Capítulo 45: Conversa
Lu Chen levou Ye Qingling ao hospital e, quando ela despertou e se confirmou que estava bem, ele a acompanhou para sair e voltar para casa.
— Vamos ficar aqui por um momento — disse Ye Qingling, que até então permanecera em silêncio, justamente quando Lu Chen se preparava para abrir a porta do carro.
Lu Chen olhou para ela e assentiu suavemente, sorrindo:
— Claro.
— Você acha que sou inútil? Na primeira vez que representei o Grupo Longsheng para negociar um grande contrato, quase fui humilhada por Sun Yong...
Enquanto falava, um sorriso triste se desenhou no rosto delicado de Ye Qingling, transparecendo desalento.
Desde pequena, ela tinha como ídolo a tia Ye Jianhui e jurava, em segredo, que um dia se tornaria uma mulher tão inteligente e capaz quanto ela, sem depender de homens. Ao se formar na universidade, entrou na pequena empresa do pai e, graças ao próprio esforço e talento, conseguiu reverter anos de prejuízos, conquistando elogios de pais e amigos.
Naquela época, seu ânimo cresceu sem que percebesse, acreditando que, com uma oportunidade adequada, poderia alcançar grandes feitos. Os acontecimentos na antiga casa da família Ye lhe proporcionaram justamente essa chance.
Mas, infelizmente, a realidade foi um golpe cruel, destruindo sua autoconfiança. Até mesmo Ye Zihao, um rapaz mimado, conseguiu o que ela não pôde. Por fim, percebeu que talvez tivesse superestimado suas capacidades — talvez nem fosse melhor que Ye Zihao.
— Não é bem assim. Sun Yong é um canalha, um daqueles devassos famintos por mulheres; ao ver uma beldade como você, é natural que perdesse o controle. Se fosse outra pessoa, o resultado da negociação de hoje poderia ser diferente — respondeu Lu Chen, sorrindo suavemente para confortá-la.
— Sério? — Ye Qingling ergueu o olhar, fixando-o com uma expressão absorta.
— Claro. Você deve estar pensando: “Se até Ye Zihao, aquele playboy, conseguiu, por que eu não consegui?” — disse Lu Chen, vendo-a assentir, e continuou: — Mas não deveria se comparar assim. Ye Zihao só teve sucesso porque soube agradar Sun Yong, ou, digamos, porque ambos compartilham interesses semelhantes. Como playboy que é, Ye Zihao conhecia bem as preferências de Sun Yong. Depois de comerem e beberem juntos, a negociação fluiu naturalmente.
— Ye Zihao é meu irmão, afinal. Por que você fala dele dessa maneira? — Ye Qingling não pôde deixar de rir diante das palavras de Lu Chen, balançando a cabeça. Enfim, um sorriso surgiu em seu rosto antes tão frio.
Lu Chen ficou momentaneamente encantado com o sorriso dela, mas logo voltou ao normal e comentou em voz baixa:
— Tenho a impressão de que a tarefa que seu tio lhe confiou foi um verdadeiro armadilha.
— Como assim? — Ye Qingling franziu as sobrancelhas, claramente intrigada.
Lu Chen sorriu:
— Você é excelente no trabalho, mas ainda muito jovem. Não conhece as artimanhas desses velhos... ou melhor, das raposas do mercado.
— E você parece entender tudo, não é? — Ye Qingling resmungou, um pouco irritada.
Lu Chen não se importou com a provocação e prosseguiu:
— Seu tio sabia que Sun Yong era um sujeito tão desprezível. Por que mandou você negociar com ele? E Ye Zihao, colaborando tão bem na transição de responsabilidades, você nunca desconfiou?
Ye Qingling ficou pensativa e lembrou do conselho que a mãe lhe dera no primeiro dia de trabalho: que tomasse cuidado com o tio e a tia. Na época, não deu importância, afinal eram família, e como poderiam prejudicá-la? Mas agora...
— Na minha opinião, a negociação com o Ecoresort da Montanha, independente do resultado, traria consequências negativas para você — analisou Lu Chen calmamente. — Normalmente, ao negociar com Sun Yong, você recusaria as exigências absurdas dele e, assim, a parceria fracassaria. Com isso, o primeiro negócio que você realizou como vice-presidente seria um fracasso total. Comparando com o sucesso de Ye Zihao, como acha que os funcionários da empresa reagiriam?
Ye Qingling não respondeu, mas assentiu.
Ela sabia da importância de fechar esse primeiro contrato, por isso se esforçava para garantir a parceria com o Ecoresort, esperando assim firmar seu espaço no grupo e facilitar futuros projetos. Se fracassasse, seria inevitavelmente comparada a Ye Zihao: ele quase conseguiu, ela falhou completamente — a diferença era clara.
— Claro, o fracasso você ainda poderia suportar. Bastaria se esforçar mais e buscar novas parcerias comerciais. Mas, se tivesse sucesso, talvez não pudesse mais trabalhar no grupo sem constrangimento — continuou Lu Chen, após uma breve pausa, com voz fria: — Todos sabem quem é Sun Yong, um sujeito repugnante. E você, uma mulher bela, elegante e de corpo impecável, negociando diretamente com ele e conseguindo fechar o negócio... Não acha que os outros começariam a especular?
— Não... não pode ser — Ye Qingling ficou pálida, mostrando um raro traço de nervosismo e inquietação.
— Por que não pode? Nunca superestime a bondade humana, nem subestime sua crueldade! — Lu Chen balançou a cabeça, suspirando: — Nessa situação, você seria vista como alguém disponível para qualquer um, mesmo que não tenha feito nada de errado. Mas quem acreditaria? Como diz o ditado, “se há lama nas calças, não é fezes, mas parece fezes”.
Ye Qingling franziu as sobrancelhas, pálida, e respondeu com voz trêmula:
— Meu tio... ele não faria isso, faria?
— Por que não faria? Você conhece o caráter dele melhor do que ninguém. Diante do poder e dos interesses, não existe laço familiar ou amor — disse Lu Chen, sorrindo com indiferença. Pessoas como Ye Jianwu ele conhecia bem; se houver lucro suficiente, não hesitaria em sacrificar qualquer relação, até mesmo a própria família.
— E agora... o que devemos fazer? — Ye Qingling, confusa, sentia a mente tumultuada. Não sabia se as palavras de Lu Chen se confirmariam, mas nunca pensara em tudo aquilo antes. Embora desejasse que nada disso acontecesse, o futuro era incerto.
Ela sabia que não podia confiar cegamente no tio. Precisava encontrar logo uma solução, mas já estava em desvantagem — e agora, como resolver?
Pensando nisso, olhou para Lu Chen com esperança.