Capítulo 47: Faca de Tubarão, um Terror Inimaginável (Parte Dois)
Depois de tornar-se o soberano da arena, se você mantiver uma sequência de vitórias, continuará sendo o campeão a cada edição, sem precisar pagar novas taxas de inscrição. Contudo, para surpresa de Lan, bastava participar continuamente das lutas na arena para acumular uma grande quantidade de pontos. Em uma semana, ele poderia competir em duas batalhas, totalizando dez duelos, cada um contra um adversário diferente. Além disso, com o modo de combate um contra um, caso Lan saísse vitorioso em todas as lutas da semana, seus pontos superariam todos os recordes do Coliseu das Almas.
Tendo se inscrito, Lan dirigiu-se diretamente para a arena principal, onde aconteciam as batalhas de destaque e onde ao menos vinte mil pessoas assistiriam ao espetáculo. Esse formato de combate contínuo era o mais popular do Coliseu das Almas. Naquele momento, todos os assentos estavam ocupados, e o público aguardava ansioso pela abertura do primeiro torneio após dois meses de divulgação.
— Quem diria que o Coliseu das Almas abriria o modo de torneio! Parece que hoje teremos combates de verdade!
— Quem será o primeiro campeão? Preciso fazer amizade com ele, vai que viro aliado!
— Pão assado, quatro por um! Quem quer?
— Ei, o que você está fazendo vendendo pão aqui na arena?
— Broa de milho, quatro por um!
— Por que não xinga o cara da broa?
— É minha sogra!
A abertura do modo torneio levou a movimentação ao ápice; havia até quem comprasse ingresso em pé, espremendo-se nos corredores para não perder nada. Para o Coliseu, esse era sem dúvida o melhor modelo de lucrar. Enquanto isso, várias arenas secundárias ficaram às moscas, com poucos espectadores, e algumas sequer tinham público, restando apenas o apresentador.
No meio da multidão barulhenta, Lan entrou calmamente na arena principal. Num instante, o local, antes efervescente, mergulhou no silêncio. Nos rostos de todos lia-se claramente apenas uma palavra: perplexidade. Sim, todos ficaram atônitos, encarando aquela figura magra e pequena, sem reação.
Segundos depois, a arena explodiu em gritos:
— Mas que brincadeira é essa? Torneio de arena é coisa de criança agora?
— Criança participa de torneio? Não é possível que seja só para iniciantes!
— Apresentador, que porcaria é essa? Até tirei as calças pra ver o combate e me aparece isso?
A ansiedade era tanta que ninguém mais controlava os ânimos. Era a primeira vez na história do Coliseu das Almas que se realizava um torneio desse tipo, e todos aguardavam o nascimento do primeiro campeão.
— Silêncio! — ecoou de repente uma voz grave.
Feixes de luz branca cruzaram o palco, e um homem de meia-idade, vestindo túnica igualmente branca, subiu calmamente ao púlpito. Era alto, de cabelos brancos caídos nas costas, usando uma máscara de raposa e olhos que brilhavam com uma intensidade cortante.
Num instante, o público calou-se. Porém, do canto nordeste, um homem gritou:
— E quem pensa que é? Só um apresentador, tá se achando demais!
No mesmo momento, o olhar gelado do homem mascarado se voltou para ele. Bastou aquele olhar para que o espectador começasse a sangrar pelos orifícios, sendo rapidamente arrastado para fora por seguranças.
Diante da cena, Lan ficou alerta. Sentiu claramente uma poderosa onda espiritual passar ao seu lado, e logo depois, o homem morreu. Tinha certeza de que o apresentador do torneio possuía força comparável à de um Rei das Almas, talvez até superior ao ancião que Lan encontrara anteriormente em Shrek.
Os demais espectadores, mesmo os mais inquietos, calaram-se diante da morte repentina, temendo até respirar alto demais.
Com a arena em silêncio, o homem de meia-idade falou:
— Quando eu estiver falando, não quero ser interrompido. Quando eu calar, vocês podem fazer o que quiserem. Espero respeito.
— Esta é minha estreia como apresentador; não devo nada a vocês. Se impus respeito, é por força, e peço desculpas por isso.
— Este é o primeiro torneio em toda a história do Coliseu das Almas. Vocês já viram os cartazes, não vou me estender.
— Agora, convido o primeiro competidor da noite a subir ao palco.
Com o anúncio, Lan subiu lentamente ao tablado.
— O primeiro competidor a subir chama-se Lan, um guerreiro da linhagem Mística de Poder Demoníaco, já consagrado como Soberano de Combate. Em uma disputa um contra um, derrotou seu adversário em apenas dez segundos, estabelecendo o recorde mais veloz do Coliseu das Almas!
Na mesma hora, o público levantou-se em choque, olhos arregalados, boquiabertos diante de Lan.
— Soberano de Combate?
— Esse garoto é um Soberano de Combate!
— Ouvi dizer que ontem, numa das arenas, a luta acabou mal começou. Será que era ele?
— Que fenômeno!
— E você, não estava zombando dele agorinha?
— Pois é, subestimei o garoto.
No Coliseu, só o poder era admirado. Se você fosse forte, seria venerado; se não, seria alvo de escárnio.
O entusiasmo tomou conta da arena principal. Todos apostavam em Lan. O público sabia bem: em combates equilibrados por nível de poder espiritual, dificilmente um Soberano de Combate venceria em poucos segundos. Contudo, o duelo de Lan com Yang Feng já havia se espalhado por todo o Coliseu; só não sabiam que ele era o campeão relâmpago.
Vendo o fervor do público, o apresentador do torneio sentia-se animado. Afinal, ali também havia recompensa para ele, e quanto melhor apresentasse, maior seria seu prêmio.
— Silêncio! — ordenou o apresentador.
A arena calou-se de imediato. Satisfeito, ele prosseguiu:
— Agora anunciarei o adversário de Lan.