Capítulo 88: Chefe da aldeia, aconteceu uma grande desgraça (Peço sua assinatura)
— Meu Deus, ancião, esse rapaz não seria aquele gênio de alma inata completa de quem o senhor falou? — exclamou Pedra Quatro, olhando atônito para o jovem à sua frente.
O velho chefe ergueu o peito com orgulho e respondeu:
— Exatamente, este é o nosso prodígio da Vila dos Pessegueiros.
Os olhos de Pedra Quatro começaram a brilhar, surpreso mas cheio de esperança de que, no dia seguinte, quando seu próprio filho despertasse, ele também pudesse tornar-se um mestre de almas.
Para gente simples do campo como eles, ter alguém na família que se tornasse mestre de almas significava escapar das agruras da pobreza. Afinal, o soldo de um mestre de almas era alto; com uma única moeda dourada, já se podia manter uma família por um mês. E, naturalmente, conforme o nível do mestre de almas aumentava, as recompensas cresciam em proporção.
— Meu jovem, olhando para você, como eu gostaria que, ao despertar amanhã, meu filho também se tornasse uma criança tão excepcional. Não peço que ele tenha uma alma completa como a sua, ficaria feliz mesmo que tivesse só metade de um nível de poder espiritual — disse Pedra Quatro com uma expressão suave.
— Com certeza conseguirá — respondeu Lan em voz baixa.
Lidar com pessoas diferentes, usando tons diferentes: foi isso que ele aprendera desde que chegara àquele mundo.
— Criança, você chegou há pouco à Vila dos Pessegueiros, não foi? — perguntou o velho chefe.
Lan assentiu.
— Cheguei há poucos minutos.
— Venha, o avô vai preparar uma refeição para você — disse o ancião, pegando Lan pela mão e conduzindo-o em direção à sua casa.
Logo, Lan acompanhou o velho chefe até uma residência feita de mármore. Bastava olhar para perceber que, dentre todas as casas da vila, aquela era a mais imponente.
Era uma construção de três andares; as paredes eram de mármore, mas todo o interior era feito de madeira. Ao entrar, Lan foi envolvido por um aroma agradável. Observando melhor, percebeu que toda a madeira utilizada era de uma espécie aromática de alta qualidade, enchendo o ambiente de um perfume delicado e acolhedor.
Vendo Lan analisar cada canto da casa, o velho chefe abriu um sorriso:
— Desde que a nossa vila revelou dois jovens prodígios, o Santuário Marcial passou a nos valorizar muito, ajudando-nos a reconstruir as casas. Esta casa de mármore foi um presente deles para mim.
— Agora, a Vila dos Pessegueiros é a mais rica entre todas as aldeias. Toda semana, comerciantes da Cidade de Notting vêm comprar nossas colheitas. Vocês dois já se tornaram verdadeiras lendas por aqui.
— Vovô chefe, nestes anos, o avô Noque já voltou? — perguntou Lan distraidamente.
— Não, ele não voltou todos esses anos. Ele nunca veio ver vocês? — indagou o ancião.
Lan balançou a cabeça, o semblante escurecendo. Voltava à vila justamente para obter notícias de Noque, mas mais uma vez se via frustrado.
O velho chefe ficou momentaneamente surpreso.
— Aquele velho Noque, será que ainda é humano? Como pôde abandonar vocês dois assim? Quando ele voltar, juro que vou dar-lhe uma boa bronca!
— Bem, você deve estar cansado de viagem. Sente-se e descanse, vou preparar a comida — disse o chefe, apressando-se para a cozinha.
Lan foi até a varanda, contemplando o horizonte. De repente, uma luz intensa brilhou em seu olhar ao perceber que a casa do velho chefe era voltada para o Pico da Origem dos Pessegueiros. De onde estava, podia ver nitidamente o topo da montanha.
Do outro lado, tudo permanecia igual: neblina leve envolvia o cume, nuvens pálidas bailavam ao redor do pico.
Uma flor de pessegueiro, levada pelo vento, dançava suavemente no ar até pousar diante de Lan. Ele ergueu a mão direita e a recolheu. O aroma intenso, impregnado de energia espiritual, era revigorante. As flores daquele pico eram diferentes das comuns, que só floresciam na primavera.
No Pico da Origem dos Pessegueiros, havia floração duas vezes ao ano: na primavera e no inverno. Na primavera, o perfume era intenso e envolvente; no inverno, mais sutil, porém profundamente reconfortante, como se a estação fria se transformasse em primavera.
Uma hora depois...
O velho chefe já havia terminado a refeição. Trouxe um grande prato redondo com nada menos que oito iguarias. Na cidade, aquela comida pareceria simples, mas naquela aldeia pobre e remota, era um verdadeiro banquete.
— Meu filho, venha comer — disse o chefe, colocando os pratos sobre a mesa e chamando Lan da varanda.
Ao ouvir, Lan entrou na sala. Ao ver a comida, a expressão afiada de seus olhos perdeu o brilho e suas pálpebras se avermelharam de emoção.
Naquele instante, sentiu-se até um pouco atordoado.
— Meu filho, não se preocupe mais com aquele velho Noque. Se não se importar, considere esta casa como sua. Afinal, o avô chefe é apenas um velho solitário — disse o ancião, passando-lhe uma tigela de arroz com um sorriso bondoso.
— A propósito, por que Wenji não veio com você? Não sei como vocês têm passado todos esses anos. Desde o dia em que o levei para a Academia de Notting, espero todos os dias que volte para me ver. Tive medo que lhe faltasse dinheiro, então mandei algum depois.
— Mas me disseram que, pouco depois de chegar, você solicitou a graduação. Não cheguei a vê-lo, mas me orgulho de você. Graduar-se tão rápido mostra o quão excelente você é.
Lan respirou fundo, olhando para o velho chefe, e jurou em silêncio que aquele ancião seria uma das pessoas mais importantes de sua vida.
Esse calor e felicidade ele nunca ousara desejar; ao acontecer de repente, o pegou desprevenido. Assassinos não são desprovidos de sentimentos.
Eles apenas os enterram no mais fundo da alma.
Na vida anterior, a palavra “calor” não existia para ele; era um mundo terrível, feito apenas de guerras e missões incessantes.
A morte era certa; mesmo que morresse em serviço, ninguém lamentaria.
— Wenji deve estar bem agora. Talvez volte em breve. Vovô chefe, vamos comer — disse Lan, apressando-se em deixar o ancião sentar-se primeiro. Pegou a tigela de arroz das mãos do velho e a colocou gentilmente sobre a mesa, depois encheu outra e ofereceu ao ancião.
O velho chefe arregalou os olhos, nervoso:
— Meu filho, você agora é um mestre de almas! Como pode servir a mim, um velho comum? Não posso aceitar isso!
— Vovô chefe, não importa quem eu seja, aqui sou apenas mais um. Obrigado por tudo que fez por mim — disse Lan, entregando o arroz. Só depois de ver o ancião aceitar, sentou-se, forçando um sorriso.
Mesmo não estando acostumado a sorrir assim, sabia que era tempo de aprender a mudar por algumas pessoas.
Depois da refeição, Lan limpou a mesa e preparou-se para visitar o Pico da Origem dos Pessegueiros, seu local de nascimento.
Mas, nesse momento, uma voz aflita soou do lado de fora:
— Chefe, temos um grande problema!
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