Capítulo 89: Suavizou o tempo, embelezou a juventude, mulher de beleza incomparável, Caicai!
Assim que o som ecoou, de repente, o grande portão da casa do velho chefe da aldeia foi escancarado com um chute. Um homem de meia-idade, envolto em um casaco de pele e demonstrando arrogância, entrou imponente no salão, seguido por um grupo de subordinados. Esse homem era de compleição robusta, os músculos do corpo ressaltando ao extremo, e cada movimento seu transmitia uma força absolutamente impressionante. Do lado direito do rosto, uma cicatriz em forma de cruz marcava sua pele.
Assim que entrou, seus olhos cruéis percorreram o ambiente, como se procurassem algo. Ao ouvir o barulho da porta sendo arrombada, o velho chefe correu apressado da cozinha.
— Quem são vocês?
Ao ver que, subitamente, mais de uma dezena de homens de meia-idade ocupavam o salão, o velho chefe não demonstrou o menor sinal de medo, encarando com raiva os intrusos.
Foi então que uma risada fria ecoou entre o grupo.
— Não reconhece o nosso Irmão Cicatriz? Que chefe de aldeia fracassado você é! Se for esperto, entregue logo todos os seus bens, ou não nos responsabilizamos por transformar essa sua toca de ratos em pó.
Enquanto falava, um homem com um rabo de cavalo avançou, segurando um machado negro e brilhante, que balançava levemente de um lado para o outro.
O velho chefe ficou furioso.
Correu de volta à cozinha, pegou uma faca de cortar legumes e, apontando-a para os intrusos, exclamou com raiva:
— A Aldeia das Flores e Frutos é protegida pessoalmente pelo Salão das Almas! Se ousarem causar confusão aqui, sabem quais serão as consequências?
— Salão das Almas? — O homem da cicatriz franziu levemente a testa. — Uma aldeiazinha como a de vocês, acha mesmo que o Salão das Almas vai perder tempo com isso? Não me faça perder tempo. Se eu der a ordem, essa aldeia some do mapa.
— Ah, quase me esqueci. Meu nome é Cicatriz, sou um Mestre das Almas.
Ao ouvir que o outro era um Mestre das Almas, o velho chefe ficou apreensivo. Ele era apenas um homem comum, como poderia enfrentar um Mestre das Almas?
É preciso saber que os Mestres das Almas são os seres mais avançados do Continente Douro, detentores de poderes extraordinários. Para eles, pessoas comuns não passam de formigas. O velho chefe tinha plena consciência disso. Lançou um olhar de soslaio para Lan, lembrando-se que agora Lan também era um Mestre das Almas, mas o homem diante deles era bem mais velho — seria ainda mais forte?
Lan estava sentado a um canto. Em algum momento, uma adaga curta surgiu em sua mão.
De repente, ele se levantou e desapareceu do lugar.
Num piscar de olhos, um lampejo gélido cruzou o pescoço do homem da cicatriz, que despencou no chão. Antes mesmo que o corpo tocasse o solo, Lan ergueu a perna direita e, com um chute no abdômen, lançou o cadáver para fora do salão da casa do chefe.
Com esse só golpe, não apenas o corpo de Cicatriz foi arremessado, mas também duas fileiras de capangas que estavam atrás dele, todos projetados porta afora.
Com um som cortante que rasgou o ar, todos aqueles homens, em questão de instantes, foram eliminados. A maioria era de pessoas comuns; apenas alguns poucos eram Mestres das Almas, mas seus níveis de poder não eram altos, algo que Lan já havia sentido desde a invasão.
Tais Mestres das Almas, ao tomar esse caminho tortuoso, representam um perigo se deixados vivos, pois são os preferidos dos Mestres das Almas das Trevas. O crescimento dessas facções malignas se deve, em parte, à adesão de gente assim.
Depois de resolver tudo, Lan ateou fogo nos corpos, reduzindo-os a cinzas.
O velho chefe ficou parado no salão, atônito. De fato, a destreza de Lan o assustara. Em menos de dez segundos, aqueles mais de dez bandidos foram todos mortos por Lan.
