Capítulo 2: O Despertar do Espírito Marcial

Douluo: O Douro das Sombras Brisa de Neve Centenária 2460 palavras 2026-02-08 15:44:30

— Ei, vocês dois vieram de onde?

— Tá olhando o quê? Acredita que eu te arrebento?

— Vocês estão hospedados na nossa vila, já pagaram a taxa de acomodação? Se não pagaram, caiam fora daqui, senão esse bastão de ferro vai escapar das minhas mãos.

— Hahaha, esse moleque ficou paralisado de medo, olha só.

Alguns rapazes, todos mais altos que Lan, exibiam-se agressivamente, tentando intimidá-lo.

Era noite profunda, e Cai Wenji já dormia profundamente.

Lan olhou para Cai Wenji, fechou a porta com cuidado e murmurou: — Vamos para um lugar aberto.

Os garotos trocaram olhares e, concordando, seguiram Lan.

Depois de caminharem cerca de cinquenta metros para fora das casas, Lan parou repentinamente, girou sobre os calcanhares, e seus olhos brilharam com uma luz fria e afiada.

— Querem brigar? — O líder, um rapaz corpulento, repleto de gordura, era o maior e parecia o mais forte entre eles, além de ser o chefe do grupo.

Lan adotou um semblante sério e disse calmamente: — Não tenho dinheiro, podem começar.

Ao ouvir isso, os garotos ficaram furiosos.

Como assim, esse moleque está tirando sarro deles?

Então, cerraram os punhos e avançaram.

Os olhos de Lan reluziram com frieza, suas pernas dobraram e, num movimento súbito, tornou-se uma sombra solitária, avançando contra eles.

No instante seguinte, ouviram-se alguns sons abafados — "pum, pum, pum" — e todos os garotos foram lançados ao chão, gemendo de dor.

Alguns até desmaiaram imediatamente.

Diante de Lan, um assassino treinado, esses garotos eram totalmente indefesos.

Lan apenas utilizou o impulso de ataque, executando chutes rápidos em sequência, resolvendo o confronto com facilidade.

Os garotos caídos nem ousaram reclamar; Lan lançou-lhes um olhar e todos tremiam de medo.

Um deles chegou a urinar-se de pavor.

De volta ao quarto, Lan cobriu Cai Wenji cuidadosamente e voltou a se dedicar à prática silenciosa de sua técnica.

Durante os dias seguintes, Lan continuou a treinar suas habilidades de assassino, mas havia algo que ele ainda não compreendia: sua técnica de caça permanecia presa num gargalo, como se estivesse bloqueada. Não importava o que fizesse, era inútil.

...

Três dias depois, na aldeia de Taoli.

À entrada da vila, a silhueta de um jovem foi gradualmente absorvida pelo vilarejo.

O rapaz parecia ter pouco mais de vinte anos, com sobrancelhas marcantes e olhar brilhante, de aparência extremamente atraente. Vestia um traje branco, um manto preto nas costas, e, bem ao centro do peito, havia um símbolo do tamanho de um punho: a palavra "alma".

Sem dúvida, era o uniforme padrão dos oficiais do Salão das Almas.

O jovem exibia uma arrogância discreta entre as sobrancelhas: — Eu, Su Yun Tao, digníssimo oficial do Salão das Almas, sou enviado todo ano para esses lugares esquecidos por Deus, como guia. Com meu talento, não deveria estar no escritório tomando chá e flertando com moças? Que desperdício!

— Olhando para essa vila, deve haver umas cinquenta ou sessenta famílias... Este ano, talvez só dois ou três jovens para despertar, não é?

— Quanto antes terminar, mais cedo encontro minha querida Si Si.

Ao pensar nisso, o jovem sentiu-se mais animado.

É o que chamam de "matar a saudade à distância".

Na porta do Salão das Almas, o chefe de Taoli já havia reunido, ao amanhecer, todos os jovens que seriam despertados este ano, aguardando a chegada do oficial para iniciar o ritual.

