Capítulo 6: A Faca de Cozinha Afiada
Aquela cascata tinha cerca de trinta a quarenta metros de altura. O caudal impetuoso descia em queda oblíqua, despencando sobre as rochas lisas, arrancando estrondos que ecoavam como trovões abafados explodindo, enquanto miríades de gotas se dispersavam pelo ar.
O olhar de Lan concentrou-se, e seu semblante mudou. Ele despiu-se, flexionou abruptamente as pernas e, como um saltador profissional, lançou-se sob a queda d’água. Apesar do corpo esguio, quando ele se postou sob a torrente, o contorno dos músculos tornou-se evidente.
Ergueu a cabeça, permitindo que a força esmagadora da água desabasse sobre si. Pouco a pouco, a excitação tomou conta do seu rosto.
Um sorriso há muito esquecido despontou, finalmente. Sim, parecia ser a primeira vez que sorria sem qualquer peso nos ombros.
Toda pressão se dissipou sob a cascata.
O sorriso desvaneceu. Lan flexionou as pernas e impulsionou-se repetidamente, saltando cada vez mais alto.
Num estalo, projetou-se três metros acima do solo, erguendo consigo uma torrente. Saltar três metros sob o peso implacável daquela cascata era prova da força descomunal que possuía.
Para uma pessoa comum, simplesmente manter-se de pé ali já seria feito digno de assombro, quanto mais saltar.
No entanto, Lan não só se mantinha firme, como saltava inúmeras vezes em sucessão.
Para um assassino, a leveza nos movimentos era uma habilidade imprescindível. Apenas ao desafiar os próprios limites sob pressão se poderia alcançar tal destreza.
Assim, saltava e caía, repetindo o exercício cinquenta vezes até parar.
Deitado sobre uma rocha sob a cascata, após um breve descanso, pôs-se de pé com um impulso súbito.
Sacou a adaga curta e começou a brandi-la sob o véu d’água. Raios gélidos lampejavam a cada golpe, cortando a cortina líquida com velocidade fulminante; mal uma lâmina de frio luzia, outra já surgia.
Parecia que uma corrente de água sempre se partia, incompleta, na imensa cascata.
Continuou a brandir a lâmina, acelerando ainda mais o movimento dos braços.
Notou que, após o despertar do espírito marcial, não apenas sua força havia aumentado, mas também a flexibilidade do corpo — e, naturalmente, a velocidade.
Todos esses avanços fizeram com que ele quase duvidasse da própria capacidade, agora duplicada em relação ao passado.
Sob a torrente de dezenas de metros, o impacto era inegável. A corrente batia em seu corpo como um chicote de água, mas ele permanecia firme, desfrutando do prazer de treinar sob tamanha pressão.
Após uma tarde inteira de exercício, Lan saltou da cascata para a margem.
Assim que retornou à terra firme, todo o peso desapareceu. Sentiu-se etéreo, como se pudesse voar, e não resistiu a saltar no chão plano para testar a leveza do corpo.
Num impulso, ergueu-se como uma flecha perfurando as nuvens, atingindo surpreendentes quinze metros de altura num único salto.
Ao tocar o solo, aproveitou o embalo para saltar novamente; a cada impulso, a força parecia crescer ainda mais.
"Finalmente explorei todo o potencial do meu corpo", murmurou Lan consigo mesmo. "Mas ainda não é o suficiente. Continuar assim só tornará o treino fácil demais, sem trazer progresso. Terei que aumentar a dificuldade."
Lançou um olhar ao redor, fixando-se num bloco de rocha redondo. Pensou: "Nos próximos dias, posso usá-lo para aprimorar a resistência do corpo. Quanto à velocidade dos golpes, terei de procurar uma barra de ferro enorme."
Após permanecer absorto diante da cascata por meia hora, Lan vestiu-se e, com um leve toque dos pés, lançou-se em direção ao vale.
Ao chegar à aldeia, dirigiu-se diretamente à casa do velho chefe. Observando a casa arruinada, decidiu que no dia seguinte construiria uma nova para o ancião.
Uma gota de bondade merece ser retribuída com uma fonte.
À noite, após a refeição, sentou-se na cama, fechou os olhos e meditou em seu treinamento.
No dia seguinte, ao raiar do dia, Lan saiu de casa levando a faca de cozinha longa e larga do velho chefe.
Logo chegou ao bosque no sopé da montanha atrás da Aldeia dos Pessegueiros.
A faca tinha cerca de sessenta centímetros e era extremamente afiada. Lan sentia-se confortável ao empunhá-la.
Aproximou-se de uma grande árvore, rosto sério, ergueu a mão direita e desferiu um golpe horizontal com toda a força.
Um lampejo cortante cruzou o tronco, e, em seguida, a árvore, com meio metro de diâmetro, tombou com um único golpe.
"Que faca afiada!"
Lan, surpreso, olhava para a árvore caída. Jamais imaginara cortá-la com apenas um golpe.
Examinou atentamente a faca; após um momento, seus olhos brilharam e um calafrio percorreu-lhe o peito. "Então é isso... Que tipo de ferreiro teria forjado tal lâmina?"
Notou que, embora o material não fosse do ferro mais nobre, a técnica do ferreiro era magistral.
O fio era refinado como jamais vira em sua vida anterior. Mesmo após cortar a árvore, a lâmina permanecia afiada, sem uma única lasca ou entalhe — uma faca comum já teria sua lâmina danificada após tal esforço.
Assim, Lan empunhou a faca e avançou pela floresta, derrubando dezenas de árvores em menos de uma hora.
Depois, cortou-as em vários troncos e, sozinho, transportou-os até a aldeia.
Ao chegar, encontrou o velho chefe retornando de um compromisso, talvez de casa de algum vizinho, trazendo também uma faca de cozinha na mão, caminhando em direção à sua morada.
Ao ver a montanha de madeira acumulada, o velho ficou atônito.
O que teria acontecido?
Lan aproximou-se, devolveu a faca ao velho e disse: "Vovô chefe, vi que não estava em casa esta manhã e emprestei sua faca para cortar algumas árvores. Sua casa está muito velha, quero construir uma nova para o senhor."
"O quê?", exclamou o ancião, apavorado, olhando para Lan, descrente de que ele tivesse cortado toda aquela madeira.
Afinal, Lan tinha apenas seis anos!
Como poderia um menino de seis anos derrubar árvores tão grossas?
O velho inspirou fundo, sentindo um arrepio nas costas. "Menino, você disse que cortou essa madeira sozinho?"
Lan assentiu: "Sim, vovô chefe, cortei tudo na floresta atrás da aldeia. Deve ser suficiente para construir sua nova casa."
"Ah, esta manhã não encontrei ferramentas apropriadas, então usei sua faca de cozinha. Aqui está de volta."
O chefe do vilarejo estava completamente estupefato.
Já era surpreendente um garoto de seis anos ser capaz de cortar árvores tão robustas, mas ele se obrigou a acreditar. Contudo, ao receber a faca de volta, sua mandíbula quase caiu no chão, petrificando-o por completo.
Aquela faca de cozinha... poderia mesmo cortar árvores?