Capítulo 35: As Regras do Hotel, O Poder é a Lei
Poucos minutos depois, Tang San e Xiao Wu chegaram à entrada de um hotel. O edifício tinha três andares; embora não fosse muito grande, sua fachada era totalmente decorada em tons rosados, e toda a construção lembrava uma rosa em plena floração, causando um impacto visual marcante a quem passava.
Na porta principal, um letreiro esculpido com padrões de rosas exibia o nome do estabelecimento: “Hotel Rosa”.
Xiao Wu ergueu a cabeça e, após ler o nome do hotel, sorriu:
— San, vamos nos hospedar aqui?
Tang San deu de ombros, indiferente:
— Como preferir.
Após anos trabalhando em Cidade Notting, além dos auxílios da Catedral dos Espíritos, ele havia acumulado uma boa quantia. Xiao Wu nunca se importava com dinheiro e gastava sem restrições, então, para não se exceder, confiava todos os seus recursos para que Tang San os administrasse.
Assim que entraram no Hotel Rosa, foram envolvidos por um aroma inebriante de rosas, que transmitia uma sensação ambígua de prazer e relaxamento, tornando o ambiente acolhedor. A decoração interna harmonizava tons de branco, vermelho-rosado e detalhes prateados, criando um espaço elegante e capaz de encantar qualquer hóspede.
Tang San aproximou-se do balcão:
— Por favor, gostaríamos de dois quartos.
O atendente atrás do balcão levantou-se apressado, olhando para Tang San e depois para Xiao Wu, com um brilho de inveja nos olhos:
— Senhor, não seria suficiente um quarto? Além disso, só temos um disponível no momento.
— Que enrolação! Então reserve logo um quarto. Quando estávamos em Notting, sempre dormíamos no mesmo quarto — e ainda com vinte, trinta pessoas juntos — respondeu Xiao Wu, impaciente.
Após tantas horas de viagem, ela estava realmente cansada.
As palavras deixaram o atendente atônito. Ele imaginou a cena de vinte ou trinta pessoas dividindo um quarto, um cenário aterrador, como se um terremoto ocorresse durante a noite.
Tang San balançou a cabeça, resignado. Não era alguém teimoso; no máximo, dormiria no chão.
— Então, reserve um quarto para nós.
O atendente preparava-se para registrar o quarto quando, de repente, uma lâmina afiada voou do lado de fora e cravou-se no balcão, fazendo o atendente recuar assustado.
Logo em seguida, um jovem de expressão fria entrou lentamente, lançando um olhar cortante ao atendente. Seus lábios se moveram levemente:
— Esse quarto é meu.
Tang San e Xiao Wu ficaram surpresos ao ver o recém-chegado.
— Lan, o que faz aqui? — perguntou Tang San, com expressão de surpresa; não esperava encontrar Lan naquele local.
Xiao Wu também se admirou. O jovem de aparência gélida já era uma lenda na Academia Notting, tendo se formado poucos dias após ingressar. Recebeu uma generosa recompensa e passou a ser citado nos livros didáticos da academia para motivar constantemente os estudantes a se superarem.
Lan não demonstrava qualquer emoção por Tang San e Xiao Wu. Após concluir a missão no vilarejo esquecido, voltou à Academia Notting para solicitar sua graduação. Mesmo agora, ao encontrá-los, sua expressão permanecia assustadoramente fria.
Diante da pergunta de Xiao Wu, Lan não respondeu e sequer lhes dirigiu o olhar.
Xiao Wu aproximou-se e ficou diante dele, dizendo em tom frio:
— Lan, chegamos primeiro. Se precisa de hospedagem, procure outro hotel.
O olhar gélido e afiado de Lan recaiu sobre Xiao Wu, e ele respondeu secamente:
— Saia da minha frente!
O rosto de Xiao Wu corou de raiva:
— Quem chega primeiro tem prioridade. Não conhece nem esse tipo de regra? Pela sua atitude, percebe-se a falta de educação.
— Hmph! Quando estava na Academia Notting, não teve coragem de me desafiar. Covarde.
Lan, que até então mantinha certa calma, de repente teve um brilho de fúria nos olhos. Seu punho direito ergueu-se e, sem aviso, desferiu um soco direto em Xiao Wu.
Diante do perigo, Tang San não hesitou. Usando sua técnica de deslocamento, colocou-se rapidamente diante de Xiao Wu.
Um estrondo surdo ecoou; Tang San foi lançado contra a parede, ficando lívido.
O golpe de Lan, impulsionado pela fúria, tinha uma força assustadora.
Tang San levantou-se, pressionando o peito, e vendo que Xiao Wu pretendia avançar para lutar, disse em tom grave:
— Fique fora disso. Esta é uma disputa entre homens.
Ele ainda se lembrava da humilhação que sofreu ao entrar na Academia Notting e ser derrotado por Lan. Aquilo fez com que se tornasse ainda mais exigente consigo mesmo, acordando todos os dias de madrugada para treinar até o limite, sempre esperando pelo dia em que pudesse recuperar sua dignidade.
Vendo Tang San erguer-se, Lan cerrou os punhos e avançou, mirando novamente o peito de Tang San com outro soco.
Enquanto observava o punho de Lan, Tang San percebeu que havia uma leve espiral de energia branca em volta dele, tornando o golpe ainda mais devastador que o anterior. Estava claro que Lan estava no auge de sua força e velocidade; o soco, simples em aparência, vinha carregado de uma aura destrutiva.
Um brilho violeta cruzou os olhos de Tang San. Encurralado contra a parede, não tinha como recuar. Só lhe restava enfrentar o ataque. Firmou o pé direito à frente, ergueu o punho e, com o corpo ligeiramente inclinado para trás como um arco retesado, lançou seu próprio golpe. No instante seguinte, seu punho adquiriu uma coloração leitosa e translúcida.
O impacto foi brutal. Tang San foi lançado de novo, mas ao invés de reduzir a velocidade, seu corpo ganhou ainda mais impulso, sendo atingido por outro soco no peito que o prensou contra a parede.
O estrondo reverberou pelo salão; a parede afundou com a força do impacto, e feixes de luz atravessaram as fissuras, iluminando o saguão. A poderosa onda de energia fez com que uma placa caísse da parede.
Tang San estava ruborizado de dor.
— Argh! — cuspiu sangue, olhando para a inscrição na placa, seu semblante se fechando.
Xiao Wu também percebeu o que estava escrito e ambos se deram conta, finalmente. O Hotel Rosa havia mudado as regras: se restasse apenas um quarto, a vaga seria decidida pela força. O derrotado, além de apanhar, teria de ressarcir os danos ao hotel.
De fato, o proprietário mostrava visão de negócios.
Tang San sorriu amargamente:
— Então era isso...
Ele sempre acreditou que seus punhos eram tão resistentes quanto aço fundido, mas ao colidir com o de Lan percebeu o engano. Diante de uma força absoluta, mesmo mãos de jade reforçadas não conseguiam resistir; talvez seus ossos estivessem intactos, mas o impacto da energia atravessou seu braço e se espalhou pelo corpo, causando uma dor lancinante, como se fosse atravessado pelo gelo.
Observando o estado deplorável de Tang San, Lan lançou um olhar ainda mais feroz, e duas lâminas afiadas surgiram em suas mãos.
Imediatamente, ele desferiu golpes cortantes contra Tang San.
O som cortante das lâminas zunia pelos ouvidos de Tang San.