Capítulo 38 - A Estranha Doença

O Genro Predestinado Capitão Jia salva a pátria de maneira indireta 2346 palavras 2026-03-04 20:10:57

Enquanto Arlindo ainda estava atônito, Lúcio lançou repentinamente um chute certeiro, atingindo-o em cheio no peito e fazendo com que seu corpo inteiro fosse arremessado para longe. Todos que presenciaram a cena arregalaram os olhos, incrédulos.

O corpo robusto de Arlindo, como uma pipa que teve o fio cortado, voou para trás por uns sete ou oito metros, despencando com estrondo sobre o sofá onde Renato Sampaio estivera sentado, reduzindo-o a pedaços e arrancando um grito agudo de Sônia Lin.

— Arlindo, você está bem?

O semblante de Renato Sampaio mudou ligeiramente; o olhar de desdém e desprezo que lançava a Lúcio se tornou, num instante, sério e pesado. É preciso lembrar que Arlindo era seu capanga mais forte; não seria exagero dizer que ele poderia enfrentar vinte homens sozinho com facilidade. No entanto, naquele dia, fora arremessado com um único chute por um sujeito aparentemente insignificante.

— Estou... estou bem...

Arlindo segurava o peito, respirando com dificuldade, sentindo-se como se tivesse sido atropelado por um carro em alta velocidade — seus órgãos pareciam todos fora do lugar. Contudo, graças à sua constituição robusta, bastaria algum tempo de repouso para recuperar-se normalmente.

— Renato, se todos temos assuntos a tratar, por que não sentamos e conversamos calmamente? Não há necessidade de recorrer à violência, não é mesmo? — disse Lúcio, caminhando lentamente à frente e encarando Renato Sampaio com um leve sorriso.

— Vejo que subestimei seu talento, meu amigo. — Renato respirou fundo e, com certa rigidez no rosto, forçou um sorriso.

— Renato, percebo que suas olheiras estão profundas, o centro da testa escurecido, o olhar disperso e sem brilho. Você anda tenso, irritadiço, propenso à raiva... Diga-me, ultimamente tem tido muitos pesadelos?

Após observar Renato por um momento, Lúcio falou de repente.

— Como? — Luciano e Ana Cristina ficaram atônitos com aquelas palavras, olhando para Lúcio cheios de dúvida, sem entender por que dizia coisas tão estranhas naquele momento.

Jéssica Oliveira estava à beira de um ataque de nervos, pensando que, tendo já derrotado o capanga de Renato, aquela era a hora de exigir que fossem liberados, e não de se perder em enigmas. Será que ele estava querendo complicar ainda mais a situação?

Já Marina Sampaio, por outro lado, parecia lembrar de algo e, ao olhar para Lúcio, seus olhos brilharam de expectativa.

Quanto a Sônia Lin, o senhor Chen e os demais capangas, todos olhavam para Lúcio com expressões estranhas, como se estivessem diante de um lunático.

O sorriso foi sumindo do rosto de Renato Sampaio e, quando todos pensaram que ele explodiria, ele murmurou em voz baixa:

— Como você sabe disso?

— Li isso no seu rosto. — Lúcio sorriu suavemente e, apontando para Jéssica, Marina e os demais, continuou: — Renato, que tal deixar essas pessoas irem? Posso ficar e conversar com você a sós.

Renato franziu o cenho e, após lançar um olhar aos presentes e hesitar por um momento, disse:

— Arlindo, acompanhe essas jovens até a saída. Quero ver do que esse rapaz é capaz.

Mesmo sem admitir diretamente, sua atitude deixava claro que havia reconhecido a veracidade das palavras de Lúcio.

Luciano, ao ouvir isso, finalmente relaxou o coração que estivera apertado e, puxando Ana Cristina, preparou-se para sair rapidamente. Não sabia como Lúcio havia conseguido enganar Renato com aquelas palavras, mas se não aproveitassem para ir embora agora, talvez não tivessem outra chance.

Jéssica e Marina, porém, hesitaram em partir, permanecendo imóveis. Lúcio então olhou para o corpo desacordado de Iago Xavier caído no chão e falou baixo:

— Jéssica, Marina, vão na frente. Levem Iago ao hospital.

Assim que todos saíram, Renato Sampaio finalmente perguntou:

— Como devo chamar o senhor?

— Lúcio Chen — respondeu Lúcio, sorrindo levemente ao apresentar-se.

— Imagino que, se percebeu que sou atormentado por pesadelos todas as noites, também saiba como resolver meu problema. Peço, por favor, que compartilhe seu conhecimento. — Renato fitou Lúcio intensamente.

Nas últimas semanas, praticamente todas as noites, ele era atormentado por sonhos terríveis, o que deteriorava cada vez mais a qualidade do seu sono e já prejudicava sua concentração durante o dia.

Lúcio, com serenidade, perguntou:

— Gostaria de saber, Renato, sobre o que costumam ser seus pesadelos?

— Bem... — Renato hesitou brevemente e, então, meio constrangido, respondeu: — Para ser sincero, apesar de saber que tenho pesadelos toda noite, ao acordar pela manhã jamais consigo me lembrar do que sonhei.

— Não consegue se lembrar dos detalhes?

Lúcio franziu levemente a testa, analisou atentamente o rosto de Renato e perguntou:

— Ao acordar, percebe alguma mudança física em alguma parte do corpo?

Renato refletiu um pouco e apontou para o peito:

— Toda manhã, sinto uma dor cada vez mais forte no coração, mas dura apenas uns quinze segundos e depois passa.

— Por favor, tire a camisa para que eu possa examinar seu peito.

— Claro.

Com a ajuda de Arlindo e Sônia Lin, Renato tirou o paletó e a camisa. Apesar da idade, mantinha boa forma graças aos exercícios frequentes na academia. Ao despir-se, revelou um peitoral definido e, tatuada no peito, uma feroz onça descendo do morro.

Lúcio observou rapidamente. Somente pessoas como Renato, com passagens pelo submundo, costumam tatuar uma onça descendo — símbolo de coragem e espírito empreendedor. Para os veteranos do crime, a presença desta tatuagem impõe respeito, desde que não seja em excesso. Porém, esse tipo de tatuagem precisa harmonizar com o destino e a personalidade do portador, caso contrário, pode trazer conflito e azar.

Sob os olhares desconfiados de Arlindo e Sônia Lin, Lúcio estendeu lentamente o dedo e pressionou alguns pontos no centro do peito de Renato. Instantaneamente, surgiu uma mancha roxa e escura, do tamanho de uma palma, no lado esquerdo do peito de Renato.

Arlindo arregalou os olhos e gritou furioso:

— O que você fez com o Renato?

— Fique quieto! — Lúcio ordenou com a testa franzida, pressionando novamente a mancha, fazendo Renato Sampaio gemer de dor.

— Isso, isso! É exatamente essa dor que sinto toda manhã! — Apesar do incômodo, Renato estava visivelmente emocionado e assentiu com vigor.

Lúcio recuou a mão, com o semblante grave, e disse em tom sério:

— Se não me engano, Renato, você foi vítima de um feitiço de aprisionamento onírico...