Capítulo 97: Reencontro com Sun Yong
Ao chegarem ao canteiro de obras, foi novamente Lu Chen e Qi Jun quem desceram primeiro do carro, com Fang Yingling logo atrás, e os três seguiram direto para dentro. No entanto, algo parecia diferente naquele dia: o canteiro que ontem fervilhava de atividade estava agora silencioso, sem um só trabalhador à vista, nem mesmo uma sombra ao redor.
— Será que hoje deram folga? — murmurou Qi Jun, com as sobrancelhas franzidas, observando o entorno.
— Vamos até a área dos alojamentos ver se encontramos alguém. Seria bom chamar alguns operários para ajudar a escavar o solo e tirar o caixão — respondeu Lu Chen, sorrindo suavemente.
Qi Jun assentiu, pronto para seguir com Lu Chen em busca de ajuda, quando de repente percebeu dois grupos saindo das florestas dos lados, cada um carregando barras de ferro, bastões de madeira e outras armas improvisadas, cercando-os em silêncio.
— O que vocês querem? — perguntou Qi Jun em tom frio.
— Lu Chen, Lu Chen, veja só, o caminho para o paraíso está aberto, mas você insiste em entrar no inferno! — soou uma voz cheia de sarcasmo, e Sun Yong surgiu entre a multidão, acompanhado do secretário Wang e alguns seguidores, caminhando com calma.
— Hoje você caiu nas minhas mãos, vai implorar pela vida e não poderá morrer! — Sun Yong lançou a Lu Chen um olhar carregado de rancor.
Filho mimado como ele, quem não valoriza a própria reputação? Mas nas duas vezes que enfrentou Lu Chen, sofreu dores físicas inauditas, quase destruindo sua confiança e tornando-se motivo de chacota até entre seus pares. Para lavar tal humilhação, Sun Yong desejava vingança a todo momento, mas nunca encontrara oportunidade. Agora, finalmente, o destino lhe sorria: seu inimigo viera voluntariamente ao seu território.
O relatório do secretário Wang, no dia anterior, lhe revelou uma chance perfeita de vingança: o canteiro de obras era seu domínio, bastava uma ordem para mobilizar centenas de trabalhadores a seu favor. Além disso, na Montanha do Pássaro Dourado, distante do centro, mesmo se Lu Chen chamasse a polícia, ela demoraria a chegar, tempo suficiente para ajustar as contas.
— Sun Yong, em plena luz do dia, sob o céu aberto, você realmente pretende cometer injustiças? —
Ao ver Sun Yong naquela postura, Lu Chen sentiu-se satisfeito; na verdade, ao barrar o secretário Wang no dia anterior, já havia delineado um plano. Dada a animosidade entre ele e Sun Yong, sua presença no canteiro da Montanha do Pássaro Dourado era motivo certo para represália. Ele representava a família Fang na busca pelo túmulo, e qualquer conflito atrairia a atenção do velho Fang, que jamais ficaria alheio. Ainda mais considerando que fora Sun Yong quem ordenara a destruição do túmulo do bisavô de Fang, impossível que o velho Fang engolisse tal afronta; o confronto entre as famílias era inevitável.
— Lu, você é mesmo tolo ou finge ser? Se hoje eu não acabar com você, nem me chame mais de Sun! — Sun Yong ficou surpreso com as palavras de Lu Chen, sem entender o motivo, mas seu desejo era apenas espancar o adversário e humilhá-lo, para enfim exorcizar o rancor acumulado.
Qi Jun, confuso, supunha que a represália era por ter enfrentado os seguranças no dia anterior.
— Vou avisar: é melhor se comportarem. Há pessoas com as quais vocês não deveriam se meter — disse Qi Jun, fitando Sun Yong com expressão sombria.
Sun Yong lhe lançou um olhar e sorriu com desdém:
— Em toda a cidade de Beihai, não há ninguém que Sun Yong tema!
Era claro que, aos seus olhos, Qi Jun era amigo íntimo de Lu Chen. Afinal, no dia anterior, acompanhara Lu Chen e enfrentara seus seguranças.
— Você não parece grande coisa, mas é bem arrogante! — protestou Fang Yingling ao ouvir a presunção de Sun Yong.
Ela jamais encontrara alguém tão insolente. Além do mais, ele destruíra o túmulo de seu bisavô; não havia espaço para reconciliação.
— Ora, que surpresa! Temos uma bela garota por aqui! — Sun Yong ficou encantado ao ver Fang Yingling, radiante e jovem, e não resistiu a provocá-la:
— Querida, quando o irmão começar a bater, venha para o meu colo, não se assuste.
Acostumada a ser cortejada, Fang Yingling jamais fora alvo de tais gracejos. Irritada, arqueou as sobrancelhas e respondeu:
— Sun, se você tocar num fio do meu cabelo, farei toda a sua família arder no inferno!
— Que temperamento, hein, mocinha? —
Sun Yong riu, desviando o olhar para Lu Chen, e com um sorriso malicioso, disse:
— Lu, você tem sorte que sua esposa não está aqui. Mas essa bela jovem ao seu lado vai pagar caro. Hoje você verá como eu trato as mulheres dos seus amigos.
— Canalha! Imundo! Repugnante! — Fang Yingling ficou vermelha de raiva, apertando os dentes.
— Calma, querida, teremos tempo para brincar depois — Sun Yong gargalhou, despreocupado. Já fizera isso outras vezes, diante de maridos ou namorados, resolvendo tudo com dinheiro. Assim, não pensava muito nas consequências; se necessário, pagaria mais.
— Qi Jun, prenda esse desgraçado! Quero esmagar a cabeça dele! — Fang Yingling, incapaz de suportar mais insultos, ordenou, furiosa.
Qi Jun assentiu e, de repente, avançou como um leopardo em direção a Sun Yong. Embora normalmente fosse calmo, a arrogância de Sun Yong o enfureceu. Desafiar a senhorita da família Fang diante dele era suicídio.
Sun Yong recuou rapidamente. Nesse momento, uma sombra enorme surgiu ao lado, barrando Qi Jun. Ao ver o novo oponente, Qi Jun ficou mais atento: o homem tinha pelo menos um metro e noventa de altura, músculos salientes, pele escura, parecendo um urso negro humanizado.
— Vocês acham que sou idiota? — zombou Sun Yong, apontando para o grandalhão e apresentando-o com orgulho:
— Lu, esse é o especialista em lutas clandestinas que trouxe do Sudeste Asiático, só para você.
Depois de duas lições severas, Sun Yong não confiava mais em seus seguranças, então, usando contatos do pai, contratou um lutador profissional para enfrentar Lu Chen.
E, de fato, o especialista estava mostrando seu valor, deixando Sun Yong exultante.