Enquanto as chamas rugiam, Lan se virou, aproximou-se do velho chefe e disse calmamente:
— Vovô chefe, não precisa ter medo. Enquanto eu estiver aqui, ninguém vai se atrever a te fazer mal.
O velho chefe estremeceu e, apreensivo, disse:
— Menino, não imaginei que você ficaria tão forte assim. Estou feliz por você. Já suspeitava que havia algo estranho nessa tranquilidade da Aldeia das Flores e Frutos. Sabia que esse dia acabaria chegando, mas felizmente você está aqui.
Lan respondeu:
— Vovô chefe, creio que ninguém mais virá perturbar a aldeia. Quando puder, vou procurar alguns Mestres das Almas para proteger nosso lar.
— Ah, vovô chefe, preciso resolver um assunto. Hoje à noite não vou voltar para casa.
Dizendo isso, Lan seguiu rumo ao Pico do Paraíso das Flores.
Assim que deixou a aldeia, utilizou o poder místico do Caminho Demoníaco e transformou-se em um tubarão para nadar rapidamente.
Meia hora depois.
Chegou ao sopé do Pico do Paraíso das Flores. Toda a montanha estava coberta de flores de pessegueiro em plena floração, pétalas dançando ao vento ao redor do cume, uma densa energia espiritual subindo aos céus como se fosse um paraíso terrestre.
Lan ergueu os olhos para o topo. Lá, viu uma coroa de flores de pessegueiro trançadas, e centenas de borboletas coloridas bailando ao redor.
Seis anos! Seis longos anos.
Ele finalmente havia retornado. O Pico do Paraíso das Flores continuava tão magnífico quanto antes.
Então, um brilho passou nos olhos de Lan. Ele se impulsionou com a ponta dos pés, saltando leve como uma andorinha, subindo pelas pétalas voadoras em direção ao topo da montanha.
Cada pétala era como um degrau sólido. Desde que recebeu a bênção do quarto anel, todas as suas aptidões haviam se transformado. Bastava um ponto de apoio, e ele escalava as paredes mais íngremes com facilidade.
Em poucos minutos, já estava no cume do Pico do Paraíso das Flores.
Assim que seus pés tocaram o topo, uma melodia suave ressoou de repente.
"Na vida passada, cansado da música dos templos, tornei-me lótus azul,
Nesta vida, tu és a montanha, eu sou as águas correntes,
Três vidas de reencarnação, sentimentos entrelaçados,
Amor que transcende mil anos, paixão desta existência.
Agora que mares viraram campos, reencontro-me com o coração aberto,
Abrandando os anos, embelezando o rosto amado..."
Essa melodia, tão reconfortante, fez Lan perder-se por um momento. Ele fechou os olhos e serenou o espírito.
Quando a canção terminou, o som maravilhoso de uma cítara preencheu o ar, tão sublime que fazia qualquer um se sentir no paraíso, envolto numa atmosfera clássica que permeava todo o Pico do Paraíso das Flores.
Guiado pela música, Lan avançou apressadamente.
Finalmente, avistou quem interpretava aquela canção celestial.
Era uma jovem!
Tão bela quanto uma deusa, não parecia pertencer a este mundo.
Sentada em um balanço verde, ela segurava delicadamente uma cítara, os lábios tremulando suavemente.
Ao se aproximar por trás, Lan lançou um olhar à jovem e seus olhos se tornaram indecifráveis.
Ela vestia um longo vestido verde esmeralda, e o pescoço reluzia com uma luz branca — sem dúvida, sua pele era tão alva quanto a neve.
Pétalas de flores caíam pouco a pouco sobre seus cabelos, suas roupas, sua sombra.
Com a brisa, seus longos cabelos negros ondulavam suavemente. Lan, silencioso, caminhou até o seu lado, querendo ver claramente o rosto da jovem.
De repente,
Ela virou levemente a cabeça, e um par de olhos brilhantes como estrelas fitou Lan. Naquele instante, ele até pareceu perder o fôlego.
Sentiu-se incapaz de encarar diretamente aqueles olhos.
Brilhavam como um rio de estrelas.
Eram sagrados.
Intocáveis.
— Irmão...