Capítulo 27: Soltem a Serpente

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2515 palavras 2026-02-08 15:47:16

O Mestre das Espadas olhou na direção indicada por Lan. A serpente exibiu uma cabeça triangular de um verde escuro, com pequenos olhos vermelhos, semelhantes a rubis, fixos sobre eles.

— É uma Mandrágora Serpente! — exclamou.

— Ela é muito perigosa, vovô Espada? — perguntou Ning Rongrong, curiosa.

O Mestre das Espadas sorriu com serenidade e respondeu:

— Para mim, não passa de um detalhe, mas para um mestre de almas sem grande força, pode ser um problema sério. Saiba que a Mandrágora Serpente é uma criatura espiritual de veneno formidável; sua toxina não só paralisa, como também destrói gravemente os nervos humanos. É uma das existências mais aterradoras entre as criaturas de atributo venenoso. Seu corpo é quase imune a armas comuns, exceto pela boca e pelos olhos, que são seus pontos fracos. Mas, seja humano ou criatura espiritual, todos protegem muito bem suas vulnerabilidades; além disso, a Mandrágora Serpente é incrivelmente veloz, tornando o ataque a seus pontos fracos ainda mais difícil. E, claro, seu ataque é assustador. Este espírito não serve para Rongrong, mas se quisermos sair daqui, teremos de derrotá-lo, ou ele nos perseguirá sem descanso.

Lan permanecia ao lado, observando a criatura com expressão tranquila, sem ser abalado pela descrição do Mestre das Espadas. Pelo contrário, seus punhos se cerraram de repente, e um brilho cortante surgiu em seu olhar.

Antes que o Mestre das Espadas pudesse reagir, uma figura solitária irrompeu ao encontro da Mandrágora Serpente, acompanhada de um rugido. O Mestre das Espadas tentou liberar sua energia espiritual para deter Lan, mas percebeu que a velocidade de Lan era impressionante. Era tarde demais.

Desde o momento em que a serpente apareceu, o Mestre das Espadas já vinha observando Lan. Notou que o garoto era sempre sereno, com um rosto imutável, frio e profundo.

Num piscar de olhos, Lan chegou diante da Mandrágora Serpente. Quando ergueu o punho, um anel amarelo ascendeu lentamente de seus pés, envolvendo seu corpo.

— Primeiro poder espiritual, Rompe-Ondas!

Com um grito firme, seu punho foi lançado, e um enorme tubarão surgiu rugindo, escancarando a boca sangrenta sobre a Mandrágora Serpente.

Lan atacou com tamanha rapidez que até a serpente não conseguiu reagir; quando percebeu o perigo e tentou fugir, já era tarde. Seu corpo massivo foi lançado do solo, arremessado ao longe, quebrando dezenas de árvores ao cair.

Quando o corpo gigantesco da serpente ergueu-se, o rosto do Mestre das Espadas mudou drasticamente. Surpreso, exclamou:

— É uma criatura espiritual de quatrocentos anos!

Diante de um espírito venenoso assim, para o Mestre das Espadas seria mais fácil do que esmagar uma formiga, mas para Lan, um mestre de almas iniciante, era uma tarefa árdua.

Quando o Mestre das Espadas estava prestes a liberar seu espírito para realizar um ataque mortal, Lan interrompeu com voz firme:

— Eu consigo!

O olhar do Mestre das Espadas intensificou-se, fixo na silhueta esguia de Lan. Pela lógica, um mestre de almas que ainda não atingiu o nível de mestre superior não deveria ser capaz de enfrentar uma criatura de quatrocentos anos, especialmente uma Mandrágora Serpente de atributo venenoso. Mesmo um mestre superior teria dificuldades, pois nem todos possuem espíritos tão poderosos.

Ainda assim, o Mestre das Espadas recolheu seu espírito, mas seu olhar nunca se afastou de Lan; se percebesse qualquer perigo, interviria imediatamente.

Se ele agisse, poderia eliminar a criatura num instante, mas não o fez. Seu propósito era simples: fortalecer a habilidade de combate de Lan. Para um mestre de almas recém-potenciado, a capacidade de luta é crucial, e deve ser constantemente aprimorada. Por isso, considerou essa situação como uma oportunidade ideal para o crescimento de Lan.

Lan fixou o olhar na Mandrágora Serpente arremessada, sua expressão tornou-se mais grave; não esperava que, mesmo com seu ataque total, a serpente permanecesse intacta, quebrando árvores e caindo ao solo, apenas para se reerguer e lançar-se sobre ele em um salto veloz.

O corpo da Mandrágora Serpente era incrivelmente flexível; a cada contato com o solo, reboteava como uma mola, com uma velocidade impressionante. Em questão de segundos, já estava perigosamente próxima, com a boca aberta em direção a Lan.

No último instante, Lan gritou, envolveu-se com a força divina da magia e mergulhou rapidamente.

Pum!

A boca da Mandrágora Serpente atingiu o solo, errando o alvo. Sua velocidade era tão extrema que, somada à força do movimento, o impacto foi brutal.

Era evidente que a serpente estava desorientada. Para Lan, era uma oportunidade perfeita de ataque.

Num instante, o enorme tubarão emergiu do subsolo, investindo contra a cabeça da Mandrágora Serpente. Lan, com a lâmina curta na mão direita, cortou o ar e golpeou o olho da serpente.

Zas!

Sangue carmesim jorrou do olho direito da Mandrágora Serpente.

O corpo colossal da serpente começou a se debater furiosamente, levantando poeira e pedras; por onde passava, arbustos e árvores pequenas eram destruídos como se um tornado tivesse varrido o local, espalhando galhos e folhas.

Lan teve de recuar, dobrando as pernas e impulsionando-se com força sobre os lábios da serpente, voando para trás e afastando-se da criatura feroz por dezenas de metros.

A Mandrágora Serpente, agora completamente enfurecida, perseguiu Lan com obstinação, ainda mais rápida.

Mas Lan também era veloz; dotado do poder do tubarão, mergulhou e deslizou pelo subsolo, enquanto a serpente atacava o solo repetidas vezes, terminando por engolir apenas terra.

Logo, Lan percebeu uma grande rocha erguida à sua frente. Olhou para trás, viu a serpente lançando-se sobre ele, e executou um salto típico do peixe que atravessa o portão do dragão, emergindo do solo e desviando-se para a direita.

Boom!

A cabeça triangular da Mandrágora Serpente atingiu diretamente a pedra, despedaçando-a completamente.

Mas a serpente pagou um preço alto: dois dentes afiados foram quebrados, e o sangue escorria de sua boca sem cessar.

Entretanto, serpentes são criaturas de vitalidade extraordinária. Seu corpo curvou-se e saltou novamente, avançando sobre Lan com a boca aberta.

Lan dobrou as pernas e recuou, enquanto levantava a mão direita e lançava a lâmina curta contra o olho restante da Mandrágora Serpente.

Mas a velocidade da serpente era absurda; seu corpo torceu-se no ar, elevando a cabeça cerca de meio palmo, desviando do golpe fatal.

A lâmina atingiu o abdômen da serpente, produzindo um som metálico.

Faíscas saltaram das escamas duras da Mandrágora Serpente, e uma dor intensa fez com que ela soltasse um silvo agudo.

No instante em que a lâmina quase tocou o chão, Lan passou velozmente, recuperando-a com destreza; para ele, aquela lâmina era indispensável na caça daquela criatura espiritual.

No entanto, esse gesto acabou colocando Lan em perigo.

As escamas da Mandrágora Serpente brilharam com uma luz amarela, crescendo rapidamente; quase de imediato, a boca ensanguentada já pairava sobre a cabeça de Lan.