Capítulo 18: O Segundo Duelo contra Tang San
Desde o dia em que sofreu uma derrota humilhante diante de Lan, Tang San nunca conseguiu esquecer aquilo. Ele treinava dia e noite, com o único objetivo de, um dia, desafiar o irmão Lan para um duelo justo, não mais uma mera disputa de métodos de treinamento, mas sim um verdadeiro combate corpo a corpo.
O rosto de Wang Sheng escureceu de repente, seus punhos se cerraram com força, e um estalo seco ecoou por entre a multidão. Sua fúria atingira o auge, mas ele sabia que não era o momento de bancar o herói — com sua força, não seria capaz de suportar nem um golpe de Lan.
Como poderia se comparar a Tang San?
Além disso, ao ver a expressão de Lan, Wang Sheng percebeu que Tang San realmente tinha algum mérito.
Logo, porém, ele se acalmou e um leve sorriso despontou em seus lábios. Queria ver até onde ia a força de Tang San.
— Tang San, pelo visto, em meio mês você desenvolveu muito seu ímpeto — disse Lan com frieza.
Tang San sorriu tranquilamente:
— Graças ao fato de, naquele dia, o irmão Lan ter sido impiedoso, aprendi o que é crueldade. Entendi que relaxar comigo mesmo é ser misericordioso com o inimigo. Espero que o irmão Lan possa me dar mais algumas lições; quem sabe, talvez hoje eu consiga vencê-lo.
Após falar, Tang San colocou sua trouxa sobre uma cama vazia. De repente, sumiu.
Os outros alunos viram claramente que, no instante em que largou a trouxa, Tang San disparou em direção às costas de Lan com tal velocidade que só se via um vulto indistinto. Comparando com a velocidade de Lan anteriormente, estavam praticamente equiparados.
Ao chegar atrás de Lan, Tang San ergueu o punho e desferiu um soco direto. Aquela técnica ele aprendera com Lan: o elemento surpresa costumava trazer efeitos inesperados.
Ao sentir o vento cortante vindo em sua direção, um lampejo brilhou no olhar de Lan. Ele deu um passo para a direita com o pé direito, sem sequer girar o corpo, e o soco de Tang San atingiu apenas o vão sob seu braço esquerdo.
Ou seja, o golpe de Tang San acertou o vazio, sem causar qualquer dano a Lan.
De súbito, Tang San sentiu o braço direito preso, como se uma tenaz de aço o segurasse, impossibilitando qualquer movimento.
Em seguida, Lan agiu: seu braço esquerdo pareceu levantar-se para soltar Tang San, mas só ele sabia o que estava por vir. Tang San tentou usar sua técnica de passos fantasmagóricos para se afastar rapidamente, mas foi tarde demais.
No instante em que Lan soltou o braço, girou com violência, ergueu a perna direita e desferiu um chute lateral, acompanhado de um som cortante no ar; no mesmo momento, um baque surdo ressoou e Tang San foi lançado longe.
O chute de Lan foi tão rápido quanto um raio; na velocidade máxima, a força era naturalmente imensa, potencializada pela inércia do movimento.
Mesmo com o reforço de seu poder inato, Tang San não conseguiu resistir ao impacto do chute.
Foi arremessado por cerca de dez metros, girando no ar duas voltas completas antes de cair ao solo.
Após receber um golpe tão violento, Tang San ficou com o rosto pálido, quase cadavérico, tomado mais pela raiva do que pelo sofrimento. Desde o momento em que desferiu o soco, já pressentira algo de errado.
Agora entendia.
O erro estava no fato de que Lan previra, desde o início, que ele atacaria por trás.
Tang San se levantou do chão. Por que treinara tanto, senão para recuperar seu orgulho? Iria desistir tão facilmente?
Isso não combinava com seu estilo.
Assim, ativou novamente seus passos fantasmagóricos e lançou-se contra Lan.
Quando estava quase alcançando Lan, desferiu um soco, prontamente correspondido por Lan, que ergueu o punho direito para atacar.
Afinal, depois de tanto tempo sem se verem, queria mostrar a Lan o quanto progredira, quem sabe até animá-lo um pouco.
No entanto, num piscar de olhos, Tang San recolheu o punho e jogou o corpo para o chão, deslizando entre as pernas de Lan. Ao passar sob ele, apoiou a mão direita no chão e saltou, flexionando as pernas e concentrando toda sua força num chute violento.
Se Lan não reagisse a tempo, o desfecho seria inevitável; por mais forte que fosse, provavelmente seria lançado para a frente.
Todas as crianças ficaram boquiabertas.
O ataque de Tang San foi impressionante: do avanço, ao deslize, ao impulso e ao chute, todos os movimentos fluíram com perfeição.
Para quem via, seria impossível Lan reagir a tempo.
Tang San estava rápido demais.
Ao observar os dois ataques de Tang San, Wang Sheng prendeu a respiração, agradecendo mentalmente a Lan por tê-lo impedido — caso contrário, já estaria estirado no chão.
Mais uma derrota retumbante.
No entanto, ninguém esperava que Tang San errasse o chute!
Sim, seu pé acertou as costas de Lan, mas este não se moveu.
O olhar de Tang San, brilhando com sua técnica de visão aguçada, estremeceu.
Como seria possível?
Como Lan podia ser tão rápido?
Só então Tang San percebeu a gravidade da situação: ele chutara uma imagem residual.
Sim, aquilo era apenas uma sombra deixada por Lan.
Se era apenas uma sombra, para onde Lan teria ido?
De repente,
Uma figura surgiu acima de Tang San.
As crianças ficaram petrificadas de medo.
Quando Lan voara para cima de Tang San?
Que velocidade incrível!
Tão rápida que era impossível enxergar a olho nu.
Aquilo não era humano — parecia coisa de fantasma!
Num instante, Lan tocou levemente com a ponta do pé na cintura de Tang San, fazendo-o desabar no chão.
Com um baque, Tang San afundou no piso, levantando uma nuvem de poeira.
Ao mesmo tempo, foi anunciado o fim do duelo.
Tang San ficou estatelado no chão, coberto de poeira, um leve fio de sangue escorrendo pelo canto da boca. Felizmente, ao notar o perigo, ativou rapidamente sua técnica de proteção interna; caso contrário, ficaria dias, talvez semanas, sem conseguir se levantar.
Lan olhou Tang San caído, sem demonstrar qualquer emoção — na verdade, sentia-se até decepcionado.
Esperava que Tang San fosse um bom teste para seus avanços durante aquelas duas semanas, mas ele não suportara nada.
Na verdade, no instante em que Tang San deslizou, Lan já se movera, tão rápido que ninguém percebeu como desviara do chute, surgindo logo acima do adversário.
— É melhor você treinar mais — disse Lan friamente, como se nada tivesse acontecido.
Tang San, ainda caído, ergueu a cabeça, o rosto pálido e uma expressão distorcida de raiva voltada para Lan.
Por mais que tivesse se esforçado, diante de um monstro como Lan, não tinha a menor chance.
Com os lábios trêmulos, murmurou:
— É essa a diferença entre forças absolutas?
Perder assim era algo que Tang San não podia aceitar.
Mas o que mais podia fazer?
Cerrando os punhos com força, disse entre dentes:
— Eu perdi, e reconheço minha derrota sem reservas.