Originalmente, seriam quatro crianças da aldeia para o despertar, mas com Lan e Cai Wenji, totalizavam seis.

Lan e Cai Wenji estavam atrás dos outros quatro, e Cai Wenji, apertando as mãos, murmurou nervosa: — Lan, e se não conseguirmos nos tornar mestres de almas? O avô Noke vai ficar tão decepcionado!

Lan sorria com serenidade: — Não tenha medo; e se não conseguirmos? Continuaremos sendo nós mesmos.

Su Yun Tao mal chegou à porta do Salão das Almas, e o chefe da aldeia correu ao seu encontro, fazendo uma reverência respeitosa: — Olá, estimado mestre de almas, estes são os jovens que precisam ser despertados este ano. Mais uma vez, contamos com sua ajuda.

Su Yun Tao respondeu friamente: — Não é problema, afinal, o despertar na sua vila é bem rápido.

Na verdade, o comentário de Su Yun Tao era uma gentileza disfarçada; o que ele realmente queria dizer era:

— Na sua vila não há almas decentes, então nem vale a pena testar o poder espiritual.

Como guia de despertar há anos, Su Yun Tao já tinha experiência: almas inferiores são tratadas como almas descartáveis.

Almas descartáveis não têm poder espiritual, então testar só desperdiçaria seu tempo.

Pulava direto o processo!

O chefe da aldeia virou-se para os seis jovens: — Crianças, este é o mestre Su Yun Tao, vindo da cidade de Notting. Ele irá guiá-los para despertar suas almas. Colaborem, o avô espera que vocês se tornem tão talentosos quanto ele.

Su Yun Tao sacudiu a manga, resmungando: — Será que os chefes das vilas combinam as falas? Todo ano é a mesma coisa. Querem ser como eu? Pra vocês, isso é mais difícil que subir ao céu!

O chefe da aldeia de Lao Li ficou abatido; ele já havia enviado jovens para despertar ano após ano, mas nenhum conseguira manifestar poder espiritual. Tornar-se mestre de almas era realmente difícil.

Suspirando, saiu cabisbaixo do Salão das Almas.

Com a figura envelhecida saindo pela porta, Su Yun Tao sacudiu a manga, fechando as duas portas.

Dentro do Salão das Almas, apenas alguns feixes de luz entravam inclinados pela janela.

No centro, Su Yun Tao pousou a mochila, olhando para os seis jovens e disse calmamente: — Crianças, meu nome é Su Yun Tao, sou um mestre de almas de nível vinte e seis, especialista em despertar. Eu conduzirei o ritual, e não importa o que aconteça, não tenham medo.

Enquanto falava, Su Yun Tao retirou os itens de despertar da mochila: seis pedras negras e brilhantes, e uma esfera de cristal azul.

Colocou as seis pedras no chão, formando um hexágono, levantou-se e, de repente, bradou com voz firme:

— Lobo solitário, possua-me!

Ao som de sua voz, o corpo de Su Yun Tao começou a se expandir, os cabelos escurecidos tornaram-se cinzentos, os olhos emanavam um brilho verde, e seus braços ficaram cobertos de pelo cinza.

Ao mesmo tempo, dois anéis de luz surgiram sob seus pés.

Um branco e um amarelo!

— Ah! — Exceto Lan e Cai Wenji, todos os jovens gritaram assustados, os quatro da frente recuando em pânico.

Um deles, por medo, pisou no pé de Cai Wenji; não doeu muito, mas ela não conseguiu evitar um gemido de dor.

Lan estreitou os olhos, expressão severa, e colocou a mão no ombro do garoto à frente de Cai Wenji, empurrando-o para frente.

O garoto olhou para Lan e percebeu que seus olhos eram assustadores.

Mais assustadores até que os de Su Yun Tao; aqueles olhos não tinham sequer um traço de emoção, tão afiados que era difícil respirar perto deles.