Capítulo 03: Poder Divino das Artes Obscuras, Noite Eterna dos Tempos

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2674 palavras 2026-02-08 15:44:39

— Do que estão com medo? — murmurou Su Yun Tao, com voz baixa e firme. — Já disse, sou profissional. O que veem é o meu espírito marcial. Se algum de vocês se tornar um mestre de espíritos, também possuirá habilidades como as minhas.

— Venha até aqui!

Erguendo o indicador, Su Yun Tao apontou para a criança que estava mais à frente, sinalizando para que se aproximasse.

O menino caminhou até Su Yun Tao, tremendo dos pés à cabeça. Sem hesitar, Su Yun Tao lançou seis rajadas de luz esverdeada que penetraram na pedra negra diante deles. Imediatamente, um feixe dourado irrompeu do chão, envolvendo o garoto em sua luz.

— Estenda a mão direita.

A voz de Su Yun Tao não deixava espaço para dúvidas.

O menino não ousou hesitar. Levantou rapidamente a mão direita e, no instante em que o fez, incontáveis pontos dourados de luz se aglomeraram em sua palma, formando a figura de uma foice.

— Uma foice? — Su Yun Tao franzia levemente o cenho. — Suponho que possa servir como arma.

Após ajudar o garoto a despertar seu espírito marcial, Su Yun Tao colocou uma esfera de cristal diante dele para medir sua energia espiritual.

Infelizmente, o resultado foi decepcionante: o menino não possuía nem uma gota de energia espiritual.

Su Yun Tao, contudo, já estava acostumado a esse tipo de situação e não demonstrou surpresa.

Logo, a segunda criança aproximou-se. Com a concentração dos pontos de luz, uma grama azul prateada emergiu em sua palma.

— Grama azul prateada? — Su Yun Tao acenou com a mão. — Não precisa testar a energia espiritual, este é um típico espírito inútil. Mesmo que tivesse energia, não serviria de nada.

Assim, um a um, os espíritos das quatro primeiras crianças foram despertados: uma foice, grama azul prateada, enxada e faca de cozinha.

Dentre eles, a foice e a faca eram espíritos de objetos, e Su Yun Tao ainda tinha uma ponta de esperança, mas ambos os garotos não apresentaram energia espiritual.

Finalmente, chegou a vez de Cai Wen Ji e Lan.

O coração de Cai Wen Ji pulsava entre excitação e nervosismo. Antes de ir até Su Yun Tao, olhou para Lan em busca de coragem.

Lan acenou levemente, indicando que ela não precisava ter medo.

Cai Wen Ji assentiu e, timidamente, aproximou-se de Su Yun Tao. Assim que entrou no círculo, Su Yun Tao, como antes, lançou seis feixes de luz verde nas pedras ao redor. Em um instante, um raio dourado ergueu-se do chão e envolveu Cai Wen Ji.

— Levante a mão direita!

A voz de Su Yun Tao soou autoritária.

Ao ouvir, Cai Wen Ji levantou lentamente a mão direita e abriu a palma. Incontáveis pontos dourados de luz se reuniram ali, formando uma cítara.

Os olhos de Cai Wen Ji brilharam de incredulidade. A cítara em sua palma era idêntica ao instrumento que ela costumava tocar. Seria esse o seu espírito marcial?

Por sorte, Su Yun Tao já havia lido sobre espíritos como aquele na Enciclopédia dos Espíritos Marciais. Caso contrário, teria descartado como inútil.

Em seguida, ele colocou a esfera de cristal diante de Cai Wen Ji, sinalizando para que testasse sua energia.

Cautelosamente, Cai Wen Ji pousou as mãos sobre a esfera. No exato instante em que o fez, o cristal começou a mudar. Correntes de luz percorreram seu interior e, de repente, uma intensa luz branca brilhou, transformando a esfera numa lâmpada incandescente ofuscante.

— Isso... como é possível? Energia espiritual inata no máximo!

Pelo brilho do cristal, Su Yun Tao podia afirmar com certeza: era energia espiritual inata plena. Chocado, olhou de volta para a esfera e depois para Cai Wen Ji, como se não pudesse acreditar.

