos.
Na verdade, Lan não pretendia caçar bestas espirituais sozinho, pois sabia que desta vez a criatura seria ainda mais poderosa que as três anteriores.
Comparados à maioria dos mestres espirituais, esses três já tinham força considerável. Fora os gênios, era raro que alguém comum atingisse tal nível.
O mais importante: isso lhe poupava o trabalho de formar uma equipe. Dois Reis Espirituais, um Mestre Espiritual de alto nível e ele próprio; juntos, teriam condições de enfrentar até mesmo uma besta espiritual de vinte mil anos.
Durante o trajeto, os quatro quase não conversaram. Apenas o Velho Wang e o Velho Lin trocavam comentários maliciosos ao fundo — afinidade de almas, talvez.
Para acelerar, Lan ativou o poder divino demoníaco e se transformou em tubarão, mergulhando adiante. Os três olharam incrédulos para sua habilidade.
— Velho Lin, rápido, faça a possessão espiritual! Não podemos perder ele de vista — disse Wang com indiferença.
Lin Dalong bradou, ativando seu espírito: transformou-se num imenso camarão-mantis, com as patas finas se estendendo por baixo.
Wang e Zilan montaram em suas costas.
Wang agarrou os longos apêndices de Lin e ordenou em voz alta:
— Avante, camarão-mantis!
Transformado, Lin não era lento. Embora não acompanhasse Lan de perto, a distância entre eles não passava de duzentos ou trezentos metros.
Para Lan, o gasto era apenas de poder espiritual; o esforço físico era quase irrelevante. Mas Lin sofreu: após pouco tempo já arfava exausto.
Meia hora depois, os quatro finalmente chegaram diante da Grande Floresta Estelar.
Assim que entrou, Lan sentiu o corpo relaxar. O ar puro soprava, o aroma suave das plantas elevava o espírito, trazendo uma sensação de bem-estar indescritível.
Dentro da floresta, árvores ancestrais se entrelaçavam, as mais altas ultrapassando vinte metros — e isso apenas na periferia.
Por toda parte só se via vegetação cerrada, sem qualquer trilha à vista.
— Deixem que eu abro caminho — prontificou-se Wang.
Lan parou. Já que alguém se oferecia, não precisava se preocupar.
Embora tivessem quem abrisse o caminho, Lan não se permitiu baixar a guarda. Manteve-se logo atrás de Wang, aguçando ao máximo todos os sentidos, atento a cada detalhe em volta.
É preciso lembrar que a Grande Floresta Estelar não era uma reserva controlada pelo país; suas bestas espirituais eram extremamente perigosas, com ataques de criaturas milenares ou até de dez mil anos podendo acontecer a qualquer momento.
Lan conhecia essas feras profundamente. Especialmente as selvagens, que odiavam os humanos que as caçavam para se fortalecer. O mais assustador era que muitas das bestas mais antigas viviam em bandos.
Mesmo após tantos anos, Lan ainda se recordava da primeira vez que visitou a floresta: ao buscar um anel, seu grupo encontrou uma matilha de Tigres Sombrio, todos milenares.
Naquela expedição, eram oito; só três saíram vivos.
Por isso, diante de uma besta selvagem poderosa, só um mestre espiritual realmente forte poderia sobreviver ao ataque.
Com essa lição, assim que entrou na floresta, Lan ficou em estado de alerta máximo — não queria virar comida de besta.
Logo, encontraram o primeiro bando de bestas espirituais.
— Um grupo de besouros-de-esterco! — exclamou Wang, horrorizado.
Essas criaturas não eram muito ofensivas, mas sua forma de atacar era repugnante.
Eram bestas defensivas, pouco perigosas mas extremamente humilhantes.
— Biu! —
De repente, uma esfera negra voou direto para o rosto de Wang.
Com um estalo, a esfera explodiu, espalhando um fedor insuportável. O rosto de Wang ficou todo sujo.
Sem dúvida, era o projétil dos besouros, ou seja, seu excremento.
Wang explodiu de raiva, liberando seu espírito. O quarto anel brilhou intensamente, e ele desferiu um soco contra o bando.
O golpe, embora parecesse simples, tinha grande poder.
Uma onda explosiva empurrou os besouros por vinte ou trinta metros.
Porém, no instante seguinte, um estrondo ecoou.
— Boom!
— Mas que droga!