Capítulo 28: Chamar de chefe?

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2597 palavras 2026-02-08 15:47:19

A cabeça de Lan já estava praticamente engolida pela boca da Serpente Mandrágora. Diante daquela cena, o Douluo da Espada transformou-se numa sombra branca e disparou para a frente. No entanto, percebeu que, por mais rápido que fosse, já era tarde demais.

O gigantesco maxilar da serpente fechava-se sobre o corpo de Lan, e, naquele instante, ele se tornou surpreendentemente calmo. Um brilho feroz cruzou seu olhar e sua expressão escureceu. Os anéis espirituais em seu corpo brilharam mais uma vez.

Naquele momento, ele sabia claramente que não havia mais caminho de volta. Restava-lhe apenas apostar tudo numa última cartada.

No instante seguinte, uma onda de poder irrompeu de seu corpo e um enorme tubarão rugiu para fora de seu punho.

Com um estrondo ensurdecedor, pedaços de carne voaram em todas as direções e uma chuva de sangue caiu sobre a floresta, impregnando o ar com um cheiro metálico e intenso. A imensa cabeça triangular da Serpente Mandrágora foi reduzida a estilhaços com um único soco de Lan.

Mesmo assim, a vitalidade das serpentes é realmente espantosa—apesar de decapitada, o corpo gigantesco da criatura ainda chicoteava o solo em espasmos furiosos.

Diante do corpo sem cabeça da Serpente Mandrágora, o Douluo da Espada ficou pasmo, e seu olhar para Lan tornou-se ainda mais complexo. Momentos antes, ele havia começado a se culpar, mas, em seguida, a performance de Lan o deixou profundamente impressionado e sem palavras.

Depois de matar a Serpente Mandrágora, Lan recolheu a adaga curta e rememorou o combate que acabara de travar. Foi uma luta de tirar o fôlego e, pela primeira vez, enfrentava uma fera selvagem de tamanha força. O embate deixou-o exausto, de semblante pálido.

No entanto, seria esse o fim de tudo? Não!

Talvez devido ao cheiro intenso de sangue, sons estranhos começaram a ecoar na floresta antes silenciosa. De repente, uma luz branca brilhou entre as árvores.

Ao mesmo tempo, sons de grandes criaturas colidindo com árvores ecoaram em sequência. No instante seguinte, uma fera de pelo branco, enorme, irrompeu derrubando tudo à sua frente. Era um cervo branco de mais de três metros, que saltou da mata fechada!

A excitação do Douluo da Espada era evidente; seu olhar tornou-se resoluto e ele brandiu a espada. Uma onda de energia cortante explodiu em direção ao cervo, que, apesar de grande, não poderia se comparar à Serpente Mandrágora em termos de ataque e defesa. Com um único corte, o cervo tombou no chão, restando-lhe apenas um fio de vida.

Por fim, Ning Rongrong desferiu o golpe final, obtendo assim seu primeiro anel espiritual.

Pouco depois, a Serpente Mandrágora finalmente repousou em silêncio, e de seu corpo surgiu um anel amarelo de alma. Era o anel de uma Serpente Mandrágora de quatrocentos anos—uma escolha perfeita para um espírito de controle.

Mas Lan nem sequer lançou um olhar para o anel, deixando-o desaparecer.

Após algumas horas, Ning Rongrong conseguiu absorver totalmente seu primeiro anel espiritual. O Douluo da Espada, satisfeito com a atuação de Lan, manteve seu plano: ao invés de convidá-lo diretamente para ingressar na Seita Gloriosa dos Sete Tesouros, utilizou o pretexto de devolver o favor, deixando que Lan fosse até lá por vontade própria. O que viria a seguir dependeria da resposta de Lan.

Ao deixarem a floresta de caça de espíritos, Lan despediu-se do Douluo da Espada e retornou para a Academia de Mestres de Almas de Nuo Ting.

Quando Lan chegou à academia, já era meio-dia do dia seguinte. Os alunos estavam nos dormitórios; após uma refeição rápida no refeitório, Lan dirigiu-se ao prédio dos dormitórios.

