Capítulo 19: A Chegada de Xiao Wu
Qualquer pessoa perspicaz poderia perceber pelo olhar de Lan que ele apenas se submetia verbalmente. Para Lan, tudo aquilo era irrelevante, pois não tinha nada a ver com ele; se Tang quiser desafiá-lo novamente no futuro, ele estará sempre disposto a aceitar.
— Lan, seu poder é impressionante, ainda mais considerando que você não possui um anel de alma. Provavelmente, em toda a Academia de Notting, nenhum aluno é páreo para você — disse Wang Sheng, agora plenamente convencido de que Lan realmente não havia usado toda sua força contra ele anteriormente.
Se Lan tivesse liberado todo o seu poder, Wang Sheng provavelmente estaria deitado no chão.
— Anel de alma? Onde se consegue isso? — perguntou Lan, curioso, lembrando-se de que havia esquecido de levantar essa questão quando estivera na cabana do mestre.
Wang Sheng ponderou:
— Não sei ao certo, já que nosso nível ainda não permite obter um anel de alma. Os professores nunca nos ensinaram sobre isso; disseram que só explicariam quando tivéssemos força suficiente para conquistá-lo.
— Se quiser saber, pode perguntar aos professores, mas acho que nenhum deles vai te contar. Faz parte das regras das aulas; talvez tenham receio de que, se explicarem, alguns alunos curiosos possam se aventurar nos territórios das feras espirituais.
— E agora, o que faço? — Lan franziu o cenho.
— Talvez você possa perguntar no Salão dos Espíritos. O mestre Su Yuntao é uma pessoa boa, foi ele quem me ajudou a despertar meu espírito — sugeriu Wang Sheng.
Lan teve um súbito entendimento.
Sim, ele poderia procurar o mestre Su Yuntao para saber mais sobre esse assunto e, quem sabe, perguntar também sobre o menino.
Decidido, Lan dirigiu-se para a porta, pronto para ir atrás de Su Yuntao.
Nesse momento, uma menina encantadora esbarrou em seu peito. Lan olhou para baixo, surpreso.
Era uma garota. Sua altura era semelhante à de Tang, o rosto delicado exibia um rubor saudável, parecendo um pêssego maduro. Apesar das roupas simples, ela estava impecavelmente arrumada.
Os cabelos negros, trançados em uma trança de escorpião, caíam até a cintura. Os grandes olhos brilhavam de curiosidade. Nas mãos, ela segurava um uniforme escolar novo.
Não apenas Lan, mas todos os alunos do dormitório sete ficaram boquiabertos, pois ali só havia meninos; a presença de uma menina tão vivaz e adorável era surpreendente.
Lan voltou-se para Wang Sheng e os outros estudantes, questionando:
— O dormitório sete é misto?
Wang Sheng assentiu, um pouco constrangido:
— Somos todos crianças e, por isso, os dormitórios não são separados por gênero. Só na academia de mestres intermediários é que fazem essa divisão. Este ano há muitos estudantes-trabalhadores.
— Chefe, parece que você terá que lutar com ela antes de sair — brincou um deles.
Lan suspirou profundamente, começando a se sentir irritado; era recém-chegado e já enfrentava uma sequência de desafios sem sequer ter tempo de se acomodar.
Diante daquela menina, ele não tinha ânimo para lutar.
Ela ergueu o rosto para Lan, piscou os olhos enormes e recuou um passo, sorrindo com doçura:
— Olá, meu nome é Xiaowu, como em dança.
Tang, acabando de se levantar do chão, já havia sacudido a poeira das roupas, mas o rosto ainda tinha vestígios do embate. Aproximou-se de Lan:
— Lan, já que todo estudante-trabalhador precisa ser recebido pelo chefe do dormitório sete, você não vai ignorar essa tradição, vai?
Wang Sheng também se aproximou, sorrindo de canto, dando a entender que as regras do dormitório não podiam ser quebradas.
