Capítulo 07: Forjando Armas, O Primeiro Encontro com Tang San
Durante tantos anos usando esta faca de cozinha, ele sabia bem que era afiada, capaz de cortar pequenas árvores, talvez. Mas aquelas árvores grossas como um barril, cortadas com uma simples faca de cozinha, era algo incompreensível para ele.
Além disso, pelo monte de madeira acumulado diante de seus olhos, havia ali pelo menos cinquenta troncos. O que mais o deixava incrédulo era: quem ajudou Lan a trazer toda essa madeira da montanha de trás?
Ele não ousava questionar aquela criança de seis anos; cada pedaço de madeira pesava quase cem quilos, e até mesmo um adulto teria dificuldades para transportar sozinho, pois o caminho pela montanha era íngreme e repleto de pedras soltas, um descuido e seria fácil cair.
"Você também trouxe toda essa madeira para cá?" Mesmo em dúvida, o velho chefe da aldeia não conseguiu conter sua curiosidade e perguntou.
Lan respondeu: "Sim."
Os olhos fundos do velho chefe da aldeia se contraíram bruscamente. Para ele, aquela criança era um verdadeiro prodígio, quase um ser monstruoso! Assustador além da imaginação!
"Ah, chefe, de onde comprou esta faca de cozinha? Nunca vi um ferreiro que conseguisse criar uma faca tão bem trabalhada para uso doméstico", perguntou Lan casualmente.
O velho chefe da aldeia enxugou o suor frio, ainda um pouco atordoado, olhando para Lan com espanto. Só depois de vários segundos, puxou o ar e respondeu: "Comprei essa faca na aldeia vizinha, Alma Sagrada. Lá vive um ferreiro excepcional. Qualquer ferramenta feita por ele é muito superior às feitas por ferreiros comuns, não, pelo menos cinco vezes melhor."
Ao ouvir isso, Lan franziu levemente a testa, surpreso com a existência de um ferreiro tão habilidoso naquele mundo. Sentiu vontade de conhecê-lo.
A curiosidade falou mais alto e ele perguntou: "Chefe, onde fica a aldeia Alma Sagrada? Quero procurar esse ferreiro para pedir que ele forje uma arma para mim."
O velho chefe sorriu calmamente: "Posso levar você. Nossa aldeia Pêssego e a Alma Sagrada ficam bem próximas, apenas uns dois ou três quilômetros de distância, somos vizinhos antigos."
Lan sentiu-se profundamente entusiasmado. Sua lâmina curta fora feita por ele mesmo, bastante rudimentar, servia para caçar pequenos animais, mas era insuficiente para combate real.
Após o jantar, Lan começou sua rotina de meditação e treino. Era o exercício diário obrigatório: de dia fortalecia o corpo, à noite aprimorava sua técnica. Por algum motivo desconhecido, descobrira que, ao superar um obstáculo com a Arte da Caça, tornava-se muito mais difícil avançar, algo que jamais acontecera em sua vida anterior.
A Arte da Caça era crucial para um assassino como ele. Muitas vezes, era graças a ela que conseguia localizar seus alvos.
Essa técnica elevava todos os atributos físicos, mas o efeito mais perceptível era no sentido espiritual.
Aos poucos, Lan mergulhou completamente em estado de meditação.
No dia seguinte, logo ao amanhecer, o som de vozes agitadas ecoou pela casa. Lan abriu os olhos e, pela fresta da porta, viu o velho chefe preparando o café da manhã.
Levantou-se rapidamente, saiu do quarto e ajudou o velho a cortar lenha.
Vendo aquela criança de seis anos tão diligente, o velho chefe esboçou um sorriso.
Depois do café, o chefe colocou a bagagem nas costas e partiu com Lan rumo à aldeia Alma Sagrada.
O chefe era idoso, os movimentos já não eram tão ágeis, o que atrasou um pouco a caminhada, mas em pouco mais de uma hora chegaram da aldeia Paraíso à Alma Sagrada.
Ao chegar à entrada, ouviram o som metálico vindo do interior da aldeia. Um brilho de entusiasmo cruzou os olhos de Lan, pois sabia que era o ferreiro trabalhando.
Aquele som puro de forja lhe era familiar; em outra vida, também ouvira isso.
Chegou a passar um tempo numa oficina de ferreiro, aprendendo sobre o ofício.
"Garoto, ouviu esse som?" O velho chefe sorriu.
Lan assentiu e seguiu o chefe para dentro da aldeia.
Pelo caminho, Lan percebeu que a Alma Sagrada era mais próspera que Pêssego; vastos campos de cultivo se estendiam à vista.
A prosperidade da aldeia se devia ao comércio constante com a cidade de Nottin; os cereais e vegetais daqui abasteciam a cidade.
Apesar de Nottin não ser uma grande metrópole, estava próxima das fronteiras de um dos impérios, tornando-se um ponto inicial para comerciantes dos dois grandes impérios.
Por isso, os aldeões das vilas próximas viviam melhor que os das outras regiões.
Seguindo o velho chefe, Lan avistou, numa colina de pouco mais de cem metros, uma figura esguia subindo com firmeza ao topo.
Era um garoto de sua idade, com a pele bronzeada pelo sol, cabelos curtos e negros, aparência simples, mas limpa.
Lan caminhava, sem tirar os olhos daquele menino, pois tinha certeza de que não era comum. Para uma criança normal, escalar uma colina tão alta não era fácil.
Então, ativou a Arte da Caça; sua energia mental se estendeu pela colina. Embora seus sentidos não fossem muito intensos, percebeu que o garoto mantinha o fôlego estável.
Lan franziu levemente a testa, pensando:
Escalar uma colina de cem metros, sem rubor, sem perder o ar, com naturalidade? Será que ele não é comum?
Logo, o menino na colina viu um homem e outro garoto de sua idade caminhando em direção à sua casa e correu para encontrá-los.
Seu passo era ágil; em poucos minutos, chegou diante de Lan e do velho chefe.
"Tang San, seu pai está em casa?" perguntou o chefe.
Depois, olhou para Lan e sorriu: "Garoto, este é o filho do ferreiro, chama-se Tang San."
Tang San sorriu: "Olá, meu nome é Tang San."
"Lan", respondeu Lan com indiferença.
"Tang San, seu pai está em casa? Viemos pedir que ele forje uma arma para nós", disse o velho chefe.
"Está sim. Venham comigo", respondeu Tang San, guiando-os até sua casa.
Seguindo Tang San, em poucos minutos chegaram diante de uma cabana de madeira.
Tang San abriu a porta e chamou: "Pai, tem gente te procurando!"
Ao ouvir, veio de dentro um som de tosse.
Depois de alguns instantes, a cortina se ergueu e uma figura alta e desajeitada apareceu.
Era um homem de meia-idade, aparentemente perto dos cinquenta anos, de porte imponente, mas sua aparência era lamentável.
Vestia um manto rasgado, sem remendos, revelando a pele bronzeada; os traços firmes do rosto estavam encobertos por um tom amarelado e uma expressão sonolenta; os cabelos desgrenhados pareciam um ninho de pássaros, e seu olhar não tinha vigor algum.
No instante em que saiu, um forte cheiro de álcool fez Lan franzir o nariz.
Tang San apresentou: "Este é meu pai."
Sim, era Tang Hao, o pai de Tang San!
Cambaleando, Tang Hao foi até a mesa, sentou-se pesadamente, pegou uma jarra de vinho e tomou um gole, dizendo em voz grave: "Trouxeram o dinheiro?"