Capítulo 21: O Mestre das Espadas Fica Surpreso
— E ainda tem coragem de falar? É andando desse jeito que acaba sendo perseguido e apanhando, eu te aconselho a tomar juízo — resmungou o mestre Lu Ban, impaciente.
Claro, apesar das brincadeiras, não se brinca com a vida. Quanto a isso, Lan tinha plena consciência: pessoas assim geralmente não são muito poderosas.
Portanto, ele precisava observar com atenção e procurar por uma equipe realmente forte.
Mas é preciso saber que, dentro dos limites da Floresta da Caça às Almas, os poderes dos mestres das almas variavam imensamente; encontrar um grupo adequado não era tarefa fácil para Lan.
Se ele fosse um jovem nobre, poderia descartar essa dificuldade. Infelizmente, não era.
Desde o dia anterior, só tinha comido um pouco de pão seco pelo caminho, e agora seu estômago já começava a reclamar. Olhando ao redor, a maioria das lojas negociava diversos tipos de armas; restaurantes eram raros.
Após procurar por algum tempo, Lan finalmente avistou uma casa de massas.
Para aquele ambiente, comer macarrão era a opção mais econômica. Com seus recursos, estava fora de cogitação se deliciar com carnes ou pratos sofisticados.
Caminhou em direção à casa de massas, observando atento o entorno. Para ele, tudo aquilo era estranho e, por isso, despertava sua curiosidade.
Ao entrar, pediu uma tigela de macarrão.
Havia poucos clientes ali, pouco mais de dez pessoas.
Perto da janela, estavam sentados um idoso e uma criança.
O ancião usava um manto branco como a neve, longos cabelos prateados presos de forma impecável nas costas, o rosto austero, os olhos semicerrados e um ar de serenidade em cada gesto, transmitindo uma sensação especial.
Como assassino, Lan sempre teve sentidos aguçados. Logo percebeu que a aura daquele ancião era extremamente afiada.
— Vovô Espada, quando vamos entrar na Floresta da Caça às Almas? Já não aguento de vontade de conseguir logo meu anel de alma! — disse, manhosa, a menina ao lado do ancião de cabelos prateados.
A garotinha era vivaz e encantadora, vestia um simples vestido azul, cabelos curtos rente às orelhas, altura chegando apenas ao peito de Lan.
Pelas roupas dos dois, Lan já sabia: eram nobres.
— Já está escurecendo, minha pequena. Amanhã o vovô te leva para conseguir seu anel de alma, está bem? — sorriu o ancião.
A garota pareceu contrariada, mas assentiu, resignada.
— Garoto, está tão interessante assim? — de repente, uma voz grave soou, fazendo Lan se sobressaltar; percebeu que fora notado.
A presença do ancião era esmagadora. Num instante, uma energia poderosa o atingiu como uma onda gigantesca.
Lan tombou sobre a mesa; mesmo com um corpo acima do normal, sob aquela pressão não conseguia se mover, nem respirar direito.
A ameaça de morte pulsava em seu peito. A adaga prateada escorregou para sua palma, pronta para ser lançada como arma oculta caso o ancião continuasse.
Mas então, o velho recolheu sua energia. Lan exalou aliviado. Tinha certeza: o poder daquele homem superava em muito o de Nock.
— Qual seu nome? O que faz aqui? — perguntou o ancião, voz indiferente.
Mesmo diante de força tão avassaladora, Lan não demonstrou temor algum. Firmou as mãos na mesa e se ergueu, lançando um olhar frio ao velho.
— Vim aqui, claro, para conseguir um anel de alma.
O ancião franziu o cenho, pensando: “Que garoto imperturbável.”
Afinal, ele era um Douluo Titulado; a maioria das pessoas desabaria sob sua pressão.
De repente, seu semblante mudou.
— O que disse? — perguntou, achando ter ouvido mal.
A voz não fora alta, mas chamou a atenção dos clientes, que olharam surpresos para o ancião.
Bastou um olhar gélido do velho para que todos voltassem apressados a comer, sentindo o peso de sua autoridade.
Ali, quase todos eram mestres das almas. Pelo olhar cortante do Douluo da Espada, sabiam que ele era alguém de poder imensurável, inalcançável para eles.
— Não vou repetir esse tipo de besteira — respondeu Lan, impassível.
O Douluo da Espada olhou incrédulo para a criança à sua frente. Percebeu que, ao contrário de outros, aquele garoto era singular: nunca vira uma criança de seis anos com um olhar tão glacial.
Aproximou-se da mesa de Lan e sentou-se, perguntando em tom baixo:
— Você está sozinho, garoto?
Lan assentiu, admitindo.
— Quantos anos tem? — indagou curioso, achando que o menino teria uns oito.
Oito anos já seria impressionante; em todo o continente Douluo, seria considerado um gênio.
— Seis — respondeu Lan, gélido.
Revelou até seu nível de poder, pois sabia que o ancião não deixaria de perguntar.
Além disso, com tamanho poder, o velho descobriria seu nível facilmente.
O Douluo da Espada franziu o cenho, mas sorriu:
— Seis anos? Você deve ter acabado de despertar seu espírito marcial. É preciso atingir o décimo nível para conseguir o primeiro anel de alma. Você veio cedo demais.
— Tenho poder espiritual máximo de nascimento.
Um brilho cruzou o olhar de Lan.
— O quê?! — O Douluo da Espada levantou-se abruptamente, pasmo, mente em turbilhão.
Poder espiritual máximo de nascimento — o que isso significava?
No continente Douluo havia muitos gênios, mas esse dom era raríssimo, talvez um a cada século.
Mesmo a garotinha que acompanhava, considerada o maior prodígio da história do Clã das Sete Joias, tinha poder espiritual de nove ao nascer.
Mas aquele menino tinha o máximo! Como não se empolgar?
Contudo, o Douluo da Espada era experiente. Logo se recompôs. Ali era um lugar movimentado e perigoso.
Um gênio como Lan, se descoberto por alguma força, seria alvo de disputas e tentativas de aliciamento.
No momento, todas as grandes seitas do continente Douluo acumulavam poder. Um talento assim, em qualquer lado que entrasse, traria glória e esperança para sua seita.
O Douluo da Espada analisou o garoto atentamente.
— Garoto, caçar uma fera espiritual sozinho não é fácil. Que tal eu te ajudar? — sugeriu, num tom casual, mas Lan não era ingênuo e entendeu suas intenções.
Sem dúvida, o ancião queria conquistá-lo.
Vendo Lan calado, o Douluo sorriu levemente:
— Quando senti sua presença e te pressionei, percebi que seu talento e constituição são extraordinários.
— Para buscar o limite, deveria caçar uma fera de oitocentos ou novecentos anos, no mínimo. Mas algumas têm força imensa mesmo com poucos anos.
— Você pode tentar formar grupo, mas já pensou? Sem um anel de alma, por que alguém aceitaria você? A não ser que fosse rico e pudesse contratar mercenários.
Nesse ponto, o Douluo sorriu, olhando com desdém para os mestres das almas que recrutavam gente do lado de fora da casa de massas.