A busca pelo seu primeiro anel espiritual o deixara mais cansado do que jamais estivera. Ao recordar a luta solitária contra a Serpente Mandrágora, ainda sentia o coração acelerar. Aquela fera fora o inimigo mais poderoso que enfrentara em todas as missões até então. Os alvos que assassinara em sua vida anterior, por mais fortes que fossem, não passavam de alimento comparados a uma fera espiritual como aquela.

Ao chegar ao segundo andar, Lan ouviu vozes estridentes.

— Que droga, aquele pobretão do Sétimo Dormitório ainda não voltou?

— Ouvi dizer que o nome dele é Lan. Que nome ridículo! Quando ele aparecer, quero só ver a cara dele.

— Dizem que agora ele é o chefe do Sétimo Dormitório. Os estudantes-trabalhadores de lá estão todos se achando.

— Se conseguiu virar o chefe do Sétimo Dormitório, deve ter alguma habilidade. Lembro que o chefe era o Wang Sheng, mas se ele tomou o lugar dele, é porque é mais forte. Melhor tomarmos cuidado.

— Humpf, quanto poder pode ter um estudante-trabalhador? Quando ele voltar, vamos ensiná-lo a ser um cãozinho obediente. Se não obedecer, vai apanhar até aprender.

— Melhor desmontar a cama dele, usar as roupas de cama como pano de chão e fazer ele ficar de joelhos, boca aberta, para servir de penico pra gente.

— Ah, além do tal Lan, no dormitório dos estudantes-trabalhadores tem mais dois. Já descobri tudo: um se chama Tang San e o outro, Xiao Wu, uma menininha bem bonitinha.

— Que tal, aproveitando a noite escura, levá-la pro bosque... hehehe...

Lan, que estava a caminho do Sétimo Dormitório no terceiro andar, ouviu aquelas palavras e sua expressão escureceu imediatamente. Sem hesitar, girou nos calcanhares e foi em direção ao Sexto Dormitório.

Diante da porta fechada, Lan ergueu a perna e desferiu um chute.

Com um estrondo, a porta de ferro foi lançada longe, batendo com força contra a parede do dormitório.

Naquele instante, todas as crianças dentro do dormitório ficaram aterrorizadas.

Havia cerca de uma dúzia de alunos no Sexto Dormitório, todos muito jovens, entre seis e doze anos, meninos e meninas, vestidos com roupas luxuosas — filhos de famílias ricas, sem dúvida. Alguns rapazes abraçavam alunas, claramente em atitudes indecentes, totalmente despudorados. Eram ainda crianças, mas já se entregavam a práticas ousadas, que muitos adultos sequer ousariam.

O mais revoltante era ver alguns meninos passando as mãos pelo corpo das colegas, sem o menor pudor.

O estrondo rapidamente chamou a atenção dos estudantes-trabalhadores do terceiro andar. Para eles, confusões como aquela já eram corriqueiras — os nobres sempre aprontavam.

Movidos pela curiosidade, um grupo de estudantes-trabalhadores desceu às pressas.

Ao ver Lan parado em frente à porta, todos ficaram eufóricos. Durante os dias em que ele estivera ausente, sofreram bastante; toda vez que o chefe do Sexto Dormitório e seus seguidores apareciam, os estudantes-trabalhadores se encolhiam de medo nos cantos.

Agora, porém, tudo mudara: o chefe do Sétimo Dormitório, Lan, estava de volta. Com o líder presente, os subordinados sentiam-se valentes.

Wang Sheng correu até Lan, emocionado:

— Chefe, graças a Deus você voltou! Esses dias em que você esteve fora, o pessoal do Sexto Dormitório veio nos provocar e nos espancou sem piedade.

— Diziam que enquanto você não voltasse, iam nos bater todos os dias. Muitos alunos do Sétimo Dormitório ficaram até acamados.

O mais alto dos rapazes do Sexto Dormitório olhou para Wang Sheng com desdém e zombou:

— Wang Sheng, você é mesmo um bom cachorro. O dono voltou e você já abana o rabo. Acho que fui bonzinho demais com você.

Enquanto falava, lançava olhares arrogantes para Lan e esboçou um sorriso frio:

— E você, novato, sabe quem eu sou? Todo calouro que entra na Academia de Nuo Ting, seja nobre ou estudante-trabalhador, quando me vê tem que me chamar de chefe!