Porém, para surpresa de todos, Lan simplesmente passou ao lado de Xiaowu e saiu, incapaz de se enfrentar com uma menina tão jovem.
Além disso, que perigo poderia representar uma garota assim?
— Lan foi embora, e agora? Não podemos desrespeitar nossas regras — comentou um estudante.
Wang Sheng olhou para Tang, sorrindo enigmaticamente:
— Tang, com Lan ausente, você é o mais forte entre nós. Parece que a tarefa é sua.
Tang, com dor no peito, esboçou um sorriso amargo:
— Estou exausto. Melhor esperar Lan voltar.
Sem alternativa, Xiaowu foi a única no dormitório sete que não passou pelo ritual de boas-vindas.
Mas a curiosidade de Xiaowu era grande. Após insistentes perguntas, descobriu que todo estudante-trabalhador recém-chegado devia desafiar o chefe do dormitório.
Além de curiosa, Xiaowu era competitiva.
Na varanda, observando Lan desaparecer pelo portão da escola, sorriu suavemente e pensou: "Então ele é o chefe do dormitório sete. Vou esperar por ele."
Após sair da Academia de Notting e pedir informações aos passantes, Lan encontrou o Salão dos Espíritos da cidade.
Era uma edificação imponente, com uma cúpula gigante, mais de cem metros de largura, vinte metros de altura e três andares.
Toda a estrutura era castanha, e na porta havia o emblema do Salão dos Espíritos: apenas uma espada longa. Lan não sabia o que aquele símbolo representava, mas achava a fachada magnífica.
Ao chegar à entrada, percebeu a diferença de nível entre aquele salão e o da vila de Tao Li. Lá nem havia guardas, e a construção era ínfima comparada à grandiosidade que estava diante dele. Imaginou como seriam os salões ainda mais sofisticados.
A força do Salão dos Espíritos era realmente impressionante; sua presença se estendia de vilas a cidades.
— Olá, jovem. Veio despertar seu espírito? — perguntou um guarda, sorridente.
Lan não se explicou mais do que o necessário; percebeu que seria preciso um motivo convincente para entrar.
Assentiu:
— Sim, o mestre Su Yuntao pediu que eu viesse para despertar meu espírito.
O guarda ficou surpreso: aquele menino conhecia Su Yuntao, então devia ser um encontro previamente marcado.
Ser convidado diretamente por Su Yuntao era sinal de potencial para ser um mestre de espíritos.
O guarda, invejoso, assentiu:
— Entre, o mestre Su Yuntao está no primeiro andar. Você o encontrará facilmente.
Lan entrou apressado, dirigindo-se ao edifício principal.
Logo percebeu que havia várias pequenas rotas internas, o que o deixou indeciso por um instante.
Após pensar, notou uma trilha bastante desgastada, provavelmente a mais usada, e recordou que o guarda mencionara que crianças frequentemente vinham para o despertar. Portanto, o caminho mais percorrido deveria levar ao salão de recepção.
Sem hesitar, seguiu pela trilha mais marcada.
Após sete ou oito minutos de caminhada, chegou ao salão de recepção do Salão dos Espíritos.
À distância, viu uma figura familiar: era o mestre Su Yuntao, quem lhe ajudara a despertar seu espírito.
Lan apressou o passo, entrando no salão. Su Yuntao estava sentado em uma cadeira ornamentada de sândalo, abraçando uma mulher; ali, só havia mestres de espíritos.
A mulher no colo de Su Yuntao era voluptuosa, de aparência acima da média.
Via-se a mão de Su Yuntao percorrendo o corpo da mulher sem cerimônia, enquanto ela soltava gemidos abafados.
Lan sentiu-se constrangido em interromper, mas precisava urgentemente de um anel de alma para aprimorar seu poder, então reuniu coragem e se aproximou.
— Mestre Su Yuntao.