Capítulo 22: O Gato das Sombras
“Mesmo formando um grupo, é necessário que seja um grupo de caçadores de almas extremamente competente, composto por pelo menos cinco funções: mestres da alimentação responsáveis pelo suprimento, mestres da restauração encarregados do estado físico, mestres ágeis para a exploração, mestres da força para proteção e mestres do ataque para eliminar os inimigos.”
“Mas, ao meu ver, todos esses grupos de caçadores estão apenas brincando.”
Ao ouvir isso, Lan franziu ainda mais as sobrancelhas, pensando consigo mesmo que não imaginava que formar um grupo tivesse tantos requisitos.
O ancião tinha razão em um ponto: ele, Lan, não passava de um mestre de almas iniciante, recém-desperto. Diante de uma fera espiritual poderosa, provavelmente seria inútil, então por que alguém se incomodaria em levá-lo junto?
Contratar alguém para lutar por ele estava fora de questão. Já ouvira os preços cobrados pelos grupos ali presentes; o mais barato exigia cinco moedas de ouro espiritual, e ele não tinha nem perto disso.
Lembrava-se do que Nock lhe dissera: uma moeda de ouro espiritual tinha um valor altíssimo, suficiente para sustentar uma família comum por um mês inteiro.
Lan ergueu o olhar, fitando o Douluo da Espada. “Por que o senhor quer me ajudar?”
Dugu Jian ficou surpreso. No instante em que Lan levantou o rosto, mesmo ele sentiu um frio intenso emanando do garoto.
Aquele menino, fosse pela expressão ou pelo olhar gélido, causava um arrepio em qualquer um.
“Porque o destino assim quis”, respondeu Douluo da Espada com tranquilidade. “Coincidentemente, preciso ajudar nossa pequena princesa a obter um anel espiritual, então você junto não fará diferença.”
“Não aceito favores sem motivo. Não tenho nada a lhe oferecer.” O tom de Lan não admitia réplica.
Nesse momento, o semblante do Douluo da Espada tornou-se ainda mais sério. De fato, esse garoto era diferente. Sentiu vontade de apreciar aquela personalidade.
Mas Douluo da Espada era astuto. Pegou de seu peito um pingente de jade e estendeu para Lan. “Não precisa me dar nada. Vou ajudar você a conseguir seu anel espiritual, só quero que faça uma coisa por mim: entregue este pingente ao líder da Seita das Sete Joias Gloriosas.”
Diante de alguém assim, o Douluo da Espada teve de recorrer a uma estratégia simples: queria trazer Lan para dentro da seita.
Lan pegou o pingente e o guardou no bolso. “E se eu não cumprir minha palavra?”
Douluo da Espada sorriu serenamente. “Nunca me enganei sobre ninguém, nem mesmo sobre você.”
Diante de tal poder, Lan não tinha mais nada a dizer. Percebeu que sob o olhar penetrante do velho, não havia como esconder nada.
“Como devo chamá-lo?” perguntou Lan num tom calmo.
“Pode me chamar como a Rongrong”, respondeu Douluo da Espada com um sorriso.
“Eu me chamo Ning Rongrong.” Antes que o Douluo da Espada pudesse perguntar o nome de Lan, a menina que estava sentada ao lado se aproximou, piscando curiosa para ele.
Lan se surpreendeu, mas respondeu baixinho: “Lan.”
Depois de comerem uma tigela de macarrão, o velho guiou a menina e Lan para o interior do mercado.
O plano inicial do Douluo da Espada era entrar na Floresta de Caça Espiritual com Ning Rongrong só no dia seguinte, mas Lan insistiu que fosse naquela noite.
Sem alternativa, Douluo da Espada cedeu.
Apesar da confusão do mercado, ao deixarem o local e alcançarem a entrada da floresta, Lan não pôde deixar de se sentir impressionado.
Ao redor da Floresta de Caça Espiritual, havia uma cerca de aço enorme, repleta de pontas afiadas voltadas para a floresta. A altura passava dos dez metros, transmitindo uma sensação de solidez.
Do lado de fora, uma companhia de cem soldados patrulhava.
Todos usavam armaduras de aço e empunhavam lanças longas. O aspecto militar rigoroso dos cem guerreiros impunha respeito.
“Como vamos entrar?” perguntou Lan.
Douluo da Espada sorriu levemente e tirou de sua mão uma placa escura, gravada com uma espada voltada para baixo.
Aquele passe fora alugado de um homem no mercado; negócios assim eram comuns nos arredores da floresta.
Porém, não era algo que qualquer um pudesse alugar. Só aquela placa custara trinta moedas de ouro espiritual.
Lan era esperto: entendeu que aquela placa funcionava como um salvo-conduto, identificando o portador.
Ao ver o olhar confuso de Lan e Ning Rongrong, o Douluo da Espada explicou: “Lembrem-se, a Floresta de Caça Espiritual não é aberta a todos. Só mestres de almas autorizados pelo Santuário Marcial podem entrar para caçar feras espirituais.”
“Claro, há quem tente entrar ilegalmente, mas acabam em situações trágicas. Dentro da floresta, há uma equipe de execução cuja única missão é fazer cumprir a lei.”
Lan perguntou: “Vovô Espada, o senhor faz parte do Santuário Marcial?”
O rosto do Douluo da Espada mudou um pouco, e respondeu em voz baixa: “Não, esta placa é alugada.”
Com o passe em mãos, Douluo da Espada conduziu as crianças até a entrada da floresta.
O capitão responsável pela inspeção da placa observou o passe e assentiu, ordenando que os soldados abrissem caminho. Levou os três até o grande portão de ferro.
Ergueu a lança e a inseriu em um orifício no portão.
Com um estrondo abafado, as portas se abriram lentamente.
O capitão, sem dúvida, também era um mestre de almas e percebeu a força de Douluo da Espada, por isso não questionou por que ele trazia duas crianças.
Ao atravessar a cerca de aço e adentrar a floresta, o burburinho ficou para trás.
Era como se tivessem entrado em um mundo à parte.
Era a primeira vez de Lan na lendária floresta das feras espirituais, e a excitação era evidente.
Mais do que nervoso, sentia-se ansioso para descobrir a real diferença entre as feras espirituais e os predadores comuns.
Apesar de ser noite, a lua brilhava intensamente e seus raios filtravam-se entre as folhas, iluminando parcialmente o caminho.
Lan e Ning Rongrong seguiam Douluo da Espada. Como um verdadeiro assassino, assim que entrou naquele ambiente silencioso, Lan demonstrou suas habilidades: seus olhos brilhavam com atenção e cautela.
Não era um dom, mas resultado de anos de treino em ambientes assim.
Após poucos minutos, Douluo da Espada parou e disse: “Vejam aquela árvore.”
Lan olhou na direção indicada e viu dois gatos de pelo castanho se enroscando nos galhos.
Douluo da Espada sorriu: “Aqueles são dois gatos Rastros de Dez Anos, uma espécie de fera espiritual ágil, especializada em velocidade. São a melhor escolha para mestres do ataque ágil. Mas esses são apenas de dez anos; se fossem de cem, já teriam sido caçados.”
“Pelo que sei, essa espécie está quase extinta. Nunca esperei encontrar dois aqui, e ainda por cima um macho e uma fêmea.”
Enquanto caminhava, Douluo da Espada ia ensinando os dois na prática.
Para Lan e Ning Rongrong, esse método de aprendizado era realmente marcante.
Miaaau!
De repente, um miado estridente ressoou.
Logo em seguida, no fundo da floresta sombria, dois brilhos rubros acenderam subitamente.