Capítulo 68: Isso não é uma lenda

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2380 palavras 2026-02-08 15:50:24

— Que te amo nada, foi uma emboscada! — resmungou Lin, batendo as mãos no chão e saltando de pé, brandindo o chicote de fogo escarlate. — Foi você quem me obrigou a usar toda minha força.

Yang Zilan, perplexa, perguntou:

— Você estava se segurando até agora?

Lin respondeu:

— Sempre faço isso com mulheres. Depois de analisar bem, percebi que essa fera espiritual é fêmea, por isso me compadeci um pouco.

Yang Zilan ficou sem palavras.

Foi nesse momento que um vento frio varreu o lugar, e uma sombra negra passou rapidamente diante dos três.

Quase instantaneamente, incontáveis lâminas de gelo reluziram sobre o corpo da serpente dourada e flamejante; a cada golpe, jorros de sangue se espalhavam. Com o auxílio de sua segunda técnica espiritual, Lan atacava com ferocidade. Sua habilidade deixava uma marca vital na alma da presa, cada golpe era imediato e, além de restaurar sua energia espiritual, aumentava o poder de ataque.

Lan ficou surpreso ao perceber que a defesa corporal da serpente era menos resistente do que imaginara. Bastava tomar cuidado com os dentes para evitar o veneno.

Após várias investidas, Lan recuperou completamente sua energia espiritual e, com um corte devastador, ficou sobre o ventre da serpente.

Yang Zilan puxou o arco e disparou uma flecha, encerrando a vida da serpente dourada.

Pouco depois, uma luz púrpura começou a se condensar sobre o corpo da serpente, formando um anel luminoso.

Yang Zilan sentou-se ao lado da serpente, ergueu seu arco espiritual na palma da mão e, sob um brilho verde suave, guiou o anel de alma da serpente para dentro de si, iniciando a absorção de seu quinto anel espiritual.

Wang e Lin mantiveram-se atentos, cada um vigiando um ponto ao redor, sem se descuidar um instante sequer. Apesar do silêncio absoluto, na Floresta Estelar qualquer perigo poderia surgir a qualquer momento.

Para Yang Zilan, absorver esse anel não era uma tarefa difícil. Com seu nível de energia, a absorção de um anel de nove mil anos ainda não era um desafio extremo; em pouco tempo, ela completaria o processo.

O céu já escurecia, e o ar úmido da floresta, impregnado do aroma intenso das plantas, proporcionava uma sensação de frescor e bem-estar, como se banhasse o corpo.

Cerca de três horas depois, Yang Zilan abriu os olhos lentamente.

Levantou-se, e cinco anéis espirituais ascenderam de seus pés. Além dos quatro originais, agora havia um novo anel púrpura, mais intenso e profundo que os anteriores.

Yang Zilan finalmente rompeu o limite e alcançou o reino dos mestres de alma.

Agora, ela era uma mestra de alma de nível cinquenta e um.

— Zilan, qual é o seu quinto anel? — perguntou Wang, emocionado.

Ao receber o quinto anel, Yang Zilan mudou visivelmente: sua pele ficou ainda mais macia, seu corpo mais voluptuoso, e uma aura deslumbrante emanava de seus olhos, agora suavizados por uma luz delicada.

— Conte logo, que habilidade você ganhou? — Lin também estava curioso.

Yang Zilan sorriu ligeiramente, ergueu o arco, segurando-o com a mão esquerda e puxando a corda com a direita.

Um silvo cortou o ar, e um raio de luz verde foi disparado.

Aquele brilho parecia insignificante.

Rapidamente, a flecha verde atingiu uma árvore.

— Só isso? — murmuraram Wang e Lin, descrentes.

Enquanto ambos trocavam olhares de desapontamento, pequenas flores amarelas brotaram da árvore. Em menos de três segundos, ela apodreceu e caiu com um estrondo.

— Céus! — Wang respirou fundo, olhando incrédulo para o tronco completamente deteriorado.

Yang Zilan riu suavemente:

— Meu quinto poder espiritual chama-se Flecha das Flores, seu efeito é a decomposição.

No início, Wang e Lin não se impressionaram. Agora, estavam completamente atônitos.

Decomposição... imagine se isso atingisse uma pessoa!

Wang olhou para Yang Zilan com sentimentos contraditórios. Antes, ele tinha um pensamento ousado, mas agora desistiu.

Nos dias seguintes, os quatro continuaram procurando um anel espiritual de dez mil anos. Encontraram alguns, mas Lan recusou todos. Suas exigências para o quarto anel eram severas: se o tempo de vida não estivesse no limite, ele não aceitava; se o atributo não fosse compatível, também não.

Quatro dias se passaram. Para eles, comida não era problema, pois a Floresta Estelar era abundante — bastava capturar um coelho para preparar um delicioso churrasco, e era impossível não reconhecer que a carne ali era mais saborosa.

Mas, com tantos perigos à espreita, não podiam desfrutar a refeição tranquilamente, sempre atentos às ameaças.

Ao cair da noite, os quatro encontraram um espaço aberto e se prepararam para descansar.

Como nos dias anteriores, Wang e Lin montaram as tendas, e Yang Zilan cuidou do jantar.

Após a refeição, todos repousaram nas tendas.

— Lan, encontrar esse anel está sendo difícil demais. Amanhã vamos buscar mais fundo na floresta, o que acha? — Wang estava exausto, quase desanimado, mas não se arrependeu. Conquistar um talento como Lan valia mais que qualquer tesouro para o clã.

— Não. — O tom de Lan era categórico.

Lan queria, sim, buscar seu quarto anel espiritual nas profundezas da Floresta Estelar, mas sabia que quanto mais avançasse, mais antigas e perigosas seriam as criaturas. Um grupo de feras de cinquenta mil anos seria impossível de enfrentar.

Depois de dias juntos, Lan percebeu que os três eram pessoas de bom coração, que só queriam conquistá-lo para o clã, e não valia a pena arriscar a vida deles.

Poucos segundos após Lan terminar de falar, um estrondo retumbou lá fora.

— Está trovejando? — comentou Lin, indiferente.

Os trovões aumentaram de intensidade, e Lan ficou em alerta máximo; seu instinto dizia que não era apenas uma tempestade.

Imediatamente, guardou a adaga e saiu da tenda.

No fundo da floresta, relâmpagos dançavam.

De repente, uma onda de eletricidade avançou na direção deles, devastando tudo em seu caminho.

Lan concentrou o olhar e liberou seu espírito marcial, avançando para investigar.

Ao atravessar o denso matagal, deparou-se com um colosso.

A criatura tinha o corpo castanho-avermelhado, marcado por faixas azul-esverdeadas, como se vestisse uma camisa vibrante. Seus traços eram delicados: boca pequena, queixo curto, olhos enormes, e a cauda lembrava uma bandeira desfraldada.

Suas asas eletrificadas rugiam ao bater, liberando raios.

Lan ficou apreensivo, sentindo o coração acelerar.

— Então era verdade... Essa fera existe mesmo. Mas por que encontrá-la aqui?