Capítulo 73: A Quarta Técnica Espiritual

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2523 palavras 2026-02-08 15:51:05

O velho Wang fixou o olhar na luz que envolvia Lan, e comentou com indiferença: “É a primeira vez que vejo algo assim. Em geral, somente anéis de alma gerados por feras com quase cem mil anos poderiam apresentar esse brilho avermelhado.”

Com a poderosa energia invadindo-o, o corpo de Lan estremeceu violentamente, sentindo que, naquele instante, uma aura dominante e arrogante irrompeu em seu interior, apanhando-o completamente desprevenido.

Logo, ele percebeu que cada parte de seu corpo parecia ser inundada por uma corrente cálida e frenética.

O Tubarão Sombrio de Dentes Relampejantes era uma fera lendária não apenas por sua raridade, mas também por sua nobreza intrínseca, qualidades incomparáveis para as feras comuns.

Naquele momento, Lan sentia como se lâminas afiadas percorressem seus ossos, arrancando-os lentamente, enquanto uma dor dilacerante o fazia abrir a boca e ofegar profundamente, sem cessar.

Diante daquela cena,

o semblante dos três companheiros de Wang mudou drasticamente.

“Irmão, ele está sendo extremamente determinado... mas esse é um anel de alma de vinte mil anos!” lamentou Lin.

Wang, com voz grave, explicou: “Essa fera não era comum. O anel gerado é de uma tirania ímpar, e, além disso, foi torturada antes de morrer, sua mágoa é profunda. Absorvê-lo não é tarefa fácil.”

“Mas quanto mais difícil de absorver, mais poderoso é o efeito do anel. Afinal, quanto maior a energia contida, mais impressionante será a habilidade de alma adquirida.”

O tempo passava lentamente e as feições dos três tornavam-se cada vez mais sombrias. Aos olhos deles, Lan estava completamente envolto por uma névoa negra e avermelhada.

“Ah!”

Um grito lancinante soou de dentro da névoa.

Ao mesmo tempo,

uma onda de energia rubra explodiu do corpo de Lan, despedaçando suas vestes.

A energia do anel continuava invadindo seu corpo de forma descontrolada.

Ninguém ali era capaz de medir o volume de energia daquele anel de alma. Para Lan, ele sentia que seu corpo estava à beira da ruptura.

Seu corpo começou a inflar; não era o inchaço muscular de uma possessão de besta marcial, mas sim uma expansão contínua, como um balão sendo inflado sem cessar.

De repente,

uma fissura abriu-se em suas costas.

“Não é bom! O corpo do irmão Lan não suporta a energia do anel, ele vai explodir!” exclamou Wang, alarmado. Pela absorção observada, não restava dúvida: era a força excessiva da energia do anel que causava aquela expansão.

Com um estalo, o tórax de Lan também se rompeu. O som da pele se rasgando só ocorre quando a superfície está tensionada ao extremo, saturada de energia.

Não só isso; a cada fissura, seus membros e ossos estalavam com sons secos e assustadores.

Os três observavam em suspense o jovem à sua frente, estremecendo a cada ruído que vinha do corpo de Lan.

Em poucos minutos, toda a pele do torso de Lan havia rachado sob a pressão do anel. Não era exagero dizer que ele estava completamente esfolado.

“Se continuar assim, Lan certamente explodirá,” disse Lin, preocupado.

Wang franzia a testa, visivelmente tenso, e comentou: “Agora é impossível interrompê-lo. Se tentarmos, as consequências serão catastróficas. Mas vocês repararam na força de vontade dele? Com apenas doze anos, possui uma determinação que jamais vimos. Estamos muito aquém dele.”

“Se ele conseguir resistir, ainda há esperança, e seu físico também é extraordinário. Qualquer outro já teria sucumbido.”

A dor que Lan sentia era indescritível.

Parecia que seus ossos eram raspados por lâminas e depois lavados por uma corrente ardente.

Mas, além daquele calor, uma energia tirânica corria descontrolada pelos seus meridianos, causando o rompimento da pele.

Era como uma serpente mudando de pele, renascendo a cada troca. Se não fosse por sua força de vontade, já teria perdido a consciência.

O tempo passava e, em menos de meia hora, a parte superior de seu corpo estava toda lacerada, sem um pedaço de pele intacto.

Sangue cobria seu corpo, como se tivesse sido completamente esfolado.

“Ah!” — enquanto os três companheiros caíam ao chão apavorados, os olhos de Lan brilharam em vermelho; ele cerrou os punhos e soltou um grito agudo e desesperado.

“Irmão Lan!” clamou Wang, aflito.

No auge do temor, de repente, uma luz escarlate explodiu do corpo de Lan, envolvendo-o como se tivesse renascido das chamas. Seu semblante melhorou, o torso envolto por uma aura rubra.

O sangue que jorrara de seu corpo milagrosamente começou a flutuar, formando pequenas esferas ao seu redor, que, ordenadamente, foram sendo absorvidas pela luz escarlate.

Uma hora se passou.

As pequenas esferas de sangue haviam se fundido completamente à luz rubra que o envolvia.

Lan parecia estar dentro de um casulo vermelho, seu corpo inteiro envolto pela aura escarlate, enquanto a dor desaparecia pouco a pouco.

Os três companheiros de Wang, atônitos, não conseguiam expressar outra coisa senão choque diante daquela cena raríssima.

Apesar do espanto, mantinham-se em alerta, atentos a qualquer movimento ao redor.

Se houvesse qualquer sinal, nada escaparia aos seus olhos.

Um estrondo súbito e a aura vermelha que envolvia Lan explodiu, tingindo o céu de carmesim. Uma energia pujante espalhou-se como uma onda por toda a Grande Floresta Estelar.

O fenômeno despertou até mesmo a floresta adormecida na escuridão da noite.

Um rugido grave e poderoso ecoou, e uma dupla de olhos sangrentos brilhou na noite escarlate.

Então, um jovem nu emergiu lentamente da luz rubra. Seu corpo reluzia com um brilho translúcido e gélido, quase como se fosse transparente, com traços faciais marcantes e profundos. Mesmo belo, seu olhar implacável provocava calafrios, com uma aura de soberania absoluta.

Ao abrir os olhos, um brilho gélido cintilava: seu olhar era penetrante e profundo, e bastava um leve relance para impor respeito.

A névoa estelar ao seu redor também mudara, agora pontuada por algumas estrelas de luz rubra.

À medida que a luz se dissipava, o corpo do jovem retomava o aspecto normal, exceto pela parte superior, ainda coberta por uma armadura de escamas cristalinas, que refletiam a luz de forma singular.

“Irmão Lan, como se sente?”

Vendo o jovem a salvo, Wang quase não conseguia conter a alegria.

“Estou bem.”

Lan respondeu com tranquilidade.

Ao fechar os olhos, percebeu que, desde o momento em que absorveu o anel de alma, havia integrado em si todo o sangue do Tubarão Sombrio de Dentes Relampejantes, como se sua própria linhagem tivesse sido transformada.

“Irmão Lan, conte-nos: que habilidade você ganhou? E o que é essa luz que emana de você?” perguntou Yang Zilan, curiosa.

Lan respondeu serenamente: “Minha quarta habilidade de alma se chama ‘Estrela Luminosa — Golpe das Sombras’.”