Entre o espanto e a alegria, Su Yun Tao inspirou fundo, dominado pela excitação. Durante tantos anos como Despertador de Espíritos, finalmente encontrara um verdadeiro prodígio.

Já se via diante de uma pilha de ouro reluzente como recompensa.

Após recompor-se, Su Yun Tao sorriu:

— Criança, fique ali ao lado. Assim que eu terminar de despertar o último, tenho algo a lhe dizer.

Cai Wen Ji assentiu e saiu do círculo de pedras. Ao passar por Lan, puxou-lhe a mão:

— Irmão, sou mesmo energia espiritual inata plena!

— Maravilhoso — Lan forçou um sorriso e respondeu suavemente antes de avançar.

Após tantos anos como assassino, Lan quase esquecera como sorrir.

Adentrou o círculo e ergueu a mão direita. Quando Su Yun Tao lançou as seis luzes verdes, um feixe dourado explodiu sob seus pés.

No instante em que a luz o envolveu, os olhos de Lan se estreitaram e seu semblante tornou-se sombrio.

Aquela luz dourada transmitia um calor desconhecido. Desde pequeno, Lan era órfão, um jovem solitário, um estranho aos olhos dos outros. Fora exilado e abandonado por seu clã, rejeitado e isolado pelos colegas. Não tinha lar, nem família, nem calor humano.

Nem sequer se reconhecia como pessoa.

Desde o momento em que se tornara assassino, sua vida se resumia a sobreviver e cumprir missões.

Aquela luz, agora, parecia o afago suave de uma mãe na face de seu filho — era calorosa.

O corpo de Lan estremeceu, e um brilho distante surgiu em seus olhos profundos. Pela primeira vez, entregou-se à sensação.

Enquanto a luz dourada se dissipava, transformando-se em incontáveis pontos que se reuniram na mão direita de Lan, uma névoa negra começou a tomar forma em sua palma.

Ao mesmo tempo, Lan sentiu uma energia abrasadora prestes a explodir na mão esquerda. Olhando de relance, viu uma adaga reluzente, fria como gelo.

Observando o espírito marcial de Lan, Su Yun Tao mergulhou em reflexão. Anos de experiência como Despertador de Espíritos e jamais vira algo semelhante. Aquela manifestação não era um espírito de objeto, tampouco de animal.

Com feição sombria, Su Yun Tao concluiu: se não reconheço esse espírito, então só pode ser inútil.

Segundo meus anos de pesquisa, espíritos desconhecidos são, sem erro, considerados inúteis.

Assim, Su Yun Tao determinou sem hesitar: o espírito na mão direita de Lan era completamente inútil.

— Sinto muito, criança. Seu espírito marcial é um espírito inútil — suspirou Su Yun Tao, lamentando a situação.

Lan permaneceu impassível e ergueu as mãos:

— Por favor, teste minha energia espiritual.

Inicialmente, Su Yun Tao não pretendia testar Lan, mas algo naquele menino o intrigava.

Que mal haveria em testar? Não tomaria muito tempo.

Colocou a esfera de cristal diante de Lan.

Assim que Lan tocou a esfera, ela começou a mudar rapidamente. Seus olhos se fixaram; ao contato, sentiu sua força interior sendo sugada para dentro do cristal. Simultaneamente, a névoa negra de sua mão direita era atraída para o interior da esfera.

Ele sentiu o corpo perder o controle, completamente dominado pela força de sucção.

No interior azul do cristal, feixes negros de luz entrelaçavam-se.

Su Yun Tao jamais presenciara algo semelhante e ficou profundamente atônito, sem compreender o que via.

Segundos depois, os feixes negros colidiram violentamente. Uma súbita luz branca explodiu do centro da esfera, iluminando tudo ainda mais do que no teste de Cai Wen Ji.

Naquele instante, Lan sentiu toda a força que fora sugada retornar ao seu corpo. Uma sensação de alívio tomou conta dele.

— Parabéns, anfitrião, você despertou com sucesso seu espírito marcial!

— Agora, por favor, visualize seu painel de atributos.

Ao soar a voz eletrônica em sua mente, Lan viu diante de si uma tela translúcida, exibindo as suas informações: