Capítulo 43: Rato de Olhos de Crisântemo, Imperador das Almas, Um Terror Inominável
Atônito, Luban Nove seguiu apressadamente, enquanto o semblante de Lan era gélido como o gelo, um brilho cortante despontando em seus olhos. Desta vez, Luban Nove não ousou dizer palavra; o jovem à sua frente era um verdadeiro monstro: aparentando apenas onze ou doze anos, já possuía três anéis de alma, sendo dois deles de cor violeta — em todo o continente de Douluo, seria impossível encontrar alguém semelhante.
Ambos permaneciam na estrada principal; Lan, de natureza fria, e Luban Nove, um tagarela que não conseguia ficar em silêncio nem por um minuto sem se sentir desconfortável. Após longo tempo, Luban Nove aproximou-se cautelosamente de Lan, fitando-o de baixo para cima: “Meu amigo, posso ser seu ajudante?” Lan lançou-lhe um olhar e virou-se, seguindo pela rua.
Depois de uma busca minuciosa, Lan percebeu que o cheiro de matança que envolvia a vila havia desaparecido por completo em questão de minutos. Contudo, a missão ainda não indicava conclusão, o que o deixou perplexo.
Quando se preparava para deixar a vila, de repente, um rato olho-de-crisantemo saltou de um canto, movendo-se numa velocidade impressionante, enquanto de seu traseiro jorravam pétalas de crisantemo, como se fossem rastros de um carro de corrida. Com o aparecimento do rato, o aroma de matança voltou a se espalhar rapidamente; era um odor peculiar, com um fundo de crisantemo misturado a um cheiro metálico de sangue.
Ao sentir o cheiro, Lan imediatamente tapou boca e nariz. Ele já havia encontrado esse monstro em outra missão, mas este rato era diferente do anterior. Seu corpo era coberto por pelos amarelos, seus olhos pareciam crisantemos, as garras afiadas como navalhas, e as pétalas exaladas de trás eram de um vermelho sanguíneo, como se tivessem sido mergulhadas em sangue.
O semblante de Lan escureceu subitamente, seus olhos arregalaram-se, e ele saiu em perseguição. Após aspirar levemente o aroma, sentiu o sangue ferver e uma euforia incontrolável, acompanhada de uma sensação sufocante. Era um veneno complexo; aquele rato era venenoso, capaz de enlouquecer e sufocar suas vítimas.
Rapidamente, Lan utilizou sua técnica para expulsar o veneno do corpo. Luban Nove, não se sabe quando, já havia colocado sua cueca na cabeça, imitando um super-herói, com vapor esbranquiçado exalando do tecido. O cheiro de urina era tão forte que Lan franziu a testa de desgosto.
Depois de se livrar do veneno, Lan invocou sua magia, mergulhou no solo e seguiu o rastro do rato. Luban Nove ficou parado, perplexo, murmurando: “Droga, só porque minhas pernas são curtas, não é? Até mais!”
Contudo, o rato era extremamente veloz, e mesmo com todo o esforço, Lan não conseguiu alcançá-lo, parando apenas nos arredores de uma pequena aldeia.
Embora não tenha capturado o rato, Lan percebeu que durante a fuga o animal fora ferido, deixando um rastro de sangue. Ele recolheu um pouco com o dedo e cheirou. Suas pupilas se contraíram, o olhar tornou-se aguçado: o cheiro do sangue era idêntico ao dos mestres de almas malignas que caçara anteriormente.
Diante disso, Lan dirigiu-se à aldeia. Mesmo que o rato tivesse se escondido ali, sua presença estava marcada para Lan. Após alguns passos, notou uma aglomeração à entrada da aldeia, formada por jovens de sua idade acompanhados pelos pais. Havia uma mesa à entrada, atrás da qual sentava-se um ancião de cerca de sessenta anos. Para surpresa de Lan, havia ali uma academia.
Sobre o portal de madeira, pendia uma tabuleta velha e desgastada, onde se liam cinco palavras simples: Academia Shrek.
Lan franziu levemente a testa; não esperava ter chegado, por acaso, à academia mencionada por Dai Mubai. Mas Lan não tinha interesse algum em estudar; com sua força atual, poderia se formar até mesmo em uma academia avançada. Seu objetivo era simples: caçar o rato olho-de-crisantemo e completar sua missão.
Quando se preparava para assumir a forma de tubarão e infiltrar-se subterraneamente na academia, uma figura surgiu repentinamente diante dele — o próprio ancião sentado à mesa. O velho cravou sua bengala no chão, erguendo uma barreira que bloqueou Lan.
Sem alternativa, Lan teve de sair à superfície, surpreso por ter sido descoberto, apesar de toda sua discrição.
O ancião fitou Lan com olhos gélidos e disse em tom grave: “Garoto, se quer entrar na Academia Shrek, deve passar pelo exame. Aqui, tudo segue as regras!”
Lan lançou-lhe um olhar sombrio e passou velozmente por ele; sabia que, se o rato soltasse seu veneno, as consequências seriam terríveis.
No entanto, outra barreira surgiu diante dele. Ao olhar para trás, viu que a bengala do ancião irradiava uma luz estranha, repleta de inscrições misteriosas. O mais impressionante: de seus pés, anéis de alma começaram a emergir um após o outro.
O brilho intenso calou o burburinho à volta. Em instantes, seis anéis de alma surgiram ao redor do velho: um branco, um amarelo, três violeta e um negro. Indiscutivelmente, era um Imperador das Almas de mais de sessenta níveis, e ainda possuía um anel negro de dez mil anos.
Diante dessa demonstração de poder, Lan só pôde recuar, virando-se sem olhar para trás. Um Imperador das Almas era aterrador! As pessoas na multidão sussurravam, surpresas: “Uau, esse professor é um Imperador das Almas!” “Meu Deus, que poder!”
Ao vê-lo se afastar, o ancião não permitiu. Num piscar de olhos, surgiu à sua frente, dizendo em tom severo: “Garoto, não quer entrar em Shrek? Sinto em você uma aura diferente. Mostre-me seu poder.”
Os que antes reclamavam sobre a taxa de inscrição se calaram diante dos anéis do ancião, sentindo-se sortudos por não terem causado problemas. Alguns começaram até a se preocupar com Lan. Afinal, tratar-se de um Imperador das Almas com um anel negro! Quem ousaria provocá-lo?
“Não tenho interesse”, respondeu Lan friamente. O ancião sorriu.
“Sem interesse? Então por que tentou entrar escondido? Sabes o que valorizamos acima de tudo na Academia Shrek? A disciplina.”
“Shrek é um monstro. Entre monstros, é um dos mais estranhos. O nome foi escolhido porque só aceitamos monstros — alunos com menos de treze anos e poder de alma acima do nível vinte e um.”
O discurso do ancião não era apenas para Lan, mas também um aviso aos candidatos, pois muitos ainda tinham esperanças vãs.
“Garoto, deixe-me ver se estás à altura de nossos requisitos.”
“Não tenho interesse”, repetiu Lan, inabalável.
Mas então, uma aura cortante emanou do velho. “Veja minha bengala!”
Mal terminou de falar, a bengala desceu sobre Lan com força.